O Brasil não é para principiantes…

Com o titulo “Insano”, eis artigo do jornalista Luis-Sérgio Santos. Focando o escândalo da Petrobras, ele endossa o que disse Tom Jobim um dia: “o Brasil não é para principiantes.” Confira:

O Brasil não é para principiantes, assertou — flexão de assertar — Tom Jobim que passou parte de sua vida olhando o país de fora. A frase é carregada de ironia sobre um dos países mais burocratizados do mundo e um dos menos competitivos em que pese sua vantagem comparativa principalmente em recursos naturais. Já tivemos até um Ministério da Desburocratização e hoje somos o país com maior número de ministérios do mundo e de pífios resultados

Aqui tudo é maior que no resto do mundo embora as regras desmoralizam qualquer Lei de Murphy. É o país continental com estupenda floresta tropical — desprotegida —, dono por algum tempo do maior estádio de futebol do mundo em uma república de monarcas, a começar pelo rei do futebol. O hino nacional não economiza: “Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso/ E o teu futuro espelha essa grandeza.” O vienense Stefan Zweig não teve dúvidas quando escreveu um livro que visou slogan “Brasil, País do Futuro”. Não poderia dar errado, atestou o olhar estrangeiro. O gigantismo de uma das maiores petroleiras do mundo e as novas reservas na plataforma continental faziam coro ao som de timbalada nacional, “este é o país que vai pra frente”.

Para coroar o gigantismo, temos a maior festa profana do hemisfério, são quatro dias de folia e brincadeira ao mesmo tempo em que o País é embalado pela maior campanha global para uso de preservativos. Pelo tom da campanha não há dúvida: é o Carnaval que transmite Aids e outras chamadas DSTs. Um olhar estrangeiro rapidamente concluiria que o Ministério da Saúde entende o Carnaval como uma grande orgia sexual em massa.

A despeito de toda a vantagem comparativa com países vizinhos como o Chile, o México e outros como o Japão, país este que não produz uma gota de petróleo, por exemplo, o Brasil amarga indicadores sociais péssimos na área do conhecimento. Os que se sobressaem aqui são rapidamente importados por países que investem em pesquisa em escala industrial, como Estados Unidos. O ministro Aloisio Mercadante, quando na Educação, confundiu o MIT, um centro de excelência global, com uma franquia do McDonalds. Queria trazer um para o Brasil.

Pior de tudo, de repente, o pensamento de que somos os reis da cocada preta ou o “o” do borogodó, se instalou no seio — se preferirem, nas tetas — da maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo, a Petrobras. O escândalo de aparelhamento e de corrupção sem referência global só tem mesmo comparação com o tamanho e as profundezas do pré-sal. Chegamos ao limite da insanidade. A expectativa agora é a de sabermos como a empresa Petrobras sairá desta encrenca, a qual custo e em quanto tempo. E também como seu sócio-controlador, o Governo do Brasil, irá lidar com o cenário que se desenhará quando tudo vier a público no fecho da Operação lava-Jato.

O Brasil não é para principiantes.

* Luís-Sérgio Santos, 

Jornalista.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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