O maior caso de corrupção na história deste país

Em artigo no O POVO deste domingo (4), o presidente da Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo (Fadesp), Raimundo Hermes Barbosa, questiona a postura do juiz Sérgio Moro, que “já deu demonstrações de autoritarismo ao prender suspeitos, atropelando regras processuais” no esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas da Operação Lava Jato. Confira:

Desde março passado, quando a Polícia Federal fez série de prisões para desmontar esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, a Operação Lava Jato tornou-se um dos casos mais discutidos do Brasil. Não é para menos, afinal, segundo as autoridades que investigam o caso, o esquema movimentou cerca de R$ 10 bilhões e, atualmente, já falam em quantias superiores. Entre os delitos cometidos estão: tráfico internacional de drogas, desvios de recursos públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração, contrabando de pedras preciosas e corrupção de agentes públicos.

Segundo a investigação, diretores da Petrobras fraudavam contratos com fornecedoras para obter propina, que era encaminhada a executivos da companhia e partidos políticos. Aproximadamente dez meses após o início da operação mais de 20 pessoas foram presas, sendo que a maioria é de executivos de empreiteiras com contratos firmados com a Petrobras, porém, de acordo com as investigações.

Certamente um dos maiores casos de corrupção na história do país, que está sendo conduzido pelo juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal no Paraná. Trata-se de profissional capacitado, que reúne conhecimento acadêmico e habilidade técnica para conduzir processo tão vultoso. Por outro lado, meios usados por Moro para obter provas são motivo de controvérsia e alguns acabaram sendo derrubados por instâncias superiores.

O magistrado também já deu demonstrações de autoritarismo ao prender suspeitos, atropelando regras processuais. Todavia, ressalta-se que, os vários questionamentos por parte dos advogados dos suspeitos envolvidos na Lava Jato, tem provocado a revogação de algumas de suas decisões, basta ver a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavaski que colocou em liberdade o acusado Renato Duque. Na Lava Jato ressurgiu a polêmica sobre o uso da delação premiada – instrumento pelo qual um acusado se compromete a indicar onde e como obter provas contra outros envolvidos em troca da redução da pena. Até onde se sabe, ao menos nove pessoas, entre doleiros, funcionários públicos e executivos, já aceitaram colaborar no caso em troca da delação.

A Justiça Federal negou o acesso à CPI da Petrobras e ao Palácio do Planalto às delações feitas pelo doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, responsável pela investigação de parlamentares e outros suspeitos com foro privilegiado, também negou à CPI da Petrobras o acesso às delações. A verdade é que, caso comprovado o envolvimento de deputados e senadores do alto escalão da política nacional, a Operação Lava Jato trará consequências nunca antes vistas na história deste país, superando o escândalo do mensalão e denegrindo ainda mais a imagem do Brasil mundo afora.

Cabe a Sérgio Moro, respeitando o devido processo legal e a ampla defesa, à responsabilidade de conduzir o caso no Poder Judiciário e a todos nós, brasileiros, fiscalizarmos seu andamento, bem como exigirmos que a justiça seja feita, condenados sejam exemplarmente punidos e que tais penas sejam integralmente cumpridas.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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