O pau quebrou sobre alunos do IFCE e a Reitoria nada de se manifestar

Com o título “IFCE sob bombardeio”, eis artigo do professor Marcelo Marques, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Ele aborda o caso de uma manifestação de estudantes do Instituto, que acabou reprimida pela Polícia Militar. Lamenta que a reitoria não tenha se manifestado. Confira:

No último dia 15/5, uma manifestação que reuniu cerca de 600 jovens no entorno do Campus Fortaleza do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), no Benfica, foi violentamente reprimida pela Polícia Militar, gerando uma atmosfera de medo e provocando consequências para o trânsito da cidade.

Realizada pelo movimento estudantil e por participantes do Dia Nacional de Mobilizações contra as Injustiças da Copa, a manifestação denunciava os problemas enfrentados por estudantes e pais, diante da não entrega das carteirinhas estudantis pela Prefeitura de Fortaleza, defendia o Passe Livre e protestava contra as remoções e os investimentos federais, estaduais e municipais em megaeventos e grandes empreendimentos.

Objetivando chegar à Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), os manifestantes partiram da concentração em frente ao IFCE e seguiram com cartazes, faixas e bandeiras pela avenida dos Expedicionários, até que foram dispersados pela forte ação de repressão do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que lançou bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio.

Um adolescente foi detido e inúmeros jovens passaram por revista e foram liberados. Dezenas de manifestantes que retornaram ao IFCE foram surpreendidos por bombas lançadas pelos policiais também ao interior da instituição. Isso mesmo! O desrespeito e a violação à área do campus, espaço da comunidade acadêmica, que deve ser preservado de quaisquer ações de natureza violenta, coercitiva ou repressora, demandam uma cuidadosa e isenta apuração.

A violência da polícia militarizada impediu que houvesse aulas no turno da noite, prejudicando cerca de dois mil estudantes, além de servidores. Os professores e técnico-administrativos do IFCE manifestam seu repúdio à violência praticada contra os estudantes e à omissão da Reitoria do Instituto, que não se pronunciou sobre o caso, apesar de toda a gravidade da situação. Os servidores chamam a atenção da sociedade, contra a violência e pela liberdade de manifestação.

* Marcelo Marques

Professor do Inst. Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

8 comentários sobre “O pau quebrou sobre alunos do IFCE e a Reitoria nada de se manifestar

  1. Caro Eliomar, vc disse que o pau quebrou em cima de alunos do IFCE. Porém, onde consta que os manifestantes eram alunos do IFCE? Nem mesmo o autor do artigo disse isso. E ainda que a Reitoria não se manifestou. Por que ela deve se manifestar, pra quem e por qual meio? Queria uma resposta convincente, sem discurso retórico.

  2. Caro leitor Araújo, um de nós dois está com sérios problemas de interpretação de leitura. Eu poderia listar alguns trechos do artigo para apontar a participação de estudantes do IFCE na manifestação, mas prefiro que o próprio autor responda, caso leia o seu questionamento. Enquanto isso, posso destacar que “dezenas de manifestantes que retornaram ao IFCE foram surpreendidos por bombas lançadas pelos policiais também ao interior da instituição”. Eles retornaram, não invadiram. Além disso, a manifestação envolvia carteiras estudantis, não contra o abusivo aumento da energia elétrica. Vixe, agora é a Coelce que irá cobrar uma resposta convincente…

  3. Pense numa manipulação de informações e inversão de valores . É mentira do professor. O que realmente houve foi uma baderna generalizada promovida pelos supostos estudantes. Tais estudantes afrontaram os direitos mais básicos do cidadão comum, a maioria da população.Até assaltos fizeram Por sua vez, o atrabiliário professor é um poço de contradição.Acusa , julga e condena os policias sem nenhuma prova, fala em nome de toda comunidade universitária, sem contudo apresentar o instrumento de representação, e no final pede a apuração isenta. È no mínimo desonestidade intelectual a conduta do articulista.

  4. Parece que a imprensa, além de atrasada, está cada vez mais interessada em melar mesmo os movimentos sociais, transformando um legítimo movimento dos estudantes, que reclamavam do da prefeitura pelo atraso das carteiras, em uma bandeira de sindicatos. Quem sabe lendo os jornais da semana passada o ilustre jornalista Eliomar não fica melhor informado a respeito da questão, não???!!!

  5. Felipe Filho, não entendi. Não escrevi o artigo, mas defendi o movimento como estudantil em resposta ao Araújo. Mas, se você puder, por favor me informe dos acontecimentos.

  6. Em qualquer país civilizado, se bloquear a rua a polícia desce a chibata. Aqui bloqueiam, vandalizam e roubam e não acontece nada…

  7. Primeiramente, lamento a falta de postura oficial, até o momento, da Reitoria do IFCE sobre o crime cometido contra o patrimônio e o serviço público. Em segundo lugar (e tão importante quanto, porque comportamentos assim é que validam as ações anêmicas dos Poderes Públicos), lamento o posicionamento acomodado, injusto e retrógrado – e não sei que qualitativo é mais pernicioso! – de uns e outros, leitores ou não, quando não participam nem se informam realmente sobre movimentos sociais, desqualificam a luta de muitos por justiça e ética e engolem discursos e práticas governamentais como corretas, só porque ‘manda quem pode e obedece quem tem juizo’. Em terceiro lugar, lamento profundamente se houve vandalismo (inclusive por parte da força policial, aparato do Governo do Estado), mas a atitude equivocada – ou intencional – de uns não deve ser considerada mais importante que a intenção primária da manifestação. O autor do artigo, pessoa reconhecidamente ética pela comunidade acadêmica, afirma que ‘a violência da polícia militarizada impediu que houvesse aulas no turno da noite, prejudicando cerca de dois mil estudantes, além de servidores’; tal informação é facílima de ser apurada – e ouso afirmar que somente um ser eivado de intenções escusas se mascara de ovelha em meio a lobos. Aliás, a forma desrespeitosa de agir, de quem quer que seja, deve sempre ser rechaçada (e aqui eu lembro Mahatma Ghandi, que liderou uma revolução sem armas). Em quarto lugar: não importa se, no lugar e tempo em tela, nem todos os manifestantes eram alunos do IFCE, mas que uma coletividade ali esteve reunida para se manifestar legitimamente, conforme autoriza a Constituição Brasileira. Finalmente, acho uma pena que a leitura e o exercício do que prevê nossa Carta Magna, entre outras peças fundamentais para a dignidade de um povo, esteja tão fora do alcance justamente das pessoas acomodadas, injustas e retrógradas.

  8. Caro Jornalista Eliomar, quer dizer que todo mundo que retornar no IFCE é estudante dessa Instituição?
    Por que a manifestação seria exclusivamente por causa da carteira de estudante, como vc afirmou, só teria estudante? De fato, algum de nós tem sérios problemas de interpretação, mas não só, de escrita e de síntese também. O que fica claro é o eufemismo para má fé utilizar os termos “pau quebrar” e “sobre alunos do IFCE” como título dessa sua postagem.
    Em tempo: em pesquisa a meios oficias, não consta nada a respeito de ser cerca de 600 jovens. Já de início o articulista anuncia o exagero do seu texto. Não compreendo como o O Povo dá vazão a esse tipo de coisa. E é porque ele se diz professor do IFCE. Depois reclamamos de falta de educação no País, e não sabemos os motivos: está aí, é pelas atitudes desse Professor, mencionadas pelo Antônio, acima, que não vamos para frente em matéria de educação. Não educa, e sim desecuda.

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