O POVO: 25 anos de ombudsman

Editorial do O POVO desta segunda-feira (8) ressalta que o leitor passou a exigir participação no processo decisório público. Confira:

No bojo das comemorações dos 90 anos do O POVO, insere-se outra data do maior significado: os 25 anos da instituição do cargo de ombudsman (palavra sueca que designa ouvidor(a), em bom português). Ele (a) é encarregado (a) de ouvir as críticas, reclamações e sugestões dos leitores em relação ao jornal e outras plataformas que trazem a marca O POVO (portal, TV, rádios, revistas e eventos), através de uma coluna publicada semanalmente, e de uma crítica interna diária ao desempenho dessas plataformas e fazendo intermediações junto a qualquer instância do Grupo de Comunicação O POVO.

É um motivo de orgulho que O POVO seja um dos únicos grupos de comunicação social brasileiros que mantenha ininterruptamente esse tipo de prestação de serviço ao leitor (o outro é a “Folha de S. Paulo”), desde que decidiu instituí-la. Na ocasião, o Brasil vivia um momento de grandes expectativas em relação ao seu futuro próximo, depois de 20 anos de regime fechado e há apenas cinco anos da promulgação de sua nova Constituição democrática (de 1988).

Com o seu olhar prospectivo, O POVO já intuíra os “sinais dos tempos” e também auscultara os movimentos tectônicos de uma revolução tecnológica que daria lugar à sociedade da informação, cujo trabalho de parto, iniciado no final da década de 80, tomaria toda a década seguinte e iniciaria o século XXI num patamar inédito de comunicação, cuja instantaneidade e transespacialidade mudariam por completo sua feição, transfigurando-a em várias plataformas complementares que se auto-alimentam, incessantemente.

Em tais condições, o leitor não era mais um receptor passivo da comunicação, mas passou a interagir cada vez mais com ela, exigindo qualidade e sintonia com suas demandas. Um processo correlato ao vivido pela própria cidadania que, também, ao acessar os novos instrumentos de comunicação, passou a exigir participação no processo decisório público.

Sintonizado com esse espírito O POVO ecoou-o na defesa da instituição pioneira da democracia participativa no município de Fortaleza, em campanha memorável. E para que não ficasse na teoria, criou internamente o Conselho de Leitores e o ombudsmato – este que completa agora um quarto de século de experiência bem-sucedida, e que terá continuidade sob o novo mandato da jornalista Daniela Nogueira.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “O POVO: 25 anos de ombudsman

  1. Parabéns, Daniela!

    Sua recondução a Ouvidoria do O POVO revela, antes de tudo, sua competência no exercício desta relevante e complexa atividade. A abordagem que faz demonstra que o jornal, ao longo de sua história, sempre foi pioneiro nas ações que empreende, especialmente aquelas que dizem respeito ao compromisso com a sociedade.

    A ABO/CE, Associação Brasileira de Ouvidores, Secção Ceará, que teve em Adísia Sá, sua primeira presidente, repetindo o pioneirismo de, de igual modo, ter sido a primeira Ombudsman (por que não, Ombudswoman?) foi também a primeira entidade a ser criada no Brasil, antes mesmo da ABO NACIONAL.

    Seria uma alegria contar com sua participação como filiada a nossa Associação razão porque, em nome da atual diretoria, a convido para dela fazer parte.

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