O que tem a ver o Caso Arruda, os escândalos financeiros e o assassinato da empresária?

O professor Antônio Mourão Cavalcante escreve artigo no O POVO deste sábado sinalizando que casos como escândalos financeiros, roubos e até assassinatos como o da empresária Marcela Montenegro são resultados de uma mesma matriz: todos querem levar vantagem em tudo. Confira:
“Não tenho dados estatísticos precisos, mas creio não estar errado quando afirmo que morre mais gente de forma violenta em Fortaleza, do que em Bagdá, capital do Iraque. Todos os dias somos assustados com novos acontecimentos. Parece um pesadelo sem fim. Ninguém sabe quem será a próxima vítima…

Não quero, nesse espaço, conduzir-me pela busca de culpados, apontando o dedo para aquele que deveria ser condenado. Isto é pouco producente. Prefiro entender de modo plural: somos uma sociedade doente. Assim como falamos, na Psiquiatria, em indivíduo esquizofrênico, depressivo ou psicopata; o mesmo podemos afirmar em relação a determinadas sociedades. Estamos enfermos. Somos uma sociedade que se dilacera. Uma nação que se autodestrói todos os dias. Por isso, não é exagero afirmar: estamos socialmente enfermos…

Existiram saídas? De imediato pensamos na polícia como solução. Mas, ela parece totalmente perdida. Não tem bíceps (músculos, força, repressão), nem tem neurônios (inteligência, dissuasão, comunicação, prevenção). Atordoada, não sabe como reagir. Ou ainda, os fatos sufocam a competência.

A longo prazo, torna-se imperativo construir um novo pacto social. O crime em que foi assassinada a jovem empresária tem uma mesma matriz que o caso do Governador de Brasília e dos dólares na cueca. Fazem parte da mesma tendência de afrouxamento e oportunismo que escolhemos como princípio fundador das nossas relações sociais. “O importante é levar vantagem em tudo.“ A vida perdeu seu valor. Tudo é absolutamente descartável e subornável. Otário é quem não tira proveito… Entre o honesto e o esperto, escolhemos a malandragem.

Mas, nem a aplicação das leis basta. Modificar a idade limite de ser menor é uma falsa questão. Resolve mais ter escola. Resolve mais os que erram serem punidos. Resolve mais termos um conjunto de regras e normas que emanam da Ética e não do oportunismo eleitoral. Onde as políticas públicas não respondem ao interesse coletivo, mas ao andamento das pesquisas.

Está na hora de entendermos que assim não dá. De repente, a esperteza vira um bicho e engole todos nós …

Antonio Mourão Cavalcante – Médico e antropólogo. Professor universitário
a_mourao@hotmail.com

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Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

5 comentários sobre “O que tem a ver o Caso Arruda, os escândalos financeiros e o assassinato da empresária?

  1. Parabéns,Dr. Mourão. Sendo meu,penso que o seu artigo reflete o pesamento de toda uma população,atordoada,amedrontada, escorraçada,pela banalização da violência e a inoperância das autoridades,principalmente da Segurança Pública, embora devesse ser uma preocupação de todos os segmentos.À sociedade,notadamente a mais enriquecida,não cabe só cobrar.Tem que participar,investir em sua própria segurança. Investir em sua própria segurança,quero dizer,é meter a mão no bolso,ajudar na construção de núcleos de desenvolvimento social,como educação,esportes,artes culturais,profissionalizante…Quando deixarmos o egoísmo de lado e deixarmos de dizer:”…isso não é problema meu”,a coisa muda…para melhor.

  2. Caro Professor.

    Primeiro discordo quando diz:
    “Modificar a idade limite de ser menor é uma falsa questão.” Então como um jovem de 16 anos tem discernimento para escolher o presidente (votar) e não responder por seus atos? Não acho uma falsa questão. Acho imperioso que que se reduza a maioridade, existem paises que é até menos: a Inglaterra. Os tempos são outros, ninguém mais é ingênuo aos onze anos! Nem nunca fomos.
    Vejo estarrecido os salários exorbitantes e as mordomias dos nossos tres poderes, assim como cartões corporativos sigilosos, motoristas, contas de telefones pagas pelo governo e tantas mais benesses que só engrossam o caldo. Obras superfaturadas e com seus repasses agora liberados. Tentativa de censurar a mídia…etc e tal! Bolsa disso e daquilo, fazendo o povo ficar preguiçoso. Sucateamento do exército e polícias. Empresas de seguraça privada na mão de políticos. Tudo isso prepara terreno para que se instale forças mais tenebrosas, vingativas e rancorosas no governo. Manteve-se o povo na ignorância propositadamente, sem assistencia de saúde também (proliferam os planos particulares a preços astronomicos). Com a retirada do IPI dos carros deram o golpe na classe média, que se individou e não pode colocar combustível…o transporte urbano além de inseguro é insuficiente. Não temos nenhum político de fato aliado ao povo de forma desinteressada. São conchavos e alianças feitas nos bastidores. A cena apresentada no palco é uma “ópera bufa”, seus protagonistas se acham gênios e dizem asneiras como se fossem pérolas de sabedoria. Na platéia seus admiradores, velhos e decrépitos ditadores de ilhas presídios, índios arrogantes e belicosos, sarracenos déspota e atômico e um imenso cordão de puxa-saco. Tem um outro público na platéia: os espertos, estão de olho nas riquezas do nosso pais e simulam amizade através de atos que alimentam a vaidade dos protagonistas…um Oscar aqui, uma Palma de Ouro alí, quem sabe um Leão de Ouro e assim o rei cresce na barriga e o delírio sobe à cabeça. Acho que já falei demais…

  3. Tenho lido algumas linhas, nos jornais, transformando a guerra que nós estamos metidos em discussões filosoficas e acadêmicas. Não discuto o valor de tais colocações porém está na hora de acabarmos com as passeatas pela paz e adotarmos medidas adultas e eficazes contra o crime que se esconde em cada esquina. Se os governadores, delegados, legisladores, juízes e oficiais da PM não demonstram competência para controlar a insanidade que aqui e em todo o país presenciamos sem nenhum sinal de reação, é preciso um movimento cívico organizado, para substituir estas “autoridades” no comando das ações. Precisamos de redistribuição de renda, combate à miséria que o país construiu nas ultimas décadas, saúde, escolas, etc, mas precisamos também de presídios e inteligência para impedir que assassinos de qualquer idade permaneçam no convívio social. O custo desta guerra tem se tornado insustentável para a família brasileira.

  4. Obrigado Myrella Guerra. Mas acho que o povo brasileiro não aguenta mais esses gastos do governo. A visita do Presidente ao ditador da Ilha/Presídio Cuba, que mantem pessoas presas por pensarem diferente dele, foi um absurdo. O nosso pais é uma democracia livre. Nós não aprovamos ditaduras e… vem então o Presidente, usando o nosso dinheiro visitar um pais decadente, onde as pessoas são impedidas de sair. O que não fará a ex-guerrilheira Dilma? Aliás não acredito em ex-guerrilheiros…eles apenas esperam, até 30 anos como fez Lenin, para se vingarem. Essa senhora que fez plástica para apagar as marcas de rancor e maldade de sua face, se posta no lugar que ela almeja, que nos proteja Deus!

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