O que vem a ser a expressão “ideologicamente falsos”?

Com o título “Falsidades”, eis artigo do jornalista Plínio Bortolotti, que pode ser conferido no O POVO desta quinta-feira. Ele aborda a declaração do coordenador da força-tarefa Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol. Ele disse que Lula anexou recibos de aluguel ideologicamente falsos ao processo. Confira:

O leitor sabe o que é um documento “ideologicamente falso”? Confesso a minha ignorância: não tinha pleno esclarecimento, apesar de já haver lido dezenas de manchetes com o procurador Deltan Dallagnol afirmando que Lula anexara ao processo recibos de aluguel “ideologicamente falsos” para disfarçar a propriedade de um imóvel vizinho ao apartamento dele, em São Bernardo do Campo (SP).

Como a busca no Google pela expressão pouco ajudou, apelei para o advogado Fernando Castelo Branco. Ele me explica que a expressão tem o mesmo significado de “falsidade ideológica”, o artigo 299 do Código Penal.

Assim, fico sabendo a diferença entre “falsidade material” e “falsidade ideológica”. A primeira ocorre quando se falsifica um documento. Exemplo: um sujeito, para faltar impunemente ao trabalho, forja um atestado e a assinatura do médico. A segunda acontece quando se inserem informações falsas em um documento verdadeiro. Exemplo: um médico atesta uma doença inexistente para justificar um faltoso. Nesse caso, a assinatura do médico é verdadeira, o documento é verdadeiro, mas a informação nele contida é falsa.

Em resumo, o Ministério Público não nega a autenticidade dos recibos apresentados pela defesa de Lula nem da assinatura de Glaucos da Costamarques, que assina como proprietário do imóvel. Porém, o MP garante que os recibos são “ideologicamente falsos”, pois visariam acobertar o verdadeiro possuinte do imóvel. Lula até pode ser o dono do apartamento, mas o MP, pelo menos até agora, não apresentou nenhuma prova disso.

Além disso, mesmo sem conseguir esclarecer adequadamente os tortuosos termos jurídicos, muitos jornais, mantêm o chamativo “ideologicamente falso” piscando repetidamente nas manchetes, o que representa condenação prévia: quem é “falso” boa coisa não é; e se tem “ideologia” pelo meio, pior ainda.

Em um processo tão complexo, no mínimo, o MP deveria ter um pouco mais de prudência; mas como pedir recato para o aparecido do Power Point?

*Plínio Bortolotti

plinio@opovo.com.br

Jornalista do O POVO

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

4 comentários sobre “O que vem a ser a expressão “ideologicamente falsos”?

  1. Quem tem um advogado desses não precisa de inimigo.
    Foram eles os primeiros que não acreditaram nos documentos fornecidos pelo Lula.
    E mandaram periciar.
    Parece que ficaram surpresos e mandaram para outra perícia.

    Mas para que recibos?
    A movimentação financeira seria uma prova mais robusta.

  2. Os advogados mandaram periciar os recibos porque, antes mesmo de recebê-los(os originais) os meritriscissimos já afirmaram que eram “ideologicamente” falsos… parece que são da cor branca, quando deveriam ser vermelhos, pela condição do réu…
    Para que recibos? algumas pessoas quando fazem um pagamento exigem um recibo, ou não?

  3. Ora, Zé Sarney, quando ainda presidente da República, criou a 25ª (vigésima quinta) hora!
    E O CHEFE, – Lulla -, que não gosta de “ficar por baixo”, então, mesmo não mais sendo presidente da dita cuja, e para tentar se safar do “Affair” do apto., vias recibos, criou os dias 31 de junho, e 31 de novembro…
    E, como diz um amigo e vizinho, – de nacionalidade estrangeira -, apesar de quase já ter a “Cabeça chata”, – de vez que reside por aqui há mais de 30 anos -, e é professor de Britânico, “É a dinâmica da língua”!
    É isto!
    E, “PuTê, fraudações”!

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