O sentido da vida

Em artigo no O POVO deste sábado (6), o médico, antropólogo e professor universitário Antonio Mourão Cavalcante avalia a busca do homem pelo prolongamento da vida. Confira:

Durante muitos séculos, mesmo milênios, o grande sonho da humanidade foi o de prolongar a vida. Querer viver mais. Quando Cristo morreu – aos 33 anos – ele já era um homem maduro, adulto. É que a vida média, naquele tempo, não passava dos quarenta. Agora, dizemos que Ele faleceu muito jovem… Assim, ao longo do tempo, com ajuda dos avanços da Medicina e dos cuidados de saúde, fomos ganhando mais anos, mais vida. Depois, passamos a falar em qualidade de vida. Não apenas viver muitos anos, mas viver com satisfação, autônomo, sem doenças a incomodar.

Mesmo nesse aspecto também avançamos. Hoje é comum vermos idosos pelas ruas, em lugares públicos: bancos, escolas, consultórios, igrejas… Estando presente. Participando do mundo. Essa perspectiva que parece tão fantástica, foi quebrada – em meu momentâneo pensamento – por duas notícias que li, essa semana, na imprensa. Primeira, a manchete diz tudo: “O número de eutanásia explode na Bélgica.” Depois de 2002, por lei, é obrigatória a declaração e, no período 2010-2012, naquele país, houve um crescimento de mais de 50% nessas notificações. Sem falarmos dos casos não informados. Há com o que nos preocuparmos.

A segunda informação, também deu manchete: cerca de 800 mil pessoas se suicidam todos os anos no mundo, ou seja, uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos. Uma cifra maior que as vítimas de guerra ou de catástrofes naturais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A maioria das pessoas que cometem suicídio tem mais de 50 anos e o suicídio afeta duas vezes mais os homens do que as mulheres.

Cabe a pergunta: o que está acontecendo com o bicho homem? Por que essa repentina falta de “gosto pela vida”? Nosso projeto biológico foi estendido além do limite? A vida fica monótona? Perdemos a curiosidade? Ficamos sós? Não temos mais grana e a possibilidade de consumir?

A resposta não pode ser única. Existem muitos fatores. Talvez as dores. Talvez as dificuldades em se locomover, enxergar, escutar, participar… A solidão.

Chamar isso tudo de depressão é profundamente simplista. Ou mesmo que um remédio mágico pode curar a angústia de ser humano. Talvez a gente deva COMEÇAR por questões mais elementares… algo como, qual é mesmo o sentido da vida?

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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