O Silêncio do Papa Francisco

Com o título “O Silêncio de Francisco”, o promotor de justiça Walter Filho cutuca católicos para o detalhe de que, ao visitar Cuba, o Papa nada falou sobre presos políticos daquele País. Confira:

O papa Francisco visitou Cuba pela segunda vez e, como antes, não proferiu uma única palavra sobre os presos políticos que são mantidos nas masmorras de Havana por ordem do tirano Fidel Castro – quem ousa divergir do velho decadente é jogado no calabouço ou fuzilado.

As palavras liberdade e democracia parecem ter sumido do vocabulário do Pontífice em sua rápida passagem na ilha caribenha. No seu encontro com o líder da igreja Ortodoxa Russa, era só alegria, mesmo pisando o solo onde as liberdades civis são sufocadas. É nesse pedaço de chão em que milhares de dissidentes são

torturados e assassinados pelo regime homicida castrista – o sacrifício dos inocentes pelos pecados dos culpados.

Quando chegou ao México, uma democracia onde não existe a abjeta figura do preso político, o papa Francisco soltou a voz. Ao visitar um presídio em Ciudad Juárez, disse: “Às vezes parece que os presídios se propõem a incapacitar as pessoas a seguirem cometendo delitos mais do que promover os processos de reabilitação”.

Por que ocultou a face diante da situação degradante dos prisioneiros de Cuba? Faltou-lhe coragem. É o que penso. A coragem é para os iluminados, e Francisco revelou não a ter diante da injustiça que sabe existir. O líder pacifista negro Orlando Zapata Tamayo morreu de fome numa prisão cubana. Os amigos foram proibidos de homenageá-lo no enterro. O papa conhece muito bem a história.

As pregações de Cristo eram corajosas, não à toa sofreu o martírio da perseguição. Enfrentou déspotas, combateu as injustiças e clamou por um mundo melhor para se viver. Infelizmente, seu legado sofreu distorções em nome de uma fé equivocada – olhar para o céu e esquecer as tiranias diante de nós.

O bispo de Roma, diante do calvário imposto aos dissidentes cubanos, silenciou a voz, fechou os olhos, tapou os ouvidos e seguiu viagem. Um gesto de fraqueza, mas imperdoável para quem ocupa a cadeira de Pedro. Disse Cristo: “cuide de minhas ovelhas”. Francisco não ouviu.

* Walter Filho

walterfilhop@gmail.com

Promotor de justiça.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

vinte − dezessete =