Os AntiCarnaval voltaram

Em artigo sobre o carnaval de rua, o jornalista e compositor carnavalesco Matheus Salvany relata o confronto entre a brincadeira improvisada e a política de controle da folia. Confira:

Mah… Se tem uma coisa que aprendi andando pela cidade é que existe uma parcela da sociedade fortalezense que é AntiCarnaval, dicumforça. Essa turma faz de um tudo pra boicotar o Carnaval Raiz e não se misturar.

Quem lembra aquela marmota da primeira metade do século XX, dos bailes de clubes privados que censuraram o lança perfume, tiraram o festejo momino do Centro, que acabaram com o Corso? Foi essa turma aí.

E dos prefeitos dos anos 1970/80, com aquela arrumação mó paia de dizer que Fortaleza é um lugar de descanso no Carnaval (aí dentro!). Teve até um que incentivou, financiou e transformou o pré-carnaval em micareta – com trio-elétrico, abadá e tudo, mah! Lembra?! Eu lembro. Esqueci não, viu?!

Só que o povão é bicho teimoso e quando a nutelada cochilou, foi sal. Tiraram o “Az de Ouro” da manga. “O Cheiro” subiu e “A Merda” desceu, Quem é de Bem Fica ficou, Vila Pery pirou, os Piriquito da Madame avoaram e a negrada voltou a concentrar e não sair da cidade.

Todavia, o Entrudo nunca termina. Na segunda década do século XXI, vendo o Luxo que estava ficando a Aldeia, os AntiCarnaval voltaram.

Sintomático, só olhar o fluxo das ruas, os blocos que cobram pela alegria, as cordas que segregam as varjotas da vida, além de uma nova e inédita investida, os blocos de estacionamento de shopping.

Taí! Isso eu reconheço. A turma AntiCarnaval é criativa e engajada. Mermim que tá vendo. Vão me chamar de chato, comunista, vão meter a segurança no meio, o estacionamento, o ar-condicionado (ow abuso!), vão usar as crianças pra justificar a moda e se vacilar já já aparece uma coreografia. Só observany…

Mentira. Eu escrevo mesmo é pra enredar e lembrar que graças ao Deus Momo sempre existirá a turma da resistência, os rebeldes do lado luminoso da força, os Marviolis da vida, os Dilsons, os Lauros e Humbertos, Christianos e Mocinhas (oow saudade), o caba fantasiado de Menino Maluquinho e a gata desfilando seminua, toda no Gliter, na sua cara.

Só queria dizer isso mesmo, sabe. Que apesar dos pesares, eu tenho certeza que os AntiCarnaval nunca vencerão a malucada que gosta da praça, do suor, do correr risco, da rua, da putaria… Sim, só mais uma coisa. Independente de que lado você se identifique, de coração, eu só desejo mesmo que diferenças sejam deixadas de lado e que um céu pleno de paz e o sorrir sejam as leis vigentes no reinado de Momo no ano de 2018. Papoca!

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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