Os números de homicídios registrados durante a greve da PM cearense…

Eis a Coluna Política, assinada por Érico Firmo, desta terça-feira. Aborda o número de homicídios registrados durante o período da greve da polícia e bombeiros militares no início de janeiro último. A situação da violência foi pior do que a verificada na Bahia.

No O POVO de ontem, o repórter Tiago Braga mostra que, infelizmente, houve muito mais que a boataria – da qual o governador Cid Gomes reclamou – no descalabro que tomou o Ceará durante a greve dos policiais militares. Os números impressionam. A média de janeiro foi de assustadores 10 assassinatos por dia. Durante os três primeiros dias do mês, quando a Polícia Militar estava em greve, saltou para 24 homicídios/dia. O dado supera a média da trágica greve baiana, quando a média, em 12 dias, foi de 15 homicídios. A situação cearense é ainda pior se for levada em consideração a proporção em relação à população – a baiana é quase o dobro.

Para o Governo do Ceará, a diferença crucial entre a greve da PM no Estado e a paralisação na Bahia foi a postura do Exército. O Palácio da Abolição se queixa que as ruas não foram ocupadas, ao contrário do que se deu no caso baiano. Há inclusive reclamação de diferença de tratamento político – o governador da Bahia, Jaques Wagner, é do PT, partido da presidente Dilma Rousseff. O governo Cid chegou a disponibilizar 152 veículos zero quilômetro para as tropas. Os carros haviam sido adquiridos para a Secretaria da Saúde. Diante da situação emergencial, foram adesivados com o nome “Polícia” e entregues para uso do Exército na patrulha das ruas.

Entretanto, 20 viaturas foram o máximo que chegou a circular simultaneamente em Fortaleza. Ainda assim, em comboios de cinco. Efetivamente, era como se houvesse apenas quatro veículos patrulhando a Capital, nos momentos de presença mais ostensiva. Praticamente nada. Daí ter se dado a situação de colapso. Caso tivesse havido presença e ocupação ostensiva do Exército, na leitura do governo, a dramática situação teria sido drasticamente minimizada. “O que aconteceu na Bahia era para ter acontecido no Ceará”, disse Eduardo Diogo, secretário estadual do Planejamento, que esteve na linha de frente das negociações que encerraram a greve. Ele destaca que, enquanto lá os manifestantes tomaram a Assembleia Legislativa, aqui eles se concentraram no quartel da 6ª companhia do 5º batalhão. Portanto, deveria ser muito mais simples cercar o local e isolar os grevistas.

“Não houve boa vontade (do Exército). Deixaram o governador na mão”, disse Diogo. Ainda assim, o secretário defende que a postura adotada pelo governo cearense, mesmo sem suporte, mostrou-se a mais eficaz na resolução do problema. “Mesmo deixado na mão, o governador solucionou o problema de modo célere, eficaz, resguardando toda a sociedade”.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

2 comentários sobre “Os números de homicídios registrados durante a greve da PM cearense…

  1. A presidenta Dilma entrou de cheio no apoio ao governo da Bahia para esmagar o motim de lá. Tinha que acabar com a onda criminosa que prometia contaminar todo o país. Aqui no Ceará como foi o primeiro, deixou todos desnorteados e sem ação. Foi este o grande problema. O resto a gente já sabe, só falta contabilizar todos os prejuízos, tipo este do artigo.

  2. Prezado Jornalista Eliomar. Gostaria que a 10a. Região Militar de Fortaleza (do Exército Brasileiro), também pudesse exercer o seu DIREITO DE RESPOSTA…Ainda acredito se, naquela noite, o Exército houvesse invadido o local, como se pretendia (pelo menos pelo que está descrito na reportagem supra), muitos cidadãos (entre policiais e familiares) sairiam gravemente feridos no conflito ( já que ambos estariam armados, tanto o Exército quanto os Policiais).Será que silenciar a insatisfação salarial dos militares com rajadas de projéteis de fuzis resolveria a questão? Tenho absoluta certeza que NÃO! Por favor, não mais desenterrem esse episódio lastimável(eu ainda estou traumatizada!).A Assembléia Legislativa já deliberou sobre a mensagem de aumento dos militares. Eles já foram anistiados das ilegalidades porventura cometidas e, principalmente, nós CIDADÃOS CEARENSES, que pagaremos a conta desse aumento, já estamos conformados com o valor.Será que dá para tratarmos de outros assuntos mais relevantes nesse Estado, hein? QUE TAL… EDUCAÇÃO com QUALIDADE?

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