Ousadia criminosa e sem freios

Com o título “Ousadia criminosa sem freios”, eis o Editorial do O POVO desta terça-feira. Aborda o caso de quatro adolescentes que foram retirados de centro socioeducativo e, em seguida, executados. Confira:

A execução de quatro jovens que cumpriam medidas socioeducativas, retirados, na madrugada desta segunda-feira, 13, do Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, no bairro de Sapiranga, por um grupo de homens armados, é mais uma afronta do crime organizado ao governo do Estado e ao povo do Ceará. O atentado ultrapassa todos os limites de insulto à ordem legal vigente e tem de ser esclarecido bem como seus autores presos e punidos o mais rápido possível.

Os jovens foram tirados à força dos dormitórios, sem que pudessem ser protegidos pelos que tinham o dever de lhes dar custódia, como determina a lei. Não importa se eram infratores ou não: a partir do momento em que são postos sob a responsabilidade do Estado, este passa a responder por sua integridade física.

A erupção da guerra entre facções criminosas, que recrutam seus membros nessa faixa da juventude sem horizonte social e humano, extrapola todas as medidas. É um desconcerto descobrir que as autoridades não tenham tomado medidas prévias de segurança para estabelecimentos desse tipo, já que o confronto entre tais grupos é uma realidade presente em todas as grandes cidades do País, sem respeitar nenhum espaço. Sobretudo, por não ter havido empecilho à sua expansão. Ao contrário: ela avança no rastro à crise social que se aprofunda no País.

Os criminosos chegaram ao entendimento de que o poder público está sem meios suficientes para os enfrentar. Assim, a ousadia com que agem é cada vez maior. Não basta apenas assegurar o controle de territórios e criar um poder paralelo, mas buscam extirpar qualquer rival para provocar medo nas fileiras concorrentes ou adversas. Assim, cadeias, unidades socioeducativas, casas de detenção ou mesmo penitenciárias podem facilitar esses planos de vingança ou de extermínio, já que o adversário está ali confinado e sem meios para reagir. Quanto mais desguarnecidas essas unidades, mais se tornam alvos fáceis de ataques: seja para resgate de parceiros de crime, seja para eliminar concorrentes e insubmissos à imposição da vassalagem.

Quando se trata de jovens, o prejuízo para a sociedade é bem maior, pois perde um capital inestimável, em termos de cérebros e força de trabalho, indispensáveis à construção do próprio projeto de nação.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “Ousadia criminosa e sem freios

  1. Nada mais convencional para uma empresa capitalista como o O Povo enxergar o jovem apenas como um capital inestimável (em vez de primeiramente enxergar um jovem como ser humano) e diminuir uma pessoa apenas como ferramenta “indispensável a construção do próprio projeto de nação” que cai entre nós, é a mais pura demagogia que colabora para manter esse estado brasileiro.

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