Pacote busca atenuar dificuldades

Editorial do O POVO neste sábado (17) aponta que é preciso ter de volta a confiança do mercado e da população, para que o país reencontre o caminho do crescimento. Confira:

Ainda que as medidas para tentar reanimar a economia viessem sendo estudadas há algum tempo, é induvidoso que o anúncio deu-se neste momento em uma tentativa de aliviar a carga que a delação de ex-dirigentes da construtora Odebrecht colocou sobre os ombros de figuras de destaque do governo, incluindo o próprio presidente Michel Temer, que tomou a responsabilidade de anunciar o “pacote de bondades”, na quinta-feira.

Porém, se essa não deve ser a métrica para avaliar as medidas, também não autoriza a acreditar que elas, por si só, terão o poder de fazer a economia andar na celeridade de que o País necessita. Pelo tamanho da crise, as medidas parecem tímidas, ainda que se possa perguntar se poderia, na atual situação, fazer algo diferente, sem apelar para recursos heterodoxos, o que, a experiência mostra, costumam dar errado, piorando o que já era ruim.

No mérito, o que Temer e sua equipe pretendem é atenuar as dificuldades de empresas endividadas e também dos indivíduos, que precisaram contrair empréstimos, e se veem em dificuldade de quitar os débitos.

Uma medida que talvez tenha algum efeito mais imediato foi suspender a multa de 10% do FGTS, em caso de demissão sem justa causa, que a empresa tinha de pagar diretamente ao governo (os 40% do empregado ficaram preservados), mas ainda está para ser provado se é uma boa ideia facilitar demissões em uma quadra em que avança o desemprego.

A proposta que teria um rápido efeito positivo no comércio – estabelecer diferença de preços entre o pagamento à vista e parcelado no cartão de crédito – não vai vigorar de imediato. Se acrescido a isso, também fosse reduzido, como o governo pretende, o prazo de pagamento das operadoras aos comerciantes, não resta dúvida de que seria um bom estímulo ao consumo, o que ajudaria a ativar a economia.

Ainda é de se destacar o Programa de Regularização Tributária para Pessoas Físicas e Jurídicas, que alonga o perfil da dívida – obrigações não pagas até 30 de novembro deste ano – para até 96 parcelas. Isso, certamente, será de grande valia às empresas e às pessoas endividadas, dando-lhes um alívio que ajudará a atravessar a crise.

O que resta é saber se tais medidas induzirão o governo a tomar providências complementares que, de fato, tragam de volta a confiança do mercado e da população, de modo que o País reencontre o caminho do crescimento econômico.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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