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Luizianne entra na disputa por “sacrifício”

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Escolhida como pré-candidata do PT à Prefeitura de Fortaleza no último sábado, 28, Luizianne, em entrevista ao O POVO, disse que decisão de colocar nome para disputa foi um “sacrifício” feito para atender “pedido da maioria do partido”. Deputada federal, ela admite que posição na Câmara dos Deputados “é mais confortável do ponto de vista do debate político”.

“Mas o dever nos chama, a responsabilidade política nos chama e eu não podia faltar com a cidade e com o partido nesse momento”, disse. A ex-prefeita assume pré-candidatura sem a certeza de apoio do principal líder do PT no Estado, o governador Camilo Santana (PT), que sinaliza apoio, mesmo que informal, ao prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Segundo ela, o desejo de se candidatar ao Paço Municipal também é motivado pela “tristeza” de ver o que fez em sua gestão, entre os anos de 2005 e 2012, “sendo destruído” por RC. O discurso crítico em relação ao prefeito se contrapõe à relação de Camilo com RC e que cria alguns rumores de que PT lançaria nome menos forte para poder apoiá-lo no segundo turno.

Questionada sobre isso, ela disse que não vai decidir tema sozinha: “Esse é um debate que o partido vai fazer”. Ela afirmou, porém, que prefere não falar sobre apoio em segundo turno, porque sua intenção é estar nele. “Se em 2004 a gente veio forte, imagina agora, depois de 12 anos de muita experiência”, argumentou.

Sobre seu programa de governo, ela disse que ele vai ser construído “junto com o partido, com a academia, a intelectualidade, os artistas da cidade e com o povo da cidade”. Para ela, o maior diferencial da sua campanha frente à gestão de Roberto Cláudio será exatamente propostas voltadas para a periferia.

“Vamos entrar no que a gente já começou a fazer, dar continuidade a projetos nossos que foram abortados ou simplesmente esquecidos pela atual administração”, diz, referindo-se a projetos como o Hospital da Mulher e a urbanização do Serviluz.

Luizianne falou também sobre os desafios dessa campanha em cenário de crise em que o PT está no centro. Para ela, no entanto, os maiores desafios serão “o avanço do conservadorismo e da violência contra a mulher”, e o ponto positivo será o fim do financiamento privado.”

(O POVO – Repórter Letícia Alves/Foto – Arquivo)

FPM – Olha o terceiro decêndio saindo!!

As prefeituras brasileiras recebem, nesta segunda-feira, o repasse do 3º decêndio do mês de maio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A Confederação Nacional de Municípios (CNM) informa que o montante a ser transferido será de R$ 1.866.619.983,92, já descontada a retenção do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Se for considerada a retenção, isto é, incluindo o Fundeb, o montante é de R$ 2.333.274.979,90. A CNM aponta crescimento de 4,54% em termos nominais quando o 3º decêndio de maio deste ano é comparado com o mesmo período de 2015. Esse levantamento foi feito sem considerar os efeitos da inflação.

Apesar disso, o cenário muda quando é considerado o valor real dos repasses e as consequências da inflação. Nessa situação, a CNM identifica queda de 3,63% na transferência. Com a divulgação desse último repasse, é possível perceber que o FPM no mês cresceu nominalmente 6,64% em relação a maio de 2015. Entretanto, quando é levado em conta a inflação, houve queda de 1,69%.

 

Eleições 2016 – Cid reforça o PDT no Interior

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O ex-governador Cid Gomes (PDT) passou bem longe de Fortaleza, no fim de semana em que o PT decidiu lançar a pré-candidatura da deputada federal Luiziann e Lins à Prefeitura de Fortaleza.

Contrário a essa postulação, Cid resolveu concentrar esforços políticos no Interior. Esteve em Aracoiaba, ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, e do deputado federal André Figueiredo, dirigente estadual pedetista.

Ali, essas lideranças prestigiaram, no Ginásio Virgílio Távora, o encontro municipal do PDT coordenado pelo pré-candidato a prefeito Thiago Campelo. Também prestigiaram o evento o deputado estadual Ferreira Aragão e representantes do PT, PP, PMB e PSD.

(Foto – Sobral de Prima)

Quebra de safra é registrada em cerca de 90% dos municípios do Ceará

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Da Coluna Vertical, do O POVO desta segunda-feira:

Na primeira semana de junho, o IBGE deverá divulgar relatório sobre a safra cearense deste ano. Segundo o secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado, Dedé Teixeira, não há mistério. Pelo menos 90% dos municípios cearenses registraram quebra de safra por causa da estiagem prolongada.

Ele adianta que, por causa disso, 181 deles já estão integrados ao Programa Garantia Safra, que absorverá mais de 250 mil agricultores que perderam sua plantação.

No programa, cada um deles receberá R$ 850,00, a partir de agosto – em quatro parcelas, como apoio para manutenção até o próximo inverno.

 

Estupro no Rio – ‘Ele perguntou se eu tinha o costume de fazer isso, se gostava de fazer isso’, relata a vítima sobre o delegado

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A conduta do delegado Alessandro Thiers, que até a tarde desse domingo (29) presidia o inquérito que investiga o estupro coletivo contra uma adolescente de 16 anos, no Rio de Janeiro, será avaliada pela Secretaria de Segurança do Estado, após a vítima denunciar constrangimento e intimidação durante o depoimento por parte do policial.

“Tentaram me incriminar, como se eu tivesse culpa por ser estuprada. (…) Ele perguntou se eu tinha o costume de fazer isso (sexo grupal), se gostava de fazer isso”, contou a adolescente, em entrevista ao Fantástico (Globo) e ao Domingo Espetacular (Record).

Ainda nesse domingo, o delegado foi tirado da presidência do inquérito e deslocado para a investigação da divulgação do crime nas redes sociais.

“A sala era de vidro e todo mundo que passava via. Ele (o delegado) botou na mesa as fotos e o vídeo, assim, expostos e me falou: ‘Conta aí’. Não perguntou se eu estava bem, como estava me sentindo, se tinha proteção”, disse a adolescente, que passou a não mais responder as perguntas do delegado.

(com agências)

Estudantes podem se inscrever no Sisu a partir desta segunda-feira

Começam nesta segunda-feira (30) as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Nesta edição, são ofertadas 56.422 vagas em 65 instituições públicas de ensino superior para o segundo semestre deste ano. As inscrições são feitas pela internet, no site do Sisu.

Podem participar os estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 e não tiraram 0 na redação. As inscrições podem ser feitas até o dia 2 de junho.

Ao fazer a inscrição, o candidato deve escolher, por ordem de preferência, até duas opções entre as vagas ofertadas pelas instituições participantes do Sisu. O candidato também deve definir se deseja concorrer a vagas de ampla concorrência, a vagas reservadas a ações afirmativas.  Durante o período de inscrição, o candidato pode alterar suas opções. Será considerada válida a última inscrição confirmada.

Uma vez por dia é divulgada a nota de corte de cada curso, com base no número de vagas disponíveis e no total dos candidatos inscritos naquele curso, por modalidade de concorrência. A nota de corte é apenas uma referência para auxiliar o candidato no monitoramento de sua inscrição, não sendo garantia de seleção para a vaga ofertada.

O resultado será divulgado no dia 6 de junho e a matrícula deverá ser feita entre os dias 10 e 14. Aqueles que não forem selecionados poderão participar da lista de espera, entre 6 e 17 de junho.  Os candidatos na lista começarão a ser convocados a partir do dia 23 de junho.

(Agência Brasil)

Delegacia da Criança assume investigação de estupro coletivo no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou nota no início da noite deste domingo (29) informando que a titular da Delegacia da Criança e do Adolescente, Cristiana Bento, assumiu a investigação do estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 16 anos, há uma semana, na zona oeste da capital fluminense.

Segundo a nota, a medida visa “evidenciar o caráter protetivo à menor vítima na condução da investigação, bem como afastar futuros questionamentos de parcialidade no trabalho”. A decisão foi tomada depois de críticas à conduta do delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.

Segundo a nota, a delegada Cristiana Bento está analisando as provas colhidas até o momento, incluindo depoimentos e outras diligências feitas pela Polícia Civil, “para definir os próximos passos da investigação”.

Com a decisão da Polícia Civil, as investigações sobre o estupro serão desmembradas como queriam as advogadas da vítima. O delegado Alessandro Thiers cuidará das investigações relativas ao vazamento do vídeo divulgado na internet, detalhando o estupro da jovem por 33 homens da favela do Morro São José Operário.

(Agência Brasil)

Twitter – Cunha chama Dilma de arrogante e mentirosa

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O deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) usou o seu Twitter neste domingo (29) para criticar e rebater acusações da presidente afastada Dilma Rousseff.

Em sua primeira entrevista após a aprovação do Senado pela admissibilidade do processo de impeachment, ao jornal “Folha de S.Paulo”, na quinta-feira (26), Dilma afirmou que o ex-presidente da Câmara dos Deputados é quem “manda” no governo Temer.

Cunha rebateu dizendo que, além de arrogante e mentirosa, Dilma “demonstra a sua incapacidade e despreparo para governar”. “Com o descontrole das contas públicas, aumenta a inflação e a despesa de juros da dívida pública. A sua gestão foi um desastre”, escreveu Cunha, que finalizou a série de comentários dizendo: “Para ela, apenas uma frase: Tchau querida”.

(O POVO Online)

Sem ‘queridinho’ – Barbalha também protesta contra Camilo Santana

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Após a manifestação contra o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), diante do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o barbalhense também protestou contra o governador Camilo Santana (PT), por causa da educação pública estadual.

Na festa do santo padroeiro, os políticos não esperavam essa “graça”.

Comemoração antecipada – TJ nega afastamento de delegado que investiga estupro coletivo

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) negou ter determinado o afastamento do delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, que está à frente das investigações do caso envolvendo uma adolescente de 16 anos estuprada por 33 homens na favela do Morro São José Operário, no Rio.

Em nota, o tribunal informa que o Plantão Judiciário remeteu o pedido da advogada da vítima – solicitando o afastamento do delegado, para a Vara Criminal sob responsabilidade da juíza em exercício, Angélica dos Santos Costa. A juíza, por sua vez, determinou neste domingo (29), a distribuição do requerimento da advogada a uma vara criminal, “o que só deverá ocorrer nesta segunda-feira (30)”.

A informação sobre o afastamento do delegado Thiers foi dada e comemorada em uma rede social por uma das duas advogadas da menor, Eloisa Samy Santiago. Em sua página no Facebook, sob o título Vitória das Mulheres, a advogada escreveu a notícia desmentida pelo tribunal.

Segundo a nota do TJ-RJ, consta a informação que a Angélica dos Santos Costa, ao justificar a sua decisão, alegou que “apenas uma peça do inquérito foi apresentada pela advogada da vítima ao Plantão Judiciário: um dos termos de declaração da vítima, o que impossibilita uma melhor avaliação de qualquer medida judicial a ser tomada em sede de plantão noturno”.

(Agência Brasil)

Comandante dos Bombeiros recebe homenagem por serviços relevantes

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O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Heraldo Maia Pacheco, foi homenageado neste fim de semana com a medalha “General Assis Bezerra”, por relevantes serviços na defesa da comunidade cearense.

A comenda é a maior condecoração da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Governo do Estado, quando também é estendida a policiais civis, cidadãos, além de entidades civis ou militares.

Delegado não é mais responsável por investigar estupro coletivo, diz TJ-RJ

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou, neste domingo (29), o desdobramento do inquérito sobre o estupro coletivo da jovem de 16 anos ocorrido no Rio. Assim, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), cujo titular é Alessandro Thiers, ficará encarregada de investigar o vazamento das imagens do estupro nas redes sociais, enquanto que o caso envolvendo o estupro coletivo da menor vai para a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV).

A advogada Eloisa Samy Santiago, que defende a menor de 16 anos que sofreu estupro coletivo há uma semana no Rio, comemorou nas redes sociais. “O delegado Alessandro Thiers, da DRCI, não é mais o encarregado pela investigação do estupro coletivo!, disse, em post no Facebook, sob o título “Vitória das Mulheres”.

O estupro coletivo ocorreu há cerca de uma semana, no morro São José Operário, em Jacarepaguá, na zona oeste da cidade. Um vídeo mostrando o crime foi divulgado na última quarta-feira (25), na internet, por um dos 33 homens que participaram da violência. Eloisa Samy Santiago defende a menor junto com a advogada Caroline Bispo.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) já havia se manifestado favoravelmente ao desmembramento do inquérito. Na noite desse sábado (28), os promotores do MP se reuniram com as advogadas da adolescente, que fizeram questionamentos em relação às investigações da Polícia Civil e a forma como o delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), vinha atuando no caso, segundo elas “de forma machista e misógina”.

Os promotores atenderam a três dos pedidos das advogadas, inclusive sobre a necessidade de desmembramento do caso, mas não se posicionaram contra o afastamento do delegado por entender que essa era uma atribuição da Polícia Civil.

Na nota, o MP disse que “Independente da decisão judicial”, o promotor de Justiça Bruno Lavorato iria expedir ofício pedindo que a investigação sobre o estupro seja conduzida “apenas pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV)” e que as investigações fossem desmembradas, “remetendo-se para a DCAV, Delegacia de Polícia especializada em crimes desta natureza, a investigação do delito de estupro, ficando a cargo da DRCI apenas o delito de divulgação do vídeo referido.

O Ministério Público também determinou que uma medida cautelar assecuratória, em favor da vítima, por analogia às medidas protetivas da Lei Maria da Penha, “tendo em vista o temor à sua integridade física, moral e intelectiva, certo que há notícias de que um dos possíveis autores, denominado de Rafael Belo, vem se aproximando da mesma, a fim de intimidá-la” e com isso dificultando o andar das investigações”.

O órgão também se mostrou favorável a que se averigue se o delegado da DRCI infringiu, durante o depoimento, o artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

(Agência Brasil)

Que país terão nossos netos?

Em artigo no O POVO deste domingo (29), o psicólogo Vasco Arruda questiona quem teria os atributos necessários para promover mudanças profundas e consistentes no país, que nos permitam dias melhores. Confira:

Há algum tempo venho me deleitando com a leitura das circulares conciliares e pós-conciliares que Dom Hélder Câmara escreveu ao grupo de amigos e colaboradores na década de 1960, durante e após o Concílio Vaticano II. Em 13 alentados volumes, publicados pelo Instituto Dom Hélder Câmara em parceria com o Governo do Estado de Pernambuco, as circulares endereçadas à “Querida Família Mecejanense” revelam, dentre outras coisas, a realidade por que passou o Brasil na época. A luta contra os anos difíceis de repressão é explicitada em diversas ocasiões, na verdade, é quase constante.

Pois bem, lendo esta semana as circulares escritas entre os meses de fevereiro e dezembro de 1968, um dos períodos mais difíceis para o País, me pus a matutar sobre o quanto o Dom era um homem otimista e esperançoso. Esse pensamento me ocorreu quando lia a circular escrita entre os dias 10 e 11 de junho de 1968.

Com o ímpeto e entusiasmo que sempre o caracterizaram, escreve: “Na medida em que acreditamos profundamente, misticamente na força da verdade, da justiça, do bem e do amor, a ponto de resistirmos em absoluto à tentação da violência, mas resistirmos igualmente à tentação de covardia; na medida em que as dificuldades nos alimentarem e os perigos nos encorajarem, os adeptos se multiplicarão em torno de nós, e seremos invencíveis” (Circulares pós-conciliares. Recife: Cefe, 2013; v. 4.,t. 2., p. 128).

Ante a admoestação do Dom, tão incisiva, não pude deixar de pensar no momento atual. Como acreditar ainda “na força da verdade, da justiça, do bem e do amor”, ante a situação escabrosa por que passa o Brasil neste momento? A quem recorreremos, quem terá os atributos necessários para promover mudanças profundas e consistentes que nos permitam dias melhores e um pouco mais de estabilidade? Enquanto assim refletia, recordei o trecho da circular de Dom Hélder. Foi aí que me dei conta de que, do início ao fim, em nenhum momento o Dom se refere a um “eu” ou um “tu”, centrando o seu discurso sempre em torno de um “nós”.

Enquanto matutava, recordei um episódio ocorrido no início da semana. Comentando com Naza, minha esposa, uma reportagem que acabáramos de ler, na qual eram noticiadas as últimas “novidades” sobre a confusa e triste situação em que está imerso o nosso querido Brasil, manifestei-lhe a minha esperança de que esse momento seja apenas uma fase por que o País está passando, e que ela, afinal, se revele um momento de expurgo, uma depuração, de modo que, algum dia, pelo menos os nossos netos possam ter, de fato, gerindo os destinos da nação, pessoas que façam jus ao crédito que lhes foi dado pelos eleitores ao sufragarem seus nomes nas urnas. Acreditar misticamente na força da verdade, da justiça, do bem e do amor, especialmente agora, é não apenas necessário, mas indispensável.

Regulação da venda de alimento industrializado é desafio no combate à obesidade

Um acordo internacional para restringir a venda de alimentos ultraprocessados pode ajudar a combater a obesidade e a hipertensão – associadas a problemas graves de saúde. A avaliação é de especialistas que se reuniram na Conferência Mundial de Promoção da Saúde, em Curitiba. Inspirada nos marcos legais que impuseram restrições à venda de tabaco e de bebidas alcoólicas, uma convenção poderia colocar limites à publicidade – principal responsável pelo aumento do consumo produtos na América Latina –, de acordo com os cientistas.

Os alimentos ultraprocessados são aqueles industrializados prontos ou quase prontos para comer, como pizzas, lasanhas, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, nuggets (frango empanado), embutidos e refrigerantes. Para que não estraguem e tenham boa aparência, passam por procedimentos que retiram nutrientes naturais e alteram a composição.

Uma das estratégias para diminuir a procura desses itens deve ser a restrição da publicidade, defende a coordenadora do Núcleo de Alimentação e Nutrição Escola da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Inês Rugani. Ela explica que as empresas concentram investimentos em marketing, para convencer as pessoas, principalmente as crianças, a consumir. Outro desafio, acrescenta, é incluir avisos de advertência na parte da frente dos rótulos, como ocorre com o cigarro.

A pesquisadora Ana Paula Bortolettto, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), acrescenta que um marco internacional é instrumento com capacidade de ajudar os países a terem mais força diante do lobby da indústria de alimentos. Ela conta que empresas recorrem à Justiça e a organizações internacionais para evitar qualquer forma de regulamentação.

“Hoje, empresas têm mais poder que os países, impondo dificuldades para a implementação de políticas públicas que tenham como objetivo prevenir a obesidade e melhorar a alimentação”, disse ela, que também integra a Coalizão Latino-Americana Saudável.

(Agência Brasil)

Golpe sim, mas na cultura política

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (29):

Os dias foram difíceis para a política do País. Vão continuar sendo. Será assim até que a Lava Jato encerre a sua já longa temporada de investigações. É provável que a Operação esteja vivendo suas etapas finais. Os acordos de cooperação firmados com as três maiores empreiteiras do País talvez sejam as marcas do fim que se aproxima. Por elas, tudo passava. Elas sabem de tudo.

A Lava Jato começou em março de 2014. Portanto há 29 meses. O juiz Sérgio Moro já disse sonhar que os trabalhos da Força Tarefa durem até dezembro. Até lá, serão 36 meses. Quase três anos. A Operação já é parte da história política e econômica do Brasil. Seus efeitos vão repercutir no País muito além das prisões e sentenças.

Até o início de maio, a Lava Jato havia promovido 574 buscas e apreensões, 70 prisões preventivas, 85 prisões temporárias, 51 acordos de colaboração premiada e cinco acordos de leniência. As 93 condenações somam 990 anos de cadeia, por crimes de corrupção, tráfico internacional de drogas, formação de organização criminosa e lavagem de ativos.

O ressarcimento pedido por práticas de corrupção (incluindo multas) alcança um total de R$ 37,6 bilhões. Até agora, R$ 2,9 bilhões já foram recuperados por acordos de colaboração, sendo R$ 659 milhões objeto de repatriação e R$ 2,4 bilhões em bens dos réus já bloqueados (os dados foram compilados pelo jornalista Celso Ming, do Estadão).

É um senhor desempenho. Porém, seus melhores efeitos tendem a se dar na cultura política brasileira. Pelo menos é o que se espera. Afinal, quem poderia imaginar que o presidente da Odebrecht, a maior empreiteira nacional, seria preso, superaria um ano no xilindró e ainda se veria obrigado a aderir à delação premiada?

Pois é. Aconteceu com a Odebrecht e com suas parceiras Andrade Gutierrez e Camargo Correa. As outras duas maiores do ramo tiveram seus executivos presos e sentenciados. Muitas outras empreiteiras e fornecedoras da Petrobras tiveram o mesmo destino. Escritórios de lobistas também. Idem, doleiros. E, agora, parece chegar à vez de mais políticos. Definitivamente, a Lava Jato retira deles a aura de intocáveis.

Está nesse ponto a grande revolução na cultura política do País. Fica a sentença: acabou a era dos intocáveis. A Lava Jato foi um duro golpe também no patrimonialismo, a grande marca da formação social e econômica do Brasil. A promiscuidade entre público e privado está pagando um preço altíssimo, incluindo prisões de longo prazo. Portanto, há um componente modernizante na Lava Jato.

Daqui por diante, na hora de concretizar as tenebrosas transações, a Lava Jato e seus desdobramentos vão permear a mente dos que ainda se habilitarem a corromper e desviar. Os pretendentes podem até arriscar, mas sabendo muito bem do que pode lhes acontecer.

Enfim, a Lava Jato e sua Força Tarefa formada pelo Ministério Público, a Justiça e a Polícia vão deixar um legado que muitos, até um dia desses, chamavam de “moralista”. Que assim seja.