Blog do Eliomar

Últimos posts

Marina oferece “outra face” a Cid e Ciro

84 1

eleições 2014 psb 0913 marina sobral

A candidata do PSB à presidência da República, Marina Silva, ofereceu nesse sábado (13) “a outra face” aos irmãos Ferreira Gomes, Cid (governador do Ceará) e Ciro (secretário estadual de Saúde), Ciro Ferreira Gomes, na terra deles, Sobral, como resposta às críticas que eles têm feito à sua candidatura. “Em nome da memória de Eduardo Campos, que foi companheiro deles, quero oferecer a face do diálogo, a face do respeito”, disse ela, que fez campanha neste sábado no município, a 240 km de Fortaleza, antes de deixar o Ceará em direção ao Rio Grande do Norte.

Marina participou, ao lado do vice, Beto Albuquerque, e das candidatas ao Governo do Ceará, Eliane Novais, e ao Senado, Geovana Cartaxo, de ato político no ginásio esportivo do Sesi/Senai. Eliane denunciou tentativas “de forças do além, chamadas Ferreira Gomes, de fazerem de tudo para atrapalhar o evento”. Beto Albuquerque pediu um minuto de silêncio pela memória de Eduardo Campos, lembrando que um mês atrás eles recebiam a notícia da morte dele, então candidato do PSB à presidência da República. Tomás Figueiredo, candidato a deputado estadual pelo PSDB, estava no palanque e, ao falar, destacou que era necessário “respeitar a história de Marina Silva”.

Na mesma hora em que acontecia o evento do PSB, o prefeito Clodoveu Arruda (PT), ao lado de Leônidas Cristino, Ivo Gomes e outros apoiadores da candidatura de Camilo Santana ao Governo participavam de ato no Beco do Cotovelo. Onde, inicialmente, a campanha de Marina pretendia realizar a atividade deste sábado em Sobral.

(O POVO / Foto: Edimar Soares)

Sérgio Aguiar também recebe apoio de Ferruccio

147 1

eleições 2014 pros 0913 salmito e sérgio e ferruccio

Em encontro com apoiadores de sua candidatura à reeleição a deputado federal, nesse sábado (13), no Pirata Bar, na Praia de Iracema, Sérgio Aguiar destacou as presenças do secretário de Turismo de Fortaleza, Salmito Filho, e do secretário estadual de Grandes Eventos, Ferruccio Feitosa.

Salmito ressaltou a parceria de Sérgio Aguiar no turismo de Fortaleza, quando o deputado preside a Comissão de Turismo na Assembleia Legislativa.

Ferruccio lembrou que iria disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa e que teria o apoio de Salmito. Ao decidir permanecer como secretário, optou por apoiar Sérgio Aguiar. Afirmou que foi uma grata coincidência o apoio de Salmito ao mesmo candidato. “Isso mostra a nossa afinidade”, observou.

(Foto: divulgação)

Professor Teodoro faz campanha diferente

eleições 2014 psd teodoro carreata

O deputado estadual e candidato à reeleição pelo PSD, Professor Teodoro, realizou uma carreata diferente na manhã deste domingo (14). Para não congestionar o acesso às praias, o candidato decidiu percorrer a periferia, por meio de ruas dos bairros Parangaba, Conjunto Ceará e Jardim America.

Segundo Professor Teodoro, o voto dos bairros com menor movimentação possui o mesmo peso dos bairros tidos como nobres.

A aposta Marina

82 7

Em artigo no O POVO deste domingo (14), o sociólogo André Haguette diz que PT enfrenta Marina com ataques pessoais, não mais no campo das ideias. Confira:

Ameaçados de perder as eleições e o poder, o PT deixa o campo das ideias e parte para ataques pessoais, utilizando-se até da calúnia, mentira e falsificação. Como se diz na gíria, o PT, a Dilma e seus correligionários “soltaram os cachorros”, não em cima das propostas políticas da adversária Marina, mas contra a própria pessoa dela. A ordem agora é, sem pudor nem ética, abater, detonar, desmoralizar a adversária. Vejamos alguns exemplos. Acusam a Marina de ser “fundamentalista”. Aqui há uma falsificação. O fundamentalismo religioso difere do fundamentalismo político.

Como escreve Demétrio Magnoli, os fundamentalistas políticos “querem substituir o livro das leis (o contrato constitucional) pela Lei do Livro (a Bíblia, o Corão ou a Torã). Marina, portanto, não é fundamentalista”. Fundamentalista na sua fé, ela sempre defendeu a separação da Igreja e do Estado, o Estado laico, portanto. Dizem que ela postula o criacionismo, mas nunca atacou a teoria da evolução.

Acusam Marina de repelir a legalização do aborto, a descriminalização da maconha e o casamento gay. É verdade, mas a Dilma, durante seus quatro anos na presidência, propôs e defendeu a legalização do aborto, a discriminação da maconha e o casamento gay? Pior, no seu foro íntimo, é favorável à legalização do aborto, mas publicamente se diz contrária e nada faz para modificar a Lei. A Marina mudou na última hora a pauta LGBT no seu programa político, mas o que os governos de Lula e Dilma fizeram em relação à comunidade LGBT? Jogo duplo, portanto, jogo hipócrita.

Acusam Marina de não ter experiência administrativa e política. De fato, creio ser verdade que ela não tem experiência administrativa, mas tem experiência política já que foi fundadora de um partido, vereadora, senadora e ministra. Cabem aqui duas perguntas: sincera e objetivamente falando, Fernando Henrique, Lula e Dilma tinham mais credenciais administrativas e políticas sobre a máquina estatal do que a Marina? Acusam Marina de não ter equipe. Aqui a conversa se torna interessante.

A Dilma não tinha equipe para compor seu ministério. Teve que aceitar as indicações de Lula; seis ou sete deles foram demitidos por atos de corrupção! É que, no poder, o PT não tergiversou; deu continuidade ao jogo então jogado; criou ministérios e secretarias para atender aos partidos “amigos”. Marina propõe outra solução: governar com os “bons”, isto é, como ela não possui uma grande base partidária, ela pode renovar a maneira de fazer política e não abrir flancos para compra de apoio e selecionar seus colaboradores.

A proposta pode soar “purista” e até ingênua, mas não deixa de oferecer uma saída para o mal maior de nossa política: uma governabilidade sempre instável mantida ao custo de “agrados” a partidos insaciáveis, atalhos para a corrupção e empecilhos a reformas necessárias, como a tributária. Marina oferece uma alternativa à tradicional política de favores dominante até hoje.

O cerne da questão é o seguinte: os eleitores vão continuar incentivando o jogo nefasto do aparelhamento político ou vão modificar as regras do jogo. Marina pretende mudar essas regras. Talvez valesse a pena pagar para ver. A maneira de fazer política precisa mudar.

Delação premiada tumultua campanha eleitoral

65 5

Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (14):

A delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, negociada com a Polícia Federal e o Ministério Público, teria apontado, segundo a revista “Veja”, uma lista de políticos financiados por recursos provindos de esquemas de corrupção na Petrobras. Mesmo sem provas concretas, a simples denúncia teve o condão de tumultuar a campanha eleitoral – como não poderia deixar de ser.

Crescem indícios de que funcionários da empresa teriam traído a confiança do governo e se envolvido em esquemas escusos. E, assim, é imperativo que sejam identificados e punidos. Mas, haveria também – como muitos alertam – outros tipos de cobiça ainda mais dissimulados?

Os que acham que sim advertem ser preciso (ao lado da identificação e punição dos corruptos) não baixar a guarda em relação a uma ameaça ainda maior que pairaria sobre a Petrobras e o Brasil: a tentativa de desqualificar a empresa, enfraquecê-la e assim abrir caminho para que o pré-sal seja abocanhado pelo capital financeiro.

O Departamento de Estado americano estaria aproveitando as chances abertas por estas eleições para executar um acalentado plano: tentar mudar a seu favor a correlação de forças na América Latina, afastando do poder governos progressistas.

A eleição de um presidente brasileiro comprometido com a troca do atual modelo de desenvolvimento inclusivo para o modelo neoliberal facilitaria esse projeto e poria novamente o Continente sob o cabresto da Casa Branca. Daí, o crescente cerco ao Brasil, como seria exemplo a ameaça de rebaixamento da nota do País pela agência de risco Moody’s (aquela que não previu a crise de 2008) em plena campanha eleitoral, supostamente com o intuito de provocar fuga de capitais, desestabilizar a economia e influenciar as eleições.

Eunício diz que seu governo terá somente “ficha limpa”

68 1

eleições 2014 pmdb 0912 ibiapaba

“Governar um Estado é algo muito sério, não pode ser alguém tirado do bolso do colete dos poderosos. Quero ser governador para responder apenas a um chefe, que é o povo cearense”. A declaração é do candidato do PMDB ao governo do Ceará, Eunício Oliveira, nesse sábado (13), Tenda Democrática do Comitê Central, em evento que marcou a adesão de cerca de 800 lideranças políticas e comunitárias de Fortaleza.

“Estou no meio da rua, de peito aberto, pedindo para ser julgado pela população. Aprovei a ampliação da Lei da Ficha Limpa para que não apenas os políticos eleitos, mas todos que exerçam a função no serviço público sejam ‘ficha limpa’”, prometeu Eunício.

Ao ressaltar a projetos nas áreas da saúde, educação, segurança pública e convivência com a seca, Eunício disse que o Ceará não terá prioridades invertidas. “Vamos dizer ao mundo que o Ceará é um estado livre”.

Especialistas pedem cautela com anúncios que prometem redução de juros

É comum encontrar nas ruas e na internet anúncios prometendo redução dos juros de financiamentos, principalmente de veículos. Algumas das propagandas garantem ser possível diminuir pela metade a parcela paga, mediante ação na Justiça. Especialistas aconselham cautela com ofertas do tipo. Segundo eles, embora haja decisões favoráveis ao cliente em ações revisionais de juros, é preciso analisar o histórico das empresas e advogados por trás dos anúncios. Também é importante verificar se o contrato que se pretende questionar de fato é abusivo.

“O consumidor deve pedir à empresa ou ao advogado que está fazendo isso [prometendo a redução] referência de pelo menos dez clientes. Deve pedir, ainda, sentenças e acórdãos apontando o resultado que está sendo prometido”, recomenda o advogado José Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Defesa das Relações de Consumo (Ibedec). Tardin considera excessivos os ganhos anunciados. “O consumidor deve desconfiar sempre, quando a oferta é demais”, alerta.

O advogado Adriano Cristian Carneiro, defensor público da União com atuação em ações coletivas que envolvem direito do consumidor, ressalta que há outros itens nos contratos de financiamento de veículo que podem caracterizar abuso. “Pode ter venda casada, em que você paga algum seguro ou título de capitalização do qual não sabe”, exemplifica. Mas os juros, diz, têm ficado dentro da média de mercado.

A advogada Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), pede que os consumidores estejam atentos à propaganda enganosa. “A vontade de diminuir a dívida é muito grande. Fora os juros realmente abusivos, não existe esse milagre da redução. As pessoas que tiveram acesso a cartazes ou folhetos com promessas excessivas devem até reclamar nos órgãos de defesa do consumidor para providência”, declarou.

(Agência Brasil)

Diversificar as formas de produzir energia é prioridade para os próximos anos

A definição sobre quais serão as fontes de energia prioritárias para o país nos próximos anos será um dos principais desafios do próximo governante. Atualmente, cerca de 75% da energia elétrica gerada no Brasil vem de hidrelétricas, mas a capacidade de expansão dessa fonte já está caminhando para o esgotamento, e é preciso encontrar novas alternativas baratas, seguras e sustentáveis.

Os próximos anos serão decisivos para que o Brasil tome decisões estratégicas com relação a sua matriz energética, na avaliação do especialista Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, o Brasil não tem mais potencial para expandir a geração por meio de hidrelétricas, e a construção de novas usinas está mais difícil. “A partir da segunda metade desta década, é preciso tomar decisões estratégicas com relação a essa matriz. A hidrelétrica vai diminuir, vai esgotar, é preciso saber qual a matriz que o Brasil terá”, aponta. Atualmente, o governo prevê o esgotamento do potencial hidrelétrico entre 2025 e 2030.

Para o especialista, a geração de energia no país não pode ser baseada apenas em energias renováveis como a eólica e a solar, porque essas fontes não têm capacidade de armazenamento. Na avaliação de Castro, um dos caminhos é trazer de volta a discussão sobre a geração de energia por meio de usinas nucleares.

O Instituto Acende Brasil, um centro de estudos do setor elétrico, também aponta que é preciso se preparar com antecedência para o cenário de esgotamento do potencial hidrelétrico. Em um documento com propostas encaminhadas aos candidatos à Presidência da República, a entidade diz que será necessário recorrer a outras fontes, como a energia nuclear, para atender ao crescimento da carga.

“O Brasil dispõe de amplas reservas de urânio e detém a tecnologia de seu enriquecimento. Adicionalmente, a energia nuclear não emite gases efeito estufa e suas usinas podem ser localizadas relativamente próximas aos grandes centros de consumo”, diz o instituto, que também defende a geração distribuída, principalmente de fonte solar e eólica.

(Agência Brasil)

Fernando Hugo anuncia que vai processar o presidente do PT do Ceará

O presidente do PT-CE e também coordenador das candidaturas proporcionais da coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, Francisco de Assis Diniz, deve ser alvo de processo criminal movido pelo deputado estadual Fernando Hugo (Solidariedade) e candidato à reeleição.

É o que anuncia o deputado, que acusa o coordenador de alterar sua participação no Horário Eleitoral, apesar do material ter sido entregue à produtora responsável já devidamente finalizado.

Na quinta-feira (11), o juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), Carlos Henrique Garcia de Oliveira, acatou pedido dos candidatos do Solidariedade para participação no Horário Eleitoral da coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”.

Tasso tem ao seu lado a família em campanha

eleições 2014 psdb 0912 tasso e renata

Para quem imaginou que Tasso Jereissati entrou na disputa ao Senado contra a vontade da família, eis dona Renata Jereissati acompanhando o marido em carreata no município de Viçosa do Ceará, na noite dessa sexta-feira (12).

A presença de dona Renata tem sido constante na campanha. Ela, inclusive, tem pedido votos e destacado a  “admiração” pelo político Tasso.

(Foto – Zé Rosa /Divulgação)

Luizianne consegue na Justiça participação nas inserções do Horário Eleitoral

eleições 2014 pt 1819 luizianne

Após conseguir ser incluída no Horário Eleitoral, por meio de ação na Justiça, a candidata a deputada federal pelo PT, Luizianne Lins, conquistou nova decisão judicial: foi incluída nas inserções da Coligação Proporcional Federal (PRB/PP/PDT/PT/PTB/PSL/PHS/PSD/PcdoB/SD/PROS).

A decisão é do juiz coordenador da Propaganda, Carlos Henrique Oliveira, que concedeu liminar para as inserções no rádio e na televisão “sob pena de desobediência e aplicação de multa, nos termos aventados na sentença”.

Camilo fala em vitória no primeiro turno

114 6

eleições 2014 pt 0913 centro fortaleza

“Aonde a gente chega, no interior do Estado, a gente só vê 13 de Dilma e 13 de Camilo. Portanto, hoje é dia 13, é um dia que fica marcado no coração das pessoas com esse projeto que mudou o Brasil. E que, pela primeira vez no Ceará, nós vamos ter um governador 13”.

O discurso é do candidato do PT ao governo do Ceará, Camilo Santana, neste sábado (13), durante caminhada no Centro de Fortaleza. A agenda do candidato integrou a programação nacional do “Agita 13”, desenvolvida pelo PT em todos os Estados. No Ceará, o representante de Dilma foi o ministro da Educação, Henrique Paim. O “Agita 13” se estendeu por outros 49 municípios cearenses.

“Faltam apenas 22 dias para a eleição. Podem ficar certos de que nós vamos dar uma grande maioria a Dilma aqui no Ceará. Estamos na reta final da eleição. Vamos também arregaçar as mangas, conquistar mais um voto, mais dois votos, para a gente ganhar a eleição no primeiro turno aqui no Ceará”, assegurou Camilo.

Além do ministro Henrique Paim, Camilo esteve acompanhado do candidato ao Senado pelo Pros, Mauro Filho, por candidatos a deputado federal e a deputado estadual, além de secretários de Fortaleza e do Estado, como Salmito Filho e Ferruccio Feitosa

(Foto: divulgação)

Papa fala em Terceira Guerra Mundial e apela contra “loucura bélica”

133 1

O papa Francisco disse neste sábado (13) que o mundo atravessa uma Terceira Guerra Mundial que se desenvolve em etapas, por meio de crimes, massacres e destruições. O pontífice fez um apelo à paz para travar o que chamou de “loucura bélica”.

As declarações foram feitas no cemitério militar de Fogliano Redipuglia, no norte da Itália. O papa esteve no local para lembrar os mortos da Primeira Guerra Mundial, iniciada há 100 anos.

“Hoje, depois do segundo fracasso de uma guerra mundial, podemos falar de uma guerra combatida por partes, com crimes, massacres e destruições”, disse o papa.

No local, a poucos quilômetros da fronteira com a Áustria e a Eslovênia, estão sepultados 14.550 soldados aliados, dos quais apenas 2.550 estão identificados.

O papa Francisco chegou ao cemitério pela porta principal, onde rezou em frente ao monumento em homenagem aos mortos na Primeira Guerra Mundial. Em seguida, depositou flores para recordar a data.

(Agência Brasil)

1964: cenas e consequências

83 3

Em artigo no O POVO deste sábado, o professor em Saúde Pública e reitor da Uece, Jackson Coelho Sampaio, lembra das manobras da militância crítica para se reunir no período do AI 5. Confira:

Uma ditadura civil-militar, ao surgir, objetiva desestruturar as instituições democráticas maiores, como parlamento e partidos políticos representantes de movimento popular. Num segundo tempo, busca ferir o íntimo das práticas democráticas nas instituições, especialmente nas universidades, centros de questionamento crítico e produção de conhecimento. Em 1968, com o AI 5 e o decreto 477, centros acadêmicos e diretórios centrais dos estudantes foram banidos. Até a entrada em sala de aula era regulada: esperávamos nos corredores, o professor chegava e, com, ele, um funcionário com a chave da sala, só então podíamos entrar. As únicas entidades mantidas foram as associações atléticas.

Não lembro se na Medicina, Farmácia, Direito, Agronomia ou Arquitetura da UFC, o fato é que surgiu a ideia de criarmos uma diretoria cultural nas associações atléticas, onde a militância crítica pudesse se reorganizar. A ideia deu certo e em breve mais de 10 diretorias foram criadas, o que resultou na articulação de todas no Movimento Universitário de Cultura-MUC. Uma boa metáfora, a do muque. Até Paulinho da Viola, Sérgio Ricardo e Maracatu levamos ao pátio da Arquitetura.

Em meio aos terrores, a iniciativa repercutiu e viramos referência. Lembro-me da viagem de grupo da Medicina, a Natal e Teresina, para levarmos o método aos estudantes de UFRN e UFPI. Fisicamente, éramos pouco atléticos. No discurso, nenhuma gíria esportiva. Os locais para reunião eram heterodoxos. Em Teresina nos reunimos num prostíbulo, certos de que, ali, os esbirros da ditadura não nos descobririam. Mas o disfarce era ingênuo: depois de muita conversa e cerveja, sem fazer uso dos outros prazeres da casa, uma prostituta disse: vocês estão só falando, falando… barbicha… oclinho… sem pegar mulher… só podem ser comunistas, não é? Bem, faltava espaço de manobra, mas resistíamos com criatividade e bom humor.

Reação de Aécio é improvável

77 3

foto aécio neves

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (13), pelo jornalista Érico Firmo:

A não ser que todas as pesquisas errem muito ou um fato novo de enormes proporções ocorra, Dilma Rousseff (PT) está no segundo turno. Quanto a Marina Silva (PSB), o prognóstico recomenda um pouco mais de cautela. Ela está tecnicamente empatada com a petista no Datafolha, mas a diferença é de oito pontos percentuais no Ibope. Com uma sutileza: embora tenha sido divulgada apenas nessa sexta-feira (12), esta última pesquisa foi feita antes da do Datafolha. Então, o cenário ainda é confuso. Porém, há uma convergência de informações que, em várias pesquisas, indicam tendência de oscilação negativa da candidata do PSB, enquanto Dilma sobe, discretamente. Tudo dentro da margem de erro, ressalte-se, mas de forma constante. No atual cenário, Marina tem aproximadamente o dobro das intenções de voto de Aécio Neves (PSDB). Em três semanas até a eleição e com mudanças sempre discretas, é bastante improvável uma ultrapassagem.

Isso, claro, tomando-se as pesquisas como retrato mais ou menos fiel do pensamento do eleitor. Mas as razões para a cautela se fundamentam na história. Na coluna de 27 de agosto, um dia após a divulgação da primeira pesquisa que mostrou a disparada de Marina, a coluna já apontava as semelhanças entre o desempenho dela agora e o de Ciro Gomes em 2002 (leia aqui: http://bit.ly/1qQvNjW). O irmão do governador Cid Gomes, como se sabe, acabou caindo bastante e terminou em quarto lugar, até dar mostras de que iria para o 2º turno.

Porém, naquela eleição, Ciro não despencou subitamente. Em 30 de julho, chegou ao seu ápice, com 28% no Datafolha. Depois de 15 dias, a arrancada em que vinha foi interrompida e oscilou negativamente um ponto, indo a 27%. Na pesquisa divulgada em 30 de agosto daquele ano, após o início do horário eleitoral, Ciro caiu para 20%. E seguiu em queda até ficar atrás de Anthony Garotinho.

Essa derrocada começou, portanto, com oscilação discreta. Depois, deu-se a queda mais intensa. Não foi um desmoronamento imediato, portanto. Nada indica que se repetirá a mesma coisa. Pelo contrário, há sinalizações do contrário. Mas os primeiros movimentos das intenções de voto de Marina após o crescimento inicial foram bem parecidos com os de Ciro há 12 anos.

Onde estão as diferenças, então? Primeiro, no calendário. Ciro começou a ter oscilações negativas no fim da primeira quinzena de agosto. Marina, quase um mês mais tarde e bem mais perto da eleição. Portanto, com muito menos tempo para mudanças. Outra diferença é na força do PSDB. Naquela época, o partido tinha o Governo Federal, mais tempo de rádio e televisão, mais dinheiro, apoios políticos mais robustos (o PMDB era aliado). E o candidato era José Serra, com métodos mais, digamos, agressivos. Do outro lado, Ciro também era muito mais propenso à desconstrução, com declarações desastradas que ajudaram os adversários. Embora a campanha do PSB, agora, também meta os pés pelas mãos em muitas coisas, não se compara ao que se deu em 2002 com o candidato à época do PPS.

Em síntese, no cenário atual, a diferença de Marina para Aécio é de 16 pontos no Ibope e 18 no Datafolha. Para vencer no 1º turno, Dilma precisaria hoje de mais sete pontos no Ibope e 12 no Datafolha. Ou seja, se não é impossível Aécio chegar ao segundo turno, as pesquisas apontam que, hoje, é mais fácil nem segundo turno haver do que o candidato tucano está presente nele. E olha que a possibilidade de definição já no primeiro turno também não está tão próxima.