Blog do Eliomar

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Mercado provisório servirá de modelo para supermercado em Curitiba

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mercado provisório dos peixes

Empresários do ramo de alimentação e vestuário de Curitiba estiveram este fim de semana em Fortaleza para conhecer o Mercado Provisório dos Peixes, na avenida Beira Mar. A ideia é que a estrutura seja copiada para a montagem de um supermercado na capital paranaense.

Os empresários conversaram com os permissionários e se mostraram impressionados com a rápida montagem da estrutura, em forma de containers, como também da agilidade com o saneamento básico e energia elétrica.

Manifestantes debatem futuro das mobilizações neste domingo

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A onda de protestos que tomou o país nas últimas semanas continua neste domingo (23), e agora muitos manifestantes se mobilizam para discutir propostas e garantir a eficácia do movimento. Em Fortaleza, onde haverá jogo da Copa das Confederações entre as seleções da Nigéria e da Espanha, um grupo está reunido desde a manhã na 1ª Assembleia Geral de Movimentos de Protesto.

De acordo com informações postadas na página da assembleia em uma rede social, o evento foi convocado para debater questões de representatividade e as causas que serão defendidas a partir de agora. Após os debates, o grupo também convoca para novo protesto rumo à Arena Castelão, onde haverá jogo a partir das 16h.

“É muito confuso, tem muita gente diferente, pouca gente que tem experiência com movimentos organizados. Mas acredito que só o debate em si já é um ponto muito positivo”, avalia Rodrigo Santaella, uma das lideranças do movimento que, segundo ele, reuniu 1,5 mil pessoas nesta manhã. Ele informa que não havia policiais reprimindo os debates de hoje, e que um novo protesto está sendo organizado para a próxima quinta-feira (27), quando haverá novo jogo do Brasil, para discutir temas como saúde e moradia.

De acordo com o porta-voz da Comunicação da Polícia Militar do Ceará, tenente-coronel Fernando Albano, a corporação ainda não foi informada de protestos nas proximidades do estádio nesta tarde. “Mas o policiamento é mantido do mesmo jeito para todos os jogos, da mesma forma que houve para o jogo do Brasil”.

Segundo o oficial, a PM manterá 2,2 mil homens nas ruas – somado todo o efetivo de segurança, são 6,1 mil – que realizarão cordão de isolamento entre dois e três quilômetros do estádio. “Haverá todo o planejamento, tem tropa de choque, policiamento ostensivo e turístico para o estádio”. Ele informa que os policiais estão preparados para agir com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, além de balas de borracha, caso haja depredações e os protestos se tornem violentos. “O comandante vai avaliar a situação e decidir na hora”, resume.

(Agência Brasil)

Vendedores de caranguejo insistem no comércio da Bezerra de Menezes

Trânsito lento e sujeira marcaram a manhã deste domingo (23), na avenida Bezerra de Menezes, nas proximidades do mercado São Sebastião. O motivo são os vendedores de caranguejo, que insistem no comércio na área, apesar do local destinado no próprio mercado.

O pior é que os vendedores que enfrentaram a fúria de motoristas e o descontentamento de pedestres estão apenas cumprindo determinações dos verdadeiros donos do comércio, que nunca aparecem.

Inflação como aprendizado para o consumo consciente

O receio da volta da inflação tem feito com que o brasileiro passe a ser mais seletivo e consciente nas práticas relacionadas ao consumo de alimentos, na hora de fazer a lista de compras e de reaproveitar restos de comida. O dado é revelado na pesquisa nacional Consumo Consciente, elaborada pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), em parceria com o Instituto Ipsos.

De acordo com o estudo, que entrevistou mil pessoas de 70 cidades brasileiras, de 2012 para cá, aumentaram as preocupações condizentes com ecologia e com a preservação dos recursos naturais. Verificou-se, por exemplo, avanços significativos no uso de sobra de refeições para fazer novos pratos (de 66% para 72%), em verificar se a embalagem do produto está danificada, antes de comprar (de 65% para 70%), e na leitura do rótulo de um produto antes de adquiri-lo (de 51% para 56%).

O fato é associado ao alto custo de vida, o que tornou o brasileiro mais criterioso ao fazer suas compras. No caso das classes D e E, segundo identificou a pesquisa, se antes estava mais propensa ao desperdício, a não atentar tanto para essas práticas no consumo do dia a dia, com a inflação mais cara ficou mais difícil desperdiçar alimento. As classes A e B também avançaram em relação ao consumo consciente, passando de 69% para 71%.

O resultado da pesquisa, portanto, se tem como fato gerador uma preocupação que não se quer mais ver concretizada no País, por outro lado, traz um aspecto que deveria ser básico, que é o consumo consciente. Fato extremamente importante, por mostrar que o brasileiro começa a se voltar às questões que envolvem também a sociedade como um todo. Os últimos movimentos que tomaram conta do País, com manifestações estourando por toda a parte, são também um pouco reflexo dessa conscientização cidadã que parece começar a aflorar com mais intensidade no País.

Torçamos, nesse sentido, que seja apenas o início de uma profunda transformação por que a sociedade brasileira precisa passar, mesmo que, para isso, seja necessário enfrentar certas dificuldades.

(O POVO / Editorial)

O que faz os manifestantes rejeitaram tanto os partidos políticos

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“O mais importante é que a galera não está indo por partido e sim cada um por si.” A frase é da estudante Jéssica Loyola, 22, que na última quarta-feira, 19, se encaminhava para o protesto em Fortaleza. Se em outros momentos de efervescência política no Brasil as siglas partidárias tomaram a frente do processo, dessa vez elas foram deixadas à margem pelos próprios cidadãos.

Não foram poupadas nem mesmo as agremiações de esquerda, que historicamente têm maior penetração junto aos movimentos sociais e grupos estudantis. Pelo contrário, essas siglas foram alvo, sendo que militantes foram expulsos e até agredidos em alguns casos. O que teria gerado esse descontentamento, que em alguns momentos descamba para a intolerância?

Para os especialistas, os partidos teriam falhado no seu papel básico de intermediários entre a sociedade civil e o Estado. Aqueles que estão indo às ruas não têm demandas bem definidas, mas sabem que querem serviços públicos de qualidade e um sistema democrático capaz de oferecer maior participação popular na política – coisas que os partidos até agora não conseguiram proporcionar. Esse descontentamento também se dá em outros países.

É um problema da representação política, algo que já ocorreu recentemente na Europa e nos Estados Unidos e que agora chega ao Brasil. “É preciso que a estrutura política incorpore novos elementos de participação, pelos quais a sociedade possa, por exemplo, propor leis e discussões no Congresso”, explica Ricardo Monteagudo, especialista em Filosofia Política da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Alguns mecanismos do tipo, lembra ele, já existem, mas está evidente que precisam ser alargados e aperfeiçoados.

“As pessoas veem o uso de partidos como instrumento de jogatina política. Elas não se sentem mais representadas pelos partidos e vão às ruas para representar a si mesmas”, reflete o cientista político Uribam Xavier, da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Dispensar partidos é bom?

Mas o curioso é que esse desgaste parece ter vindo cedo demais em uma democracia jovem como a do Brasil, onde os partidos só se reorganizaram após o fim do regime militar, há menos de 30 anos. Nos protestos dos últimos dias, não ficou claro se o movimento é apartidário (que não pertence a nenhum partido) ou antipartidário (que é contrário, hostil aos partidos em geral). Seria mesmo pertinente e adequado que agora tais instituições fossem literalmente afastadas das discussões relevantes e dos movimentos sociais?

Na opinião do presidente da ONG Instituto Politizar, Célio Studart, isso não só é inadequado, mas também arriscado, pois pode criar um distanciamento ainda maior entre sociedade e política. Segundo ele, exigir mais instrumentos de participação popular e ao mesmo tempo querer impedir a entrada dos partidos é contraditório e pode até prejudicar o futuro desses movimentos. “As pessoas estão buscando uma democracia mais participativa, mas isso não vai acontecer se os partidos e os políticos não comprarem essa ideia”, adverte.

(O POVO)

Partidos de esquerda devem aprender lição que vem das ruas

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Da coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (23):

O movimento que tomou as ruas além de poder tonificar as instituições democráticas deu uma lição nos partidos da esquerda que se afastaram dos movimentos sociais e se confundiram com o governo e as benesses do poder. Defender a legitimidade do governo não deve significar ser correia de transmissão deste. Mesmo porque se trata de uma coalizão dentro da qual a esquerda tem apenas uma parte do espaço, a composição abrange forças conservadoras com interesses próprios.

Ou os partidos de esquerda voltam para seu lugar de origem junto ao povo, ou perderão o trem-bala da História. A própria presidente Dilma ganhou a oportunidade de se livrar mais das amarras impostas pelos aliados conservadores e passar a se apoiar mais na sociedade organizada: esta prefere vê-la em conflito com o status quo – mesmo que perca parte da base parlamentar – a se confundir com o establishment. Entendem ser melhor os campos ficarem claramente definidos, segundo se depreende das manifestações populares.

Comissão de Educação examina adiamento de feriados para as sextas-feiras

O projeto que trata do adiamento dos feriados que caem no meio de semana para a sexta-feira vai voltar à pauta da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), na reunião de terça-feira (25).

Do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 108/2009 propõe que sejam comemorados nas sextas-feiras os feriados que caírem nos demais dias da semana, com exceção dos que ocorrerem nos sábados e domingos e os dos dias 1º de janeiro (Confraternização Universal), 7 de setembro (Independência) e 25 de dezembro (Natal). A proposta também não se aplica a feriados estaduais e municipais.

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) sugeriu uma emenda estabelecendo que os feriados de 12 de outubro (Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil) e do dia de Corpus Christi (feriado religioso móvel) também sejam comemorados na própria data. O relator, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), é favorável ao projeto, que tramita em caráter terminativo.

A comissão ainda vai analisar o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 84/2010, que institui a segunda semana de agosto como a Semana Nacional da Saúde Masculina. O relator, senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), é favorável ao projeto, que tramita em caráter terminativo.

(Agência Senado)

Índios mundurukus sequestram biólogos da Eletrobras

Índios mundurukus sequestraram e mantêm como reféns, em Jacareacanga, no Pará, três biólogos que prestavam serviços à Eletrobras no estado. Os funcionários estavam na região do Tapajós fazendo estudos de fauna e flora para o licenciamento socioambiental de um possível aproveitamento a ser feito na região de Jatobá para o Complexo Hidrelétrico de Tapajós.

A estatal informou que nenhum dos locais visitados pelos pesquisadores é terra indígena. De acordo com a Secretaria-Geral da Presidência da República, sete técnicos foram enviados nesse sábado (22) a Itaituba, cidade a cerca de 150 quilômetros de Jacareacanga, para negociar com as lideranças indígenas. Entre as demandas apresentadas está a interrupção dos estudos do empreendimento, até que seja feita consulta à comunidade.

Em nota, a Eletrobras informa que foram roubados câmeras fotográficas e computadores com os registros da expedição e também o material coletado pela equipe, comprometendo a qualidade dos estudos realizados e impedindo sua continuação.

(Agência Brasil)

Mídia internacional destaca protestos no Brasil e pronunciamento da presidenta Dilma

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O pronunciamento feito na noite de ontem pela presidenta Dilma Rousseff e as manifestações nas ruas do Brasil foram citados neste sábado (22), com destaque, por alguns dos principais veículos de comunicação do mundo. Entre eles, os britânicos BBC e The Guardian; os norte-americanos New York Times e Washington Post; e o jornal espanhol El País.

De acordo com a BBC, é cedo para avaliar os impactos da recente onda de protestos na economia brasileira e nos investimentos no país. Analistas ouvidos pela mídia pública inglesa apresentam posições diferentes sobre o fenômeno que ocorre no Brasil. Um grupo considera haver risco de os eventos gerarem incertezas e prejudicarem os investimentos estrangeiros no país. Outro grupo acredita que a presidenta Dilma não corre risco político nem econômico sério, e que poucos deverão ser os efeitos nos negócios.

O The Guardian informa que a presidenta Dilma ouviu o chamado da população por mudanças e, em cadeia nacional, anunciou planos para as áreas de transporte, educação e saúde.

A tomada das ruas por manifestantes contrários a líderes políticos de todos os partidos, corrupção e a baixa qualidade dos serviços públicos foram citadas pelo jornal The New York Times. De acordo com a matéria, a presidenta brasileira apresentou “medidas para resolver algumas das queixas” apresentadas pelos manifestantes.

O jornal norte-americano chama a atenção para algo que, há pouco tempo, era impensável para o país: boicotar a Copa do Mundo. “Em um sinal do quanto o país está virado de cabeça para baixo, até mesmo alguns dos heróis do futebol reverenciados do país tornaram-se alvos de raiva, por terem se distanciado da revolta popular”, diz a matéria ao se referir a Pelé e Ronaldo Fenômeno.

Outro jornal dos Estados Unidos, o Washington Post, publicou em seu site alguns vídeos apresentando depoimentos de pessoas contrárias à realização da Copa no Brasil. O jornal diz que Dilma rompeu o silêncio, após mais de uma semana de protestos, com uma mensagem pré-gravada.

O periódico espanhol El País informa que Dilma Rousseff usou cadeia nacional de rádio e televisão para prometer “uma grande quantidade de serviços públicos”, em especial nas áreas de mobilidade, saúde e educação, e que convocará governadores e prefeitos das principais cidades para tratar das melhorias. A matéria diz que ela pretende destinar todo o dinheiro o pré-sal para a educação, e que deseja dialogar com líderes de movimentos pacíficos, representantes de organizações de juventude dos sindicatos e associações populares.

(Agência Brasil)

Comissão discutirá venda de pacotes turísticos pela internet

A Comissão de Defesa do Consumidor vai realizar audiência pública para analisar a venda de passagens áreas e pacotes de viagem pela internet. Integrantes da comissão têm recebido denúncias e reclamações sobre as empresas Decolar.com, ViajaNet.com e Submarino Viagens. Elas têm sido acusadas de práticas desleais de concorrência e de omitir informações ao consumidor.

O presidente da comissão, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), foi quem pediu a realização do debate. Ele explicou que essas empresas não informam, nos anúncios nos sites, sobre as taxas e encargos incidentes sobre os preços dos produtos. Assim, o consumidor só fica sabendo o valor real da passagem aérea ou do pacote turístico quando está finalizando a compra pela internet.

“Essas empresas oferecem preços mais baratos em relação aos praticados pelas companhias aéreas. Mas apenas como chamariz. No entanto, há algumas tarifas que não estão evidenciadas e o consumidor acaba arcando com outros custos, que, em um primeiro momento não são demonstrados. Todas essas reclamações têm chegado à comissão e o grande argumento é de propaganda enganosa.”

(Agência Câmara de Notícias)

Se o Brasil perder da Itália, Fortaleza ganha. E aí, de quem é a sua torcida?

Imagine uma “final antecipada” entre Brasil e Espanha, em plena Arena Castelão? Para isso, a Seleção Brasileira terá que perder da Itália, neste sábado (22), a partir das 16 horas, em Salvador.

Se encerrar a primeira fase da Copa das Confederações em segundo lugar no Grupo A, o Brasil pegará o primeiro colocado do Grupo B, praticamente a Espanha, na próxima quinta-feira (27), em Fortaleza, pelas semifinais da competição. Os mineiros, que aguardam com expectativa a equipe brasileira, teriam que se contentar com Itália x Uruguai ou Nigéria, na próxima quarta-feira (26).

Primavera brasileira

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Em artigo no O POVO deste sábado (22), o médico, antropólogo e professor universitário Antônio Mourão Cavalcante avalia as circunstâncias da ruptura e a forma abrupta das manifestações contra o Poder. Confira:

Marcos Willians Herbas Camacho também conseguiu parar São Paulo. Isso foi na noite do dia 12 de maio de 2006. A violência explodiu em São Paulo, maior cidade da América Latina. Responsável? O Primeiro Comando da Capital (PCC). No comando geral da operação o seu “capo de capi”, o elemento chamado na língua policial de Marcola, um longo aprendiz de delinquência…

Durante quatro dias, a cidade e seus habitantes foram acuados e assustados. Os seguidores da facção saíram às ruas, dispostos a cumprir as ordens recebidas dos chefes. O negócio era enfrentar a polícia, o poder. E o fizeram usando fuzis, granadas e bombas. Ônibus foram queimados, bombas foram lançadas contra órgãos públicos. Agências bancárias foram incendiadas e depredadas, viaturas policiais foram crivadas de balas. Agentes penitenciários e policiais foram encurralados e mortos.

Para os paulistanos, a ficha caiu: o PCC passou a ser um perigo real e próximo. Não era mais apenas uma facção escondida atrás das grades.

Neste ano, em maio/junho estoura uma nova revolta em São Paulo. Um movimento de resistência ao aumento de passagens em transporte coletivo ensejou um levante de massa com violência explícita. A rebelião se estendeu pelas grandes capitais, levando à repetição de manifestações com grande participação da população. O temário das reivindicações se ampliou. Agora fala-se em mais verbas para educação e saúde. Contra a corrupção dos políticos e tudo de ruim que ocorre no governo brasileiro e em sua política.

O que existe de comum entre esses dois movimentos? Primeiro, a circunstância da ruptura. E feita de forma abrupta. Ninguém esperava assim… Mesmo sabendo que – mais dia, menos dia – isso iria acontecer.

Traz à cena o valor das mídias sociais. O que, aliás, vem acontecendo mundo inteiro: Nova York (Occupy Wall Street), Primavera Árabe, Egito e mais recentemente na Turquia.

Independente do entusiasmo de uns – sobretudo os da classe média –, que aparentam ser os mais revoltados e sem jeito, esse movimento poderá perder força se não souber transformar “o grito rouco das ruas” em propostas consistentes que atinjam o âmago da própria natureza da democracia que vivemos. Isso requer muita habilidade.

Se der em nada, vale convocar Chico Buarque e, de novo, com igual ânimo e ênfase, cantarmos ‘foi bonita a tua festa, pa, fiquei contente e ainda guardo renitente um velho cravo para mim…”

Manifestantes se reúnem em frente ao apartamento do governador do Rio

Um grupo de 40 manifestantes está concentrado na esquina da Avenida Delfim Moreira com a Rua Aristides Espíndola, no Leblon, zona sul da cidade, próximo ao apartamento do governador do Rio, Sérgio Cabral.

Um dos organizadores da manifestação, o estudante de Direito da PUC do Rio, João Pedro Menezes, disse que a intenção é permanecer no local até segunda feira (24). “O povo acordou e esta é a hora de dizer que a gente não concorda com esta política que está aí” disse.

Na passagem dos carros, os manifestantes pedem para os motoristas buzinarem, expressando apoio ao protesto. A resposta vem de imediato, com um buzinaço seguido de aplauso dos manifestantes.

Por causa da manifestação, parte de uma das pistas da Delfim Moreira, em direção a São Conrado, está fechada ao trânsito. O coronel PM Luiz Otávio está à frente do esquema montado para garantir a integridade dos manifestantes e o fechamento da rua Aristides Espíndola, onde mora o governador.

A maranhense Rosineide da Silva é guardadora de veículos no estacionamento do canteiro central da Delfim Moreira. “Até agora o estacionamento não deu movimento algum. Sou a favor [da manifestação] e aceito voltar para casa sem um centavo. É a minha participação. Se continuar pacificamente, vai valer a pena”, disse.

Rosineide contou que mora no Jardim Maravilha, em Campo Grande, zona oeste da cidade, e costuma sair cedo de casa para trabalhar. “Lá onde eu moro está faltando muita coisa. Não tem saneamento básico. Eu saio às seis da manhã com os pés na lama. A escola da minha filha não tem uma boa educação, contou Rosineide, que neste sábado levou a filha Larissa, de 13 anos, para ficar com ela no trabalho.

(Agência Brasil)

Muito cuidado com a ressaca da democracia

Em artigo no O POVO deste sábado (22), o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, avalia as consequências das manifestações pelo Brasil. Confira:

As manifestações que tomam conta do País nos últimos dias representam sopro de cidadania para uma sociedade que estava calada diante dos descalabros aos quais era submetida no dia a dia. Se até então o poder público fazia ouvido de mercador a esses reclamos, a partir de agora terá que se render ao barulho das ruas antes de optar pelo encastelamento típico dos governantes. O clima de festa que vem caracterizando a adesão aos protestos, todavia, deixa no ar muito mais do que reflexões. Deixa, na verdade, o que é pior, incertezas.

Os protestos em São Paulo contra o aumento do preço da passagem de ônibus foram sendo pulverizados pelo restante do País e hoje, não se sabe ao certo contra o quê se luta. O risco dessa situação é agravado em virtude da inexistência de lideranças claras com as quais os governos possam ao menos sentar para conversar.

Governo, é bom deixar claro, que mesmo se tivesse com quem conversar, encontra-se totalmente fragilizado para reagir ou propor alternativas. Diante disso, está aberta a porta para os atos de violência vistos ultimamente, sem que de fato se possa vir a prever o que está a nos esperar. A invasão do Palácio do Itamaraty é simbólica no sentido dos limites a que os protestos estão submetidos.

Paradoxalmente, enquanto diversas pessoas se vangloriam de a sociedade ter voltado às ruas para protestar, o alvo dessas manifestações são justamente governantes que já ocuparam essas avenidas e praças em outros momentos do Brasil, para oferecer a possibilidade de que as futuras gerações pudessem exercer a democracia em sua plenitude.

A festa democrática trata-se de direito sagrado, e nada mais justo que todos possam dela participar. No entanto, como toda festa, o excesso na dose gera efeitos colaterais que muitas vezes terminam em tremenda ressaca.

Para um país no qual a história recente ainda está marcada pelo trauma de 1964, quando as pessoas foram tolhidas do seu direito de ir às ruas, não custa lembrar que a história não se repete por capricho e a ressaca desses momentos invariavelmente deixa marcas por vários anos, quando não para a vida toda.