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Presidente do TCU receberá a Medalha da Abolição

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O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Ubiratan Aguiar, será agraciado com a “Medalha da Abolição”, a mais alta comenda outorgada pelo Governo do Ceará a uma personalidade.

A escolha partiu do governador Cid Gomes (PSB) e a solenidade de entregará ocorrerá às 20 horas do próximo dia 25, no Theatro José de Alencar, o que coincide com as comemorações da libetação dos escravos no Estado.

Ubiratan é cearense.

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Fortaleza ganha Atacadão Carrefour

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Quem tem dinheiro é outra coisa. Eis aí o Atacadão, o novo ponto de vendas do atacado e varejo da rede francesa Carrefour. Está localizado na avenida Senador Carlos Jereissati, em frente ao Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, com previsão de abrir no próximo dia 8.

O projeto, bom lembrar, deveria ter sido inaugurado em maio do ano passado mas, por conta de questionamentos ambientais, demorou.

Lustosa da Costa e um novo livro falando de Sobral

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Quem passa este fim de semana em Fortaleza é o jornalista Lustosa da Costa (DN). Aqui, com filho Carlos Eduardo, fecha detalhes para o lançamento de mais um livro sobre sua paixão: a cidade de Sobral (Zona Norte).

O novo livro “Sobral que eu não esqueço”, segundo Lustosa, será lançado no dia 26 de abril. No conteúdo, causos e coisas do povo sobralense.

DETALHE – Lustosão, como o chamamos, veio também curtir um pouco, ao lado do filho, sua mãe, dona Dolores. “Vim trazer o Carlos Eduardo pra abraçar a avó. Esse é aqui é campeão de concursos. Agora é auditor do TCU”, dizia, orgulhoso, o jornalista.

(Foto – Paulo Moska)

Briga entre prefeito e presidência da Câmara atrapalha projeto dos professores

Em Coréau, a Prefeitura e a presidência da Câmara Municipal estão travando queda de braço em torno do projeto que cria o Plano de Carlos, Carreiras e Remuneração dos professores. A Prefeitura e o sindicato da categoria já entraram em acordo, mas a Câmara hesitou em colocar em pauta para desgastar a gestão.

Após boa pressão, a matéria deverá entrar em pauta no próximo dia 6. Mesmo assim, o sindicato dos professores divulga nota convocando para que haja pressão e, finalmente, a votação dessa conquista. A cateogira nos mandou a seguinte nota:

O SINDICATO DOS PROFESSORES DE COREAÚ CEARÁ, SINDPROC, CONVOCA todos os membros da categoria profissional dos pofessores da educação básica da rde mnicipal de esino, do município de Coreaú, Ceará, para sessão ordinária da CÂMARA MUNICIPAL DE COREAÚ a ser realizada no dia 6 de Março de 2010 (sábado), na sede da referida, situada à Rua Dom José, 84 – Centro, neste município, a partir das 9 horas.

Na ocasião, será apresentado, discutido  e votado o projeto de lei municipal Nº 004/10 que trata do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do Magistério – PCCR/MAG.  

Agradece

A DIRETORIA

(Coreaú em Rede)

Brasileiro paga R$ 5 mil a mais de IR

“Começa neste 1º de março – e com má notícia – mais um acerto de contas com o Leão. A defasagem na tabela do Imposto de Renda (IR) nos últimos 15 anos fez com que, no ano passado, os contribuintes tenham recolhido à Receita Federal até R$ 5.061,12 mais do que deveriam.

A tunga é provocada pela diferença de 63,62% entre a inflação acumulada de 1995 e 2009, de 195,15%, e as correções promovidas pelo governo nas faixas da tabela, de 80,39%.

Todos os brasileiros com carteira assinada que receberam salário mensal superior a R$ 5.860,88 no ano passado sentiram este peso no bolso.

Os cálculos foram feitos pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco Nacional) a pedido do GLOBO.”

(Globo Online)

Datafolha – Dilma cresce e já encosta em Serra

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“Pesquisa Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%.

No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 37% para 32%.

Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para 4 pontos de dezembro para cá.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No entanto, é impreciso dizer que o levantamento indica um empate técnico entre Serra e Dilma.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas com maiores de 16 anos.”

(Folha Online)

Fernando Pimentel diz ser vítima de calúnia

“Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos coordenadores da campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República, defendeu-se das acusações de que seria um dos operadores do mensalão do PT classificando reportagem da IstoÉ como uma tentativa “de desviar a atenção” dos “escândalos do Democratas em Brasília”.Segundo a revista, o ex-prefeito teria superfaturado contratos da prefeitura de Belo Horizonte para pagar gastos de campanha do PT. Pimentel argumenta, por sua vez, que o inquérito citado pela revista não virou ação. “É uma investigação do Ministério Público Estadual que concluiu que não tinha nada. Simplesmente não virou ação. Então, nunca houve questionamento judicial com relação a esse convênio. É simples assim”, disse, em entrevista telefônica ao Estado nesta sexta-feira, 26.

 

Leia os principais trechos da entrevista a seguir.

 

Como o sr. recebeu a reportagem?

Com indignação. É claramente uma tentativa de jogar suspeição sobre mim, em um momento em que estou vinculado diretamente à campanha presidencial da ministra Dilma. É um jeito de desviar a atenção do foco principal hoje, que são os escândalos do Democratas em Brasília. Fiquei indignado porque o que está posto na matéria é absurdo, não tem qualquer fundamento, como o futuro comprovará. Mas na vida pública, hoje, estamos sujeitos a esse tipo de calúnia.

 

O sr. fala em calúnia, mas há uma investigação concreta contra o sr. em Minas, que é mencionada.

Deixa eu explicar. Nunca houve qualquer ação judicial envolvendo a CDL de Belo Horizonte e a prefeitura. Esse inquérito civil público ao qual eles se referem não virou uma ação. Nunca entrou na Justiça, nunca houve procedimento judicial. É uma investigação do Ministério Público Estadual que concluiu que não tinha nada. Simplesmente não virou ação. Então, nunca houve questionamento judicial com relação a esse convênio. É simples assim. Trata-se de um convênio para colocar câmaras no centro da cidade, o chamado Projeto Olho-Vivo. Foi feito, as câmaras foram colocadas, quem fez a instalação foi a Câmara dos Diretores Lojistas e a prefeitura entrou financiando essa instalação. Depois, foi repassado o convênio à Polícia Militar de Minas Gerais, que é quem o gerencia atualmente. O projeto existe, funciona, é um grande sucesso. Não há nenhuma suspeição sobre o convênio, tanto é que não houve uma ação. A ilação que está sendo feita, uma forçação de barra completa, é porque um dos diretores da CDL à época do convênio depois foi arrolado no inquérito do mensalão como doleiro. Como tendo uma empresa offshore que fazia remessas ao exterior.

 

O sr. fala do Glauco Diniz. Qual é seu relacionamento com ele?

Nenhum. Nunca estive com ele na minha vida. Ele simplesmente assinou, entre outros tantos diretores da CDL. O sujeito, naquele ‘a fin’ de querer envolver mais um homem público, prefeito do PT, mais alguém, ele fala: ‘Ah, olha, esse Glauco Diniz, agora apontado como doleiro, assinou um dia um convênio com um prefeito do PT. E quem fez a campanha desse prefeito foi o Duda Mendonça. Então olha, tá vendo, estão mandando dinheiro ao exterior’. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. É uma ilação absurda, falsa, inaceitável, e evidentemente não virou nada. Nunca fui inquirido, arrolado, intimado, indiciado nem denunciado em qualquer processo desses muitos processos do mensalão.

 

O sr. disse que isso está sendo colocado porque o sr. está na campanha de Dilma. O sr. acha que é uma operação da oposição?

Não vou ser leviano a esse ponto, mas acho que é muita coincidência que justamente no momento em que estou com uma exposição grande, não como prefeito, mas como supostamente um dos coordenadores da campanha de Dilma, vem um vazamento de um documento carimbado como sigiloso, o que não é, a meu ver, prova de nada. Esse procurador diz ‘há indícios de que…’. E esse vazamento serve para que a revista diga de maneira malévola que sou operador do mensalão. De onde tiraram essa coisa absurda?”

(Agência Estado)

Bachelet diz que terremoto atingiu 2 milhões de pessoas

“A presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse que o terremoto de 8,8 graus de magnitude da madrugada deste sábado afetou ao menos 2 milhões de pessoas e causou ao menos 214 mortes. Cerca de meio milhão de casas sofreram graves estragos após o terremoto. Bachelet acrescentou, durante discurso transmitido pela televisão, que a grande força destrutiva do tremor afetou cerca de 80% da população e classificou o tremor de “tragédia”.

Segundo ela, o terremoto– o maior no país em 25 anos– foi um dos piores no mundo. Pouco depois da tragédia, Bachelet decretou estado de calamidade no país e determinou que as regiões litorâneas e ilhas fossem desocupadas –como a Ilha de Páscoa. O terremoto também derrubou prédios e causou a formação de um tsunami. “Desde 1960 (data do terremoto de Valdivia, o maior da história), nunca havia ocorrido um terremoto assim”, afirmou Yoma. Segundo ele, as autoridades esperam que o país esteja “normalizado” nas próximas 48 ou 72 horas.”

(Folha Online)

Serra vai em busca de Aécio

“Convencido do peso de Minas Gerais na corrida presidencial deste ano, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), dedicará a noite de quarta (3) e o dia de quinta-feira (4) a corte ao mineiro Aécio Neves. Num jantar reservado, Serra deverá, no mínimo, pregar a importância de Aécio para o projeto eleitoral do PSDB. Segundo tucanos, um convite formal para que o governador de Minas ocupe a vice para chapa para a Presidência dependeria, porém, da acolhida de Aécio.

Os dois jantarão na noite de quarta-feira. No dia seguinte, Serra irá à inauguração da Cidade Administrativa presidente Tancredo Neves. O roteiro foi acertado num telefonema de Serra para Aécio.”

(Folha Online)

TAM e Gol cancelam voos para o Chile

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“As empresas aéreas TAM e Gol cancelaram voos entre São Paulo e Santiago, no Chile, neste sábado (27). O motivo da suspensão é o terremoto que atingiu o país e provocou o fechamento do aeroporto de Santiago.
 
O terminal está inoperante e sem previsão para o restabelecimento dos serviços.
 
Em nota, a TAM informou que três voos que aconteceriam durante o dia foram suspensos, mas ainda não foi definido o cancelamento de um voo que parte à noite do Aeroporto de Internacional de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, para Santiago. Não foi informado também se voos partir de domingo (28) serão cancelados.
 
Segundo a empresa, os passageiros serão reacomodados em outros voos quando a situação for normalizada.
 
A Gol cancelou um voo diário de ida e outro de volta entre São Paulo e Santiago, via Buenos Aires, por tempo indeterminado. As partidas do Brasil para o Chile ocorrem à noite e os voos de retorno ocorrem no início da manhã. Não há previsão para o retorno das operações no aeroporto de Santiago.
 
Em nota, a empresa afirma que divulgará detalhes sobre a situação dos voos assim que tiver os dados confirmados.”
(Portal G1)
* Veja imagens de estragos provocados pelo terremoto aqui.

O vício político dos tribunais de contas

O Tribunal de Contas dos Municípios fez sorteio nesta semana para escolha dos conselheiros que serão relatores de contas das Prefeituras. Foi na última quinta-feira, em seu auditório, com a presença de representantes de municípios e disponibilidade de telão para quem quisesse conferir o ato. A Prefeitura de Fortaleza, por exemplo, terá como relator das contas 2010 o conselheiro Marcelo Feitosa.

Mas o que chamou a atenção mesmo foi o fato de o Tribunal de Contas do Estado não ter adotado esse procedimento do TCM. Ou seja, divulgou relatores, mas não informou se houve sorteio, o que seria uma prática mais interessante e democrática.

As contas do Governo Cid Gomes deste ano, por exemplo, recaíram na pessoa do conselheiro Pedro Timbó. Pedro foi nomeado pelo hoje inimigo político de Cid Gomes, o ex-governador Lúcio Alcântara. Nada contra, mas que fica complicado esse negócio, fica.

Mas a culpa disso, na origem, não é dos senhores conselheiros, que procuram cumprir seu papel dentro da maior isenção. A culpa é dessa prática absurda de  se escolher conselheiro a partir da vontade e desejo do governador de plantão. Até quando tal absurdo?

O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) bem que tem projeto contra esse procedimento, mas, pelo visto, tudo ficoju mesmo pras calendas aqui e em Brasília, onde também há projetos tramitando no Congresso buscando diminuir a intercferência política na escolha dos que ocuparão vagas nos tribunais de contas.

Advogados de ex-secretário de Arruda entram com pedido habeas corpus junto ao STF

“Os advogados do ex-secretário de Comunicação do governo do Distrito Federal (GDF), Wellington Moraes, entraram hoje (26) com um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele teve a prisão preventiva decretada em 11 de fevereiro pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por envolvimento na tentativa de subornar uma testemunha do esquema de corrupção que atinge o GDF, a Câmara Legislativa e empresários da capital. Moraes está no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

No recurso protocolado no STF, a defesa nega que Wellington Moraes tenha feito, em nome do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido), uma proposta ao jornalista Edson dos Santos, conhecido como Sombra, para desqualificar as denúncias do suposto esquema de arrecadação e distribuição de propina. O jornalista teria sido assediado por assessores de Arruda para assinar uma declaração alterando seu depoimento. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o ex-secretário de Comunicação do GDF faria parte do esquema montado para cooptar a testemunha.

“Não há qualquer prova, ainda que indiciária, de participação do paciente na confecção e/ou entrega de tal declaração a Edson Sombra. Esta imputação, assim, surge flagrantemente carente de justa causa a lhe dar qualquer sustentação”, dizem os advogados de Wellington Moraes, no pedido de habeas corpus que será analisado pelo ministro Marco Aurélio Mello.”

(Agência Brasil)

Ciro diz que não é puxa-saco do Lula

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“O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) tem encontro marcado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para meados de março, mas o que deveria ser uma conversa decisiva poderá se tornar uma audiência meramente protocolar. Ciro garante já ter tomado a decisão sobre seu destino nas próximas eleições: “Sou candidato a presidente do Brasil”, disse ele em entrevista exclusiva à ISTOÉ. “O Brasil não está bem em termos absolutos e é importante explorar ao máximo as virtudes do sistema eleitoral de dois turnos para debater o futuro do País”, justifica o ex-ministro de Lula, que, apesar da crítica, se diz fiel ao presidente.

“Dilma é uma administradora extraordinária, mas isso não
é o bastante. Se fosse, a gente contratava um gerente para o Brasil”

Mais contido do que de hábito, Ciro, mesmo assim, não deixou de atirar nos potenciais adversários. Tachou o governador de São Paulo, José Serra, de oportunista e carreirista. “Ele não tem compromisso com o Brasil e faz de conta que está do lado de Lula”, acusou, ressaltando que, em 2002, “Serra foi a Dilma do Fernando Henrique”. Para o ex-governador do Ceará, a candidata do presidente Lula não tem bagagem eleitoral, mas é uma administradora competente. O que, a seu ver, não é condição suficiente para governar o País. “Se experiência administrativa bastasse, a gente contratava um gerente.” Aos 52 anos de idade, Ciro Gomes acha que está mais maduro para o novo desafio 

“O Serra é oportunista, carreirista e não tem compromisso com o País. Ele quer enganar o eleitor fingindo que é amigo do Lula”

Istoé – O sr. é candidato a presidente da República?

Ciro Gomes – Sou candidato a presidente do Brasil. O que não é uma novidade para mim nem para ninguém. Já fui candidato duas vezes. Hoje considero que estou muito mais maduro, com a estrada percorrida. Completei 30 anos de experiência na vida pública. Perdi duas eleições para a Presidência e não disputei a terceira porque fui solidário com o presidente Lula na sequência daquela crise chamada de mensalão. Acredito que tenho uma contribuição a dar nesse debate. 

Istoé – Então a conversa com Lula é para comunicar sua candidatura?

Ciro Gomes – Ele sabe que sou candidato. Nossa conversa antecipa cenários. À medida que o tempo passa, as profecias vão se transformando em percepção da realidade. E todos os passos que aconteceram nos últimos tempos só revelaram que minha profecia é mais próxima do real do que a dele. As pesquisas mostram que, sem meu nome, Serra vence no primeiro turno.

Istoé – O sr. tem dito que sua candidatura é interessante para a candidata do PT exatamente porque força a realização do segundo turno.

Ciro Gomes – Há uma questão aí, sobre o tipo de debate que teremos. Há uma natural vontade no presidente Lula de estabelecer uma eleição despolitizada. Uma eleição que choque a turma do Fernando Henrique contra a turma do Lula. Mas me preocupo gravemente com o prejuízo que seria uma eleição importante como essa – a primeira sem o Lula candidato – acontecer sem o debate do futuro, esquecendo-se que também serão renovados dois terços do Senado e 100% da Câmara. O Brasil não está bem em termos absolutos.

Istoé – Em que setores o País tem de avançar mais?

Ciro Gomes – De tanto repetir truísmos, a gente acabou não se comovendo mais. Mas o Brasil é o país que tem a pior distribuição de renda entre todas as economias organizadas do mundo. Está perdendo proporção de manufaturados em sua pauta de exportação, o que é um sintoma claro de desequilíbrio nas contas externas do País a médio prazo. Temos um padrão similar ao do mundo desenvolvido, mas pagamos essa conta com exportação de matérias-primas de baixo valor agregado. Essa conta não fecha. Há também a questão da infraestrutu ra.

Istoé – O sr. fará, então, um discurso de oposição?

Ciro Gomes – Não é um discurso de oposição. Sou aliado do governo Lula. Não tenho que fazer esforço para demonstrar isso. Agora, todo mundo é amigo do Lula. Eu era solidário ao Lula, porque considerava do interesse nacional, numa hora em que quase o derrubam. Ou que muitos dos seus atuais amigos atrapalhavam ou se esconderam. Mas uma coisa é ser aliado e outra coisa é ser puxa-saco, bajulador. Esse puxa-saquismo tem feito mal ao Lula.

Istoé – Está se referindo ao PMDB?

Ciro Gomes – Não, estou fazendo uma crítica aos bajuladores e puxa-sacos.

Istoé – E se o presidente insistir que o sr. saia candidato ao governo de São Paulo?

Ciro Gomes – Ele não fará isso. O Lula tem sido de uma delicadeza e de um respeito muito grandes comigo de longa data. Eu era um jovem prefeito de Fortaleza em 1989, votei no Mario Covas no primeiro turno e no Lula no segundo turno. Desde então, nós temos uma relação de muito respeito. Mas hoje me incomoda a despolitização geral em que estão querendo transformar o processo. Mesmo a oposição está refugiada num oportunismo que vai fazer muito mal ao Brasil. O Serra, que foi a Dilma do Fernando Henrique, simula agora que também é ami go do Lula.

Istoé – Serra diz aos seus aliados que não quer debater agora com Lula, prefere enfrentar Dilma mais à frente na campanha.

Ciro Gomes – E todo mundo docemente aceita isso. Mas o nome disso é oportunismo. Falta de compromisso com o País, carreirismo. Serra quer enganar uma fração do eleitorado fazendo de conta que está do lado do Lula. 

Istoé – O sr. acha que tem melhores condições do que Dilma de promover os avanços que considera necessários?

Ciro Gomes – Na política, você é a sua circunstância. O que só eu posso fazer é pôr em debate as coisas dizendo o seguinte: eu tenho afinidade com o avanço que o Lula representa. E não é afinidade retórica. Olha onde eu estava e o que fiz nos últimos oito anos em relação ao projeto que o Lula representa. Na hora dura, difícil. E eu posso falar do futuro, das imperfeições e das contradições. Por exemplo, o Lula aguenta as contradições derivadas da coalizão com o PMDB. Sou a favor de alianças. Dito isso, quero dizer que uma aliança precisa se explicar para que se formaliza e em que base se formaliza. A aliança PT/PMDB se destina apenas a conservar o poder. E tornou-se um roçado de escândalos.

Istoé – Para o eleitorado pró-Lula, qual é a diferença entre a candidatura Ciro e a de Dilma?

Ciro Gomes – A proposta, a experiência e a circunstância política. Dilma é uma candidata forte, mas ainda não teve estrada na seara eleitoral. Enquanto eu já disputei todas as eleições de 1982 para cá, ela vai enfrentar sua primeira eleição.

Istoé – Falta experiência administrativa à ministra?

Ciro Gomes – Não, aí ela é um talento extraordinário. Mas isso não é o bastante. Se bastasse, a gente contratava um gerente. Tenho grande admiração pela Dilma, ela tem uma biografia extraordinária. Mas colocar os ovos todos numa cesta só não parece adequado.

Istoé – O sr. se sente mais preparado que a Dilma para derrotar o Serra?

Ciro Gomes – Muito mais. Já aprendi, já errei, já convivi com ele sendo aliado, sendo adversário, já experimentei do fel de ser adversário dele, já caí como um patinho nas armadilhas dele. Isso tudo me deu traquejo, cicatrizes.

Istoé – O ex-ministro José Dirceu afirmou que, se o sr. persistir na campanha, o PT não apoiará a reeleição de seu irmão, Cid Gomes.

Ciro Gomes – Sou amigo de José Dirceu, mas a situação dele recomenda recato. O José Dirceu está sub judice.

Istoé – Será possível tirar voto da candidata de um presidente com quase 90% de aprovação?

Ciro Gomes – Não quero tirar voto de ninguém. Pretendo ter os meus votos e que eles sejam mais do que os dos outros, como se faz numa democracia. 

Istoé – O sr. acha que tem chances de passar para o segundo turno?

Ciro Gomes – Uma chance enorme. A maior chance que já tive. Acho que o Serra não será candidato. O risco para ele está ficando visível. É um cara que não sabe fazer política fora de cargo. É um carreirista. Aí o candidato será o Aécio. E então será um barata-voa, que não consigo visualizar.

Istoé – O PSDB errou com Aécio?

Ciro Gomes – Fez uma opção pelo velho, tendo o novo como opção extremamente interessante para oferecer ao povo brasileiro. Acho que eles vão voltar atrás. O Serra não vai ter coragem de ser candidato.

Istoé –  Por que o sr. não quis ser candidato ao governo de São Paulo?

Ciro Gomes – Não é que eu não queira. Eu considero meio artificial. Nunca foi meu plano. Sinto-me seguro com os assuntos do Brasil. Tomar conta da polícia, do sistema penitenciário, depois do descalabro que tem acontecido em São Paulo, exige muita responsabilidade de mim, que não faço da política um meio de vida.

Istoé – O sr. apoia candidatura própria do PSB em São Paulo?

Ciro Gomes – Acho que time que não joga não forma torcida. Tenho dito isso aos meus companheiros. Nossa vida é dura, somos um partido de esquerda, mas um partido que de alguma forma rivaliza no campo dos valores com o PT. E agora o PT se sente muito inseguro conosco, porque o PT virou um partido pragmático, desertou da luta dos estudantes, da luta dos intelectuais, dos artistas.

Se Tasso for vice, quem ganha é Patrícia

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Foi só o senador Tasso Jereissati dizer que “não carto nem descarto” a possibilidade de vir a aceitar ser o vice do presidenciável José Serra para que o cenário político local fosse invadido por uma série de especulações ou projeções.

A última agora é a seguinte: Se Tasso aceitasse ser vice de Serra, como forma de ajudá-lo a ganhar espaços no Nordeste, a senadora Patrícia Saboya (PDT) ficaria com o caminho fortalecido para tentar a reeleição. Ela tem trânsito entre tucanos, simpatia de aliados da esquerda e já aceitou apoiar a reeleição do governador Cid Gomes (PSB).

Bem, são as velhas especulações políticas que, claro, fazem parte dos cenários eleitorais.

(Foto – Paulo Moska)

Polícia investiga rapto de comerciantes em Sobral

Dois comerciantes foram levados na madrugada deste sábado (27), em Sobral, na Região Norte do Estado, a 222 quilômetros de Fortaleza, por quatro homens encapuzados e armados. Segundo a Polícia, os irmãos comerciantes estavam chegando em casa, no bairro Santo Antônio, quando foram surpreendidos pela quadrilha. Os dois foram colocados no porta-malas de um veículo Corsa e liberados em um terreno baldio, no bairro Junco. A Polícia ainda chegou a ser acionada por um vigilante, que presenciou a abordagem, mas o grupo não foi localizado. As vitimas prestaram depoimento na delegacia e pouco colaboraram com as primeiras investigações, que apontam para tentativa de assalto, tentativa de sequestro ou agiotagem.

Época aborda a volta da Telebrás

Com o título “A horripilante volta da Telebrás”, a revista Época trata sobre a possibilidade do retorn dessa estatal como forma de gerir a banda larga em favor da democratização do serviço. Confira:

Histórias contadas em todas as formas, na literatura, no cinema e até no rock, fazem bem em nos lembrar que quem morreu deveria continuar morto, para nossa saúde e sanidade. Da formosa Lenore da imaginação elegante do escritor Edgar Allan Poe ao assassino de crianças Freddy Krueger dos filmes A hora do pesadelo, a ameaça de retorno dos finados nos ensina que quem partiu deveria repousar em paz – para sempre. O Brasil ganharia muito se aplicasse a lição a ideias ultrapassadas. Para nosso infortúnio, algumas delas teimam em retornar do além. O mais novo exemplo é a nova companhia estatal de telecomunicações, uma versão da antiga Telebrás, cuja criação ou recriação o governo federal debate há meses. Nessa história de horror, estamos chegando ao momento do susto ou do alívio, pois a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser anunciada até o início de abril.

A aterrorizante ideia do retorno estatal às telecomunicações nasceu de uma constatação correta: o Brasil está atrasado na difusão da internet rápida, também chamada de banda larga. Ela torna possível o fluxo de maior quantidade de informação e permite ao internauta assistir a vídeos, receber ou enviar arquivos grandes com conforto e segurança. Somente 6% dos brasileiros dispõem de internet rápida, em comparação aos 8% dos argentinos e aos 9% dos mexicanos. Em nações como Canadá, Alemanha e França, mais de um quarto da população dispõe desses serviços. Na Coreia do Sul, 97% das residências podem usar a banda larga.

Por aqui, mais da metade dos municípios, ou um quinto da população, não conseguiria aproveitar a internet rápida nem que tivesse dinheiro para pagar, pois não há oferta do serviço. Apesar do diagnóstico correto, o remédio estatal proposto pelo governo é um equívoco.

Terremoto no Chile foi de 8,3 graus

“O terremoto de 8,8 graus escala Richter, que aconteceu na madrugada de hoje, no Chile, pode ter um impacto violento em desastres humanos e de destroços físicos, admitiu o chefe do observatório sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Sands. Ele ressaltou, porém, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, que os resultados ainda estão sendo contabilizados.

Embora o centro sísmico tenha acontecido no Oceano Pacífico, o tremor foi muito próximo da costa, a apenas 65 quilômetros de uma cidade com quase 40 mil habitantes e de duas outras no raio de 100 quilômetros, cada uma com cerca de 300 mil habitantes, disse Sands. O epicentro do terremoto, cuja magnitude foi recalculada para 8,3 graus, fica a 317 quilômetros de Santiago, a capital chilena.

Apesar de estar melhor preparado para enfrentar terremotos, com construções mais firmes, do que o Haiti – onde aconteceu o último grande desastre sísmico, em janeiro último –, o Chile tem regiões carentes, com populações pobres no centro e no norte do país, onde o adensamento populacional tem aumentado muito.

Além do terremoto, o observatório da UnB registrou mais 12 tremores de menor intensidade, entre 6 graus e 6,5 graus nas imediações do grande sismo. O Chile, explicou Sands, está numa região onde grandes placas tectônicas se encontram . Como a Terra está em constante movimento, acrescentou ele, as placas colidem de vez em quando.

Por essa razão, o Chile tem um histórico de terremotos. O mais violento de que se tem registro no mundo ocorreu em 1960, com 9,5 graus, no país. O Chile fica exatamente no fim da grande placa tectônica onde termina o Círculo de Fogo que margeia o Oceano Pacífico pela América Central, América do Norte e desce pelo leste da Ásia.

O desastre ocorrido no Chile n ão tem maiores reflexos no Brasil, de acordo com o professor da UnB. A não ser pequenos registros do abalo em grandes cidades com maior altitude como Brasília, São Paulo e Curitiba, em um raio até Porto Alegre.

(Agência Brasil)

Sindicato dos Engenheiros do Ceará em clima de saia forte

A engenheira Teresa Neumann foi reconduzida para o cargo de presidente do Sindicato dos Engenheiros do Ceará (Senge). Vai responder por mandato que vai deste ano até 2013. A diretoria é composta de 17 integrantes. O pleito ocorreu nessa sexta-feira. Reeleita, eis a mensagem que Teresa liberou para os associados:

“Como primeira mulher à frente do Senge-CE, depois de 65 anos de comando masculino, fico muito feliz pela reeleição, pois isto demonstra que a nossa gestão teve aprovação por parte dos profissionais sindicalizados, em nos conferir esta nova responsabilidade. Agora bem maior, pois teremos que nos superar em relação ao que fizemos, fazendo muito mais e melhor.

Nossa grande luta será pela Valorização e Integração dos profisionais da área tecnológicas (engenheiros, agrônomos, arquitetos, geólogos, geógrafos e meteorologistas) e maior participação nas discussões dos destinos de nosso estado.”

Cid e Tasso trocam "confetes"

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Essa é do senador Tasso Jereissati, ao ler na coluna Vertical, do O POVO, loas (“Tasso é o maior político vivo do Ceará”) que ganhou do governador Cid Gomes (PSB):

“O Cid tem sido extremamente cordial e generoso. Acho ele um governador bem intencionado, que faz gestão correta. Mas, às vezes, as circunstâncias nos levam a caminhos diferentes. Por isso, temos que avaliar o quadro até o fim do mês.”

POIS É, Tasso e Cid são amigos e, na ultima camapnha para governador, Cid teve o apoio tassista, que se estendeu ao longo do mandato via bancada tucana na Assembleia e no Congresso. Mas as bases, que vivem brigando com o parceiro de Cid, o PT, principalmente, querem candidato próprio ao Governo.

O problema é nome tucano para enfrentar a máquina pesada cidista, que ainda tem respaldo do Governo Lula e da prefeita de Fortaleza, Luizainne Lins. Pelo menos, até agora.

Mensalão do PT envolve coordenador da campanha de Dilma

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A revista IstoÉ desta semana traz matéria envolvendo o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, atual corodenador da futura campanha da presidenciável Dilma Rousseff envolvido no Mensalão do PT, aquele que em 2005 provocou terremoto no Governo Lula e afastou lideranças importantes do partido como José Dirceu e José Genoíno. Confira:

O roteiro final do mensalão – parte 1

O processo que investiga o Mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal (STF) tem 69 mil páginas. São 147 volumes e 173 apensos. Entre os documentos, há 50 depoimentos inéditos colhidos pela Justiça Federal em todo o País ao longo de 2008 e 2009, laudos sigilosos da Polícia Federal, relatórios reservados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), pareceres da Receita Federal e outras representações criminais que tramitam sob segredo de Justiça em vários Estados. O calhamaço faz a mais ampla e fiel radiografia do maior esquema de corrupção do País. Tudo isso, até hoje, estava sob sigilo de Justiça. Agora não mais. ISTOÉ teve acesso a todos esses documentos.

O conteúdo empresta ainda mais gravidade ao escândalo. Além de lançar luz sobre novos personagens – até aqui eram 40 réus –, a investigação derruba a versão de que o dinheiro público estava ileso do esquema de caixa 2 do PT. Chegou-se a levantar essa hipótese durante a CPI, mas não havia provas. Agora, os novos documentos e testemunhas asseguram a origem estatal dos recursos. Essas novas provas também jogam por terra a desculpa petista de que tudo foi feito para pagar despesas de campanha. Não. Diante de juízes e procuradores, testemunhas contaram em detalhes como atividades privadas de interesse partidário foram custeadas com as mesmas notas de dólares, euros e reais que circularam em cuecas e malas e ainda compravam apoios no Congresso.

São esses documentos que o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do Mensalão, usará para emitir seu julgamento. A leitura do processo que corre no STF evidencia que o Mensalão do PT é um cadáver ainda insepulto, capaz de provocar intempéries na corrida eleitoral. Parte da nova documentação analisada pelo Supremo atinge diretamente um importante dirigente petista que havia permanecido incólume durante todo o escândalo do Mensalão e que só agora tem seu nome envolvido na rede de corrupção. Trata-se do atual coordenador da campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ex-prefeito de Belo Horizonte (2005-2008), Fernando Pimentel.

No processo 2008.38.00.012837-8, que investiga os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e tramita sob sigilo na 4ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais e agora foi anexado ao caso do STF, ele é apontado como um dos operadores da remessa ilegal de recursos para o Exterior, depois usados para pagamentos de dívidas do PT com o publicitário Duda Mendonça. Nesse processo, o procurador da República Patrick Salgado Martins mostra as relações de Pimentel com o empresário Glauco Diniz Duarte e com o contador Alexandre Vianna de Aguilar. Ambos, segundo o Ministério Público Federal, enviaram ilegalmente para os Estados Unidos cerca de US$ 80 milhões. Parte desse dinheiro, como afirma o procurador, teria sido destinada às contas de Duda Mendonça, um dos personagens centrais do escândalo do Mensalão. Em 2005, depois que o caso se tornou público, o publicitário admitiu que mantinha uma conta com R$ 10 milhões não declarados nos EUA, em nome da Dusseldorf Company. Foi dinheiro que o publicitário reconheceu ter recebido como pagamento de campanhas feitas para o PT.

O roteiro final do mensalão – parte 2

Os novos documentos do processo no STF mostram que o caixa 2 do PT não foi usado apenas para o pagamento de dívidas de campanha, como sempre sustentaram o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, e toda a cúpula petista na tentativa de qualificar o caso como crime eleitoral, o que possibilitaria a aplicação de penas mais brandas contra eles. Em 9 de julho do ano passado, às 14 horas, em depoimento prestado na 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre, o contador David Stival, membro da Executiva Regional do PT no Rio Grande do Sul, contou, que pelo menos uma boa quantia dos “recursos não contabilizados pelo partido” viajava livremente pelo País até chegar a destinos improváveis.

Eles irrigaram, por exemplo, as contas bancárias de fornecedores do Fórum Social Mundial, criado por movimentos de esquerda para fazer frente ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. No depoimento, Stival afirmou – numa posição inédita entre os dirigentes do partido – ter usado esse dinheiro suspeito para pagar “dívidas históricas” do Fórum, organizado pelo PT de Porto Alegre, que costuma ter o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a estrela maior. O depoimento de Stival é bastante detalhista. Ele diz que, terminada a eleição de 2002, o PT gaúcho estava com uma série de dívidas e que precisou recorrer à direção nacional do partido em busca de recursos. Afirmou que procurou o deputado José Genoino (SP), então presidente do PT, e que foi apresentado ao secretário nacional de Finanças, Delúbio Soares. Uma surpresa esperava Stival no encontro com Delúbio, que prometera lhe repassar R$ 1 milhão.

“Ele (Delúbio) pediu para buscarmos o dinheiro, mas não nos disse que o dinheiro seria em cash e a gente ficamos (sic) preocupados com isso”, relatou Stival. “Ele disse que teria que ser assim porque se tratava de um empréstimo feito pela Direção Nacional e que não poderia ser contabilizado. Disse que o empréstimo era do Banco Rural ou do BMG, mas que nós não poderíamos contabilizar aquele dinheiro.” O que seria uma solução virou então uma fonte de problemas, segundo a versão do dirigente do PT gaúcho, depois que ele desembarcou em Porto Alegre carregando uma mala com R$ 1 milhão. “Não podíamos pagar as dívidas de campanha com aquele dinheiro. As dívidas estavam todas com notas a pagar, registradas na contabilidade oficial do partido”, afirmou. Ainda diante do juiz, o dirigente regional do PT narrou o que foi feito do dinheiro. “Acabamos pagando fornecedores de outras dívidas históricas do Fórum Social Mundial, dívidas que não estavam na contabilidade oficial. O dinheiro nem entrou na sede do partido.”

Um dos principais desafios do ministro Joaquim Barbosa em relação ao Mensalão do PT é a identificação da origem dos recursos movimentados irregularmente. Até agora, os principais envolvidos no escândalo diziam que o caixa 2 petista não usava dinheiro público. Os novos depoimentos prestados à Justiça mostram que o Ministério Público e a Polícia Federal podem ter razão quando afirmam que o “núcleo empresarial do Mensalão, comandado pelo publicitário Marcos Valério, retirou dinheiro de órgãos administrados pelo PT.”

O roteiro final do mensalão – parte 3

A ação penal no STF traz depoimentos inéditos de testemunhas que comprovam definitivamente grandes movimentações de “dinheiro não contabilizado”, expressão usada pelo petista Delúbio Soares para justificar o Mensalão. Os testemunhos surpreendem, não apenas pelo seu valor jurídico, mas pela naturalidade com que os envolvidos tratam de uma questão criminal como se fosse algo rotineiro. Ex-presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimarães confirmou na Justiça Federal em São Paulo, no dia 27 de maio de 2009, que o PT movimentou dinheiro sujo. “Boa parte da crise era devido a esses empréstimos que não constaram da contabilidade, o caixa 2”, disse Guimarães, dando detalhes dos empréstimos que o PT fez no Rural e no BMG. “Tomei conhecimento destes empréstimos. Eu não me lembro o valor total, mas era algo superior a 40 milhões (de reais).” Guimarães afirmou ter participado das reuniões que escolheram a agência de Marcos Valério para trabalhar nas campanhas do Banco do Brasil, mas responsabilizou o conselho diretor e o ex-diretor Henrique Pizzolato.

Pelos depoimentos, fica evidente que práticas ilegais eram cotidianas nos escritórios dos partidos políticos. Funcionários das legendas não se constrangem ao se declarar abertamente como laranjas do esquema. Coordenadora da campanha do PP em 2004 no Paraná e secretária do ex-deputado José Janene (PP), Rosa Alice Valente confirmou à Justiça em 2009 que sua conta bancária foi utilizada pelo PP para receber dinheiro do PT nacional. O dinheiro chegava através da corretora Bônus Banval, que lavava o dinheiro do Mensalão. “O deputado me disse que foi feito um acordo entre o PT e o PP e que o Enivaldo Quadrado (então dono da Bônus Banval) iria me ligar e daí iria passar na minha conta pra mim (sic) repassar”, disse Rosa. Entre casos já conhecidos e outros só agora descobertos, as confissões surgem de todo lado. Em Alagoas, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), revelou na Justiça ter recebido R$ 80 mil “não contabilizados” do PT. O dinheiro, segundo ele, era liberado por Delúbio Soares. Presidente do PT no Tocantins na época das fraudes, Divino Nogueira revelou que recebeu dinheiro de caixa 2 do PT nacional, enviado por Delúbio. O ex-deputado baiano Eujácio Simões, que era do extinto PL, afirmou ter recebido R$ 30 mil de caixa 2 do deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), um dos principais protagonistas do esquema.

Em alguns relatos, os detalhes são tão ricos quanto as quantias movimentadas irregularmente pelos políticos. É o caso do testemunho do empresário José Carlos Batista, sócio da Garanhuns Empreendimentos, empresa que ficou conhecida na época do Mensalão como lavanderia do Mensalão. Réu no processo, Batista decidiu contar tudo o que sabe para ser beneficiado pelo instrumento da delação premiada. Foi ouvido na condição de informante. Pela primeira vez, disse que era dono da Garanhuns apenas no papel porque, na verdade, era “laranja” do verdadeiro dono da empresa, Lúcio Funaro, amigo de Costa Neto. Batista esmiúça como entregou pessoalmente, a pedido de Funaro, quase R$ 3 milhões do esquema do PT para o deputado do PL bancar a campanha eleitoral de 2004. O dinheiro foi entregue na sede do PL em São Paulo.

Eram recursos repassados a Funaro por Valério com base em um “contrato fictício” de compras de certificado de reflorestamento da Garanhuns para a SMP&B. Já se sabia que a Garanhuns fora usada por Valério para esquentar o dinheiro repassado do caixa 2 do PT para o PL. O publicitário sempre negou. Em seu depoimento, Batista não só se define como “laranja” como cria dificuldade para aqueles que querem contestar a sua versão do fato pela quantidade de informações que forneceu à Justiça. Ele cita modelos de veículos em que o dinheiro foi carregado em “caixas de papelão”, horários de voos, nomes de intermediários e destinos do dinheiro, como a cidade de Mogi das Cruzes, no interior paulista. São esses detalhes que irão influenciar o ministro relator na hora de confrontar depoimentos contraditórios.”

(Revista IstoÉ)