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Taxista é assassinado após evitar passageiros suspeitos

“Um taxista foi assassinado com um tiro na cabeça após se recusar a parar o veículo para quatro homens que o abordaram, na madrugada desta segunda-feira, 11, no bairro João XXIII, em Fortaleza. José Jucelino da Silva, de 46 anos, teria desconfiado dos indivíduos e acabou sendo baleado, após tentar fugir da ação.

Segundo informações da delegada Monique Teixeira, da Divisão de Homicídios, a ação aconteceu no cruzamento entre a rua Diogo Correia e travessa Rio de Janeiro, quando o taxista retornava de uma corrida, por volta de meia-noite. Ao ser abordado pelos acusados, que se posicionaram obstruindo toda a via, a vítima engatou marcha à ré, na tentativa de fugir do local.

Um dos acusados disparou cerca de quatro tiros contra o veículo e acabou atingindo a cabeça de José Jucelino, que morreu no local do crime. Após a ação, o bando fugiu e ninguém foi capturado.

Ainda de acordo com a delegada Monique, a Polícia já tem pistas da identidade dos acusados. A vítima, José Jucelino, era casado e pai de um filho. ”

(O POVO Online)

Serra vem ao Ceará em campanha

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O candidato derrotado do PSDB/DEM ao Governo do Estado, Marcos Cals, ao lado do empresário Pedro Fiúza, que foi seu postulante a vice, encontra-se, nesta segunda-feira, em São Paulo. Ali, os dois terão encontro com a senadora Marisa Serrano (PDB/MTS), da coordenação-geral da campanha do tucano José Serra neste segundo turno. Segundo Marcos Cals, o objetivo é receber orientações para a campanha pró-Serra no Ceará.

“A nossa meta é aumentar o número de votos do Serra. Queremos, pelo menos, 30% dos votos”, disse Marcso Cals. No primeiro turno das eleições, o tucano obteve apenas 16%.

Marcos Cals disse que a ordem é a tucanada reforçar a campanha em todo o Interior e na Capital, mobilizando seus filiados. Ele reconheceu que o trabalho eleitoral é difícil, mas disse que Serra tem amplas perspectivas de vitória.

O candidato José Serra deve vir ao Ceará na segunda quinzena deste mês em campanha. A data está sendo acertada: pode ser 16 ou 17 próximos, conforme Marcos Caks. Isso, dentro de uma stratégia de reforçar o candidato no Nordeste, região onde a grande maioria dos votos do primeiro turno foi para Dilma Rousseff.

Cid Gomes: "O Tasso se precipitou""

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O rosto ainda denuncia o cansaço de uma campanha eleitoral que segue em 2010, apesar de ele já ter sido reeleito, no último dia 3, com 61,2% dos votos do eleitorado cearense. Cid Gomes, governador do Ceará, anuncia que só descansará depois de “eleger” Dilma Rousseff, do PT, presidente da República, esforço que ainda não lhe permitiu parar para pensar no próximo governo, que começa em 1º de janeiro do próximo ano. Um “novo governo”, segundo adianta na entrevista, concedida aos editores do O POVO na noite da última quinta-feira, dia 7, na residência oficial. Nela, o governador, confirmado no cargo para mais quatro anos, fala da campanha, reclama dos adversários pelo “denuncismo”, relata alguns detalhes da articulação de bastidores que levou ao rompimento com o senador Tasso Jereissati e anuncia a intenção de criar uma secretaria específica para o problema das drogas. Confira os trechos principais da entrevista.

O POVO – Que características essa campanha teve que para o senhor foram marcantes, principalmente quando a gente compara com a de 2006?

Cid Gomes -Em 2006, eu era novidade. Com apoio expressivo. Apresentado pelo Lula, pelo Ciro (Gomes). E tinha aí uma referência da administração em Sobral. Nessa eleição, mantive os mesmos apoios. Agora, a administração de governo já deu um choque de realidade em muita gente. Pro bem e pro mal. Muita gente ficou satisfeita com as ações de governo. Uma parte, nem tanto. Houve alguma frustração, algum problema. Estou dizendo isso tentando ser o mais frio possível, mas saio feliz da campanha. Tive mais votos do que na eleição passada. É verdade que o eleitorado aumentou.

OP – Sai desgastado, também? Foi uma eleição na qual o senhor sofreu muitas críticas e algumas acusações.

Cid – Olha, isso aí não é queixa do processo eleitoral. Do processo eleitoral, no que toca à participação das pessoas, eu não tenho nenhuma queixa. Só absoluta gratidão pelo reconhecimento. O poder desgasta, né? Mas a grande maioria renovou esse crédito, o que me deixa eternamente grato. Agora, eu não posso deixar de manifestar uma preocupação. Eu, pessoalmente, fiquei absolutamente magoado com o nível que a campanha, não por parte do eleitorado, tomou na eleição.

OP – Isso foi uma coisa nova para o senhor, depois de tantas eleições?

Cid – É uma coisa nova na política do Ceará e absolutamente preocupante. Na minha cabeça, o que se montou foi uma quadrilha para, ardilosamente, planejar uma armadilha ali para a eleição. Eu fiquei absolutamente chocado com o nível a que chegou.

OP – O senhor atribui a quem?

Cid – Eu atribuo muito claramente ao Roberto Pessoa (PR, prefeito de Maracanaú), ao advogado dele, que se chama Paulo Goyaz, e, obviamente, o Lúcio Alcântara (PR) foi o instrumento disso. Eu estou falando isso, mas, sinceramente… Porque essa coisa é preocupante para mim. É preocupante para o futuro do Estado. Não se pode estar vendo isso e simplesmente fazer de conta que não existiu. Mas eu tomei todas as providências que tinha de ter tomado. Estão processados por mim os partidos, a coligação, a revista (Veja), e as pessoas físicas estão processadas por mim. Eu entrego à Justiça. Não vou ficar remoendo. Meu coração, sinceramente, não tem espaço. Estou registrando aqui pela preocupação com a política do Estado. A política do Estado não pode ficar vulnerável a esse tipo de maquinação.

OP – O senhor falou da parte do ex-governador Lúcio Alcântara, mas teve também o deputado Marcos Cals (PSDB)…

Cid – Eu processei os dois. Pra mim, quem montou foi a campanha do Lúcio. Pra mim é claro isso. Deve ter alguma investigação. Imagino que a Justiça vá cuidar disso. O advogado, esse Goyaz, junto com o Adler (Girão, do PR, ex-prefeito de Morada Nova), levaram o cara (empreiteiro Raimundo Morais Filho, o Moraizinho, que teria denunciado suposto vínculo do governador e de seu irmão, deputado federal Ciro Gomes com esquema de desvio de recursos estaduais e federais destinados a Prefeituras) lá para Brasília, fizeram uma gravação. Mesmo nessa gravação não tendo nenhuma referência ao meu nome. Os caras ficaram maquinando. Isso foi urdido.

OP – O comportamento do deputado Marcos Cals…

Cid – Foi de aproveitador.

OP – O fato de ele, seu ex-secretário, ter feito isso machucou ou magoou mais o senhor?

Cid – Não, não. De jeito nenhum. Eu nunca tive, assim, amizade com o Marcos Cals. O convidei para ocupar uma secretaria (Justiça, no primeiro governo). Ele aceitou. Pronto. Convivemos três anos e meio como secretário e governador. Nunca tive intimidade com ele, sabe, ter uma decepção. Absolutamente natural. Eu o processei, também, porque ele, como aproveitador, quis pegar isso e repercutir também. Na medida em quem ele repercute o negócio, está botando na boca dele. Então, vai ter que provar agora.

OP – O senhor falou que não tinha relação mais próxima com o Marcos Cals. Com o Tasso (Jereissati) é diferente. Como foi tê-lo do outro lado?

Cid – Olha, a gente tem uma relação histórica com o Tasso. Eu nunca escondi nada de ninguém. Eu tentei até a última hora fazer aqui uma composição em que se preservasse a candidatura do Tasso.

OP – Ele se precipitou?

Cid – Ele absolutamente se precipitou. Ele se precipitou. Eu tava trabalhando quando sou surpreendido por uma declaração. Fiquei no pior dos mundos.

OP – Qual era o desenho que o senhor tinha feito para a coligação?

Cid – O desenho era claro. E, se você for ver o histórico, eu, primeiro, pelas atribuições de governador, tentei adiar ao máximo os limites da campanha. Porque eu era governador, tinha de dar conta do trabalho de governo, muita coisa que tinha de fazer, então tentei ao máximo adiar. Vinham me perguntar sobre sucessão, eu dizia: “Não trato de sucessão antes de resolver a questão nacional”. Depois que se resolveu a questão nacional, eu disse: “Não posso tratar da questão sem conversar com meu partido”. E as reuniões do meu partido, eu fiz três, foram públicas. A imprensa teve acesso. É só ver o que o meu partido dizia. Não era nem eu. Queria nem que ficasse comigo. Mas como nessas coisas se dá uma identidade de pensamento, meu partido dizia: “Olha, vamos manter a aliança com o PT, o PT fica na vice, eu tenho um compromisso público com o Eunício (Oliveira, senador eleito, do PMDB). E a outra vaga, vamos votar no Tasso”. O meu partido disse isso em todas as reuniões. Fiz uma reunião no Cariri, fiz uma reunião em Sobral e fiz uma reunião em Baturité. Ouvi todas as seções nessas três reuniões. E o sentimento, é claro que isso não era uma opinião consensual, mas, majoritariamente, o sentimento do partido era esse. Eu fui ao Lula. Estou dizendo isso agora, que já passou. Eu fui ao Lula e propus ao Lula isso. Achando eu, entendendo eu que era melhor para mim, claro, mas era pela eleição da Dilma (Rousseff, candidata do PT è Presidência) também, porque, de certa forma, a gente estaria neutralizando.

OP – O Lula respondeu o quê?

Cid – Ele ficou de ver com o PT. E depois a resposta veio pelo PT. O PT nacional: não, que já tinha tido muitos sacrifícios. O PT, em nome de composições, em vários lugares já tinha se sacrificado. Que o Senado era importante e essa vaga para o Senado era prioridade para o PT. Isso já aconteceu depois de ele já… Não tinha concluído ainda. O primeiro senador (Tasso) anunciou que ia ter uma candidatura (própria ao Governo). Fica para o registro histórico isso aí, como aconteceram as coisas.

OP – Como o senhor vê o futuro dessa relação?

Cid – Ah! (Silêncio)

OP – O senhor acha que ele tem reagido mal?

Cid – Olha, deixa eu dizer uma coisa. Eu, em 1988, é uma parte da minha biografia que não se conhece muito, fui candidato a vice-prefeito lá de Sobral, do padre Zé (Linhares, deputado federal). Naquele tempo, era negócio de voto de papel, de cédula. Você ficava dois, três dias lá no local da apuração. Nós perdemos no último dia. E eu fiquei a apuração o tempo inteiro. Foi a minha primeira experiência, eu tinha 25 anos de idade. Quando fui saindo do local da apuração, lembro demais, na AABB de Sobral, numa Belina branca do meu pai, que ele tinha me emprestado, os vencedores rodearam a Belina. Eu estava sozinho. E, olha, sabe esses pesadelos que você tem. Você acorda. Pronto. Eu vivi um pesadelo ali. Dentro do carro, sozinho, e a turma invadindo, batendo no carro e eu sem poder sair. Aquilo ali foi um pesadelo, mas me serviu de grande lição. Eu acho que o vitorioso não pode tripudiar em cima do derrotado. O ganhador ele tem de ser respeitoso com o perdedor. Eu acho que o vitorioso tem de ser generoso. Eu fiz esse histórico e eu não vou mais dar declaração sobre o Tasso. Não vou mesmo. Ele tentou isso a campanha inteira. Eu não fiz na campanha. deixa aí. O tempo… o tempo e a história vão se encarregar de dizer o que aconteceu.

OP – Passando para os aliados. O senhor teve um papel fundamental na reeleição da prefeita Luizianne Lins em 2008. Agora, ela disse que não participava do horário eleitoral porque não era convidada. Ela realmente não participou por uma opção da campanha?

Cid – A Luizianne foi fundamental para a definição do apoio do PT (a ele) em 2006. E eu, digo isso clara e publicamente, fiquei absolutamente grato, reconhecido a esse apoio. E já dizia, logo dois anos antes da eleição municipal: se ela fosse candidata a prefeita, em sinal do meu reconhecimento e da minha gratidão, a apoiaria. Pronto. Pronto. Eu tenho muito esse sentimento de débito e crédito. Eu me sentia devedor dela e honrei uma dívida apoiando-a. Tocando inclusive na minha família, porque a Patrícia (Saboya, ex-cunhada e deputada estadual eleita pelo PDT) era candidata. A minha irmã, quer dizer… Enfim, teve muitos problemas. Mas eu, em cima do que considero coerência, gratidão, apoiei. Pronto. Eu quero manter a relação com a Luizianne, quero preservar a relação com o PT, mas… Pronto.

OP – Para 2012, o senhor está liberado.

Cid – (Risos dos jornalistas e assessores, discreto riso do governador) (pausa) Isso foi uma conclusão sua. (Risos dos jornalistas e assessores) Eu quero preservar a minha relação com o PT.

OP – Está valendo a pena essa relação, administrativamente?

Cid – Eu, no que puder, apoio. Ajudo. Com muito prazer. Pela cidade. E por ela (Luizianne). Tenho carinho por ela.

OP – O que representa a mudança em relação ao vice? Não apenas a mudança do partido, o PT pelo PMDB.

Cid – Não há da minha parte uma única queixa ao (Francisco) Pinheiro (atual vice-governador e deputado estadual eleito pelo PT). Feliz de alguém que possa ter o Pinheiro como companheiro e eu me julgo feliz de ter tido e estar tendo, até 31 de dezembro, o Pinheiro como companheiro de chapa e como companheiro da política. Graças a Deus. Torci muito para que ele se elegesse deputado estadual. É uma grande figura.

OP – Com relação ao deputado Domingos Filho (vice eleito), é um perfil diferente.

Cid – O Domingos é mais próximo de mim, não é do que o Pinheiro. Do que o PT. É mais próximo de mim. (Pausa) Estou só nas meias palavras. Partindo do pressuposto de que, para bom entendedor, meia palavra basta.

OP – A interlocução dele com a Assembleia vai ser útil no cenário de uma Assembleia potencialmente mais hostil?

Cid – Ele está saindo. Na hora em que ele assume o Governo, ele sai da Assembleia. Mas a capacidade de articulação política dele é um fator importante para o futuro.

OP – Mas o senhor está preparado para uma Assembleia mais hostil?

Cid – (Pausa) Bom. Sei não se vai ser mais hostil, não. Sinceramente. Adahil (Barreto, do PR) fez oposição radical e não se elegeu. Vasques (Landim, do PR) fez oposição radical e não se elegeu. Heitor (Férrer, do PDT) fez oposição e se elegeu. E aí chega a filha do Roberto Pessoa (Fernanda Pessoa, do PR), não sei qual vai ser a postura dela,

OP – Em relação à oposição atual, acabou aí. Mas tem na oposição agora o PSDB.

Cid – No PSDB, tenho muitos amigos lá. Vamos ver qual vai ser a postura. Alguns do PSDB até votaram em mim nessa eleição. Alguns dos eleitos. Alguns dos eleitos votaram em mim.

OP – Essa ideia de uma nova oligarquia incomoda ao senhor?

Cid – Não incomoda porque isso… A oligarquia, veja bem, qual é o conceito básico de oligarquia? É o poder concentrado num pequeníssimo grupo e, como base, o poder econômico. Então vamos lá: nunca existiu no Ceará governo com tantos aliados. E aliados mesmo, não é cooptando não. Tenho aliança com o PT. E em muitos casos a gente tem posturas diferentes. Tenho aliança com o PMDB. Tenho aliança com o PDT, com o PP, só para citar assim alguns mais… Então isso é uma oligarquia? Um conjunto de partidos? E poder econômico, cadê? Aonde? Quem é que tem? O Ciro? Eu? O Ivo (Gomes, deputado estadual reeleito). Agora, por quê? Por que nós gostamos de fazer política?  

OP – O senhor vai trabalhar para o contrário, mas já preparou sua cabeça para, eventualmente, governar com o José Serra na Presidência?
Cid – Eu me recuso a acreditar nisso. Esse talvez seja um pesadelo maior que o da Belina lá na saída do local de apuração. Nem pensar.  
OP – O senhor falava no início das diferenças entre governo e oposição, das dificuldades de ser governo…Cid – É porque governo ajuda e desagrada, também.

OP – Até que ponto, diante disso, o senhor se sente, pessoalmente, insatisfeito com o primeiro governo, com o que foi realizado até agora?

Cid – Eu me sentiria particularmente frustrado (caso tivesse de passar o governo para outro em janeiro de 2011), pela derrota e por não ter conseguido concluir algumas coisas, compromissos que assumi que faria. Como deixar pronto e funcionando um Hospital Regional do Cariri, que até está encaminhado e pode ser até que consiga concluir ainda em 200l, mas o Hospital da região Norte, o metrô, o próprio metrô de Fortaleza, a Policlínica, as escolas de educação profissional todas funcionando, a siderúrgica, a refinaria iniciada, tudo isso é coisa que ainda está por acontecer. Então, sairia frustrado.

OP – O senhor tem uma sucessão encaminhada na Segurança Pública, onde o secretário Roberto Monteiro já antecipou a decisão de sair. O tema foi muito forte no discurso da primeira campanha do senhor e agora, em 2010 fez parte da estratégia dos adversários. O governo foi bem no setor?

Cid – O meu compromisso com a segurança tenho a consciência tranqüila de que cumpri. Pode ir ver lá: era de priorizar a área da segurança pública, alocando nela mais recursos. Era muito claramente isso, porque às vezes as pessoas falam em priorizar, mas quando se vai checar a alocação de recursos a prioridade anunciada não se efetiva, não acontece. Meu compromisso era de priorizar, ampliando o volume de recursos destinados ao setor, em custeio, pessoal e investimentos. Se você for, hoje, o orçamento da Segurança é praticamente o dobro do que era há quatro anos. Assumi o compromisso de implantar o Ronda do Quarteirão, um modelo de policiamento comunitário que foi muito bem explicado, detalhadamente, que haveria uma equipe revezando permanentemente, 24 horas por dia, que haveria um telefone próprio, que estaria sempre naquela região, os policiais seriam sempre os mesmos etc etc. Isso está absolutamente cumprido. Agora, quanto aos indicadores, há alguns que melhoraram… Por exemplo, os seqüestros! Compare os números de 2006 com os desse ano. Em 2006 foram 26 sequestros e agora, em 2010, se não me engano foram dois, até agora, um dos quais ainda está sob investigação para ver se não foi uma simulação.

OP – A crítica que a oposição faz é pelo fato, segundo alega-se, de o senhor gastar muito com segurança pública, mas gastar mal.

Cid – Eu, sinceramente, não acho. Gastei mal em quê? Na viatura? Pra mim isso é uma absoluta demagogia. A escolha da Hillux, por exemplo, é pelo fato de ser um veículo resistente, todo mundo sabe. O que me incomoda é que daí já vêm as insinuações de todo tipo. Olha, vim conhecer o dono da revenda da Hilux em Fortaleza no terceiro ano do governo, durante uma solenidade da Câmara de Dirigentes Lojistas, na qual fui apresentado a ele. Lembro que começaram a bater fotos e eu querendo sair de perto dele porque sei como é a maledicência.

OP – A agenda da Copa do Mundo terá grande importância para o segundo governo. Há algo que preocupe o senhor nesse momento em relação ao cumprimento dos prazos que são exigidos?

Cid – Estaremos na próxima semana assinando salve engano, na Caixa Econômica, assinando os dois investimentos que estarão a cargo do Estado em mobilidade urbana. O VLT Parangaba-Mucuripe e mais duas estações da linha Sul. Quanto ao Castelão ainda existem as pendências judiciais, o que incomoda, evidentemente. É aquela história do Lula: é um pra fazer e dez querendo atrapalhar.

OP – E a Fifa pressionando..

Cid – Não, não, a Fifa não tem nada a ver.

OP – Pressionando por prazos, governador.

Cid – Ah, sim, claro, mas não há interferência dela. Então, você toma pancada por um lado devido a uma alegada falta de concorrência e, pelo outro, pancadas e ações judiciais por demandas das empresas. A concorrência, então, cria mil empecilhos. Se não houvesse concorrência verdadeira será que haveria tanta demanda judicial? Claro que não! 

OP – O senhor já pensou se será governador na época ou se estará em campanha na ocasião?
Cid – (Risos) Estou lhe dizendo que no mês de novembro, agora, eu vou ter ainda que..imagine daqui a quatro anos. Não posso dizer que uma hora qualquer, à noite, sem sono a gente não pense em quatro anos pra frente etc, mas é que são tantos fatores, são tantas as variáves que não adianta.OP – O desenho político do governo, quanto à distribuição interna das forças políticas, se mantém ou pode haver uma mudança significativa?

Cid – Pode haver mudança sim, é um novo governo.

OP – Quanto à estrutura, por exemplo, haverá mudanças. O senhor está pensando em criar novas secretarias, não é verdade? 

Cid – Acho que sim, acho que sim. Devo criar uma secretaria da Pesca, pelo grande potencial que temos no setor e talvez crie uma Secretaria Especial para essa coisa da droga. É complicado porque você tem um sistema matricial, onde, por exemplo, alguém reclama por termos extinguido a secretaria da Juventude. Será que é realmente necessário ter uma secretaria da Juventude? Sinceramente, não é assim que enxergo, acho fundamental ter uma coordenação das políticas para juventude. Juventude está no esporte, está na cultura, na educação, na saúde, enfim, se você cria uma Secretaria na mesma linha estará gerando um problema. Ela, a nova secretaria, vai tirar toda a educação da pasta específica, por exemplo, já que educação é uma coisa focada, basicamente, no jovem.(O POVO)

Erenice tirou mais votos de Dilma do que igrejas

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“Os fatos que levaram à queda da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno do que questões relacionadas à religião. Segundo pesquisa Datafolha realizada na última sexta, cerca de 6% dos eleitores mudaram seu voto, considerando tanto Dilma quanto José Serra (PSDB), por conta dos casos que marcaram a reta final do primeiro turno.

Desse total, Dilma perdeu cerca de quatro pontos percentuais entre o total de eleitores. Aproximadamente 75% das perdas ocorreram por conta dos escândalos recentes no governo.
O restante, por questões relacionadas à religião- não exclusivamente envolvendo a posição da candidata sobre o aborto. Já Serra perdeu dois pontos percentuais. Tanto pelo caso de quebra de sigilo de tucanos quanto pelo caso Erenice. Os dois casos podem ter levantado suspeitas sobre irregularidades fiscais dos citados ou envolvimento de tucanos nas denúncias, por exemplo.

A perda de eleitores de Dilma, que conquistou 47% dos votos válidos no primeiro turno, foi de aproximadamente 4 milhões de eleitores. A de Serra, que teve 33% dos votos válidos, de 2 milhões. Como a margem de erro do levantamento (feito com base em 3.265 entrevistas em todo o país) é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o total de votos perdidos pode ter sido maior ou menor na mesma proporção da margem de erro.

O percentual de eleitores no país que tomou conhecimento dos casos Erenice Guerra e da quebra de sigilo de tucanos é expressivamente maior do que o do total que recebeu alguma orientação de sua igreja para que deixasse de votar em determinado candidato. Os resultados da pesquisa, portanto, não confirmam a tese de que foi o voto relacionado a questões religiosas que levou a eleição presidencial ao segundo turno. Tomaram conhecimento do caso Erenice 48% dos eleitores. No caso da quebra de sigilos, foram 56%.

Já o total que recebeu alguma orientação na igreja que frequenta para que deixasse de voltar em algum candidato a presidente atingiu 3%. Os dois casos que mais pesaram na mudança de votos dos eleitores na reta final do primeiro turno tiveram influência direta de reportagens publicadas pela Folha.

O primeiro (quebra de sigilo) foi revelado pelo jornal em junho, muito antes do primeiro turno.
Em relação à queda de Erenice, o caso foi levantado inicialmente pela revista “Veja”. Mas foi uma reportagem da Folha que levou à queda da ex-ministra no dia 16 de setembro, a duas semanas do primeiro turno.

As denúncias de tráfico de influência na Casa Civil foram determinantes para mudanças de voto principalmente entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, mostra o Datafolha.
Entre os que votaram em Marina (que teve 19% dos votos válidos), 7% dizem ter deixado de votar em Dilma por conta do caso Erenice. Chega a 1% do total do eleitorado o percentual dos que dizem ter deixado de votar em Dilma Rousseff para votar em Marina por causa da queda de Erenice Guerra. A taxa dos que fizeram o mesmo por recomendação da igreja não alcança 1% do eleitorado.

(Folha)

TCM – Hora de oxigenar a fiscalização

“Os 60 analistas de controle externo recém contratados pelo TCM, depois de aprovados em concurso público, começaram um período de treinamento intensivo antes de passarem a atuar em campo. Serão três meses de trabalho duro, convivendo com as técnicas, normas e detalhes objetivos do cotidiano. Essa mão-de-obra que chega, composta basicamente de jovens, oxigenará em quase 100% as equipes fiscalizadoras.

Ao recebê-los, o presidente da Corte, Ernesto Saboia, além de falar sobre os desafios que terão pela frente, fez uma conclamação, que chamou de “verdadeiro compromisso”: que eles tenham sempre em mente, de agora em diante, que suas ações devem estar focadas para atender “às exigentes demandas de nosso patrão real, que nos paga e nos mantém – a sociedade”. Lindo! Pois que venham os resultados, então.”

(Coluna Vertical, do O POVO)

Dilma e Serra trocam farpas em debate

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“No mais duro debate travado nesta campanha presidencial, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra trocaram ataques neste domingo (10) e usaram estratégias diferentes. Enquanto a ex-ministra da Casa Civil acirrou as críticas, em especial à gestão do adversário no governo de São Paulo, o ex-governador se esforçou para conciliar propostas e ataques, nos quais acusou a rival de ser incoerente.

  • Candidatos José Serra e Dilma Rousseff durante debate na Band

A preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas, também mirou a gestão de Serra nos ministérios do Planejamento e da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso. O tucano evitou criticas diretas ao mentor da candidatura de Dilma, mas retomou o tema aborto, dominante na primeira semana após a votação de primeiro turno, em 3 de outubro.

Os ataques mais duros foram trocados no primeiro bloco do debate da TV Bandeirantes. Dilma acusou a campanha do rival de promover “mentiras e calúnias” contra ela. Serra indicou que a petista busca a “vitimização” e questionou sua fé – um aspecto que promoveu mudanças no programa da ex-ministra no horário eleitoral obrigatório para atender o eleitorado religioso, que se afastava dela.

O tucano também afirmou que é atacado indevidamente por simpatizantes da petista. “São blogs com seu nome. Fazem ataque à família, amigos. É uma campanha orquestrada, que trata de ideias que não tenho”, disse.

Quando a temática parecia se inclinar para temas ligados a religião e saúde –assunto que fez Serra acusar a rival de ter “duas caras”-, Dilma se concentrou nas privatizações feitas durante a gestão tucana no Palácio do Planalto. Mais tarde, o segundo colocado nas pesquisas ironizou a adversária pelo tom inédito em debates por parte dela.

“Tenho que confessar que eu estou surpreso com essa agressividade, esse treinamento da Dilma Rousseff, que esta se mostrando como é de verdade”, afirmou.

Além das privatizações, a petista fez ataques nas políticas de educação e de segurança do governo Serra em São Paulo, Estado onde os dois tiveram votação próxima no primeiro turno. Dilma acusou o PSDB de ser favorável a privatizações e centrou suas perguntas e respostas nesse assunto nos segundo e terceiro blocos do encontro, que, de acordo com a Bandeirantes, teve picos de 6 pontos de audiência.

Privatizações e incoerência

Durante o segundo e terceiro blocos do primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, Dilma e Serra trocaram acusações sobre privatização. A petista se esforçou para cravar a pecha no adversário, que viu incoerência da ex-ministra por ter elogiado a abertura do capital da Petrobras, feita no governo FHC.

A petista comparou a saúde financeira da Petrobras durante os governos FHC e Lula e sugeriu que Serra seria a favor da privatização da empresa. O tucano disse que a gestão atual aumentou a presença de capital privado no Banco do Brasil e privatizou dois bancos regionais. A petista preferiu concentrar as críticas nas posições de tucanos sobre a Petrobras e a exploração do petróleo do pré-sal.

“[A Petrobras] teve um processo de capitalização que arrecadou US$ 70 bilhões”, afirmou Dilma, sobre a recente operação conduzida pela estatal. “Vocês só conseguiram arrecadar US$ 7 bilhões”. Serra respondeu que “é só chegar a campanha eleitoral e o PT vem sempre com essa história”. Na votação de 2006, o assunto ampliou a vantagem de Lula, candidato à reeleição, sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

“No caso de venda de empresas públicas, eles reclamam que venderam ações no governo passado, mas não falam do Banco do Brasil, que colocou [ações] em Nova York”, disse o tucano.

Dilma criticou o adversário por vender a Nossa Caixa, banco paulista que foi repassado ao governo federal. E levantou suspeitas sobre se Serra não faria o mesmo caso seja eleito presidente, ao comentar sobre programas educacionais que Serra terminou depois de assumir o governo deixado por Alckmin.

Políticas, ataques e aborto

Depois de dizer que quer uma política educacional na qual “professor não seja tratado a cassetete”, em ataque indireto ao rival, a petista questionou Serra com uma acusação. “Eu acho que a sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. Essas calúnias têm sido muito claras”, disse.

“Tenho visto o seu vice, Índio da Costa. A única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até aproveitando a fé das boas pessoas, para me atingir, em questões religiosas. Essa forma de campanha que usa o submundo é correta?”, questionou.

Serra começou com tom ameno, mas endureceu o debate aos poucos. “Me solidarizo com quem é vítima de ataques pessoais. Tenho recebido muito ataque e muita calúnia, até antes da campanha”, disse. “Mas nós somos responsáveis por aquilo que pensamos e aquilo que falamos. A população cobra programa de governo, mas cobra também conhecimento sobre os candidatos.”

Em seguida, o tucano acusou a petista de mudar de opinião sobre a legalização do aborto. O tema interessa a muitos dos eleitores que em 3 de outubro votaram na evangélica Marina Silva (PV) para a Presidência. A candidata verde somou quase 20% dos votos válidos e seu apoio é disputado pelos dois presidenciáveis.

“Na questão do aborto, você disse isso no debate da Folha, no UOL, que era a favor do aborto. Depois, disse que era contra. Isso não é estratégia de adversário”, disse. O tucano afirmou ainda que a petista “não sabe bem se acredita ou se não acredita” em Deus. “E depois vira uma devota”, disse, para depois emendar ataques a Erenice, demitida por suspeita de ilegalidades na Casa Civil.

“Seu braço direito organizou um grande esquema de corrupção. Você não tem nada a ver, é tudo alheio a você”, disse, em tom de ironia. Depois dessa resposta, Serra ouviu a adversária dizer, como fez em vários momentos do debate, que ele tem “mil caras”.

Depois disso, Dilma criticou Serra por acusar sua campanha de ter ligação com vazamentos de sigilos fiscais na Receita Federal. “A última mentira e calúnia contra mim: vocês diziam que a minha campanha tinha aberto sigilo fiscal. Hoje o juiz te denunciou e você é réu. Você se cuida, porque está dando os primeiros passos para entrar na questão da ficha limpa”, afirmou.

“Tem uma campanha contra mim. Você regulamentou o acesso ao aborto no SUS [Sistema Único de Saúde]. Eu concordo com a regulamentação. Entre prender e atender, eu fico com atender”, disse a petista.”

(Portal Uol)

Itamar Franco: "O Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil"

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Itamar, Lula, FHC e Sarney.

“Um dos articuladores do voto “Lulécio” em 2002, a favor do petista Lula para a Presidência e do tucano Aécio Neves para o governo de Minas, o ex-presidente da República Itamar Franco (1992-1994) agora critica duramente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que ele tem de parar de falar “nunca antes neste país”: “O Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil”. Segundo ele, “Lula não é democrata”: “Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter um senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.”

Ex-senador (1975-1990), Itamar, 80, volta à Casa pelo PPS com a língua afiada. Ao lembrar de Getúlio Vargas, diz que “Lula tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados”.

Por que Serra e não Dilma?
Porque ela tem um discurso monotemático. Se fosse uma estudante, seria uma aluna boa para decorar as lições, não para fazer cálculos. Ela vem com um discurso preparadinho que o presidente ensinou. Já o Serra tem pensamento próprio. Mas, se não mudar o discurso, vai perder.

Mudar em quê?
Tem de parar de elogiar ou de ser condescendente com o Lula. Imagine o cidadão que está em casa ouvindo isso: “Puxa, se o candidato da oposição elogia tanto o presidente, para que mudar?”

E o argumento que Lula tem 80% de popularidade e não dá para bater nesse muro?
Ele tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados.

Não foi o sr. que criou o voto “Lulécio” de 2002?
Procurado pelo Zé Dirceu, desisti da disputa e apoiei o Aécio para o governo e o Lula para presidente. Daí surgiu o voto Lula-Aécio.

O que aconteceu depois?
Sabe o que o Lula fez em 2006? Foi na minha terra, levou todo mundo e subiu no palanque até com o Celso Amorim, que também foi meu chanceler, para falar mal de mim. Fiquei triste. Agora o Lula fez uma campanha muito violenta em Minas contra a gente de novo, uma campanha que raiou o imoral, agredia os princípios democráticos. Bem, um presidente que faz no Senado o que ele faz, que nem presidente militar fez…

O que foi imoral?
Teve nove pessoas presas, distribuindo santinhos apócrifos com as maiores aleivosias contra nós. Saíam de onde? De um comitê do PT.

Se Aécio, Anastasia e o sr. foram eleitos, por que o Serra perdeu em Minas?
Nós trabalhamos pelo Serra, mas ele não teve organização nenhuma em Minas.

E o PSDB mineiro?
Nós fazíamos um discurso afirmativo, falávamos o que o povo queria ouvir, e o povo mineiro gosta de pegar no candidato, gosta de alisar a gente, e nós atendíamos isso. Serra, não. E até nos debates ele perdeu boas chances de chutar em gol, como quando a Marina levantou uma bola para ele contra a Erenice e ele deixou passar. Foi falar em assunto técnico, oras!

O sr. votou mesmo no Serra?
Votei no Serra por causa da coligação, mas muitos amigos votaram na Marina Silva e queriam que eu ficasse com ela. Não fiquei.

Como vê o segundo turno?
Em toda a minha vida só vi um homem transferir maciçamente os votos do seu partido: Leonel Brizola para Lula, no segundo turno de 1989. Então, não sabemos. Depende muito da Marina e dos votos dela, mas esse eleitorado é muito disperso e múltiplo.

A Dilma saiu com 14,3 pontos na frente. É possível virar?
I
sso dá uns 13 milhões de votos e, mais um pouquinho, Serra chega lá. Possível é, e já vimos viradas duas vezes em Minas. Mas ele precisa ser mais afirmativo no campo social, econômico, político.

Como enfrentar Lula?
Ele tem de mostrar que o Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil. Do jeito que as coisas vão, o Lula vai dizer que quem abriu os portos foi ele, não d. João 6º. Tudo é ele, é ele. Por que não dizer o que o Real fez pelo país? Por que não dizer que o pãozinho custava um preço de manhã, outro preço à tarde, outro preço à noite?

Como está a sua relação com Fernando Henrique Cardoso?
Não está. Mas se eu defendo escondê-lo? Não defendo. Apesar das minhas desavenças com ele, acho um absurdo escondê-lo. Se não aparece, batem nele de qualquer jeito. Então ele deve aparecer, rebater, xingar.

Como o sr. imagina um Senado com três ex-presidentes?
Eu fico olhando o Sarney dizer que o melhor presidente que ele já teve foi o Lula, e penso: sim, senhor, hein, presidente Sarney?

E o Collor?
Prefiro falar da chuva.

Que Senado vai encontrar?
Um Senado subjugado pelo Executivo. A interferência do presidente é a todo instante, em tudo, até em questões internas. Uma das coisas mais sagradas do Congresso são as CPIs. Pois eu era de oposição e fui presidente da CPI das “polonetas” no governo Geisel e depois da CPI das diretas. E, agora, o presidente diz que não pode ser e não é. Onde já se viu isso? O Senado diz amém, amém.

Em 2011, a bancada lulista vai ser um rolo compressor. Como furar o bloqueio?
Fácil não é, mas não é impossível. A ditadura durou 20 anos, mas ela se tornou frágil e caiu. Hoje, se há essa ditadura que o PT quer impor ao país, se acha que só ele sabe o que é bom para o país, é preciso reagir. Quando o Lula diz que “nunca antes neste país”, eu penso: o que que é isso? Como é que o sr. Sarney aceita isso? Então, ninguém fez nada? Ao longo do processo, cada um de nós, o Sarney, eu, o Fernando Henrique, foi passando o bastão.

Com maioria lulista, é possível o Aécio presidir o Senado?
O Aécio hoje é a maior liderança nacional.

Mais do que o Lula?
Mais do que o Lula, porque o Aécio é democrata.

O Lula não é democrata?
Não, basta ver as ações dele todos os dias. Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.

Qual sugestão o sr. daria a Lula para o pós-Presidência?
O Lula gostou do poder, mas ele vai ver o que é bom depois, quando deixar o poder. Não se pode acostumar com os palácios, os aviões, os helicópteros, com o sujeito que carrega a sua mala, porque isso não é o dia a dia do homem simples, que nós todos somos. O Lula deve saber que, um dia, tudo isso acaba. O poder não é eterno. Nós já tivemos no Brasil um grande presidente que era também o “pai dos pobres” e que depois foi derrubado, não é?

(Folha.com)

Fortaleza Antiga – Ferro Carril

Posto Central da Companhia Ferro Carril, em 1912.

 
A Companhia Ferro Carril do Ceará, criada na década de 1870, ganhou autorização de funcionamento de D.Pedro II, através do decreto Nº 5110 de 09  de outubro de 1872. Após alterações em seus estatutos aprovados pela Pricesa Isabel em 1877, a Ferro Carril entrou em pleno funcionamento.
 
No dia 25 de abril de 1880, às sete horas da manhã a Ferro Carril inaugurou o serviço de transporte público em Fortaleza com bondes puxados por burros. Saindo da Praça da Assembléia, eles percorriam os trilhos da linha da Estação e do Matadouro Público.
 
(Fonte: De Ônibus: Cento e quarenta anos nas estradas e cidades do Ceará – Federação dos transportes, Cepimar. 2008)
(Colaboração – Marcos Almeida)

Dilma e Serra travam primeiro debate televisivo neste domingo

“Os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), estarão frente a frente, hoje, no primeiro debate televisivo antes do segundo turno das eleições. No evento promovido pela Band, os presidenciáveis poderão enfrentar questões que têm permeado as campanhas, como temas ligados a religião, aborto e liberdade de imprensa. Os pontos podem ter sido decisivos nos resultados registrados pelas urnas no primeiro turno. Cotada para ganhar o pleito em primeiro turno, Dilma chegou a afirmar que sua campanha percebeu tarde demais a onda de boatos junto ao eleitorado evangélico e católico. “Nós estávamos inocentes. A gente percebeu tarde demais, mas percebemos”, disse a candidata.

O candidato tucano negou que sua campanha tenha pautado a discussão sobre o aborto na campanha eleitoral. Segundo ele, o assunto surgiu por meio da população. “Os candidatos colocam as propostas para o Brasil, mas as pessoas colocam as perguntas. (O aborto) não é uma pauta fixada pelos candidatos, mas estou pronto em falar tudo o que eu penso. Eu sempre fui coerente”, afirmou.

Propaganda eleitoral
Na volta do horário eleitoral gratuito, as polêmicas continuaram a ser abordadas pelos dois candidatos. Nessa sexta-feira, Dilma abriu seu programa de televisão com um agradecimento a Deus. Já Serra destacou seu comprometimento com “valores cristãos”. Escalado para combater os rumores na campanha petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez depoimento no programa da candidata. “Eu estou vendo acontecer com a Dilma o que aconteceu comigo no passado”, disse.  A defesa do tucano ficou sob a responsabilidade de um locutor. “Este é José Serra, que sempre condenou o aborto e defendeu a vida”, apresentou. Logo depois, em um estúdio, várias mulheres grávidas acariciavam suas barrigas enquanto uma voz ao fundo dizia: “A favor da vida e a favor do Brasil”.

Segundo turno
Segundo Dilma, a estratégia da campanha petista será a de promover o esclarecimento junto ao eleitorado religioso para rebater os boatos que circularam na internet, apontados como uma das principais causas para a eleição não ter acabado no primeiro turno. “Vamos fazer um movimento no sentido de esclarecer a população”, declarou. Outra tática petista tem sido a comparação entre os oito anos de Lula e a administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), da qual seu adversário, Serra, fez parte.

O tom da campanha tucana para o segundo turno pôde ser observado durante a fala de Serra em evento de apoio a sua candidatura, em Brasília. Na ocasião, o candidato ressaltou a liberdade de imprensa, os valores cristãos e da família e resgatou o discurso de que as conquistas do atual governo se devem a um processo iniciado há 25 anos a partir da redemocratização do País. E, se no primeiro turno Serra centrou sua estratégia no destaque de sua biografia, a passagem do candidato pelo ministério da Saúde e em promessas como salário mínimo de R$ 600, no segundo turno ele tem recorrido à imagem de outro tucano renomado, o ex-presidente FHC. O objetivo é tentar neutralizar o discurso de Dilma de que o bom momento da economia brasileira se deve exclusivamente ao governo Lula.”

(Potal Terra)

O futuro de Eunício Oliveira

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Com o título “Eunício: 2010 é a cara dele”, o publicitário Ricardo Alcântara nos manda artigo abordando a atuação do senador eleito Eunício Oliveira, um dos nomes de peso e influência do PMDB nacional. Confira:

Apoios políticos com grande capacidade de transferência de voto. Dinheiro, muito dinheiro. Controle de uma estrutura partidária forte. A força que tem as máquinas governistas para “fazer amigos e influenciar pessoas”.
 
Nada disso faltou na campanha de Eunício Oliveira ao senado. De resto, recebeu da militância urbana do PT os votos destinados não especialmente a ele, mas mobilizados com o objetivo declarado de derrotar Tasso Jereissati.
 
Vaidoso ao extremo, Eunício é vulnerável à crítica. Não gosta de ver seu nome associado aos traquejos da esperteza. Não lhe agrada, portanto, avaliações como esta e até já comunicou o fato à justiça. Paciência.
 
Eunício deve sua eleição para o senado a um profissionalismo vocacional, o modo pragmático ao extremo com que toca sua carreira política, e deve nada vezes nada a um improvável talento para liderança popular.
 
Eleito para um longo mandato, terá tempo para empenhar-se na construção de uma imagem que, a despeito dos métodos com que opera, agregue atributos e valores que melhor o identifique com a esperança das pessoas.

Vitórias como a dele, e de outros, revelam como é grande a distância entre um atacadista do voto e um verdadeiro líder político. E como é possível tornar essa diferença tão irrelevante quando o fisiologismo casa e batiza.

Goste ou não dele, admita: esse cara é a cara das eleições de 2010 e, por isso mesmo, de certa forma ele nos representa.

Ricardo Alcântara,

Publicitário e poeta. 

Leitor faz apelo à Coelce

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Este Blog recebeu nota, em tom de apelo e alerta, assinada pelo jornalista e historiador Túlio Muniz. Endereçado à Coelce. Confira:

Caro Eliomar de Lima,

Moro aqui perto do “aterrinho” da Praia de Iracema, em Fortaleza,e gostaria de alertar: há um relógio-padrão elétrico, instalado em um poste da Coelce, prestes a desabar porque a maresia corroeu a caixa de proteção.

Por favor, publique este alerta, porque no tal poste há um transformador e temo que a coisa exploda e fira alguém. Isso, porque o tal relógio está a um metro e meio de altura, na cara de quem passa.

Fica na esquina da rua João Cordeiro com a Beira MAr, bem na faixa de pedestre.

Abraços.

Túlio Muniz.

Eunício: 2010 é a cara dele?

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Com o título “Eunício: 2010 é a cara dele”, o publicitário Ricardo Alcântara nos manda artigo abordando a atuação do senador eleito Eunício Oliveira, um dos nomes de peso e influência do PMDB nacional. Confira:

Apoios políticos com grande capacidade de transferência de voto. Dinheiro, muito dinheiro. Controle de uma estrutura partidária forte. A força que tem as máquinas governistas para “fazer amigos e influenciar pessoas”.
 
Nada disso faltou na campanha de Eunício Oliveira ao senado. De resto, recebeu da militância urbana do PT os votos destinados não especialmente a ele, mas mobilizados com o objetivo declarado de derrotar Tasso Jereissati.
 
Vaidoso ao extremo, Eunício é vulnerável à crítica. Não gosta de ver seu nome associado aos traquejos da esperteza. Não lhe agrada, portanto, avaliações como esta e até já comunicou o fato à justiça. Paciência.
 
Eunício deve sua eleição para o senado a um profissionalismo vocacional, o modo pragmático ao extremo com que toca sua carreira política, e deve nada vezes nada a um improvável talento para liderança popular.
 
Eleito para um longo mandato, terá tempo para empenhar-se na construção de uma imagem que, a despeito dos métodos com que opera, agregue atributos e valores que melhor o identifique com a esperança das pessoas.

Vitórias como a dele, e de outros, revelam como é grande a distância entre um atacadista do voto e um verdadeiro líder político. E como é possível tornar essa diferença tão irrelevante quando o fisiologismo casa e batiza.

Goste ou não dele, admita: esse cara é a cara das eleições de 2010 e, por isso mesmo, de certa forma ele nos representa.

Ricardo Alcântara,

Publicitário e poeta. 

Nordeste garante vantagem para Dilma

“A grande vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) no Nordeste garante a atual dianteira à petista na disputa do segundo turno à Presidência. Dilma tem 62% de intenções de voto no Nordeste. É o dobro dos 31% obtidos por Serra na região -na qual se concentra o maior número de beneficiários do Bolsa Família e onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem suas maiores taxas de aprovação. Em todas as outras regiões, Serra está numericamente à frente, às vezes empatado com Dilma na margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Há empate técnico no Sudeste, onde o tucano tem 44% contra 41% da petista. O mesmo ocorre nas regiões Norte e Centro-Oeste combinadas, com Serra registrando 46% contra 44% de Dilma.
A única dianteira fora da margem de erro do tucano é no Sul, onde ele obtém 48% contra 43% da petista. Nessa região, aliados de Serra venceram as eleições para governador em dois dos três Estados -no Paraná e em Santa Catarina, com Beto Richa (PSDB) e Raimundo Colombo (DEM). No Rio Grande do Sul ganhou Tarso Genro (PT), que apoia Dilma.

INTERIOR
Se no passado o PT era um partido que se dava melhor nas grandes cidades, onde se concentram os trabalhadores organizados, com Dilma vale lógica inversa: ela vai melhor no interior do que nas regiões metropolitanas.

Segundo o Datafolha, em capitais de Estado e em regiões metropolitanas, a petista tem 44% contra 41% do tucano. Estão tecnicamente empatados, na margem de erro do levantamento realizado anteontem. Já no interior, Dilma lidera com 50% sobre os 41% de Serra.

As outras marcas de destaque da candidata governista são os eleitores menos escolarizados (ela tem 54%), os homens (52%) e aqueles com renda mensal de até dois salários mínimos (52%).
Já Serra registra seu melhor desempenho entre os que têm renda familiar maior do que 10 salários mínimos (58%) e entre os que têm nível superior (50%).

DECISÃO DO VOTO
Segundo o Datafolha, 89% dos eleitores já se dizem totalmente decididos em relação ao candidato que escolheram. Só 10% admitem ainda mudar o voto. A cristalização do voto é maior no Sul (93%), onde Serra tem sua melhor marca. A faixa em que há menor taxa de certeza (87%) sobre o voto é a dos que têm renda média mensal de dois a cinco salários mínimos.

Mas Dilma e Serra têm poucas chances de tirar eleitores um do outro. É que 90% dos eleitores de ambos se dizem totalmente decididos. De acordo com o Datafolha, 79% acertam os números dos candidatos, contra 19% que dizem não saber. Outros 2% erram a resposta. Entre os eleitores de Dilma, 86% acertam o 13. Já entre os de Serra, 74% citam o 45.”

(Folha Online)

Maísa e Zé Rosa em clima carioca

FLASH SOCIAL

Eis a jornalista, radialista e querida Maísa Vasconcelos, uma das maiores audiências da TV Diário no momento, com seu programa “Sua Manhã”. Nossa estrela passa este feriadão no Rio, para onde seguiu tendo ao lado o amigão, José Rosa, que trabalhou, e muito, na última campanha eleitoral com sua câmera nota 10.

Maísa vive uma das melhores fases de sua carreira. Em todos os sentidos.

(Foto – Paulo Moska)

Vem aí a XXI Semana dos Engenheiros Agrônomos do Ceará

Tudo pronto para a XXI Semana dos Engenheiros Agrônomos do Ceará, cujo tema será “Agronomia: Mudanças Climáticas e Produção de Alimentos”. O encontro ocorrerá a partir de terça-feira e se estenderá até o dia 15. A abertura ocorrerá às 19 hors, no auditório Castelo Branco, da reitoria da UFC.

Na ocasião, haverá a entrega solene da Medalha Guimarães Duque para profissionais que se destacam em prol da categoria e do desenvolvimento das Ciências Agrárias no Estado do Ceará. Neste ano será homenageado o engenheiro agrônomo Landry Leão Ribeiro, que ocupou várias funções como extensionista, funcionário do Banco do Nordeste, além de profícuo articulador na política profissional. Também serão homenageados, com uma placa por relevantes serviços prestados à categoria agronômica:

a) Grupo O POVO de Comunicação, por seu acompanhamento no tema Mudanças Climáticas, tendo inclusive viabilizando um curso a distância sobre o assunto.

b) Sistema Verdes Mares de Comunicação pelos seus programas Nordeste Rural e Diário no Campo, constantemente interagindo com as atividades agronômicas e divulgando as ações dos profissionais desta área.

c) Presidente da FAEC, José Ramos Torres de Melo Filho, por sua pertinácia na condução por 15 anos do AGROPACTO, fórum que discute semanalmente a situação do setor Agropecuário Cearense.

Também receberão uma comenda póstuma os professores: Francisco Martins Holanda e José Braga Paiva pela sua dedicação ao ensino e às políticas profissionais, e que faleceram no último ano.

PROGRAMAÇÃO

A partir do dia 13, o evento será realizado no Centro de Ciências Agrárias (auditório de Zootecnia) e contará com palestras e mesas redondas, sempre com início às 9 horas, de acordo com a programação:

Dia 13 de outubro – “Agronomia e mudanças climáticas no contexto da produção de alimentos” – palestrante: Antonio Rodrigues de Amorim – Secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará. Debatedores: Assis Leite (pres. da Mesa); Rogério César Pereira de Araújo – UFC/ Eisenhower Carvalho Braga Gomes FUNCEME e Instituto Agropolos

Dia 14 de outubro – “Cooperativismo e associativismo” – palestrante Kátia Araújo Ribeiro- Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado do Ceará (OCB) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Ceará (SESCOOP). Debatedores: Mailde Carlos (pres. da Mesa) e José Ramos Torres de Melo Filho-FAEC/FETRAECE/SEBRAE

Dia 15 de outubro – “Agroecologia e segurança alimentar” – palestrante: Joaquim Pinheiro de Araújo. Debatedores: Helena Araújo (pres. Mesa); Walmir Severo Magalhães- Ematerce, Esplar, Fundação Konrad Adenaur.

Datafolha: Dilma, 48%; Serra, 41%

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“Pesquisa Datafolha divulgada na edição de domingo, 10, do jornal ‘Folha de S.Paulo’ aponta a candidata do PT à Presidência da República com 48% das intenções de votos contra 41% de José Serra (PSDB). Em número de votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Dilma tem 54% contra 46% de Serra. 4% dos eleitores afirmaram que irão votar em branco ou nulo e outros 7% estão indecisos. Na pesquisa anterior, realizada entre os dias 1º e 2 de outubro, o instituto havia feito uma simulação para o segundo turno. Dilma aparecia com 52% dos votos totais contra 40% de Serra. 5% afirmaram que votariam em branco ou nulo e 3% estavam indecisos.

 
Herança de Marina

O Datafolha questionou também os eleitores de Marina Silva (PV), que teve quase 20 milhões de votos no primeiro turno, sobre a intenção de voto no segundo turno. 51% dos que votaram em Marina no primeiro turno declararam voto em Serra. Dilma herda 22% dos votos de Marina. Na pesquisa anterior, a petista tinha 31% dos votos da candidata verde. Serra tinha 50% às vésperas do primeiro turno. O número de indecisos entre os verdes teve um aumento considerável, passando de 4% no primeiro turno para 18%.”
(Folha)

Lula desabafa e diz que campanha no 2º turno ficou bem mais difícil

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“Na primeira semana da disputa polarizada com o tucano José Serra, a cúpula petista demonstrou insatisfação com o rumo da campanha – desde a dificuldade de Dilma em encontrar um discurso para reassumir o protagonismo da agenda à incorporação, às vezes atabalhoada, de aliados no comando da campanha.

Até mesmo o presidente Lula demonstrou forte apreensão com o rumo da campanha de Dilma no segundo turno.

Nas conversas que teve esta semana, Lula desabafou para um interlocutor que a disputa ficou mais difícil e que o desafio agora é reverter o quadro político de adversidade da campanha.

Na sexta-feira, o clima era de preocupação com o fato de que pesquisas internas indicavam uma redução na diferença entre Dilma e Serra.

Como parte da estratégia de campanha na primeira semana pós-primeiro turno, o presidente Lula foi poupado e evitou aparecer em eventos ao lado da sua candidata, Dilma Rousseff.

O objetivo foi preservar o capital político de Lula do ambiente de derrota da campanha petista, por causa do anticlímax do segundo turno. Já esta semana, Lula pode voltar a aparecer ao lado de Dilma, para influir como cabo eleitoral decisivo.

Na campanha, há o entendimento de que Dilma se cobrou muito por não ter vencido a disputa no primeiro turno, e isso mexeu com seu estado de espírito.

Coordenadores da campanha tentaram, ao longo da semana, dar uma nova motivação à candidata e demovê-la da ideia de que foi a responsável por isso. Mesmo assim, a cúpula petista ainda não conseguiu encontrar uma nova linha de atuação.

Existe um forte desconforto do núcleo duro petista com a presença de novos coordenadores, como o deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) e o ex-governador Moreira Franco (PMDB-RJ). Tanto que, na semana passada, houve reuniões reservadas sem que os dois tivessem sido chamados.”

(O Globo)

CNBB libera bispos para participar da polêmica sobre aborto

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“Um dia depois da campanha de Dilma Rousseff pedir direito de resposta a supostas ofensas de um padre num programa de TV da Igreja Católica, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi para os holofotes avisar que os religiosos estão liberados para participar da polêmica sobre aborto, tema de destaque na campanha eleitoral.

“Na sua diocese, o bispo tem o direito e o dever de orientar seus fiéis sobre temas da fé e da moral cristã. Eles são livres para fazer o que acharem que seja melhor”, afirmou d. Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB. Em entrevista na sede da instituição, ele ponderou que a CNBB não entrará no debate.

A entidade divulgou inclusive nota assinada por sua cúpula para reafirmar que não indica candidatos e “lamentar” que os nomes da instituição e da Igreja Católica tenham sido usados e manipulados ao longo da campanha.

D. Dimas ressaltou que os bispos, em especial, nunca foram impedidos pela CNBB de participar do debate. O religioso disse que a Santa Sé e o Direito Canônico não preveem mordaça aos bispos.

E evitou comentários diretos sobre a atuação do padre José Augusto, que numa homilia transmitida pela emissora Canção Nova, da Igreja Católica, pediu aos fiéis para não votarem na candidata do PT.

O secretário-geral da CNBB, no entanto, disse que todos têm direito à liberdade de ação e pensamento.

A uma pergunta se o debate em torno do aborto não está ofuscando discussões mais relevantes sobre educação e saúde, ele respondeu: “Eu acredito que o segundo turno está apenas no seu início e os candidatos não vão certamente se ater apenas a esse tema”.

Ontem, durante o dia, sites ligados à Igreja Católica divulgaram informação atribuída ao jornal Valor Econômico de que o Planalto pediu aos bispos da CNBB o fim das hostilidades e comunicou que o governo poderia reavaliar o acordo com o Vaticano.

Lula e a própria Dilma, então ministra da Casa Civil, estiveram no Vaticano, em novembro de 2008, para costurar o acordo com o papa Bento XVI.

Na entrevista na CNBB, d. Dimas apenas ressaltou que a Igreja Católica tem papel importante na educação e na saúde do País.

A crise envolvendo a Igreja Católica e o Planalto vai além do tema do aborto, dizem representantes da CNBB. Os bispos se sentem desprezados pelo governo, que estaria dando atenção para lideranças evangélicas.

A CNBB também reclama da política do governo para a reforma agrária. O governo não teria cumprido promessas antigas. Os bispos não escondem a mágoa. Na entrevista, d. Dimas disse que a Igreja não tem candidato. Mas, diferentemente de outros tempos, deixou claro que não tem simpatia por uma candidatura.”

(Estado.com)