Blog do Eliomar

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Ficha Limpa – Burocracia atrasa punições

“O Supremo Tribunal Federal (STF) guarda em suas prateleiras milhares de processos ainda não julgados contra políticos brasileiros – que, se não forem condenados por nenhum outro tribunal, poderão ficar livres para concorrer às eleições deste ano, sem serem afetados pela Lei da Ficha Limpa. Alguns desses políticos colecionam ações na mais alta Corte do país sem nunca terem sido condenados por lá.

O deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), por exemplo, responde a cinco ações penais e a cinco inquéritos. Entre os crimes dos quais é acusado estão desvio de dinheiro público, peculato, falsidade ideológica e formação de quadrilha. A mais antiga ação penal contra Jader chegou ao STF em 2003. O inquérito mais antigo, em 1997.

O deputado Neudo Campos (PP-RR) é outro que nunca foi condenado pelo STF, mesmo tendo atingido a impressionante marca de dez ações penais e onze inquéritos, nos quais responde por crimes como peculato, formação de quadrilha, fraude em licitação e compra de votos. A ação e o inquérito mais antigos contra ele chegaram à Corte no mesmo ano: 2007.

O senador Marconi Perillo, também oficialmente com a ficha limpa no STF, responde a três inquéritos e duas ações penais na Corte. São crimes de corrupção, prevaricação, abuso de autoridade e tráfico de influência.

O senador Ernandes Amorim (PTB-RO), responde a três ações penais e a quatro inquéritos. Entre os crimes a ele atribuídos estão desacato e fraude à Lei de Licitações.

Já o senador Romero Jucá (PMDB-RR) responde a um inquérito por compra de votos. O ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), embora tenha sido absolvido no STF por casos de suposta corrupção em seu governo, responde a duas ações penais no STF, ambas datadas de 2007. Entre os crimes a ele atribuídos estão corrupção e falsidade ideológica.”

(O Globo)

Garotinho vai recorrer ao TSE para concorrer

“Depois de recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, o pré-candidato ao governo do estado pelo PR, Anthony Garotinho, tenta agora no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reverter sua inelegibilidade. De acordo com o advogado dele, Jonas Lopes Neto, o ex-governador entrou, quinta-feira passada, com um pedido de medida cautelar no TSE para tentar suspender a decisão do TRE que impede sua candidatura.

A expectativa de Lopes Neto é que o TSE se pronuncie antes da convenção do PR no Rio, domingo que vem, dia 27, e do fim do prazo para registro de candidaturas, 5 de julho. O advogado explica que dificilmente o TRE do Rio conseguirá julgar até o fim desta semana o pedido de embargo de declaração de Garotinho, impetrado no último dia 8, para tentar anular a inelegibilidade do ex-governador, enquadrado também na Lei da Ficha Limpa.

— Nesse caso, o TSE não julga o mérito da causa, mas pode conferir efeito suspensivo à decisão do TRE, até um novo julgamento — ele diz.

Esta semana será mesmo decisiva para Garotinho, de acordo com aliados do ex-governador. Adroaldo Peixoto, secretário-geral do PR, diz acreditar numa definição do TSE já amanhã. Segundo ele, por enquanto o partido trabalha apenas com a hipótese de Garotinho como candidato a governador. Mas se isso não for possível, ele afirma que a única opção descartada seria apoiar o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tenta a reeleição.

— Todo o resto é possível — diz. — O partido vai se reunir e tomar uma posição.”

(O Globo)

Um ato pró-Pimentel

“Em meio aos últimos impasses entre os partidos da base aliada do governador Cid Gomes (PSB), o PT realiza hoje, às 9 horas, na Assembleia Legislativa, um ato para reafirmar a candidatura do deputado federal José Pimentel (PT) ao Senado. A legenda pressiona para que Cid formalize apoio ao petista, uma vez que a coligação encabeçada pelo PSB poderá indicar dois candidatos ao Senado. Apenas o deputado federal Eunício Oliveira (PMDB) já conta com apoio incondicional de Cid. Já para o PT, o PSB impõe condições: ou lança Pimentel, ou mantém a vaga de vice-governo.

O ato pró-Pimentel cumpre resolução nacional do partido, já que a indicação dele é defendida pelo presidente Lula. Em nível estadual, a militância do PT homologou a candidatura de Pimentel, em maio, tornando o pré-candidato um consenso interno, pelo menos.

“Sob qualquer cenário político, o ex-ministro (da Previdência do governo Lula) será candidato ao Senado. Não há possibilidade, não está em pauta o Senado para nós (do PT)”, garantiu o articulador político da prefeita Luizianne Lins (PT) na Câmara Municipal, vereador Acrísio Sena (PT). Ele está coordenando o ato.

O bloco comandado pelo PSB ainda não fala de apoio a Pimentel. O fato resulta da própria indecisão de Cid, que deverá pedir ao PT que opte entre a indicação ao Senado e a manutenção da vaga de vice-governo. O arco de alianças que o governador compôs tem 14 legendas.

Em janeiro de 2009, o PT formalizou apoio à candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) à outra vaga aberta no Senado Federal. A legenda esperava que o PMDB fizesse o mesmo quanto ao nome de Pimentel, o que acabou não ocorrendo. Eunício, que preside a sigla no âmbito estadual, diz que seguirá a indicação de Cid. Mas o governador não sabia, pelo menos até semana passada, se apoiaria formalmente Pimentel ou informalmente o senador Tasso Jereissati (PSDB), do qual era aliado histórico até poucos dias. Ideia em dúvida depois dos sinais de ruptura entre os Ferreira Gomes e Tasso.”

(O POVO)

Arialdo Pinho e Ferrúcio Feitosa vão deixar secretarias para coordenar campanha cidista

O chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho, e secretário dos Esportes, Ferrúccio Petri Feitosa vão deixar as pastas assim que retornarem da África do Sul, onde visitam estádios e conhecem toda a logística da Copa.

Segundo publicou em seu twitter o colunista de Política do O POVO, Fábio Campos, vão coordenar a campanha pró-reeleição do governador Cid Gomes.

Pré-Sal é prioridade nesta semana no Congresso

“Os deputados começam a semana com a promessa de votar a emenda que trata do regime de partilha dos royalties entre os estados recebidos pela exploração do petróleo na camada pré-sal. Adiada na última semana em razão do primeiro jogo da seleção na Copa, a proposta está na pauta do plenário e pode ser votada já na sessão desta terça-feira (22). Embora ainda não haja consenso entre as bancadas sobre o assunto, o líder do governo na Casa, Cândido Vaccarezza (PT-SP), acredita que seja possível buscar entendimento e liquidar o assunto, que se arrasta no Congresso há mais de um ano.

A emenda retorna para a Casa após sofrer alterações na votação do Senado. Com isso, a obrigação de votar a parte mais polêmica, a distribuição dos royalties, caiu nos colos dos deputados. A decisão dos parlamentares ainda passará pelo presidente Lula, que poderá vetar o texto. Batizada de “emenda Ibsen”, a proposta apresentada pelo deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), altera as regras de distribuição do benefício entre os estados, privilegiando os as maioria das unidades da federação, onde não se explora petróleo.

Pela forma como o texto foi encaminhado para a Câmara, os direitos de exploração passariam a ser distribuídos de forma igualitária entre todos os estados e municípios brasileiros, e não apenas entre os estados produtores de óleo, como o determina a atual legislação. O ressarcimento aos exploradores – Rio de Janeiro e Espírito Santo, principalmente – que tiverem perdas com a nova divisão deverá ser pago pela União.

Hoje, Espírito Santo e Rio de Janeiro controlam cerca de 90% da produção de petróleo no Brasil. “Essa emenda é completamente ilegal e anticonstitucional. Primeiro, porque ele prevê gastos para a União, sem definir a fonte e sem autorização para isso”, antecipa Vaccarezza, que trabalha com as bancadas aliadas para evitar as perdas de receitas para o governo.

Senadores da base aliada mas de estados beneficiados pela emenda apóiam a medida. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez uma emenda que praticamente reproduz a “emenda Ibsen” e articulou a sua aprovação do texto que, agora, está em discussão na Câmara.

Ele diz que a nova regra vai tornar mais justa legislação que regula a produção de petróleo no país. “Pela primeira vez que nós vamos fazer uma minirreforma tributária. Fazendo uma distribuição igualitária entre todos. Todos vão receber, da forma como sempre deveria ter sido”, argumenta Simon.

Vaccarezza explicou que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o procurou na semana passada e disse que gostaria de estar presente na votação do projeto que trata dos direitos de exploração. Temer, que foi confirmado como vice na chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT) ao Planalto, acompanha a presidenciável na Europa e estará de volta nesta semana.

Mas a votação da proposta poderá sofrer novo adiamento. A pauta do plenário da Câmara está trancada por cinco medidas provisórias. A principal delas, a MP 484/10, cria o Programa Especial de Fortalecimento do Ensino Médio e permite à União transferir R$ 800 milhões a onze estados. Outras matérias relevantes poderão ser votadas em sessões extraordinárias se forem pautadas pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP).”

Veja a agenda completa
CâmaraSenadoCongresso

(Congresso em Foco)

"Auxílio-paletó" gera rebelião no Senado

“Em nome da manutenção de benefícios que compõem os salários do Senado desde 1993, servidores da Casa iniciaram um movimento para modificar o plano de carreira que irá ao plenário para votação até dia 29. A regalia seria extinta pela proposta que está em tramitação. O projeto já prevê um aumento médio de cerca de 40% dos salários a um custo de R$ 380 milhões anuais.

Os servidores reivindicam, porém, a manutenção do pagamento de uma parcela da ajuda de custo recebida pelos parlamentares –benefício conhecido como “auxílio-paletó”–, incorporada desde 1993 nas gratificações que compõem seus vencimentos. Em alguns casos, esse incremento, pago no início e no fim de cada ano legislativo, representa um ganho de quase R$ 5.000 no contracheque dos servidores.

IMPACTO
O percentual incorporado às funções comissionadas varia de 3% a até 30% do salário de um senador, a depender do nível da função. Para se ter uma ideia, de janeiro de 2007 a junho de 2009, a parte do auxílio-paletó incorporada aos salários custou R$ 291,7 milhões aos cofres públicos. Em 1993, a direção do Senado mudou o cálculo do salário dos servidores, vinculando o pagamento das funções comissionadas –para funcionários que ocupam cargos de chefia, direção e assessoramento, além dos contratados sem concurso– ao subsídio dos senadores.

Na prática, com a farta distribuição de diretorias e coordenações que ocorreu ao longo dos anos, mais de 90% dos funcionários efetivos contam com a gratificação. No plano de cargos e salários que está em tramitação, essa incorporação seria extinta do cálculo das funções comissionadas. Os servidores reagiram e, por conta do levante, abriu-se negociação pela manutenção do benefício.

NOVO NOME
Diante da possibilidade da manutenção da vinculação, o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), ameaçou deixar a relatoria do projeto. “Eu acho que atrelar salários de senadores ao dos servidores é inconstitucional”, afirmou o senador.

O nome cogitado para assumir o novo plano de cargos e salários, que contaria com a continuidade da vinculação, é o do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), vice-presidente do Senado. Ele mantém um funcionário no grupo que está propondo mudanças ao atual projeto. Procurada pela reportagem, a assessoria de Perillo informou que o senador ainda não decidiu se aceitará ou não a relatoria do novo plano. Segundo ela, “muitos ajustes” ainda precisam ser feitos no projeto. Na próxima terça-feira, dia 22, o Senado decide se mantém ou não o benefício no plano de cargos e salários dos servidores.”

(Folha.com)

Câmara aprova projeto que institui imposto sobre grandes fortunas

Eis uma informação que passou despercbida da grande mídia na última semana: a aprovação do imposto sobre grandes fortunas. A informação nos chega por meio da lidernaça do PSOL na Câmara. Confira:

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara aprovou, na quarta-feira 9, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 277/08, que institui o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) para taxar todo patrimônio acima de R$ 2 milhões.

O IGF está previsto na Constituição Federal de 1988, mas somente agora foi aprovado projeto para regulamentá-lo. O texto será ainda votado no plenário da Câmara dos Deputados e, em seguida, no Senado Federal.

O PLP 277, de autoria da deputada Luciana Genro e dos deputados Ivan Valente e Chico Alencar, propõe alíquotas entre 1% e 5%, dependendo do tamanho da riqueza e não será permitida a dedução, no Imposto de Renda anual, dos valores recolhidos ao novo tributo.

Para o patrimônio de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, a taxação será de 1%. Entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, ela será de 2%. De R$ 10 milhões a R$ 20 milhões, de 3%. De R$ 20 milhões a R$ 50 milhões, de 4%; e de 5% para fortunas superiores a R$ 50 milhões.

Para a deputada Luciana Genro a aprovação do IGF é uma obrigação moral num país com desigualdade abissal, como o Brasil. Segundo ela, a carga tributária brasileira recai sobre o consumo e o salário e pouco sobre o patrimônio e a riqueza. “Precisamos inverter essa ‘lógica’ perversa com os trabalhadores e fazer justiça fiscal”. Luciana Genro disse ainda que quem tem grande patrimônio paga proporcionalmente menos do que aquele que tem salário baixo e gasta toda sua renda no seu próprio consumo e de sua família.

Serra diz que Lula faz privatização com dinheiro público

“Destoando de parte de seus colegas de partido, o candidato à Presidência da República do PSDB, José Serra, enfrentou na noite de sábado o debate sobre as privatizações no Brasil e afirmou que em seu governo haveria restrições para o uso de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a fusão entre empresas.

O tema foi evitado, por exemplo, pelo então candidato tucano a presidente em 2006, Geraldo Alckmin, que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serra, entretanto, ironizou o assunto, dizendo que governo Lula inovou na questão das privatizações, pois dá recursos para empreendimentos que serão de propriedade privada, como a ferrovia Transnordestina e usinas hidrelétricas. “Uma das grandes farsas do Brasil de toda a discussão é a questão de privatização. Quando chega no governo, não só não volta para atrás, como dá dinheiro para elas”, afirmou Serra durante o programa Roda Viva, da TV Cultura. “Chegou a se dar dinheiro subsidiado, porque o governo emite dívida pública, pega o dinheiro da dívida e empresta por um juro menor que está pagando pela dívida pública para uma empresa comprar a outra… é um modelo curioso de privatização do dinheiro público”, acrescentou.

A entrevista foi concedida na noite de sábado, mas só será transmitida na noite de segunda-feira. Questionado se o BNDES continuaria incentivando a formação de grandes empresas nacionais, Serra ponderou. “Se for para formar capital novo num setor que for fundamental, eu não sou contra… não sou contra uma empresa comprar a outra, mas você vai dar dinheiro público subsidiado? Todos os contribuintes do Brasil vão pagar para uma empresa comprar outra? Não tem sentido”, disse. O BNDES tem tido participação, por exemplo, na internacionalização de empresas do setor de carne.

O tucano foi além. Defendeu a concessão de aeroportos. No entanto, demonstrou irritação quando um jornalista o questionou sobre o modelo de concessões de estradas adotado por São Paulo, Estado que governou até o início de abril, e o alto preço dos pedágios nessas rodovias. O candidato argumentou que as estradas paulistas são consideradas as melhores do Brasil, complementando que a crítica é “trololó” petista repetido pela imprensa.

Macroeconomia
Indagado sobre o que mudaria na atuação do Banco Central, Serra voltou a criticar a demora da autoridade monetária para baixar os juros durante a crise financeira global. Acrescentou que, em seu governo, o BC ia “trabalhar direito” e “errar menos”. Serra alertou para os riscos referentes ao déficit de conta corrente e criticou a entrada de capital especulativo no país. “Se a economia tiver crescendo sustentadamente, é a melhor maneira de entrar capital produtivo. O que entra no Brasil hoje é dinheiro para especular”. Ele ainda defendeu o corte dos gastos públicos e que o governo federal também passe a se enquadrar totalmente na Lei de Responsabilidade Fiscal. Declarou ser favorável a tornar permanente a Zona Franca de Manaus.

Vice e temas polêmicos
Serra afirmou que ainda não possui um nome para ocupar a vaga de vice em sua chapa, e negou que a demora em anunciá-lo esteja gerando reclamações entre aliados. “O vice vai ser anunciado no fim do mês”, disse. Segundo o tucano, sua gestão não teria problemas de governabilidade em decorrência da sua resistência de distribuir cargos no Executivo para aliados. “Eu nunca pegaria o governo para ficar entregando agências de regulação a partidos”, destacou, acrescentando que a prática gera corrupção e incompetência na administração pública.

O candidato, que prometeu expandir os programas sociais e financiar o ensino técnico de 1 milhão de jovens, foi questionado sobre alguns assuntos polêmicos. Perguntado se era favorável à regulamentação do aborto, disse que não mexeria na atual lei que impede a interrupção da gravidez. Disse também que nunca fumou maconha e é contrário a sua descriminalização. Defendeu, entretanto, a união civil entre homossexuais. Serra reafirmou que sua principal adversária, Dilma Rousseff (PT), seria responsável pela suposta tentativa de produção de dossiês contra pessoas ligadas a ele. Acrescentou ainda que esses documentos têm sempre acusações “requentadas”, “estúpidas” e mentirosas.

Diplomacia
O tucano prometeu reforçar o policiamento das fronteiras a fim de combater o tráfico de armas e drogas. Voltou a dizer que não confia no presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e que “de jeito nenhum” intermediaria um acordo entre ele e a Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa nuclear da República Islâmica. Assegurou, entretanto, que seu governo manteria relações normais com a Venezuela de Hugo Chávez. “Acho que ficar agradando ditadores ou sendo permissivos em relação a violações dos direitos humanos é uma coisa que eu não faria. Agora, relações econômicas normais e institucionais tudo bem”, acrescentou.”

(IG)

Quanto valem R$ 54,00?

“Na terça-feira passada, dia da estreia do Brasil na Copa, o presidente Lula deu uma boa notícia a 8,3 milhões de aposentados. Sancionou o reajuste de 7,72% para os beneficiários do INSS que recebem mais de um salário mínimo por mês. O índice é o dobro da inflação acumulada desde o aumento anterior e ficou acima do recomendado pela equipe econômica. Esse grupo recebe hoje, em média, 1 273 reais. Se o valor fosse reajustado pela inflação, como prevê a lei, essas pessoas passariam a receber 44 reais a mais por mês. Com o novo índice, os aposentados e pensionistas ganharão um aumento médio de 98 reais – ou 54 reais a mais do que teriam direito de fato. Os aposentados certamente farão troça quando receberem o “presentão” de 54 reais, quantia com a qual não se compra muito mais que uma pizza. Para as contas da Previdência, no entanto, o afago de Lula a esses eleitores representará um custo adicional de 4,5 bilhões de reais apenas neste ano. “Esse é um compromisso que impactará as contas públicas de maneira permanente, sem que o governo apresente uma fonte de receita adicional para financiar essa despesa”, afirma o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas.

Antes da sanção de Lula, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) diziam que o índice de 7,72% era uma “afronta” à Lei de Responsabilidade Fiscal. O acordo que o governo havia fechado com as centrais sindicais no início do ano previa reajuste de 6,14% nos benefícios, índice já bem superior à inflação. Quando o projeto chegou ao Congresso, o valor subiu. Oposição e situação, em rara harmonia, alinharam-se em defesa dos 7,72%. De início, Lula reagiu e foi contra. Chegou a falar em vetar esse índice. O presidente, no fim das contas, só fez fita. Não iria se indispor com 8,3 milhões de eleitores (6% do total nacional). Especialista em tirar proveito para si dos projetos de terceiros, Lula deixou para sancionar o reajuste no fim do prazo legal. Buscou, assim, assumir sozinho a paternidade da bondade, aprovada semanas antes pelos congressistas. Provoca o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha: “É bom para eles aprenderem. Qualquer coisa que a oposição quiser capitalizar, no fim quem vai ganhar seremos nós do governo”.

O presidente, ao menos, teve o bom senso de vetar o fim do fator previdenciário, medida que também havia sido aprovada pelo Congresso. Sem esse mecanismo, essencial para evitar o aprofundamento no déficit do INSS, haveria um gasto adicional de outros 4 bilhões de reais apenas neste ano. De qualquer maneira, o governo precisará agora enxugar gastos para compensar a despesa extra que recairá sobre o Orçamento por causa do aumento das aposentadorias. Como invariavelmente ocorre em situações semelhantes, os investimentos públicos deverão ser a vítima. Bilhões valiosos, que poderiam ser usados na reforma de estradas e aeroportos, ampliando o potencial de crescimento do país, serão transformados em 54 reais a mais no bolso dos aposentados.”

(Revista Veja)

Copa 2014 – Transporte entre subsedes será o desafio no Brasil

“Em um país continental como o Brasil, o transporte interestadual para a Copa do Mundo será um desafio.

Na França, a malha ferroviária é muito eficiente, mas, para receber a Copa do Mundo de Futebol, em 1998, foi preciso investir em melhorias. A secretária-geral para Grandes Eventos Esportivos do país, Thérèse Salvador, observa que um grande evento é a oportunidade para uma região melhorar seu parque de transporte.

“Já temos infraestrutura para receber muita gente na França, mas sempre existe um programa para melhorar, dobrar as estradas, os trens, os ônibus”, afima Thérèse.

O sistema ferroviário francês tem quase 32 mil quilômetros de extensão – é o maior da Europa Ocidental. A malha do trem de grande velocidade (TGV), que chega a 320 quilômetros por hora em operação comercial, tem 1.872 quilômetros, a segunda maior do mundo, atrás apenas do Japão, que tem 2.387 quilômetros de trem-bala.

Para a Copa, as dez cidades-sede foram ligadas pelo TGV, com o tempo máximo de três horas de viagem. Marselha foi beneficiada na época. O líder da Maioria no Conselho Municipal, Ives Morraine, lembra que houve uma coincidência, já que o TGV chegou à cidade a tempo de servir aos torcedores que foram para a Copa.

“É verdade que o projeto já existia bem antes, mas, igualmente em 1998, as obras da linha TGV Paris-Marselha também terminaram. Houve uma conjunção. Ao mesmo tempo, tivemos a chegada do TGV e da Copa do Mundo de 1998”.

O projeto do trem de alta velocidade da França conta atualmente com 299 quilômetros de linha em construção e 2.616 planejados. Além disso, o país tem quase 900 mil quilômetros de rodovias e 478 aeroportos. A França é a sexta maior economia do mundo e o território é de 544 mil quilômetros quadrados, um pouco menor que o do estado da Bahia.

Quarta maior economia do mundo, a Alemanha tem 350 mil quilômetros quadrados de extensão e a maior população da União Europeia. A construção da rede de autoestradas começou em 1930 e atualmente tem 12 mil quilômetros, além de 40 mil quilômetros de estradas federais. O país tem a terceira maior densidade de estradas por carro no mundo. O pedágio é apenas para caminhões de carga e veículos de pequeno porte não pagam.

A linha do trem de alta velocidade alemão, o ICE, tem 1.285 quilômetros em operação, 378 em construção e mais 670 quilômetros planejados.

Para a Copa de 2006, o consultor da Fifa Horst Schmidt lembra que a primeira preocupação dos alemães foi a estrutura dos estádios e a segunda, o transporte dos torcedores entre as 12 cidades-sede. “Quando essa tarefa estiver realizada, então se coloca de imediato a próxima questão: como melhorar a infraestrutura das vias de tráfego e dos transportes em todo o país, o transporte de transporte de estado a estado, como também entre as cidades. Oferecer  ao torcedor boas possibilidades de locomoção, seja nacional ou internacional”.

Segundo a diretora da Secretaria de Transportes de Frankfurt, Nora Pullman, em primeiro lugar, veio o planejamento. “Depois, reuniram-se em grupos de trabalho todos os órgãos envolvidos com o sistema. Isso foi uma experiência nova, pois, até então, esses eventos não eram tão bem organizados. As entidades do Emta [European Metropolitan Transport Authorities] juntaram-se e marcavam o que devia ser feito com quem, quando e onde. Então, rapidamente entendemos como a Copa do mundo é um evento tão grande, tão extenso e tão complexo.”

Para a Copa da África do Sul, país cujo território é um pouco menor que o do estado do Pará, o Departamento de Transportes está disponibilizando 110 ônibus para a locomoção dos torcedores. A Fifa havia sugerido o transporte entre as nove cidades-sede de avião ou em carros alugados.

O urbanista Iuli Nascimento, que mora em Paris, pondera que no Brasil o caminho deve ser o mesmo. “O país é muito grande, eu creio que eles vão ter que se organizar com o transporte aéreo, porque fazer a ligação pelo solo, por trem, é muito dispendioso e as distâncias são muito longas. Também não é tradição brasileira fazer o transporte por trem.”

No Brasil, por enquanto, o projeto do trem de alta velocidade só prevê o trajeto de São Paulo a Campinas e ao Rio de Janeiro, num total de 511 quilômetros. A previsão é de que ele fique pronto para a Copa do Mundo em 2014.”

(Agência Brasil)

Para respirar Saramago

Eis artigo que o juiz, escritor e professor universitário Mantovani Colares manda para o Blog. Intitulado “Para respirar Saramago”, aborda este português do mundo que partiu na última semana. Confira:               

A concretização da proximidade literária de Saramago custou-me um lapso temporal expressivo. De início, tentei a leitura de “Ensaio sobre a cegueira”, abandonando-o em seguida por me sentir sufocado pelo texto retilíneo, sem parágrafos, tabulações ou indicações de pausa. Não insisti, pois de cedo aprendera que a literatura só funciona naquele momento mágico em que o leitor se sente atraído pela obra, hipnotizado a tal ponto de não conseguir se desvencilhar do livro. Por isso, há o tempo certo para cada autor, para cada obra.

Alguns meses depois, estimulado por minha verdadeira paixão devotada a Fernando Pessoa, aventurei-me a folhear “A morte de Ricardo Reis”, porque ali o protagonista era justamente um dos heterônomos do poeta da alma. O início foi sofrível, atormentava-me a seqüência uniforme do texto, até que parei para respirar. Respirei fundo, e só aí entendi a chave do gênio Saramago: seu estilo provocante é, na verdade, um inteligente método de autodomínio lingüístico.

O leitor não se pode deixar preso na armadilha estrutural do texto. Cada leitor há de fazer sua pontuação, sua pausa. A liberdade do ritmo é nossa. Saramago nos presenteou com a possibilidade de sermos co-autores de sua obra. A ousadia do mestre está nessa mensagem, quase imperceptível: ele escreveu o livro, mas a obra só haverá de ser finalizada após nossa leitura, porque nós terminaremos de escrevê-lo, ao realizarmos as pontuações e pausas, de acordo como nossa cadência de percepção do texto.

Ele conseguiu a tão sonhada interação real entre escritor e leitor. Ouso dizer que um livro de Saramago que ainda não foi lido não é verdadeiramente uma obra literária. Somente com a descoberta dessa chave pelo leitor, a percepção do enigma de nossa interatividade na leitura, é que se tem o fecho do livro.

Enfim, para ler Saramago é preciso respirar. Quem tem o privilégio de sentir isso na alma ficará cativo para sempre de sua obra; de tal modo que passa a ser um vício. E esse vício confirma a cada dia que literatura é, acima de tudo, estilo. É isso que diferencia o contador de estórias do romancista.

No Brasil, Machado de Assis já nos acenava com essa advertência, e Guimarães Rosa comprovou como ninguém que o segredo está na forma, muito mais do que no conteúdo. Em Saramago, firmou-se um estilo de respeito ao leitor, pois temos o privilégio de ler o texto de acordo com nossa respiração. A liberdade da pontuação é o legado mais revolucionário que ele deixa para a humanidade.

*Mantovanni Colares é juiz, professor universitário e escritor. 

Livro "Filha de coelha, girafa é" empolga criançada

Gil Dicelli e Demitri Túlio, o ilustrador e o autor.

Neste fim de semana, o jornalista Demitti Túlio e o editor de Arte Gil Dicelli, ambos do O POVO, lançaram, no bucólico Passeio Público (Centro de Fortaleza), o livro infantil “Filha de coelha, girafa é”. Num clima dos mais descontraídos, a criançada fez a festa. Nessa publicação da Editora Littere, Demitri conta a historia de uma girafinha que acabou criada por uma coelha, tendo os desenhos coloridos de Gil Dicelli expondo uma bela lição de amor em forma de adoção.

Ivonilo Praciano em perfórmance para a criançada.

Até contação de historias não faltou. É que o também jornalista, ator e diretor Ivonilo Praciano apareceu para comandar esse ato, enquanto muitos papais e mamães não dispensavam o gostinho do picolé. Quem sabe, matando um pouco da saudade e do gostinho da infância.

Demitri, a amiga Mirtes Graça e aquele autógrafo.

Foi uma manhã de sábado “legal”, me dizia meu filho Vitor (8). Ele e o irmão mais velho, Vinícius (12), adoraram estar ali. Minha Socorro França aproveitou para também mergulhar no passado do local e conhecer o baobá, arvore centenária que reina naquele pedaço de uma cidade que se faz adulta a cada dia, teimando em não preservar, vez em quando, pedaços do seu passado.

FLASHES

Este repórter do Blog com a família e o “moleque” Demitri.

Eis João Pedro, da jornalista Juliana Matos Brito e Toinho. Adora uma foto.

Que turminha…Vinicius, Vitor, João Pedro e Catarina.

Jornalista Cláudio Ribeiro, amigo do Demitri, e a filha Júlia.

(Fotos – Paulo Moska)