Blog do Eliomar

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UFC participa de seminário indígena

“A Universidade Federal do Ceará participa do Seminário Nacional de Educação Superior Indígena e do XV Seminário de Formação Superior Indígena de Roraima, cujo tema é “Consolidando uma política nacional de educação superior indígena”. Esses eventos ocorrem  até quarta-feira, na Universidade Federal de Roraima, em Boa Vista. A iniciativa é do Instituto Insikiran, da UFRR, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação.

A UFC é representada pelo professor Babi Fonteles, coordenador dos Cursos de Magistério Indígena Tremembé Superior (MITS) e Misi-Pitakajá. O professor indígena tremembé Getúlio Santos, coordenador indígena do MITS, representará os alunos. Apesar de as duas licenciaturas terem surgido em 2008, a UFC já se constitui uma referência na área, com dois cursos implementados.

Na primeira quinzena de outubro, a UFC participou do Seminário Nacional “Interculturalidade e Formação de Professores Indígenas: análise das experiências em curso”, organizado pelo Observatório da Educação Escolar Indígena da UFMG, em parceria com a Secad. O encontro discutiu as experiências de Licenciaturas Indígenas no País para subsidiar a elaboração das Diretrizes Curriculares visando à formação de professores indígenas, a serem propostas ao Conselho Nacional de Educação (CNE).”

(Site da UFC)

Barracas da Praia do Futuro – Uma questão também cultural

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Eis artigo do jornalista Magela Lima intitulado “O Futuro da Praia do Futuro”. Ele aborda a polêmica decisão da Justiça Federal de mandar retirar todas as barracas de praia dessa banda da orla fortalezense. Confira:

Há quem tenha se acostumado a pensar e entender a Geografia como uma área do conhecimento interessada essencialmente por mapas, números, composições de solo, relevo, questões climáticas e afins. Há, no entanto, uma Geografia quietinha, discreta, focada, sobretudo, em conceitos de ordem cultural, que se avivou muito claramente, para mim, ao logo da última semana a partir da polêmica em torno das barracas da Praia do Futuro.

A decisão do juiz José Vidal Silva Neto determinando a retirada das 154 barracas que ocupam a faixa de praia não mexe só com os espaços físico, territorial e público de Fortaleza. Mexe, decisivamente, com o espaço cultural dessa cidade que, por vezes, teima em não querer ter cultura.

Foi ler as notícias nos jornais para que me viesse à lembrança a discussão da francesa Nelly Richard sobre o valor simbólico que a experiência cotidiana imprime aos espaços.

Em resumo, ela discrimina duas possibilidades de compreensão. Diz que place (lugar) é um território desprovido de sentido; e que space (espaço), ao contrário, é aquele em que, com o tempo, fica impregnado de valores. Eis aí a questão-chave para se debater o futuro da Praia do Futuro. Não se trata de pensar as barracas como um índice do excesso e do desrespeito ao uso do espaço, em tese, público. Elas são mais. Embora irregulares, elas são a cara de Fortaleza, nosso cartão-postal, nosso Cristo Redentor.

Claro, onde não há regras, impera o reino da esperteza. Há, sim, empresários ali mal intencionados, que construíram verdadeiros castelos numa terra que julgavam ser de ninguém. Enganaram-se. A Praia do Futuro tanto é uma faixa territorial pertencente à União, como é também um patrimônio de Fortaleza. E, como tal, deve ser tratada. A legalidade, acredito, é plenamente possível sem que se ponham a baixo as nossas barracas. Sobretudo, se cada um e todos dessa cidade compreenderem o sentido do que é “nosso”.

Magela Lima – Editor-executivo (interino) do Núcleo de Cultura e Entretenimento

magela@opovo.com.br

Rede Record – Dilma X Serra

“No penúltimo debate da campanha eleitoral marcado para hoje (22 horas em Fortaleza), na TV Record, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vão trocar alfinetadas sobre montagem de dossiês e denúncias de corrupção, embora os dois candidatos à Presidência garantam que estão interessados apenas na apresentação de propostas, as equipes preparam a dupla para um duelo. “O estilo de quem é do mal é justamente de quem diz que é do bem. Nós batemos na política e nosso adversário, na baixaria”, afirma o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, numa referência ao jingle “Serra é do bem”. “Va­mos ser incisivos quando precisar. Se quiserem discutir problema de corrupção, vamos discutir. Aliás, tomara que apareça essa questão de dossiê, pois vamos mostrar a guerra entre tucanos”, acrescentou.

O comitê de Dilma respon­sabiliza o senador eleito Aécio Neves (PSDB) pela quebra de sigilo fiscal de parentes e amigos de Serra. Para o PT, a violação dos dados é mais um capítulo da disputa travada entre Serra e Aécio, no ano passado, pela definição do candidato do PSDB ao Palácio do Planalto.Serra, por sua vez, usará o escândalo para tentar atingir Dilma, alegando que a quebra do sigilo dos tucanos foi ordenada por um grupo de inteligência da campanha petista. “Mas o confronto será na base da civilidade”, diz o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra.

O candidato do PSDB vai explorar, ainda, a denúncia publicada pela revista Veja deste fim de semana, segundo a qual o Planalto deu ordens para que a Secretaria Nacional de Justiça produzisse dossiês “contra quem atravessasse o caminho do governo”. Os pedidos teriam partido da própria Dilma, então ministra da Casa Ci­vil, e de Gilberto Carvalho, che­fe de gabinete do presiden­te Luiz Inácio Lula da Silva. O secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, negou “peremptoriamente” a acusação.

Para o comando da campanha de Dilma, a denúncia é inverídica e não passa de uma vingança do ex-secretário Romeu Tuma Jr, que foi defenestrado em junho após ter seu nome envolvido no escândalo da máfia chinesa.”

(Com Agências)

Novo ministro do STF pode sair até dezembro. Cearense está no páreo

“O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para a vaga de Eros Grau, que se aposentou, será indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até dezembro. Logo depois da eleição presidencial, o presidente vai consultar o sucessor ou sucessora para tomar a decisão. Isso não quer dizer, no entanto, que o julgamento do Ficha Limpa será concluído este ano. O novo ministro poderá pedir vista.

Estão no páreo o cearense Cesar Asfor Rocha, do STJ, o advogado e federal José Eduardo Cardozo (SP), Luiz Edson Fachin, o ministro do STJ Luiz Fux, e Teori Albino Zavascki.”

(Informe JB – JB Online)

Canindé investe em pavimentação

Canindé – O prefeito de Canindé, Claudio Pessoa (PSDB), acompanhado de secretários, vereadores e lideranças, assinou um pacote de ordens de serviços voltados para a pavimentação de vbárias ruas do município.

Com essas ações, já são onze as ruas atendidas, num total de 30, que serão beneficiadas com calçamento em pedra tosca. Segundo Pessoa, virá também o saneamento básico, exigência dos moradores.

ESP-CE muda data de seleção e deixa 900 inscritos em expectativa

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A prova de seleção para Residência Médica da Escola de Saúde Pública do Estado, marcada para 7 de novembro, foi adiada para 12 de dezembro, o que pegou os inscritos de surpresa. Essa mudança foi comunicada no último dia de inscrições – sexta-feira última.

Os inscritos na seleção – mais de 900 candidatos, querem saber os motivos do adiamento, já que não foi liberado nada nesse sentido por parte da comissão organizadora do certame.

DETALHE – O dia 12 de dezembro cai na mesma data de provas da Residência Médica para o SUS de São Paulo. Muitos cearenses já estavam inscritos também nessa seleção.

Beto Studart em revista

O empresário Beto Studart é o destaque da revista Público A, em sua edição de número 14, que será lançada, com coquetel, nesta quarta-feira, a partir das 20 horas, no Regina Diógenes Gourmet  – Pátio Cocó.

De espírito arrojado e com trânsito também na área política, Beto Studart é ainda adepto da chamada responsabilidade social. Apoia projetos filantrópicos sem querer a velha publicização. A revista dedica a capa a esse senhor que, acima de tudo, tem como marcas o otimismo e a simplicidade.

Criação do Conselho Estadual de Comunicação Social na pauta da OAB nacional

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O caso do projeto de indicação que cria o Conselho Estadual de Comunicação Social, cuja autoria é a deputada petista Rachel Marques, está na pauta desta segunda-feira, em Brasília, do encontro do Colégio de Presidentes de OABs estaduais.

O presidente da OAB-CE, Valdetário Monteiro, que participará das discussões, voltou a classificar a matéria como “inconstitucional” e um absurdo às liberdades.

O projeto, inclusive, já recebeu sinalização da parte do governador Cid Gomes (PB) de que não será sancionado.

Corpo de policial assassinado na BR-304 será velado nesta segunda-feira

“O corpo do policial militar Afrânio Lima da Silva, 42, será velado às 13 horas desta segunda-feira, 25, na caixa beneficente pessoal da Polícia Militar do Ceará, na avenida do Imperador, no Centro. O PM foi assassinado na tarde de ontem quando fazia o policiamento de um posto de fiscalização da Sefaz, na BR-304.

Às 17 horas, o corpo do policial será enterrado no cemitério Jardim Metropolitano, no Eusébio. Afrânio Lima da Silva foi morto com um tiro na cabeça em uma ação no município de Aracati, no Litoral Leste do Estado. Ele fazia o policiamento de um posto de fiscalização de divisa na BR-304, quando foi abordado por cinco homens.

Após troca de tiros, o bando fugiu levando uma arma do policial. Dois, dos cinco acusados de envolvimento na ação também foram baleados. Até agora, ninguém foi capturado.”

(O POVO Online)

PF ouvirá Erenice Guerra e Amaury Ribeiro

“A seis dias da eleição presidencial, a tensão da campanha se transfere hoje de manhã para a Polícia Federal (PF), em Brasília, onde dois personagens ligados à campanha de Dilma Rousseff (PT) – a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o jornalista Amaury Ribeiro Jr. – darão depoimentos, em inquéritos separados.

Erenice será a primeira a ser ouvida. Terá de explicar, em inquérito comandado pelo delegado Roberval Ricalvi, se tinha conhecimento das irregularidades praticadas por seus filhos Israel e Saulo Guerra, na intermediação de negócios entre empresas privadas e estatais – escândalo que atingiu fortemente a campanha da candidata petista e levou a ministra a perder o cargo no dia 16 de setembro.

Ribeiro Jr. será inquirido em seguida por outro delegado, Hugo Uruguai, sobre a violação do sigilo fiscal de vários dirigentes do PSDB, entre eles o vice-presidente executivo do partido, Eduardo Jorge, e Verônica Serra, filha do candidato tucano José Serra. O jornalista é suspeito de ter encomendado e pago, a terceiros, a invasão desses sigilos em computadores da Receita Federal em Mauá e Santo André, no ABC paulista. Ele nega as acusações.

Os depoimentos se seguem, também, a denúncias divulgadas no final de semana, pela revista Veja, de que altas figuras do Planalto fariam pressão, em áreas do Ministério da Justiça, para que fossem produzidos dossiês contra adversários políticos do governo.”

(Agência Estado)

Congresso Nacional compra polêmicos rolos de fita adesiva

“Os destaques de compras desta semana começam na papelaria do Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados foi um dos poucos órgãos a comprar fitas adesivas nesta semana em que, no universo dos presidenciáveis, o material de escritório foi chamado até de “objeto voador não identificado”. Foram 30 rolos da fita, adquiridos ao preço de R$ 12 cada.

O Senado também pediu seis peças do item polêmico, mas por um preço um pouco menor – R$ 9,9 a unidade.

Já que o documento de empenho não descreve a finalidade exata do material, prevalece a funcionalidade habitual.”

(Site Contas Abetas)

DETALHE – Uma bolinha feita de fita adesiva atingiu a cabeça do candidato a presidente da República pelo PSDB, José Serrra, na última semana.

MPs são 45% de tudo que a Câmara aprova

“O domínio do Executivo sobre a Câmara se reflete nas votações realizadas pela Casa nos quatro anos da atual legislatura, que termina no fim de janeiro. Quase metade dos projetos aprovados nesse período foram MPs (medidas provisórias), que só podem ser apresentadas pelo presidente. Levantamento feito pela Folha mostra que as MPs representam 45% dos projetos aprovados pelo plenário da Câmara de 2007 até hoje, sem considerar matérias de ordem administrativa do Congresso, acordos e mensagens do Executivo.

Outras 12 MPs aguardam para entrar na pauta do plenário, que só retomará atividades após o segundo turno. O presidente prioriza as MPs porque elas entram em vigor a partir do momento em que são editadas. Para propô-las, o chefe do Executivo deve, em tese, justificar a urgência e a relevância daquela lei, o que não ocorre. O Executivo também pode remeter ao Congresso projetos de lei. A diferença é que as MPs têm prioridade na votação porque paralisam a análise de outras matérias 45 dias após chegarem à Casa.”

 (Folha Online)

Presidente do Sinduscon/CE disputará reeleição

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), Roberto Sérgio, é candidato à reeleição. Ele diz que tomou essa decisão incentivado por segmentos da área que avaliam como positiva sua gestão, principalmente na luta que empreende para tirar o “Programa Minha Casa, Minha Vida” do governo federal, do papel no Estado. 

A tendência é um pleito de chapa única.. O pleito foi marcado para o dia 4 de novembro.

Dilma lançará programa de governo

“A presidenciável Dilma Rousseff (PT) vai oficializar nesta segunda-feira, em São Paulo, seu programa de governo, chamado de “Os 13 Compromissos Programáticos de Dilma Rousseff para Debate na Sociedade Brasileira”.

O texto traz propostas genéricas, críticas ao discurso do tucano José Serra, além de promessas indiretas para se defender da polêmica do aborto e também de outros pontos sensíveis ao PT –como o controle social da mídia–, que foram contemplados nas duas versões anteriores protocoladas na Justiça Eleitoral.

A informação foi confirmada pelo coordenador do programa e assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. A coordenação da campanha ainda faz os últimos ajustes na proposta.”

(Folha.com)

Feliz aniversário, Fagner!

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O cantor e compositor cearense Raimundo Fagner completou 61 anos de vida no último dia 13. Vários fãs não se esqueceram da data. O professor Fernando Machado Albuquerque, de Coreaú, nos mandou mensagem com o título “Simplesmente, Fagner” exaltando o artista. Confira:

Quero, com essa prosa-poética, prestar-lhe uma singela homenagem, como forma de parabenizá-lo e, principalmente, claro, reverenciá-lo, porquanto se trata de um dos maiores cantores e compositores vivos do Ceará. Desse nosso Ceará arretado, celeiro de personagens ilustres nas mais diversas searas do conhecimento humano.

Traduzir Fagner é uma obrigação “porque eu sou cearense, porque sou brasileiro/sou apaixonado pelo meu lugar/eu trago no peito um amor verdadeiro/eu sou da Terra da Luz, eu sou do Ceará!”.

Desde a adolescência, aprendi a ouvir Fagner. Fui amadurecendo e, com a maturidade, descobri nele o prazer de desvendar algo sobre o existencialismo humano, muito embora outro poeta cearense, ou melhor, outro titã de nossa poesia – no caso, Francisco Carvalho, tenha afirmado que “é preciso reconhecer que a poesia é hoje um teatro sem platéia, uma ribalta às moscas.”

Talvez Francisco Carvalho quais dizer que predominam na atualidade composições musicais sem letra, formando uma imensa babel, com trocadilhos de gosto duvidoso. Todavia passam rápido como nuvens de verão. Já a palavra trabalhada, a linguagem carregada de elementos figurativos, com significações várias, presente constantemente em Fagner, representa arte literária, de conteúdo perene, para ser lida, cantada e ouvida em qualquer época.

Só quem ama, como disse Bilac, é capaz de ouvir e entender as estrelas. Quem curte poesia pura, de qualidade, conversa com Deus, com o cosmos, com o infinito e navega por mares nunca dantes navegados, sem nunca ter perdido o senso. 

Que Fagner saiba que ele representa, para o Brasil, e, sobretudo, para nós do Ceará, uma árvore abundante, cujos frutos são saboreados toda vez que escutamos, detidamente, sua voz maviosa.

* FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE,  

Analista Judiciário Adjunto, professor e acadêmico de Direito. E fã.

STF pode por fim na 4ª feira à questão da validade da Ficha Limpa

“Esta semana, na quarta-feira, enfim o Supremo Tribunal Federal  deve colocar um ponto final na questão da validade da Lei do Ficha Limpa.

É quando será julgado o recurso do senador eleito Jader Barbalho (PMDB) contra a impugnação de sua candidatura pelo TRE do Pará,com base nesta lei.

Em tempo: no julgamento do recurso do ex-governador de Brasília Joaquim Roriz, a votação entre os ministros do STF terminou empatada e, por conta da indecisão jurídica, Roriz desistiu de sua candidatura.

Ou seja, o natural seria novo empate na votação do caso Jader. Mas é opinião unânime entre entre os ministros que o impasse valeu um grande desgaste para o Tribunal.

Daí a certeza entre juristas de que o presidente do STF, Cezar Peluso, não teria marcado a sessão se os ministros já não tivessem encontrado uma solução para o problema.”

(Último Segundo)

Pedro Fiúza comandará PSDB de Fortaleza

O empresário Pedro Fiúza, que foi vice na chapa de governador do tucano Marcos Cals, será o novo presidente do PSDB de Fortaleza. A informação é dada por ele, acrescentando que seu objetivo é oxigenar a legenda na Capital e prepará-la para o embate eleitoral de 2012. Atualmente, esse comando está sem titular depois que a ex-deputada estadual Tânia Gurgel saiu, alegando problemas de relação com o então dirigente Carlos Matos.

Pedro Fiúza espera ganhar assim maior visibilidade política, dentro da estratégia acertada pela cúpula estadual tucana de apostar na formação de novas lideranças e trabalhar nomes que possam ter condições de competir eleitoralmente. Fiúza, no entanto, não se define como postulante à Prefeitura.

Após Ceará, mais três Estados querem criar conselhos de comunicação

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“Pelo menos mais três Estados se preparam para criar conselhos de comunicação com o objetivo de monitorar a mídia, a exemplo do já ocorrido no Ceará, informa reportagem de Elvira Lobato, publicada nesta segunda-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

O governo de Alagoas, do PSDB, estuda transformar um conselho consultivo em deliberativo, com poder semelhante ao do cearense.

No Piauí, um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) propôs a criação de órgão para, entre outras funções, vigiar o cumprimento das regras de radiodifusão.
Na Bahia, governada pelo PT, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado.

Nos três casos, há envolvimento do Executivo. Em São Paulo, tramita projeto similar ao do Ceará. A criação dos conselhos foi recomendação da Conferência Nacional de Comunicação, convocada pela gestão Lula.

Entidades da área criticam as iniciativas. A Abert (do setor de rádio e TV) teme a simulação de “clamor para justificar” o controle social sobre a mídia pelo governo federal.”

(Folha Online)

Carro da Arquidiocese de Fortaleza envolve-se em acidente com vítima na BR-222. Padre é encontrado morto

Um acidente envolvendo um carro da marca Gol (NUS-9131) pertencente à Arquidiocese de Fortaleza, foi registrado nesta madrugada de segunda-feira, na BR 222, quilômetro 77, no município de São Luís do Curu.

O motorista, um senhor gordo, cabelos grisalhos e aparentando entre 50 e 60 anos, foi encontrado morto dentro do carro com vários ferimentos, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

O carro estava fora da pista e abalroado numa cerca de madeira de uma casa, segundo a policia Rodoviaria Federal, que aguarda a chegada do rabecão.

ATUALIZAÇÃO – Segundo a Polícia Rodoviária Federal e a Arquidiocese, no carro está o corpo do padre Josenir, da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, situada no bairro Alto Alegre, em Fortaleza.

Adauto Bezerra lamenta derrota de Tasso

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A política, os políticos principalmente, ainda tratam Adauto Bezerra como indispensável às suas necessidades. Alguns bajulam mesmo, de acordo com a demanda. Batem na porta, apertam sua mão ou o assediam para pedir apoio ou dinheiro mesmo. Não foi nesta última eleição que isso deixou de acontecer. Na anterior para a sucessão estadual, isso também se deu. Leia a entrevista que você saberá dos personagens. Aos 84 anos, com vários mandatos de deputado estadual, federal e 35 anos após ter assumido como governador do Ceará, o coronel continua poderoso.

Nestas Páginas Azuis, Adauto comenta pela primeira vez publicamente como é ver Tasso Jereissati ser sucedido politicamente – ou, ao pé da letra, assisti-lo perder uma eleição. Senador até dezembro próximo, Tasso derrotou o coronel na acirrada campanha de 1986 ao governo do Estado. “Tasso não é um homem para voltar a ser enclausurado. (…) Acho que não era a hora da substituição dele”.

O coronel confessa não ter ligado para ele após o desfecho das urnas para não parecer desforra. “Não telefonei porque poderia até pensar ‘o Adauto me telefonar na hora da minha derrota?’, ‘será que é vingança do Adauto dizer isso, porque eu o derrotei?’. Não se trata disso. Foi grande governador, grande senador”.

Adauto admite que nunca esqueceu a pecha que ganhou 24 anos atrás, “força do atraso”, dada pelos adversários. Não usou a palavra vingança, mas confessou numa resposta curta: “Eu aguardei”. Em seguida, relata o pedido feito pessoalmente em seu apartamento por Ciro Gomes – “o mais cáustico” na época, segundo descreve. Era para que o coronel declarasse apoio ao irmão dele, Cid, quando saiu eleito ao governo, em 2006.

A rotina de Adauto hoje é ocupada de voluntarismo, negócios e família. Às 7h30min, abre seu expediente como mordomo (gestor das contas) da Santa Casa de Fortaleza. Vangloria-se hoje de ter “compromissos a pagar, mas dívidas atrasadas, nenhum centavo”. Nos fins de semana, ajuda jovens dependentes de drogas no Eusébio.

Também não deixa de ir ao seu Bic Banco diariamente, despachar, atender pedidos de dinheiro e favores ou ler. Quando a equipe do O POVO chegou, meia hora atrasada por causa de engarrafamentos, Adauto folheava, pelo meio, a biografia do jornalista cearense Lira Neto sobre o Padre Cícero. “Tenho que conhecer o homem, né? Eu o vi morto”. O Padim era amigo de seus pais.

Pela disposição de Adauto em falar – sobre brigas de Virgílio com o ex-governador Gonzaga Mota, sobre sua saúde e de quando fez o testamento num leito cirúrgico, sobre os filhos, sobre violência, a morte de sua sobrinha no Paraguai – sobre muita coisa, é recomendável ler a íntegra da entrevista no portal O POVO Online (www.opovo.com.br).

O POVO – Vamos começar a entrevista já falando sobre o senador Tasso Jereissati?

Adauto Bezerra – Eu poderia dar uma ideia? Por que não começamos lá do passado?

OP – Claro. Pois por qual parte o senhor quer começar?

Adauto – Comecei minha vida pública quando fui eleito pela primeira vez em 1958.

OP – Qual era o partido?

Adauto – UDN (União Democrática Nacional). Aí vieram os governos Parsifal Barroso, Virgílio Távora, Plácido Castelo, veio César Cals, o Adauto Bezerra, Virgílio de novo, Gonzaga Mota…

OP – Aí veio a eleição que o senhor disputou com o Tasso, em 1986.

Adauto – Lembro que quando saí do governo fui deputado federal. Vim ser vice do “Totó” (ex-governador Gonzaga Mota, 1983-1987).

OP – Como o senhor virou político?

Adauto – No meu caso, foi um acaso. Eu era tenente e meu irmão Humberto também. Servíamos em Recife. A campanha era a de 1954. Meu pai foi vereador, presidente da Câmara de Juazeiro do Norte. O candidato à época era meu padrinho José Geraldo da Cruz. Em maio, plena campanha, meu pai teve um infarto. Foi fulminante, ele morreu. Daí, o Zé Geraldo, que era o prefeito, estava em Recife e foi à minha procura e do Humberto. “Perdi a minha campanha, meu compadre acaba de morrer e não tenho mais pra onde sair. Talvez tenha até que desistir”. Eu e Humberto conversamos: “vamos honrar o compromisso do pai”. A vitória foi maravilhosa. Como éramos gêmeos, viramos “Os Bezerras”, “Os meninos”, “Os tenentes” que ganharam a eleição. Aí começou o nome a entrar na onda da especulação.

OP – Quantos anos tinha?

Adauto – 28 anos. Era primeiro tenente. O Zé Geraldo, eleito prefeito e empossado, venho transferido para Fortaleza e ele me pediu para ajudar e eu ser o ponto de contato dele (em Fortaleza) para a prefeitura. No final disse “meu afilhado, você vai ser deputado. Juazeiro não tem deputado”. Já tinha sido promovido a capitão, 29 anos, meu nome cresceu na cidade. Não tinha experiência. Pra surpresa minha fui o mais votado de Juazeiro.

OP – A que o senhor atribui ter sido o mais votado?

Adauto – Meu pai. “É o filho do Zé Bezerra”. Comprei um Jeep 1954. Rodei todo o Cariri, distrito por distrito, só voltava à noite. Geralmente ia fardadinho. O Jeep parava, eu ficava em pé. Daqui a pouco tinha 20 pessoas e eu dava o recado. A UDN elegeu 16 e fui o oitavo mais votado. Na segunda eleição, já fui o mais votado do Estado. Na terceira, mais votado. Na quarta, o mais votado. Na escolha para governador, veio o Petrônio Portela (político piauiense) sondar quais seriam os melhores candidatos para levar ao presidente Geisel. Era 1974. Fui escolhido. A comunicação foi por telefone.

OP – A comparação pode parecer esdrúxula, mas o senhor vê alguma semelhança na carreira política dos irmãos Adauto e Humberto e dos irmãos Cid e Ciro?

Adauto – Pode até parecer. É que eu e o Humberto somos iguais em tudo. Às vezes, num almoço, eu com meu prato e ele afastado, quando terminamos, o que estava no meu prato estava no dele. Somos irmãos quase siameses. Eles às vezes distoam. Você não vê que o Ciro é mais língua solta? Ao passo que o Cid é calmo, tranquilo, sereno, ouve muito, fala pouco. É o comportamento de cada um.

OP – Qual é a sensação de perder uma eleição?

Adauto – Sempre tive uma vida pensando no melhor e também no pior. Sabendo subir a escada degrau por degrau, e sabendo que depois do último degrau você tem que descer. Tem que saber a hora certa. Quando não sabe, o próprio tempo se encarrega de dizer. Tive 32 anos de mandato, deputado federal, estadual, governador e vice-governador. Dei a minha cota. Outro veio. Veio o Tasso. E faço justiça: até a minha época, a política era mais de clientelismo.

OP – O senhor aceita a crítica?

Adauto – Eu fiz, fiz. É autocrítica. Vamos raciocinar. Você é um prefeito, mora a 400 km de Fortaleza e quer falar com o governador. É barrado, não entra. Nunca fiz isso, mandava entrar. Podia atrasar, ficava esperando, mas atendia. E todos pediam um empregozinho. Era a professora, o delegado, servente, vigia, essas coisas. O Tasso fez uma inovação. “Sou administrador, cada prefeito cuide de sua administração e eu vou fazer a minha”. Ficou meio distante, se isolou. Vamos reconhecer, ele foi um bom governador, um bom senador. Não posso deixar de reconhecer.

OP – O senhor votou nele?

Adauto – A minha idade… (Risos) Eu fui dispensado.

OP – Era o momento de Tasso ter sido alijado de um cargo público?

Adauto – Não. Acho que ele é muito jovem para dizer “vou desistir, não quero mais, vou cuidar dos meus netos”. Eu não diria isso. Ele pode aparecer de novo na crista da onda e voltar a ser governador, senador. Pra que dizer isso?

OP – O senhor acha que ele disse isso por mágoa?

Adauto – Ele começou com 60 e poucos por cento e caiu, seguiu numa linha de descida. Ele sempre foi muito ligado aos Ferreira Gomes. E no final os dois não votaram nele. Deve ter ficado com algum ressentimento. O próprio Lúcio também, poderia estar unido. Mas isso é um direito de todos. Ninguém quer ficar subordinado a vida inteira. Quer autonomia. Isso é natural de toda atividade.

OP – O Tasso perdeu para o Lula?

Adauto – Foi.

OP – É histórico na política do Ceará quando o Gonzaga Mota passa para o outro lado e resolve apoiar Tasso. Seria similar a hoje?

Adauto – Eu era o vice-governador e disse muitas vezes “Gonzaga Mota, você é governador porque o Virgílio indicou seu nome. A força era dele”. “Mas Adauto, eu quero ter meu partido, quero ser um chefe político também”. “É um direito seu, mas não dá para você conviver sem rompimento?”. “Mas o Virgílio não me dá espaço”. “Fique à vontade, eu fico com o Virgílio porque comecei com ele e vou começar com ele”. “Mas Adauto, poderíamos ficar nós dois”. “Não, se você quiser ficar, vamos ficar os três”. Ele dizia: “faço todo acordo com você, não quero é com o Virgílio no meio”. “Então você não me terá porque não vou abandonar o Virgílio”. Meu pai começou com o pai do Virgílio, comecei com o Virgílio, por que eu iria largar esse homem? Não havia perigo.

OP – Que leitura o senhor faz desse cenário, onde está se consolidando um grupo muito forte politicamente, o dos Ferreira Gomes?

Adauto – O pessoal diz que o ciclo de poder não ultrapassa 20 anos. Quando se chega aos 20 anos de poder, tem 20 de realizações. Não passou 20 anos de graça, porque foi julgado 20 anos. Aí chegou a época de não ser mais reeleito. Acabou? Não. As obras vão falar. Tasso não é um homem para voltar a ser enclausurado. O que faltou? Comunicação.

OP – O senhor chegou a manter contato com o Tasso?

Adauto – Não telefonei porque poderia pensar “o Adauto me telefonar na hora da minha derrota?”, “será que é vingança do Adauto dizer isso, porque eu o derrotei?”. Não se trata disso. Olha o que falei, grande governador, grande senador. Acho que não era a hora da substituição dele. Ele ainda tem muito o que fazer. Chegou a hora de descer a escada.

OP – E o que o senhor acha dos novos senadores?

Adauto – Peço a Deus que eles (José Pimentel e Eunício Oliveira, eleitos) se comportem muito bem, que pelo menos cheguem ao que o Tasso chegou, por ter representado muito bem o Estado. E o Cid, digo a vocês, ninguém melhor do que ele para governar o Estado atualmente.

OP – Se o senhor tivesse votado nessa eleição, teria sido nele?

Adauto – Com toda certeza. Quer ver o telegrama que mandei pra ele? (Pede à secretária o telegrama. Quando o gravador é religado, começa contando uma história ocorrida em sua sala). Veio um deputado aqui, tive pena dele. Ô baixinho pra trabalhar.

OP – Quem é?

Adauto – Heitor Férrer (deputado estadual reeleito, do PDT). Esse rapaz chegou aqui com um pacotinho de santinhos na mão. Um por um, entregando. “Mas Heitor, o que é isso?”. “Minha campanha é essa, não tenho dinheiro, não tenho nada. Tudo que consegui até agora foram R$ 12 mil”. Aí dei uma ajuda pra ele. Esse menino pulou (levanta as mãos), “coronel, o senhor me salvou”. É um rapaz sério, bom deputado. É de oposição, mas não é por oposição. Dá o fato.

OP – Quem mais o senhor ajudou?

Adauto – Meu sobrinho José Arnon (deputado federal reeleito, do PTB).

OP – O Cid veio pedir ajuda?

Adauto – Não.

OP – O Lúcio Alcântara veio?

Adauto – Estou meio distante dele. Não veio, não.

OP – Marcos Cals apareceu?

Adauto – Quero muito bem àquele rapaz. Deveria ter sido preparado para ser o candidato, mas o pegaram de última hora e jogaram dentro do rio que só tinha piranha. (Exibe o telegrama enviado a três candidatos e pede que seja lido).

OP – (O primeiro foi para Cid Gomes) “Sua reeleição é fruto de um trabalho feito com inteligência, espírito público, honestidade e competência. Parabéns”. (O segundo foi para Heitor Férrer) “Mais uma vez seu trabalho é reconhecido pelo povo que você representa com seriedade, espírito público, honestidade e competência. Parabéns”. (O terceiro, para Tin Gomes, vice-prefeito de Fortaleza, eleito deputado estadual, do PHS). “Faço votos que seu espelho na Assembleia seja meu grande amigo João Frederico”.

Adauto – Era o pai dele, foi meu colega deputado e era um grande deputado. É isso. Puxei saco de alguém aqui?

OP – Quando foi acusado de fazer parte das “forças do atraso” (em 1986), como se sentiu?

Adauto – O Ciro era o mais cáustico sobre isso. O Tasso também usou. Eu aguardei…

OP – Preferiu ouvir calado?

Adauto – Eu aguardei… (faz uma pausa) e esperei o tempo passar. Mas um dia, lá no meu apartamento, chega o Ciro. Foi pedir para eu fazer parte do apoio ao irmão dele, o Cid. “Vou apoiar”. Na primeira eleição do Cid (ao governo estadual, em 2006).

OP – Qual foi sua reação?

Adauto – “Vou apoiar, vou trabalhar. Rapaz muito bom”. E trabalhei muito (principalmente na região do Cariri). Não guardo ressentimento de nada. A vida é curta, você tem que pensar no melhor, fazer o bem. Vou ficar com rancor e ódio? Aquilo faz mal a mim.

OP – O senhor deixou de ajudar quem o criticou?

Adauto – Nunca entrou uma pessoa aqui para dizer “coronel, me dê uma ajuda para comprar um remédio” e eu não dar. Quer saber quantas pessoas eu abasteço com remédio? (Volta a chamar a secretária). Chega doente, pra fazer cirurgia, comprar remédio, mas eu dou o remédio. Não dou o dinheiro. Chegam pessoas que todo mês a gente dá remédio pra elas. (Pergunta para sua secretária, Tercimar) É você que compra?

Tercimar – Sou eu que compro. E o senhor que paga (risos).

Adauto – Tem um bocado.

Tercimar – No mínimo quatro semanalmente.

Adauto – Tem até mulher de deputado. É mensalidade mesmo. Porque se a gente não der, morrem. Todos são casos de câncer.

Tercimar – Vêm pedidos de ajuda, de gás, passagens…

OP – Parece que o senhor ainda não deixou de ser governador?

Adauto – (Risos) Não. A minha sala é cheia toda vida?

Tercimar – Constantemente. Agenda, então, lotada.

OP – Quando o senhor encontrou com o Ciro, lembrou a ele que tinha sido chamado de força do atraso? Ele pediu desculpas?

Adauto – Não, nunca pediu desculpas. Para mim o assunto nunca existiu. O assunto que ele levou lá era eu apoiar o irmão dele.

OP – Em algum momento teve vontade de revidar?

Adauto – A única coisa que eu e meu irmão temos um pouco de diferença é o temperamento. Ele me chama de “irmã Paula”, porque tudo que vem aqui eu procuro ajudar. Ele não. Eu não fui atrás dele, ele veio à minha procura.

OP – Como avalia o governo Lúcio?

Adauto – O Lúcio? (Pausa) É o seguinte: o Lúcio é inteligente. Como senador, bem melhor que como governador. Porque governador tem que ter decisão. Certo ou errado, quem decide é o governador. O Lúcio é mais “vamos deixar, vamos ver, se for possível a gente faz”. Não é meu sistema.

OP – E a Era Lula?

Adauto – O Lula foi e é um bom presidente. O Lula fez a estabilidade econômica do País. O Lula fez com que o empresário pudesse trabalhar com mais tranquilidade. Os bancos do Nordeste e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) puderam injetar mais recursos gerando mais riqueza e mais emprego. Ninguém pode negar, foi um bom presidente.

OP – Quais são seus afazeres, normalmente?

Adauto – Às sete e meia estou na Santa Casa. Às 9h30min aqui (no Bic Banco). Saio ao meio-dia. Vou pra casa almoçar. Às duas, volto e dou o segundo expediente aqui. Às cinco e meia, a massagista vai lá ou vou na academia. Ou então vou caminhar.

OP – Na Beira Mar?

Adauto – Beira Mar. Mas não levo segurança comigo, não.

OP – Vai só?

Adauto – Vou. Quem quiser pegar um velho de 84 anos pode vir. Não vou correr (risos). Só vou pedir “não precisa bater, o que você quer…”.

OP – O senhor não tem medo de ser sequestrado?

Adauto – Eu? De jeito nenhum. Não adianta, querendo sequestrar não há quem evite.

OP – Coronel, tenho curiosidade num assunto bastante delicado para sua família.

Adauto – Não, tudo bem.

OP – É a sobre a morte de sua sobrinha Ana Amélia (assassinada no Paraguai, em agosto de 2002). O episódio foi fatalidade, tentativa de sequestro? Houve algo mais além do que veio a público?

Adauto – As Polícias do Paraguai e daqui apuraram. Mas chegaram à conclusão que quiseram parar o carro para roubar. Tentativa de assalto. Quando meteram o tiro, era para o carro parar e fazer o assalto, mas acertou a menina.

OP – Aceitaram como fatalidade?

Adauto – Fatalidade.

OP – A família contratou alguém para investigar lá?

Adauto – Se tem sabido quem era, cabôco tinha morrido. Tinha. Trazia pra cá, ia fazer o enterro bonito dele.

OP – Chegaram a dizer alguma vez que o senhor estava em lista de sequestrável?

Adauto – Eu? (risos) A Polícia Federal pegou uma gravação entre pistoleiros. Um dizia pro outro: “Ninguém vai se meter com os coronéis. Porque eles são bons e não tem problema nenhum. Ninguém pode mexer lá com eles”. Foi a notícia que me chegou.

OP – Alguém pensou em sequestro, mas outro descartou logo.

Adauto – Sou muito amigo do Mainha (Ildefonso Maia Cunha, condenado por homicídios no Ceará, que hoje cumpre pena em regime aberto). Muito amigo não, conheço o Mainha. Nos apertos ele vem aqui. Ou vai em Guaramiranga. Não é muito melhor se ter uma fonte de informação como o Mainha do que ter um inimigo como o Mainha? Sabe como ele se identifica (à secretária)? Professor Diógenes.

OP – Como compara a criação de seus primeiros filhos e do filho mais novo, de nove anos?

Adauto – Os mais antigos, eu cometi um erro grande, porque me dediquei demais à política e esqueci um pouco a criação deles. Com esse agora, não. Ele é muito ligado a mim. Ele viajou e, para cada dia, deixou uma mensagem pra mim. No café da manhã está lá a mensagem dele. Não é bom?

OP – O senhor se sente bem tendo sido pai já na terceira idade?

Adauto – É um atestado vivo que tenho para mostrar que ainda estou firme (risos).

OP – O senhor bebe ou fuma?

Adauto – Não bebo nem fumo. A gente vai levando, o tempo passando, não sinto nada. Quase morri. Fiz uma cirurgia, aí tive medo.

OP – Cirurgia de quê?

Adauto – Fui às bodas de ouro do Ivens Dias Branco (empresário). Ele lá serviu um vinho muito bom. Eu talvez tenha exagerado. Fui dormir, duas da manhã acordei com isso (descreve uma palpitação cardíaca mais acelerada). “Silvana (esposa), abra a janela, não tô me sentindo bem. Ligue para o doutor Cabeto” (cardiologista Carlos Roberto Martins Rodrigues). Ele disse que eu tinha o átrio muito acelerado, “vai ficar na UTI. Está 98% entupido no braço direito e 75% no esquerdo. O senhor não pode mais sair do hospital”.

OP – Quando foi isso?

Adauto – Há dois anos. No dia 16 de outubro. “Vai ter que operar”. Eu disse: “Cabeto, vamos pra São Paulo?”. Ele falou que eu não podia sair daqui porque na viagem de avião, eu não suportaria. Nesse período de espera você apavora um pouco. Aí eu disse “Cabeto, eu queria ir lá em casa, escrever. Queria fazer um testamento”. “Não tem problema, chama o cartório”.

OP – Teve medo de morrer?

Adauto – Ora, mas… Foi o (pessoal do) Cartório Machado. Chegou lá, eu disse o que queria. Botei uma (ponte) mamária e uma safena.

OP – O que a gente não perguntou que o senhor acha que deveria ter sido perguntado?

Adauto – Esta é uma pergunta muito boa (risos). O que eu me esqueci? (mais risos) Olha, a vida é muito curta. Você pensa que 84 anos… eles se passaram sem eu sentir que passaram. E o que me resta é muito pouco, então… olhe para o vizinho, veja o que pode estar faltando, dê uma ajuda. Se ele caiu, dê a mão. Humildade. Ninguém pode ser arrogante, prepotente. Porque as coisas acontecem. Quando você menos espera pode estar em cima de uma cama, desenganado, a qualquer hora pode desaparecer e o que você leva? Será que leva? A vida termina aqui? E a outra? Fernando Pessoa já dizia: A vida é uma grande reta, mas lá na frente é uma curva. O corpo fica na curva e o espírito continua. Para onde é que vai?

OP – O senhor tem medo de viajar nessa curva?

Adauto – Não tenho porque sei que tenho que ir mesmo. O que peço a Deus é para não ser aquele doente prostrado, que viva na mão dos outros, dando trabalho. Se for, acabou. Às vezes eu penso em ser cremado, não sei pra quê enterro.

PERFIL

José Adauto Bezerra nasceu em 3 de junho de 1926, em Juazeiro do Norte, 20 minutos depois do irmão gêmeo Humberto. Ambos seguiram carreira militar e, de volta ao Ceará, entraram na política. Adauto foi deputado estadual (1958-1975). Foi indicado governador pelo presidente Geisel (1975-1978). Formou a tríade dos coronéis-governadores, com Virgílio Távora e César Cals. Foi deputado federal (1979-1982) e vice na chapa com o governador Gonzaga Mota. Em 1986, perdeu a disputa ao governo para Tasso Jereissati. Na era Collor, presidiu a Sudene (1990-1991).  política, os políticos principalmente, ainda tratam Adauto Bezerra como indispensável às suas necessidades. Alguns bajulam mesmo, de acordo com a demanda. Batem na porta, apertam sua mão ou o assediam para pedir apoio ou dinheiro mesmo. Não foi nesta última eleição que isso deixou de acontecer. Na anterior para a sucessão estadual, isso também se deu. Leia a entrevista que você saberá dos personagens. Aos 84 anos, com vários mandatos de deputado estadual, federal e 35 anos após ter assumido como governador do Ceará, o coronel continua poderoso.

(O POVO)