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Real volta a se desvalorizar por causa de eleições

As primeiras pesquisas eleitorais depois do registro das candidaturas à Presidência da República geraram turbulência no mercado financeiro na última semana. O dólar comercial fechou a semana cotado a R$ 4,104 na venda com alta acumulada de 4,85%. É a terceira semana consecutiva que a moeda norte-americana sobe frente ao real, chegando a patamares de novembro de 2016, quando a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos havia provocado uma tensão na economia mundial.

Uma desvalorização expressiva do real frente ao dólar tendo como principal causa as eleições era algo que não ocorria desde o pleito de 2002, vencido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), que governou o país até 2010.

“Em 2002, foi a última vez que o dólar se valorizou fortemente frente ao real em decorrência das eleições, mas os efeitos daquela época foram bem piores”, afirma Fábio Bentes, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Para ele, se trouxesse a desvalorização de 16 anos atrás para os dias atuais, o dólar estaria valendo cerca de R$ 7. “A desvalorização é bem menor no atual ciclo eleitoral do que em 2002”, pontua.

O economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec, Alexandre Espírito Santo, explicou que há uma tendência de valorização mundial do dólar, mas “o pulo dos últimos dias é por conta da apreensão em relação ao processo eleitoral”. A incerteza eleitoral também está pressionando a taxa de juros, que, num cenário pessimista, poderia voltar a subir antes do previsto. Atualmente, a Selic está em 6,5% ao ano e a previsão do mercado financeiro, na pesquisa do BC, era que voltasse a subir somente em 2019, fechando período em 8% ao ano.

“Esse estresse do mercado está associado a essa expectativa do novo presidente. Esse quadro de apreensão é natural e vai permanecer. Está um pouquinho mais estressado do que em outras eleições. Tudo isso juntando com o cenário externo menos amigável”, disse Espírito Santo. O mercado externo enfrenta as turbulências da crise comercial entre Estados Unidos e China.

O professor Fernando Botelho, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), da Universidade de São Paulo (USP), Botelho não acredita que esse movimento especulativo do mercado possa interferir nas eleições. “Tem pouco efeito. O eleitor brasileiro, uma boa parte dele, não vai ser imediatamente afetado por esse aumento no dólar (…); não imagino que a inflação vá aumentar significativamente nos próximos dias”, avaliou.

Segundo ele, há um clima de muito expectativa em relação ao próximo presidente. “A situação do Brasil é muito frágil, muito sensível, espera-se muito que o presidente eleito dê conta de diversos problemas começando já em janeiro. Infelizmente não se tem muito essa perspectiva”, diz o professor, que é favorável às reformas como a da Previdência.

(Agência Brasil)

Brasil vai optar pela ilegalidade?

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(Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (26):

A semana terminou com o Congresso Nacional reafirmando, através de nota pública, assinada por seu presidente Eunício Oliveira (que também preside Senado Federal), que está em pleno vigor no Brasil o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e de seus Protocolos Facultativos, assinados na ONU em 16 de dezembro de 1966 e reiterado pelo Decreto Legislativo nº 311, de 2009, que o tornou lei brasileira. Só resta agora ao Judiciário cumprir o acordo.

Passada uma semana da comunicação feita ao Brasil pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU (órgão encarregado de fiscalizar a aplicação do tratado) de que concedeu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liminar para que ele possa concorrer às eleições presidenciais como candidato do PT, a determinação ainda não foi cumprida pela Justiça. Aumenta a pressão internacional para que o faça. Afinal, a liminar está fundada no art. 25 do Pacto firmado soberanamente pelo País.

A legislação permite ao Comitê ouvir denúncias individuais de quem se sentir eventualmente prejudicado em seus direitos pelo Estado brasileiro, depois de ter esgotado os meios internos para corrigir a suposta injustiça, e apresente indícios convincentes das irregularidades alegadas.

Aceito, o caso passa, então, a ser examinado pelo Comitê. No fim, a sentença é comunicada ao Estado brasileiro, e este é obrigado a acatá-la.Art. 5º. § 3º CF: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”. Mais: têm o status de leis supralegais, isto é, estão acima das leis infraconstitucionais (ordinárias) vigentes. No caso concreto, está acima da Lei da Ficha Limpa.

Quando Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão, por “fato indeterminado” (o apartamento alegado não era dele, a própria OAS o leiloou, recentemente, para pagar dívidas com terceiros), a sentença foi examinada e rechaçada por mais de uma centena de juristas. Mesmo assim, foi reiterada pela 2ª instância (TFR-4) e aumentada para 12 anos e 1 mês, depois de o processo passar na frente de uma fila enorme, e todos os prazos terem sido encurtados, numa seletividade escandalosa. Antes, os advogados da defesa denunciaram ao TRF-4 um amontoado de ilegalidades de Moro: vazamentos de documentos e de delações premiadas, condução coercitiva e escutas telefônicas ilegais; falta de isenção do juiz, que assumiu o lado da acusação (chegando a ir a lançamento de livros e até a uma estreia de um filme com a versão da acusação e outras irregularidades. A resposta dada pelo TRF-4 foi a de que, diante de fatos extraordinários, os meios tinham de ser extraordinários – naturalizando a exceção.

Constatando manobras escancaradas, até no STF, a defesa recorreu ao Pacto de Direitos Civis e Políticos da ONU, alegando perseguição (lawfare) por parte da Justiça e do Estado brasileiros. Diante de indícios consistentes, o Comitê acolheu o caso e iniciou o exame de todo o processo. A última denúncia foi a recusa de se cumprir um mandado judicial de um desembargador a favor do sentenciado.Em maio passado, diante da iminência da prisão de Lula, a defesa pediu uma cautelar para evitar a detenção.

O Comitê negou-a, alegando que naquele momento não havia ameaça de “dano irreparável”. E continuou o exame do processo. Os adversários do apenado comemoraram a decisão e ninguém insultou o órgão chamando-o de “comitezinho”, ou “sub do sub”, como o fez o ministro Alexandre de Moraes, agora.Em julho passado, diante de novo pedido da defesa para que o ex-presidente fosse solto para participar das eleições como candidato (já que seus direitos políticos estão intactos), o Comitê recusou o pedido de soltura (alegando não ter ainda concluído o estudo do processo), mas concedeu liminar para os outros dois pedidos: 1) concorrer às eleições, mesmo preso, fazendo campanha, em pé de igualdade, com os demais candidatos; 2) ter contato permanente com membros de seu partido. A justificativa é a de que ele sofreria “dano irreparável” se não exercesse o seu direito de concorrer e, passadas as eleições, fosse inocentado no processo em exame. A decisão foi comunicada ao Estado brasileiro para que fosse implementada, pois tem caráter vinculante (obrigatório).

O Protocolo é bem claro quanto a isso, não havendo razão em se falar de ingerência da ONU em assunto interno do País: a lei já está internalizada.

Campeonato Mundial de Jiu Jitsu Profissional será encerrado neste domingo em Fortaleza

Com a participação de cerca de mil atletas, Fortaleza é sede do Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu Profissional, que será encerrado neste domingo (26), Centro de Formação Olímpica (CFO). A competição é disputada nas categorias de base (pré-mirim, mirim, infantil, infanto-juvenil e juvenil), profissional (adulto) e veteranos (máster, sênior 1, sênior 2, sênior 3, sênior 4 e sênior 5).

O evento reúne atletas de diversos estados e países. Os campeões serão premiados com medalhas – ouro, prata e bronze –, além de dinheiro e cinturão. A competição é realizada pela Confederação Brasileira de Lutas Profissionais (CBLP), em parceria a Federação de Jiu-Jitsu e Lutas Profissionais do Ceará (FJJLP-CE) e apoio da Secretaria do Esporte do Estado do Ceará (Sesporte).

SERVIÇO

Domingo, 26

Horário: A partir das 9h

Local: Centro de Formação Olímpica

Endereço: Av. Alberto Craveiro, 2900, Castelão, Fortaleza-CE

(Foto: Reprodução Facebook)

Papa se reúne com oito vítimas de abusos do clero na Irlanda

O papa Francisco se reuniu nesse sábado (25), durante uma hora e meia, com oito vítimas de abusos por parte do clero irlandês, em seu primeiro dia de viagem a Dublin. O pontífice participa do Encontro Mundial das Famílias.

O encontro, que já tinha sido anunciado pelo Vaticano às vésperas da viagem, ocorreu na nunciatura da capital irlandesa durante um momento de pausa na agenda do pontífice.

A reunião foi “com oito vítimas de abusos por parte do clero, de religiosos e institucionais”, informou o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

Em comunicado da Coalizão das Famílias, Mães e Filhos da Irlanda, duas pessoas deste grupo que participaram do encontro explicaram que Francisco condenou a corrupção e os acobertamentos e os qualificou de “caca”, e que o intérprete traduziu como “aquilo que se faz no banheiro” para usar um eufemismo.

Entre eles estiveram Marie Collins, que fez parte da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores criada pelo papa e que a deixou em protesto, por considerar que suas atividades estavam sendo obstaculizadas.

Outras vítimas presentes foram os reverendos Patrick McCafferty e Joe McDonald, Damian O’Farrel, Paul Jude Redmond, Clodagh Malone e Bernadette Fathy, enquanto outra vítima, abusada pelo sacerdote Tony Walsh, preferiu ficar no anonimato.

Clodagh Malone, que nasceu na Casa das Mães e Filhos de São Patrício em Dublin e foi adotada com dez semanas, “solicitou ao papa que declarasse clara e publicamente que as mães naturais que perderam seus bebês por adoção não tinham feito nada errado e pediu reconciliação e reunião para estas famílias que foram destroçadas pela Igreja Católica tanto na Irlanda como no resto do mundo”.

“O papa concordou em incluir a mensagem na sua missa amanhã”, garantiu na nota.

Redmond, nascido no Lar de Castlepollard e adotado aos 17 dias, pediu ao papa que diga às freiras que dirigiam estes lugares “que aceitem suas responsabilidades pelo horror que ocorreu durante gerações” e que paguem os custos das investigações. “O papa se desculpou com todos nós pelo que aconteceu nos lares”, afirmou Redmond na nota.

O papa também recebeu uma cópia do livro de Redmond, The Adoption Machine, que contém detalhes das milhares de mortes e horrores dos lares.

“O papa ficou realmente comovido ao informar-se dos 6 mil bebês que morreram e dos 3 mil bebês desaparecidos e dos testes com vacinas. Levou as mãos à cabeça em estado de choque”, asseguraram as vítimas.

(Agência Brasil com a EFE)

Gustavo volta a comandar virada tricolor pela Série B

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O artilheiro da Série B, Gustavo, voltou a comandar mais uma virada tricolor, na vitória do Fortaleza sobre o Londrina, por 2 a 1, na noite deste sábado, no Castelão, pela 23ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Além de sofrer o pênalti que resultou no gol de empate do Leão, convertido por Bruno, aos 24 minutos da segunda etapa, o próprio Gustavo marcou o gol da vitória, aos 42 minutos. O Londrina havia marcado o primeiro gol da partida, no último minuto do primeiro tempo. O Fortaleza volta a campo, no sábado (1º), contra o Goiás, no Serra Dourada.

Com o resultado, o Fortaleza inicia uma contagem regressiva de 15 jogos para retornar à Serie A, após 12 anos. Com 46 pontos ganhos, a equipe cearense mantém seis pontos de vantagem com relação ao vice-líder CSA e 10 pontos à frente do Goiás, o primeiro time na boca do G4.

Nos outros jogos deste sábado: CSA 3×0 Criciúma; Paysandu 0x1 Sampaio Corrêa; Ponte Preta 0x0 Guarani; São Bento 0x1 Avaí; Vila Nova 3×0 Goiás.

(Foto: Reprodução)

Duas décadas depois, o uso da urna eletrônica continua dividindo opiniões

Há mais de 20 anos o Brasil adotou a urna eletrônica nas eleições substituindo os votos em papel, mas a segurança do equipamento não é unanimidade entre especialistas. “As urnas não são auditáveis”, critica o professor de ciência da computação da Universidade de Brasília (UnB) Jorge Henrique Cabral Fernandes. A solução, segundo ele, seria a impressão do voto. “Contabilizar esse voto em papel e comparar isso com o resultado da urna”, sugere.

Estabelecida em 2015 pela minirreforma eleitoral (Lei 13.165/15) aprovada pelo Congresso, a impressão dos votos foi derrubada liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que já são 22 anos sem nenhum registro de fraude comprovada e que todas as suspeições são analisadas por órgãos competentes como o Ministério Público e a Polícia Federal. “Estamos trazendo com voto impresso, as mesas apuradoras do passado, onde o homem manipula a informação e verifica se o computador contou certo. Não existe coerência nesse processo”, critica o secretário de Tecnologia do TSE, Giuseppe Janino.

(Agência Câmara Notícias)

Ciro Gomes abre série de entrevistas do Jornal Nacional

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, abre na noite da segunda-feira (27) a série de entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos à Presidência da República.

Por meio do Twitter, o prórpio candidato convida o eleitorado a acompanhar a entrevista e a conhecer mais propostas para mudar o País, principalmente no resgate do emprego.

(Foto: Twitter de Ciro Gomes)

Haddad cumpre agenda em Fortaleza na sexta-feira

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O vice na chapa de Lula, o ex-prefeito de São Paulo e professor da USP, Fernando Haddad, estará na sexta-feira (31) em Fortaleza, onde cumprirá agenda do Partido dos Trabalhadores diante das disputas à Presidência da República.

De acordo com o coordenador da campanha Lula/Haddad no Ceará, deputado federal José Guimarães, a programação da ageda de Haddad será definida no início da semana.

Haddad poderá ser o candidato do PT ao Palácio do Planalto, caso a candidatura de Lula seja impugnada. Nesse caso, a deputada estadual gaúcha Manuela d’Ávila (PCdoB) seria a vice.

(Foto: Arquivo)

Candidaturas individuais podem receber pedido de impugnação até hoje

Termina hoje (25) o prazo para que candidatos, partidos e o Ministério Público peçam a impugnação de pedidos de registro individual de candidaturas. O prazo vale somente para contestações na Justiça Eleitoral de políticos que queiram disputar as eleições este ano mas, por algum motivo, não tiveram o pedido de registro feito por seus partidos políticos ou coligações.

A data final para tentativas de impugnação das candidaturas apresentadas de forma coletiva se encerrou na última quinta-feira (23). Na corrida para ocupar o Palácio do Planalto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu nos últimos dias apenas dois pedidos individuais: José Natan Emídio Neto e Matuzalém Rocha disseram ser candidatos a presidente e vice, respectivamente, pelo PMN.

Durante convenção nacional, porém, a legenda decidiu não escolher nome para as candidaturas majoritárias e por esse motivo o partido já apresentou uma ação para impugnar a chapa. “O requerente preencheu apenas a ficha de inscrição de candidato do requerido e, note-se, ao cargo de deputado federal, sem apresentar os documentos necessários que acompanhariam a citada ficha de inscrição. Além disso, não compareceu às convenções do partido, quando, então, poderia se pronunciar e requisitar os votos de apoiamento à sua candidatura”, argumentou o PMN.

Fora da esfera nacional, é possível que outros candidatos individuais a cargos como deputado estadual e distrital tenham pedido de impugnação protocolado até o fim do dia de hoje. Para todos os casos, o TSE tem até o dia 17 de setembro, de acordo com a legislação eleitoral, para julgar os pedidos de registros e o resultado das possíveis impugnações.

No caso da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o tribunal recebeu 16 questionamentos. Uma das contestações foi feita pela Procuradora-Geral Eleitoral, Raquel Dodge. No pedido, ela afirma que Lula – que figura como líder de intenções de voto nas pesquisas eleitorais – está enquadrado na Lei da Ficha Limpa, por ter sido condenado na segunda instância da Justiça Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, razão pela qual não está apto a disputar a eleição.

Além de Lula, Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Henrique Meirelles (MDB) foram alvo de pedidos de impugnações ou notícias de inelegibilidade junto ao TSE.

(Agência Brasil)

Eunício e Camilo destacam união em defesa do Ceará

A Transposição do São Francisco, os hospitais regionais e ainda a linha leste do Metrofor foram algumas ações destacadas pelo governador Camilo Santana (PT), candidato à reeleição, e pelo senador Eunício Oliveira (MDB), também candidato à reeleição, na manhã deste sábado (25), em Messejana, como resultado da união política em defesa do Ceará, que inclui ainda a candidatura Cid Gomes (PDT) ao Senado.

“Essa junção de forças ultrapassou questões pessoais com uma única intenção, fazer um Ceará que seja de todos os cearenses”, ressaltou Eunício.

“Em um cenário de crise econômica e de seca, procurei e encontrei em Eunício as portas abertas para fazer as parcerias necessárias. Se Deus quiser, o povo cearense vai renovar seu mandato e ter novamente um senador capaz de ajudar o Ceará”, apontou Camilo.

Os discursos ocorreram durante a inauguração do comitê de campanha de Dr. Hugo, candidato à reeleição à Assembleia Legislativa. “É preciso reforçar a confiança nesse projeto que atua pelo bem do Ceará”, disse Dr. Hugo.

(Foto: Divulgação)

Uma crônica sobre política no transporte público

Em artigo no O POVO deste sábado (25), a jornalista Letícia Alves relata conversas no interior dos ônibus sobre eleições deste ano. Confira:

Todos os dias, a caminho do trabalho, escuto – entre uma música e outra – as conversas nascidas nesse ambiente tão rico de realidade e humanidade que é o transporte público. Às vezes, o papo está tão bom que nem desenrolo o fone de ouvido e prefiro anotar no meu post it mental os causos que renderiam boas crônicas. De uns tempos para cá, até mesmo as desgraças compartilhadas arrefeceram para dar lugar ao debate político.

Não minto: é Bolsonaro cá, Lula lá, Ciro ali e aqui e acolá Alckmin e Marina. Ainda não presenciei discussões acaloradas, com agressões de todo tipo. Em geral, o assunto é tratado com bom humor, mas a impressão que tenho é de que isso é para atenuar a desesperança e o desassossego de um povo que, já cansamos de saber, não acredita mais nos políticos.

Semana passada, duas moças sentadas atrás de mim conversavam sobre o desempenho dos candidatos à Presidência em um debate:

– Mulher, eu assisti só pra achar graça. Ninguém ali sabe de nada, não.

A conversa foi entrecortada pelo ruído do trânsito e não consegui mais ouvir quase nada. Fiquei pensando, porém, sob qual perspectiva elas atribuíam a ignorância dos presidenciáveis. Certamente não pelos números que despejam na protocolar discussão ensaiada meia dúzia de vezes durante a campanha.

O que falta aos candidatos é um tanto de realidade. A realidade nua e crua que o povo experimenta diariamente. E não basta visitá-la de quatro em quatro anos ou forjá-la com vitimismo. Não adianta ir ao centro da cidade e apertar a mão do pobre se, na testa, estiver escrito em letras garrafais: “Não sou daqui”.

Não quero dizer que é necessário ao político ser pobre. Ser “de origem pobre” ou ser “novo na política” são categorias sempre ressaltadas por candidatos nas eleições, mas que são meros fetiches linguísticos – por si mesmas não significam coisa alguma se a compreensão deles sobre a realidade não for profunda.

Ao político é imprescindível um misto de conhecimento prático e reflexivo, técnico e comum. É preciso balancear sabedoria científica com popular, cujo maior detentor é o povo que o elege – e o povo sabe muito.

Também é vital o respeito à moral, à fé, à cultura e às tradições do povo. Enfim, é preciso ter sinceridade: o andar lado a lado com a verdade de ser, falar, agir e defender. Atrás de mim, as duas amigas concluíram a conversa assim: “Eles só falam mentira”. Ninguém acredita mais.

Letícia Alves,

jornalista do O POVO

Estudo mostra ligação entre álcool e suicídio na faixa de 25 a 44 anos

Um estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) divulgado este ano em um jornal científico reforçou a ligação entre o consumo de álcool e o suicídio. Foram analisados 1,7 mil casos na cidade de São Paulo entre 2011 e 2015 a partir de exames toxicológicos e mais de 30% das vítimas apresentavam diferentes concentrações de teor alcoólico no sangue. Entre os homens essa porcentagem chegou a 34,7%. A maior parte dos analisados (49%0 corresponde a adultos jovens, com idade entre 25 e 44 anos. Dentro dessa faixa etária mais de 61% apresentavam álcool no sangue.

Desde 2012 a taxa de suicídio em brasileiros de 15 a 29 anos subiu quase 10% de acordo com a edição de 2010 do Mapa da Violência, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa mundial de mortes entre pessoas dessa faixa etária – mais de 90% estão ligados a distúrbios mentais.

Segundo o psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, sob efeito do álcool as pessoas podem apresentar diminuição da capacidade de julgamento, do senso crítico e do autocontrole, assim como tendem a adotar comportamentos agressivos. Esse efeito pode ser ainda maior entre os adolescentes.

“O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento e os efeitos do álcool são mais nocivos nessa idade, com impacto ainda maior sobre a tomada de decisões e o autocontrole. Estamos falando de uma faixa etária em que o imediatismo é mais evidente e a exposição ao álcool pode ser mais perigosa quando pensamos no risco para o suicídio”, explicou.

De acordo com Tung, é possível desenvolver programas educativos sobre o consumo de drogas e álcool entre os jovens, mas é preciso lembrar que há outros fatores que também merecem atenção como o bullying e transtornos psiquiátricos, como a depressão. “É importante lembrar que um transtorno mental como a depressão pode alterar a percepção que o indivíduo tem da realidade. Por isso, os casos de suicídio não devem ser encarados como expressão do livre-arbítrio.”

(Agência Brasil)

Receita lança alerta para contribuintes consolidarem Refis

Da Coluna Neila Fontenele, no O POVO deste sábado (25):

A Receita Federal lançou alerta sobre o risco de perda dos benefícios do Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), o último Refis. Quem não prestar esclarecimentos até o dia 31 de agosto, não terá acesso aos descontos de juros e parcelamentos.

Muita gente que se inscreveu na chamada pública na primeira etapa de inscrição de devedores pensou que já estava tudo resolvido. O problema é que o programa é executado em duas etapas. Nesta segunda convocação é preciso informar o que será parcelado ou pago de uma só vez.

Como existem muitas ações na justiça, o contribuinte pode optar em incluir algumas dívidas e outras continuarem com os questionamentos, mas isso precisa ficar claro para a finalização do contrato.

Somente no Ceará há 2.299 contribuintes devendo informações obrigatórias ao fisco. Os valores das dívidas previdenciárias chegam a R$ 882,79 milhões. Fortaleza concentra o maior volume de devedores (R$ 813,04 milhões).

As regularizações das pendências são feitas na página oficial da Receita, no Centro de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC), através de aplicativo que indica os débitos que comporão o pagamento. A ferramenta está disponível nos dias úteis, das 7 às 21 horas.

Vale salientar que esse não é o Refis do Simples, que passou por uma verdadeira novela, com veto presidencial e articulações no Congresso.

Sogro – Cid participa de inauguração do comitê no Crato

“Eu não estou aqui pedindo pelo meu sogro, não estou pedindo pela pai da minha mulher, Maria Célia. Estou pedindo porque sei que o Dr. Leitão vai elevar a representação do Cariri na Assembleia”. O pedido é do ex-governador Cid Gomes, candidato ao Senado pelo PDT, na manhã deste sábado (25), em discurso realizado sobre um carro de som, durante inauguração de comitê no Crato, no Cariri.

O candidato a deputado estadual é o promotor de Justiça e sogro do ex-governador, Dr. Leitão, que pela primeira vez disputa um cargo eletivo.

“Ele é um vocacionado para a vida pública. Como promotor, não se preocupou apenas em acusar as pessoas, defendeu o direito delas, sobretudo dos consumidores e dos deficientes”, completou Cid.

O ex-governador e candidato ao Senado aproveitou o evento para também pedir votos para Ciro, candidato à Presidência da República pelo PDT. “Ele (Ciro) é indignado com a corrupção, é indignado com o que está acontecendo no Brasil e está preparado para ser presidente”.

(Foto: Divulgação)

Papa Francisco admite fracasso da Igreja sobre abusos cometidos pelo clero

O papa Francisco reconheceu neste sábado (25), em Dublin, na Irlanda, o fracasso da Igreja Católica irlandesa para enfrentar adequadamente o que denominou de “crimes repugnantes de abusos” a menores e pediu um esforço para a adoção de normas severas para que os abusos não voltem a se repetir.

Francisco fez a afirmação no discurso às autoridades no início de sua visita de dois dias à Irlanda, aonde chegou hoje para participar do Encontro Mundial das Famílias. “Não posso deixar de reconhecer o grave escândalo causado na Irlanda pelos abusos a menores por parte de membros da Igreja encarregados de protegê-los e educá-los”, assinalou o pontífice.

O papa Francisco iniciou neste sábado uma viagem de dois dias à Irlanda, onde participará do 9º Encontro Mundial das Famílias na capital Dublin, além de também se reunir com o primeiro-ministro, o democrata-cristão Leo Varadkar, para abordar os abusos cometidos pelo clero no país, entre outros assuntos.

(Agência Brasil com EFE)

A sociedade atingida

Editorial do O POVO deste sábado (25) aponta que o assassinato de três policiais não atinge apenas a força policial, mas toda a sociedade, que se vê atônita, em meio a uma guerra de facções criminosas. Confira:

A ousadia do crime, que devasta Fortaleza, atingiu níveis inauditos com a chacina de três policiais militares, fuzilados sem a menor chance de defesa, em um ato que deve ter sido minuciosamente planejado. O que aconteceu é inaceitável e precisa de uma resposta vigorosa, nos estritos termos da lei. O assassinato não atinge apenas a força policial, mas toda a sociedade, que se vê atônita, em meio a uma guerra de facções criminosas, que se alastra ameaçadoramente, atingindo principalmente as periferias da cidade, mas disseminando-se por todo o interior do Estado.

A responsabilidade que cabe ao governador Camilo Santana não deve ser afastada, pois a obrigação de zelar pela segurança pública é um dever intransferível. E é justamente nessa área que, lamentavelmente, não se verificaram avanços significativos. A pequena queda no número de homicídios, que vinha se observando, fica indelevelmente manchada por esse infausto acontecimento.

Porém, é lamentável que adversários de Camilo Santana, candidato à reeleição, se utilizem dessas mortes para lançarem reptos descabidos ao governador, acusando-o de “falta de coragem” e afirmando que lhe faltaria “autoridade” para enfrentar o crime. O problema da segurança pública não será resolvida com socos na mesa e bravatas. Esse caminho tentou o atual secretário da Segurança Pública, André Costa, gabando-se de ser um agente “operacional” e ocupando-se com pueris desafios a criminosos.

Quando O POVO começou a informar que as facções estavam agindo no Ceará, as notícias foram desqualificadas pela Secretaria da Segurança, que dizia tratar-se de ações de “pirangueiros”, criminoso sem importância, na linguagem do submundo da delinquência, termo também usado pelos policiais.

Como anota Ricardo Moura, pesquisador da segurança pública e colunista deste jornal (24/8/2018), as razões de a criminalidade ter se espalhado de tal maneira, tem origem nas questões sociais, na falta de políticas para crianças e adolescentes. Ele traça uma espécie de “roteiro” que leva muitos jovens ao crime: a falta de oportunidade, a criminalização, o racismo institucional, o abandono escolar, a internação em centros educacionais, este muitas vezes precários, sem oferecer perspectiva de ressocialização. O potencial que o Estado despreza nesses jovens é aproveitado pelo crime, que lhe garante, por via tortuosa, destaque na comunidade.

Por óbvio, isso não pode ser desculpa para o cometimento de infrações, muito menos para crimes graves, como foi o brutal assassinato dos policiais. No entanto, sem cuidar dessas questões de base como prioridade, não será mais violência que resolverá a situação. Isso apenas levará a uma guerra em que não haverá vencedores.