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Erenice: "Foi uma traição"

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Da revista IstoÉ

Na quinta-feira 16, a equipe de ISTOÉ tinha encontro marcado com a ministra Erenice Guerra às oito horas da manhã, na residência oficial da Casa Civil. Mas, depois de uma rápida visita do ministro Franklin Martins, ela foi convocada às pressas pelo presidente Lula. Erenice pediu que a reportagem aguardasse até o meio-dia, pois iria ao Palácio do Planalto para entregar seu pedido de demissão. Assim que deixou o cargo, voltou à luxuosa casa na Península dos Ministros e ali deu uma entrevista exclusiva à ISTOÉ sobre seus últimos momentos no governo Lula.

O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração?
Fundamentalmente, foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. Nesse episódio, não escaparam filhos, filha, marido, irmãos. Quando eu percebi que não haveria limite nenhum, nem ético nem de profissionalismo, para essa campanha difamatória, entendi que era o momento de fazer uma opção. Uma opção pela minha vida pessoal, minha família, meus filhos e minha mãe, que sofre com tudo isso. Resolvi, então, parar um pouco para proceder à defesa adequada de minha honradez e de minha seriedade profissional. Entendi que era o momento de dar um basta e dizer: “Senhor presidente, agora eu preciso de paz e de tempo para que eu possa defender a mim e a minha família dessa campanha difamatória.”

Por que existiria uma campanha difamatória contra a sra.?
Na minha opinião, ela está absolutamente vinculada ao momento político-eleitoral. E é impiedosa e cruel, em que pese eu ter respondido de pronto às imputações e providenciado que fosse feita investigação das denúncias administrativas pela Comissão de Ética e pela Controladoria-Geral da União e pelo Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal. Isso, além de ter aberto todos os meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

A sra. conhece bem o trabalho de seu filho Israel Guerra para garantir que ele é inocente?
Uma pessoa que trabalha a quantidade de horas que eu trabalho por dia, que sai de casa antes das nove da manhã e só volta depois das nove da noite, não tem condições de acompanhar trabalho nem de filho, nem de irmão, nem de ninguém. Mas eu conversei com meu filho e, conhecendo o filho que tenho, acredito nas afirmações que me foram feitas por ele. Ele me garantiu que, em nenhum momento, ultrapassou os limites da ética e da conduta que deveria ter. E ele sabe a mãe que tem. Eu jamais aceitaria ou faria movimento no sentido de privilegiar alguém.

A sra. nomeou o presidente e um diretor de operações dos Correios. Seu filho Israel Guerra, que trabalhou na Anac, aparece prestando consultoria a uma empresa, a Master Top Linhas Aéreas (MTA), que obteve renovação de concessão na Anac e, em seguida, ganhou uma concorrência milionária nos Correios. Não é muita coincidência?
Troquei sim a diretoria dos Correios por determinação do presidente da República, porque a estatal estava num processo de declínio na prestação de serviço. Troquei o diretor de operações, o presidente e o diretor de recursos humanos. Creio que pago um preço por isso, mas não me arrependo. Do ponto de vista da minha conduta de servidora pública, era o que deveria ser feito para o resgate da credibilidade dos Correios. Israel prestou serviço para um sujeito chamado Fábio Baracat, que se intitulava dono de uma empresa chamada Via Net, mas nunca prestou serviço para uma empresa chamada MTA. A própria Anac reconhece que renovou a concessão da MTA porque eles regularizaram toda a documentação. A MTA ganhou e perdeu licitações nos Correios. E o tal contrato com a Via Net, que seria a empresa do Baracat, jamais foi assinado pelo meu filho. Então, é uma história muito confusa. Meu filho nunca teve contato direto com a MTA e eu muito menos.

A sra. se encontrou com Fábio Baracat na sua residência, na de seu filho ou em outro local?
Eu fui apresentada ao Baracat pelo meu filho na condição de amigo dele. É um rapaz bem apessoado, bem formado, conversa bem, me parece até que é mais novo que meu filho. Para mim era mais um amigo. Conheci socialmente, como outros tantos amigos que meu filho já me apresentou. Não conversamos nada além do trivial de um encontro social.

Mas o fato de seu filho se relacionar, trabalhar e prestar consultoria a empresários que têm interesse em negócios com o governo não pode ser considerado tráfico de influência?
A sociedade precisa refletir sobre essa questão. Depois que uma pessoa passa a exercer cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos? Ou as pessoas com quem ele se relaciona previamente precisam apresentar currículo para dizer o que fazem? E se essa pessoa for um empresário? Ele tem que ser, a priori, já eliminado do seu círculo de relações, pois eventualmente, no futuro, pode vir a participar de uma licitação e eu, como estava ocupando uma pasta muito ampla, teria teoricamente influência sobre qualquer área? O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?

Já houve casos em Brasília em que filhos de ministros venderam facilidades. Possuíam consultoria e escritórios e se ofereciam para abrir portas. Podem ter sido vendidas facilidades em seu nome?
O que impede alguém, a não ser a ética, de se vender por aí como uma pessoa que tem acesso à ministra e pode facilitar qualquer tipo de negócio? Essa é uma vulnerabilidade à qual estou exposta.

A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.

Esse servidor poderia se passar por um funcionário capaz de influir nas suas decisões?
É. Poderia dizer “trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo…” Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.

Significou uma traição à sra.? Afinal, Vinícius era um funcionário muito próximo, além de ser sócio de seu filho.
Foi uma traição. Uma completa traição

Se eventualmente houve tráfico de influência na Casa Civil, como a sra. aventou, foi sem seu conhecimento?
Absolutamente sem o meu conhecimento. Eu jamais admitiria um negócio desses. Por que eu faria isso? Por que eu deixaria que minha honra e minha história profissional se sujassem por conta de tráfico de influência no local em que trabalho? Sou uma mulher madura, vivida. Sei onde estou, o que estou fazendo.

Como a sra. está lidando com esse episódio?
Eu diria que é só mais uma dor nesses dias tão dolorosos. Mas o importante é que se apure com rigor, independentemente de eu não estar mais lá. Tive uma conversa com o Carlos Eduardo (Esteves Lima), que ficou como ministro, sobre a necessidade de averiguar e não deixar pedra sobre pedra, porque quem me conhece sabe que não permitiria coisa parecida. Por muito menos, determinei a abertura de processos administrativos dentro da Casa Civil. É óbvio que se eu imaginasse qualquer tráfico de influência na Casa Civil teria determinado as medidas investigativas necessárias. Se não fiz, foi porque isso não me ocorreu. Agora será feito.

A sra. se sentiu em algum momento abandonada pelo governo?
De forma nenhuma. Eu fui tratada com solidariedade durante todo esse tempo. É óbvio que isso está diretamente ligado à disputa eleitoral, à necessidade de a oposição gerar fatos novos. O fato da quebra de sigilo se esgotou. Serra percebeu claramente que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez, até porque eu simbolizo uma proximidade, uma relação de confiança com a candidata Dilma, que está na frente.

Dilma foi solidária? Chegou a ligar?
Erenice – Conversamos e a Dilma não tem dúvida sobre a minha conduta.

A sra. teve apoio do presidente?
Conversei com o presidente e ele foi muito amoroso comigo. E reiterou a confiança que tem na minha pessoa, mas achou que é um direito meu fazer agora os trabalhos que eu preciso fazer. Conversar com os meus advogados, abrir os processos para provar que eu não tenho participação, que não tive nenhum benefício.

A sra. chama as denúncias de campanha difamatória e as atribui à oposição? Não poderia, de repente, ser fogo amigo?
Se fala muito em fogo amigo, mas eu prefiro não me manifestar sobre isso. Até porque seria uma dor a mais. Há uma disputa de cargos no futuro governo, o que é natural.

A sra. está tranquila com a investigação da CGU?
Eu lhes asseguro que toda a minha família disponibiliza seu sigilo fiscal, bancário e telefônico. Eu não sou o Serra que briga para manter o sigilo da filha. Meu filho se chama Israel, e não Verônica. Ninguém está brigando na Justiça para manter o sigilo. Todos nós estamos dizendo: “Os nossos sigilos estão abertos.” Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Essa postura é de alguém que se sente tranquila.

O que a sra. pretende fazer daqui para a frente?
Respirar. Agora tenho que descansar. Ter tempo de fazer a defesa da minha honra e da legitimidade de todos os meus atos. De minha história de vida. Eu tenho clareza e certeza de que sou uma boa profissional. Não tenho problemas de emprego, de como me sustentar ou como viver. Mas não posso perder minha credibilidade. Não posso viver sem honra. É inadmissível.

Ao fim e ao cabo das investigações, a sra. tem a convicção de que as acusações não se sustentarão? A sra. pode afirmar isso?
Tenho absoluta certeza. Não se sustentarão. A única coisa que lamento é que eu não terei o mesmo espaço ocupado pelas denúncias para divulgar minha inocência. Mas buscarei na Justiça o direito de resposta.

Lula: "Vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos"

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“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer críticas contundentes à imprensa e à oposição durante comício realizado na tarde deste sábado, em Campinas (SP). “Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”, afirmou.

Também falou que os jornalistas precisam ter um “lado” porque também votam.Lula também atacou abertamente o PSDB: “Não tem nada que faça um tucano sofrer mais que ter um bico tão grande para falar e tão pequeno para fazer”.

Caminhando de um lado para o outro no palco, o presidente chegou a ironizar que Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e José Eduardo Dutra haviam pedido para ele “se conter”. “Tem algumas coisas que precisam ser ditas. Vocês sabem que tucano come até filhote no ninho. Quando o Mercadante se eleger governador, vou criar um Bolsa Família para os tucanos não passarem fome.

Pouco antes, Dilma falou que “em 2002, eles diziam que não tínhamos competência para governar. Hoje, podemos falar que um metalúrgico foi capaz de fazer mais escola técnica do que os doutores que vieram antes”.

A petista não comentou a saída de sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, ou as denúncias publicadas nos últimos dias. Preferiu mobilizar a plateia até o dia 3 de outubro e se ateve às conquistas do governo Lula: “Daqui a 15 dias, vamos estar decidindo qual é o rumo deste País. Se queremos aquele País das desigualdades ou se queremos um País construído pelo presidente Lula.

A ex-ministra da Casa Civil disse que vai “honrar o legado desse governo sem miséria, onde podemos viver em paz”. “Mais que honrar, vou seguir um conselho do Lula: ‘O difícil não é governar, é governar com o coração. Você tem de saber de que lado está. Nós estamos do lado de 190 milhões de brasileiros”.

(Estadão.com)

Ciro repudia matéria da Veja e diz que vai à Justiça

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O deputado federal Ciro Gomes (PSB) mandou nota para o Blog rebatendo acusações feitas pela revista Veja sobre possível envolvimento seu e do seu irmão, Cid Gomes, num esquema “milionário” envolvendo prefeituras cearenses. Neste Blog, veiculamos nota do Blog de Reinaldo Azevedo dessa revista. Ciro acionará a Justiça contra “denncias fabricadas´a 15 dias das eleições”. Confira:

NOTA À IMPRENSA

1. Nego e repudio, com veemência, qualquer acusação contra minha conduta, tanto no plano pessoal, como no exercício dos cargos que tive a honra de ocupar ao longo de 30 anos de vida
pública.

2. Tomarei todas as providências jurídicas cabíveis para resguardar minha reputação e para processar os autores dessa sórdida trama.

3. Peço aos eleitores que se mantenham alertas contra “denúncias” fabricadas a 15 dias das eleições. Elas representam
uma grave ameaça à Democracia, pois pretendem, com
acusações levianas e mentirosas, alterar a vontade popular que
se manifesta na preferência pelo Cid em todas as pesquisas.

Fortaleza, 18 de setembro de 2010

CIRO FERREIRA GOMES.

Abaixo certidão da Procuradoria Geral de Justiça atentando que a operação realizada pela PF não envolve autoridades estaduais ou federais do Estado.

Morre primeira vítima de raiva humana no Ceará

Morreu neste sábado Expedito dos Santos (26), o primeiro caso de raiva humana registrado neste ano no Brasil. Ele estava internado desde o começo do mês no Hospital São José (Bairro Parquelândia), em Fortaleza. No fim da tarde, o diretor do HSJ, Anastácio Queiroz, divulgou a informação.

Expedito foi atacado por uma cadela, que criava e que nunca havia sido vacinada contra a raiva. Ele morava na localidade de Carneiro, em Chaval (425km de Fortaleza)

Cid Gomes divulga nota sobre matéria da Veja e promete reação enérgica

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Do candidato à reeleição Cid Gomes (PSB), este Blog recebeu nota que trata sobre reportagem da Veja acusando o governador e seu irmão, Ciro Gomes (PSB), de terem montado esquema milionário com Prefeituras cearenses, conforme cita o Blog de Reinaldo Azevedo, dessa revista. Confira:

NOTA À IMPRENSA

A propósito de matéria publicada na revista Veja desta semana, e em atenção e respeito aos cearenses, declaro o seguinte:

1. As acusações feitas contra mim são absurdas, indignas e mentirosas. Nunca tive relacionamento com a pessoa mencionada pela matéria. Procuro pautar minha vida pela lisura, pela correção e pelo respeito às leis e ao povo cearense.

2. A revista Veja mente, e esta não é a primeira vez. Ela mentiu quando disse que eu tinha um apartamento em Nova York, mentiu quando lançou falsas acusações sobre a concorrência do Castelão, e mente agora novamente. Trata-se de um comportamento tendencioso, contumaz e mal intencionado para comigo e para com o Ceará.

3. Estou acionando administrativa e judicialmente a Policia Federal para saber se existe algum inquérito em que meu nome seja citado. A partir disso tomarei providências enérgicas e duras.

4. Expresso a minha profunda indignação e repudio veementemente estas acusações e informo que adotarei todas as medidas jurídicas ao meu alcance contra os que produziram tais mentiras.

Fortaleza, 18 de setembro de 2010.

Cid Gomes.

Cantor Nilton César é atração no Ceará

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=jj0rBNaiB4Y[/youtube]

Eis o cantor Nilton César, numa apresentação durante o programa Sílvio Santos (SBT). Ele é a atração deste sábado do 21º Baile da Jovem Guarda da cidade de Ipu e, neste domingo, vai se apresentar no Clube Kukukaya (Vila União), em Fortaleza, dentro do projeto “Jovens Tardes de domingo ” tocado pelo empresário artístico Alexandre Maia.

Nilton Cesar tem história na música popular romântica do País. Para alguns, brega, para outros, um cantor de estilo cativante e que deixou seu nome gravado na memória de muitos fãs. Curtimos (é o novo!) muito esse cantor em nossa adolescência.

Lúcio visita Sobral antes de Cid Gomes

O candidato a governador pelo PR/PPS, Lúcio Alcântara, visitou a cidade de Sobral (Zona Norte) neste sábado. Tendo ao lado o seu vice, Cláudio Vale, e o postulante ao Senado, Alexandre Pereira (PPS), Lúcio foi recebido com simpatia pelos conterrâneos do governador e candidato à reeleição, Cid Gomes (PSB). 

Lúcio circulou pela Praça de Cuba,visitou o Mercado Central e ganhou abraços de populares. Também foi ao tradicional “Beco do Cotovelo” e sua visita foi anunciada ao vivo pelo programa do radialista Ivan Frota, da Rádio Tupinambá. A caminhada lucista terminou no comitê central, que fica na Rua Randal Pompeu, 202, quase esquina com a Praça da Catedral.

Ali, Lúcio lembrou obras que realizou como governador como o Instituto Médico Legal, a construção da Avenida Pericentral, reforma do Hemocentro e urbanização da margem do Rio Acaraú.

(Foto – Nely Rosa)

DETALHE – Cid Gomes, com sua carvana eleitoral, estará nesta noite de sábado em Sobral numa grande caminhada.

PSOL-CE entra com ação contra candidato que defende a pena de morte

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Da assessoria de imprensa do PSOL do Ceará, recebemos nota sobre medida tomada pelo partido contra o candidasto a deputado estadual Sílvio Frota (PRTB), que defende a pena de morte. Confira:

Em diversos pontos da cidade de Fortaleza, estão sendo afixadas propagandas do candidato a deputado estadual, Sílvio Frota (PRTB), nas quais ele defende a pena de morte. Considerando-as irregulares pelo ataque à ordem constitucional, bem como aos direitos humanos e fundamentais e à dignidade da pessoa humana, o PSOL-CE entrou com representação no Ministério Público Eleitoral solicitando a cassação do registro de candidatura de Frota, bem como a retirada dessas propagandas.

Conforme explica a representação apresentada pelo partido, “O Representado, candidato a deputado estadual, tem feito da pena de morte sua principal bandeira de campanha. Nos últimos dias, a cidade foi tomada em seus principais cruzamentos, por centenas de banners de propaganda de sua candidatura. Em tais banners lê-se, em letras garrafais, dentre outras coisas: “BASTA. PENA DE MORTE JÁ!”. Os tais banners são afixados em postes de iluminação pública e/ou sinalização de tráfego, em franco descumprimento ao que preceitua a lei eleitoral.”.

A Constituição Federal trata, em seu art. 5º, dos direitos e garantias individuais e coletivos. Neste artigo, defende-se que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” e se estabelece que não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra declarada. O parágrafo 4° da Carta Magna, por sua vez, elenca as chamadas cláusulas pétreas, ou seja, o que não pode ser objeto de modificação. Dentre eles estão “os direitos e garantias individuais”.

Tendo em vista tais preceitos, os advogados Rodrigo Vieira e Wálber Nogueira, elaboradores da peça jurídica, argumentaram que as peças são irregulares. Para eles, “O que o candidato está diretamente defendendo é que a sociedade recorra a meios violentos para solucionar problemas graves de natureza sistemática, induzindo os eleitores que são vítimas da violência ou da falta de segurança pública à alternativa de recorrerem à vingança privada como solução dos conflitos e dramas pessoais.”.

O PSOL defende os direitos humanos, a igualdade e a solidariedade. O partido defende que não serão as velhas formas de tratar os problemas vivenciados pela sociedade que resolverão a questão da segurança pública. “É preciso justiça social; dar oportunidade às pessoas; possibilitar que elas possam ter uma outra visão da vida e um outro projeto de mundo. Isso não será resolvido com prisões, muito menos com a pena de morte”, defende a candidata do PSOL ao Governo do Ceará, Soraya Tupinambá. Por isso, segundo o presidente do PSOL-CE, Moésio Mota, “o partido não podia ficar calado e deixar ver o conservadorismo tomar conta das ruas. Se as eleições são espaços privilegiados para travar o debate político, nós temos que fazê-lo.”.

PSOL do Ceará.

Cid fará neste sábado passeata de campanha em Sobral, sua terra natal

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O governador Cid Gomes, candidato à reeleição pelo PSB, vai participar de uma grande passeata no fim da tarde deste sábado em Sobral (Zona Norte), sau terra natal. Com ele, os candidatos ao Senado José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PDB), vários prefeitos daquela região e candidatos a cargos proporcionais.

Segundo a organização, além da passeata, haerá carreata, passeio de bicicleta e rápido comício. Cid já foi prefeito de Sobral e, na época, obteve uma das maiores aprovações em matéria de gestão do País.

Nas pesquisas, ele aparece liderando, com perspectivas de vitória logo no primeiro turno.

Queda de Erenice – Serra diz que caso não pode ser encarado como algo natural

O postulante tucano a presidente quando em campanha no Ceará.

“O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse, em Aracaju, que nenhum país vai para o primeiro mundo mergulhado em escândalos no coração do governo. A resposta foi dada após o tucano ser questionado sobre o caso que apura a conduta da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que deixou o cargo quinta-feira sob acusações de tráfico de influência. “Isso não pode ser encarado como algo natural.”

Serra cobrou a necessidade de providências, “não só na investigação, como também nessa eleição”. Sem citar nomes, disse que o governo tem de ditar um padrão de comportamento ao nomear pessoas para sua composição. “Tenho 27 anos de vida pública, nunca nada disso aconteceu, porque você forma equipes com gente que conhece e você controla, o que é fundamental.”

Em seu discurso, o tucano citou também o Bolsa-Família, programa de maior popularidade do governo Lula. “A decência é importante, também, que é para evitar que recursos do Bolsa-Família, Educação e Saúde sejam desviados para os bolsos de delinquentes de partidos e de campanhas eleitorais. Não é possível que isso continue acontecendo no Brasil e se ache isso natural.”

Projetos. Questionado sobre os planos para o Nordeste, Serra disse não ter dúvidas de que a região precisa de obras estruturais do governo federal e criticou a lentidão das obras de duplicação da BR-101. Destacou a necessidade de se investir em formação profissional para os jovens e repetiu a promessa de elevar o salário mínimo para R$ 600 – segundo ele, o Brasil tem dinheiro suficiente para isso.

O presidenciável chegou a Aracaju com um atraso de quase três horas. Por conta disso, teve de cancelar uma caminhada pelo centro comercial da capital, substituída por uma carreata do aeroporto até a sede do partido, na zona sul da cidade. Diversas lideranças foram recepcionar Serra no aeroporto, a exemplo do candidato do DEM ao governo do Estado, João Alves Filho. Mas alguns representantes importantes do PSDB de Sergipe não compareceram, como o candidato tucano ao Senado, Albano Franco, e a presidente do diretório estadual, Miriam Ribeiro.”

?(Agência Estado)

Terminais de atendimento bancário… hum!

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Usar terminais de atendimento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em vários supermercados de Fortaleza virou um tormento. Em pontos como os supermercados Frangolândia e Center Box, um terminal desses funciona e na outra semana não funciona. Ou então fica sem dinheiro.

O mais curioso nisso tudo é que esse equipamento tem sempre como vizinho um terminal de atendimento Banco 24 horas, que raramente dá problema. A clientela não anda gostando nada disso.

"Veja" traz matéria sobre o Ceará

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Essa é do Blog de Reinaldo Azevedo e consta em reportagem da nova edição da Veja:

Documentos em poder da Polícia Federal envolvem o governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão, o deputado Ciro Gomes (PSB) em um esquema de corrupção que desviou 300 milhões de reais das prefeituras do estado entre 2003 e o fim do ano passado. Raimundo Morais Filho, empresário que participava da lambança, deixou tudo registrado em 27 gigas de memória, de que VEJA tem cópia. Laurélia Cavalcante, delegada federal que investiga o caso, foi atropelada por um carro não-identificado nas ruas de Fortaleza. Morais Filho escreveu um outro relato em que se diz ameaçado.

Cid nega qualquer irregularidade. Ciro, que já anunciou a disposição de construir “uma nova hegemonia moral e intelectual no país” diz não conhecer o empresário: “Jamais fiz com ele ou com qualquer pessoa essa sórdida prática que estão querendo me imputar”.

VAMOS NÓS – Em contato com este Blog, a Assessoria de Imprensa do governador Cid Gomes (PSB) voltou a rebater tais denúncias neste sábado. Em contato com a assessora da campanha de Cid, Cristianne Sales, ela também negou esse fato.

Olha só o que deu na Veja desta semana

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DEU NA VEJA
Caraca! Que dinheiro é esse?’

 

Erenice e Dilma

Funcionário da Casa Civil recebeu propina dentro da Presidência da República, perto do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a um andar do presidente Lula

Diego Escosteguy e Otávio Cabral

Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta.

O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 mil reais em dinheiro vivo – um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula.

Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre.

Apavorado com o pacotaço de propina, o assessor neófito, coitado, resolveu interpelar um colega: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. O colega tratou de tranquilizá-lo: “É a ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.

PP, no caso, era um recado – falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe H1N1, conhecida popularmente como gripe suína.

Dias antes, em 23 de junho, o governo, diante da ameaça de uma pandemia, acabara de fechar uma compra emergencial desse medicamento – um contrato de 34,7 milhões de reais. A “PP” entregue ao assessor referia-se à comissão obtida pela turma da Casa Civil ao azeitar o negócio Segundo o assessor, o governo comprara mais Tamiflu do que o necessário, de modo a obter uma generosa comissão pelo negócio.

Até a semana passada, Vinícius era assessor da Casa Civil e sócio de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, ex-ministra da pasta, numa empresa que intermediava contratos com o governo usando a influência da petista. Naturalmente, cobravam comissão pelos serviços.

Depois que VEJA revelou a existência do esquema em sua última edição, Vinícius e outro funcionário do Planalto, Stevan Knezevic, pediram demissão, a ministra Erenice caiu – e o governo adernou na mais grave crise política desde o escândalo do mensalão, e que ronda perigosamente a campanha presidencial da petista Dilma Rousseff.

Lançado ao centro do turbilhão de denúncias que varre a Casa Civil, Vinícius Castro confidenciou o episódio da propina a pelo menos duas pessoas: seu tio e à época diretor de Operações dos Correios, Marco Antonio de Oliveira, e a um amigo que trabalhava no governo. Ambos, em depoimentos gravados, confirmaram a VEJA o teor da confissão.

Antes de cair em desgraça, o assessor palaciano procurou o tio e admitiu estar intrigado com a incrível despreocupação demonstrada pela família Guerra no trato do balcão de negócios instalado na Casa Civil. Disse o assessor: “Foi um dinheiro para o Palácio. Lá tem muito negócio, é uma coisa. Me ofereceram 200 000 por causa do Tamiflu”.

Vinícius explicou ao tio que não precisou fazer nada para receber a PP. “Era o ‘cala-boca”. O assessor disse ainda ao tio que outros três funcionários da Casa Civil receberam os tais pacotes com 200 000 reais; porém não declinou os nomes nem a identidade de quem distribuiu a propina. Diz o ex-diretor dos Correios: “Ele ficou espantado com aquela coisa. Eu avisei que, se continuasse desse jeito, ele iria sair algemado do Palácio”.

O cândido ex-assessor tem razão: dinheiro sujo dentro de um gabinete da Presidência da República é um fato espantoso. Nos últimos anos, sobretudo desde que o presidente Lula relativizou os crimes cometidos durante o mensalão, sempre que se apresenta um caso de corrupção à opinião pública surgem três certezas no imaginário popular.

* Primeiro, nunca se viu um escândalo tão escabroso

* Ninguém será punido

* O escândalo que vier a sucedê-lo reforçará as duas certezas anteriores.

A anestesiada sociedade brasileira já soube de dinheiro na cueca, dinheiro na meia, dinheiro na bolsa, dinheiro em caixa de uísque, dinheiro prometido por padre ligado a guerrilheiros colombianos. Mas nada se compara em ousadia ao que se passava na Casa Civil. Ficará consolidado no inverno moral da era Lula se, mais uma vez, esses eventos forem varridos para debaixo do tapete.

Já se soube de malfeitorias produzidas na Presidência, mas talvez nunca de um modo tão organizado e sistemático como agora – e, ao mesmo tempo, tão bisonhamente rudimentar, com contratos, taxas de sucesso e depósitos de propina em conta bancária.

Por fim, o que pode ser mais escabroso do que um grupo de funcionários públicos, ao que tudo indica com a participação de um ministro da Casa Civil, cobrar pedágio em negócios do governo? O mais assustador, convenha-se, é repartir o butim ali mesmo, nas nobres dependências da úpula do Poder Executivo, perto do presidente da República e ao lado da então ministra e hoje candidata petista Dilma Rousseff. 

Na semana passada, quando o caso veio a público, a candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, tentou se afastar o quanto pôde do escândalo. Apesar de o esquema ter começado quando Dilma era ministra e Erenice sua escudeira, a candidata disse que não poderia ser responsabilizada por “algo que o filho de uma ex-assessora fez”. Dilma candidata não tinha mesmo outra alternativa. As eleições estão aí e o assunto em questão é por demais explosivo.

Erenice Guerra ganhou vida em razão do oxigênio que Dilma lhe forneceu durante sete anos de governo. Erenice trabalhou com a candidata quando esta comandava a pasta de Minas e Energia e na Casa Civil transformou-se na assessora-mor da petista, assumindo o cargo de secretária-executiva. É possível que em todos esses anos de intenso trabalho conjunto Dilma não tenha percebido o que se passava ao seu redor. É possível que Dilma seja uma péssima leitora de caráter. Mas, em algum momento, ela vai ter que enfrentar publicamente esse enorme contencioso passado.

Obedecendo à consagrada estratégia política estabelecida pelo PT, Dilma não só tentou se distanciar do caso como buscou desqualificar os fatos apresentados por VEJA. “É um factoide”, afirmou a candidata, dois dias antes de Erenice ser demitida pelo presidente Lula. (O governo divulgou que a ministra pediu demissão, o que é parolagem.)

A chefe da numerosa família Guerra caiu na manhã da última quinta-feira, vítima dos vícios da sua turma. Além dos fatos apontados por VEJA, veio a público o atávico hábito da ex-ministra em empregar parentes no governo, que, desde já, dá um novo significado ao programa Bolsa Família. Também se descobriram contratos feitos sem licitação favorecendo parentes da ministra.

Em um dos episódios, o filhote de Erenice cobrou propina até de um corredor de Motocross, que descolara um patrocínio de 200 000 reais com a Eletrobrás, estatal sob a influência de Erenice. Taxa de sucesso paga: 40 000 reais. “Israel chamava a Dilma de tia”, contou o motoqueiro Luís Corsini, o desportista que pagou a taxa de sucesso.

Antes de capitular aos irretorquíveis fatos apresentados por VEJA, o governo fez de tudo para desqualificar o empresário Fábio Baracat, uma das fontes dos jornalistas na revelação do esquema de arrecadação de propina na Casa Civil. Baracat, um empresário do setor aéreo, narrara, em conversas gravadas, as minúcias de suas tratativas com a família Guerra, que tinham por objetivo facilitar a obtenção de contratos da empresa MTA nos Correios.

No sábado, depois de, como disse, sofrer “fortes pressões”, Baracat divulgou uma nota confusa, na qual “rechaçava oficialmente informações” da reportagem, mas, em seguida, confirmava os fatos relatados. Com medo de retaliações por parte do governo, o empresário refugiou-se no interior de São Paulo. Ele aceitou voltar à capital paulista na última quinta-feira, para mais uma entrevista. Disse ele na semana passada: “Temo pela minha vida. Vou passar um tempo fora do país”. O empresário aceitou ser fotografado e corroborou, diante de um gravador, as informações antes prestadas à revista.

Baracat não quis explicar de onde partiram as pressões que sofreu, mas, em uma hora e meia de entrevista gravada, ratificou integralmente o conteúdo da reportagem. O empresário confirmou que, levado por Israel e Vinícius, encontrou-se várias vezes com Erenice Guerra, quando ela era secretária-executiva e, por fim, quando a petista virou ministra.

As primeiras conversas, narra Baracat, serviram para consolidar a convicção de que Israel não vendia falsamente a influência da mãe. Na última conversa que eles tiveram, em abril deste ano, o tom mudou. Israel cobrava dinheiro do empresário por um problema resolvido para ele na Infraero.

Diz Baracat: “Ele dizia que havia pagado na Infraero para resolver”. Na reunião, disse Erenice, de acordo com o relato do empresário: “’Olha, você sabe que a gente está aqui na política, e a gente tem que cumprir compromissos’. (…) Ficou subentendido (que se tratava da propina). (Ela) foi sempre genérica (nesse sentido). (…) Ela disse: ‘A gente é político, não pode deixar de ter alguns parceiros’”. Baracat diz que não sabe o que a família Guerra fez com o dinheiro.

O misterioso caso da comissão do Tamiflu também merece atenção das investigações iniciadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. O Ministério da Saúde, que já gastou 400 milhões de reais com a aquisição do remédio desde o ano passado, afirma que não houve qualquer ingerência da Casa Civil – e que a quantidade de Tamiflu comprada foi definida somente por critérios técnicos.

A seguir, mais uma história edificante

Em outros episódios, a participação da Casa Civil aparece de forma mais clara. VEJA apurou mais um caso no qual o poder da Casa Civil dentro do governo misturou-se aos interesses comerciais da ex-ministra, resultando numa negociata de 100 milhões de reais. Desta vez, o lobista central da traficância não é o filho, mas o atual marido de Erenice Guerra, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos.

Com a ministra Dilma Rousseff na Casa Civil e a esposa Erenice Guerra como seu braço direito, Camargo convenceu dois amigos donos de uma minúscula empresa de comunicações a disputar o milionário mercado da telefonia móvel. Negócio arriscado, que exige muito capital e experiência num ramo cobiçado e disputado por multinacionais. Isso não era problema para Camargo e seus sócios. Eles não tinham dinheiro nem experiência, mas sim o que efetivamente importa em negócios com o governo: os contatos certos – e poderosos.

Em 2005, a empresa Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, conseguiu uma concessão da Anatel para operar telefonia celular em São Paulo. Por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel, a empresa do marido ganhou o direto de entrar no mercado. De tão exótica, a decisão foi contestada pelos setores técnicos da Anatel, que alegaram que a empresa sequer havia apresentado garantias sobre sua capacidade técnica e financeira para tocar o negócio.

O recurso levou dois anos para ser julgado pela Anatel. Nesse período, Erenice e seu marido conversaram pessoalmente com o presidente da agência, conselheiros e técnicos, defendendo a legalidade da operação. “A Erenice fazia pressão para que os técnicos revissem seus parecereres e os conselheiros mudassem seu voto”, conta um dos membros do conselho, também alvo da pressão da ex-ministra.

A pressão deu certo. O técnico que questionou a legalidade da concessão, Jarbas Valente, voltou atrás e mudou seu parecer, admitindo os “argumentos” da Casa Civil. Logo depois, Valente foi promovido a conselheiro da Anatel. Um segundo conselheiro, Pedro Jaime Ziller, também referendou a concessão a Unicel. Não se entende bem a relação entre uma coisa e a outra, mas dois assessores de Ziller, logo depois, trocaram a Anatel por cargos bem remunerados na Unicel.

Talvez tenham sido seduzidos pelos altos salários pagos pela empresa, algo em torno de 30 000 reais – muito, mas muito mais do que se paga no serviço público. O presidente Elifas foi pressionado diretamente pelo Ministro das Comunicações, mas nem precisava: ele foi colega de Exéricito de um dos sócios da Unicel. Tudo certo? Não. Havia ainda um problema a ser sanado.

A legislação obriga as concessionárias a pagar 10% do valor do contrato como entrada para sacramentar o negócio. A concessão foi fixada em 93 milhões de reais. A empresa, portanto, deveria pagar 9,3 milhões de reais. A Unicel não tinha dinheiro.

Novamente com Erenice à frente, a Unicel conseguiu uma façanha. O conselho da Anatel acatou o pedido para que o sinal fosse reduzido para 1% do valor do negócio, ou seja, pouco mais de 900 000 reais. A insólita decisão foi contestada pelo Ministério Público e, há duas semanas, considerada ilegal pela Justiça.

Com a ajuda estatal, a empresa anunciou o início da operação em outubro de 2008, com o nome fantasia de AEIOU, prometendo tarifas mais baixas para atrair o público jovem, com o compromisso de chegar a um milhão de clientes em dois anos. Como foi previsto pelos técnicos, nada disso aconteceu.

Hoje, a empresa tem 20 000 assinantes, sua única loja foi fechada por falta de pagamento de aluguel e responde a mais de 30 processos por dívidas, que ultrapassam 20 milhões de reais. Mau negócio? Apesar da aparência, não. A grande tacada ainda está por vir.

O alvo do marido de Erenice é o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) – uma invenção que vai consumir 14 bilhões de reais para universalizar o acesso a internet no Brasil. O grupo trabalha para “convencer” o governo a considerar que a concessão da Unicel é de utilidade pública para o projeto. Com isso, espera receber uma indenização. Valor calculado por técnicos do setor: se tudo der certo, a empresa sairá com 100 milhões de reais no bolso, limpinhos.

Dinheiro dos brasileiros honestos que trabalham e pagam impostos.

A participação da Casa Civil no episódio ultrapassa a intolerável fronteira das facilidades e da pressão política. Aqui, aparecem diretamente as promíscuas relações entre os negócios da família Guerra e os funcionários que, dentro da Presidência da República, deveriam zelar pelo bem público.

A Unicel contou, em especial, com os favores de Gabriel Boavista Lainder, assessor da Presidência da República e dirigente do Comitê Gestor dos Programas de Inclusão Digital, que comanda o PNBL. Antes de ocupar o cargo, Gabriel trabalhou por oito anos com os donos da Unicel. Mas isso é, como de costume, apenas uma coincidência – como também é coincidência o fato de ele ter sido indicado ao cargo pelo marido de Erenice.

“O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”, diz Laender. E completa: “O PNBL não contempla o uso da faixa da Unicel, mas ela pode operar a banda larga do governo se fizer adaptações técnicas” É um escárnio.

Camargo indicou o homem que pode resolver os problemas de sua empresa. Procurado, o marido de Erenice não quis se pronunciar. Na Junta Comercial, o nome de Camargo aparece como sócio de uma empresa de mineração, que funciona em modesto escritório em Brasília. Um probleminha que pode chamar a atenção dos investigadores: a Unicel está registrada no mesmo endereço, que também era usado para receber empresários interessados em negócios com o governo. Certamente mais uma coincidência.

* Com reportagem de Rodrigo Rangel, Daniel Pereira, Gustavo Ribeiro e Fernando Mello.

Combate ao crack vira mote eleitoral

Eis artigo do professor Antonio Mourão Cavalcante intitulado “Drogas e Eleições”, onde ele aborda o caso do combate ao crack como mote para atrair o eleitorado. Confira:

“Eu tinha medo e acabou acontecendo. A droga, sobretudo o crack, virou tema central das campanhas eleitorais. Os políticos se esforçam por apresentar soluções mágicas: mais repressão, mais traficantes na cadeia. E tudo está resolvido! Mais simplista impossível…

Longe de significar uma rima, nem é uma solução. Esse discurso significa que ainda continuamos boiando na compreensão e, por consequência, num encaminhamento com resultados consistentes.

Onde a coisa deu certo, a ênfase não foi posta na repressão, nem no tratamento, apesar de extremamente necessários. O mais radical – no sentido de ir às raízes – é fazer uma prevenção de qualidade. Chegar antes.

No caudal dessa assertiva, investir maciçamente nas matrizes
dos valores sociais, tão abandonadas e tão desprestigiadas: a família, a escola e a comunidade.

As políticas sociais conseguiram abstrair a família. É programa para recém-nascido, criança, adolescente grávida, jovem adulto, idoso, mulher, GLS, trabalho infantil, etc. E as iniciativas para fortalecer os laços familiares? Há muito tempo escuto falar que “família reproduz modelos caducos de dominação das pessoas.” Melhor que ela se acabe!

A escola não consegue ensinar, muito menos formar. Virou uma espécie de ajuntamento coletivo. Os professores foram destituídos do papel de guias dos jovens. Assim, quebra-se o eixo por onde os valores poderiam ser edificados. Escola hoje é sinônimo de abandono e bagunça.

Atônita, a sociedade se esgarça. Pede mais polícia, mais repressão. Paradoxalmente desesperada, afoga-se na busca de uma felicidade comprada – dinheiro e consumo – e, na consideração que o vizinho é um inimigo. Estamos isolados por muros e cercas elétricas. Sim, deveria falar da imprensa. Ela faz mais que noticiar. Escancara o desespero em manchetes que reforçam a prática de políticas repressivas. Vira clamor!

Enquanto isso, na TV, o Tiririca e o Lula, alternando a propaganda eleitoral, repetem bordões de felicidade e gaiatice. Pobre Brasil!

Antonio Mourão Cavalcante -Médico, antropólogo e professor universitário.

a_mourao@hotmail.com

VAMOS NÓS – Um detalhe que o professor Mourão não citou é que o caso do combate ao crack virou tema de campanha eleitoral porque atrai a simpatia de pais e consta como preocupação da família. Portanto, é bater nessa tecla para conseguir votos nesse nicho e atrair jovens.

Aécio nega que vá deixar o PSDB

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“O ex-governador de Minas Aécio Neves, candidato ao Senado, divulgou nota em que nega, “de forma veemente”, que pretenda sair do PSDB no ano que vem para fundar um novo partido. A informação está na capa da última edição da revista Carta Capital, que começou a circular na sexta-feira. De acordo com a reportagem, Aécio teria revelado esse desejo em um jantar com empresários no Rio de Janeiro. “Essa informação não tem qualquer fundamento”, diz Aécio, na nota.

O ex-governador lembra na nota que não é a primeira vez que se ventilam boatos dando conta de que ele poderia mudar de partido. Há dois anos, quando Aécio participou no Congresso de uma homenagem do PMDB a seu avô, Tancredo Neves, também surgiram especulações de que ele deixaria o partido dos tucanos para virar peemedebista. No processo de escolha do candidato à Presidência do PSDB, quando Aécio foi preterido e o escolhido foi José Serra, voltaram histórias sobre sua saída do partido. “O PSDB é minha casa e, não apenas vou permanecer nele, como estou lutando para dar ao partido uma bela vitória em Minas”.

Partido nacional

Segundo um auxiliar próximo de Aécio no governo de Minas, ao contrário do que diz a revista Carta Capital, os planos agora do ex-governador, na verdade, estão todos relacionados com o PSDB. A derrota de Serra no plano nacional e o próprio desempenho do PSDB em São Paulo projetam para uma grande possibilidade de alteração do eixo de comando do partido. “Pela primeira vez, o PSDB tem chance de se tornar um partido nacional, e não apenas paulista”, diz esse auxiliar.

Com a desistência de Orestes Quercia (PMDB), São Paulo provavelmente não terá senadores oposicionistas – além de Eduardo Suplicy (PT), que permanece, os eleitos deverão ser Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PCdoB). Em contrapartida, Aécio tem chances de vir como o senador mais votado, puxando o ex-presidente Itamar Franco (PPS) em Minas. Tasso Jereissati deve reeleger-se com facilidade no Ceará. E há a perspectiva de formação de novos nichos oposicionistas em Goiás e no Rio Grande do Norte. “Só quem já fundou um partido sabe o tamanho da dificuldade. Parece muito mais fácil aproveitar a derrocada paulista e refundar por dentro o próprio PSDB”, avalia esse auxiliar. 

Leia abaixo a nota de Aécio Neves:
 
“Essa informação não tem qualquer fundamento. É mais uma especulação infundada, sem qualquer relação com a realidade, a exemplo dos mesmos boatos que, ano passado, davam como certa minha saída do PSDB. O PSDB é minha casa e, não apenas vou permanecer nele, como estou lutando para dar ao partido uma bela vitória em Minas.”

(Congresso em Foco)

VAMOS NÓS – Tudo bem que Aécio negue que vá deixar o PSDB, mas as especulações sobre esse tema são antigas e ainda do tempo em que ele foi barrado pela paulistada quando queria ser candidato a presidente da República com aval, inclusive, de Tasso Jereissati. Mas essa história de deixar o PSDB ainda vai render. Fala-se sempre que Aécio e outras lideranças nacionais como Ciro Gomes teriam o desejo de criar mesmo um outro partido como forma de abrigar insatisfeitos com o modelo petista e com o jeito tucano de fazer política. Falta agora Ciro Gomes negar essa tese.

Qual o futuro do Jornalismo Impesso?

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ALAN RUSBRIDGER

Eis artigo que captamos do Blog Gente de Mídia, do querido Nonato Albuquerque que, por sua vez, captou de uma dica do twitter da jornalista Fátima Sudário, editora do O POVO. O título é por demais sugestivo e vale a epenas ser lido, digerido e discutido nas redações e nas faculdades da área.

O futuro do jornalismo digital

Joseba Elola, IHU – Instituto Humanitas Unisinos

 Rusbridger dirige o prestigioso jornal britânico The Guardian, que conta com o segundo site de fala inglesa mais visitado do mundo entre os jornais de qualidade. Ele sempre está à frente de seu tempo, um visionário, um viciado em novas tecnologias. Ele afirma que o iPad e os aplicativos do iPhone são grandes passos na revolução digital das mídias.

 

Alan Rusbridger teve, há um ano, em suas mãos uma informação que não podia publicar. Referia-se a uma empresa petrolífera. Estava amarrado de pés e mãos por uma ordem judicial. Assim que pôde, pôs uma mensagem em seu Twitter – rede social de mensagens curtas – que, lembra, dizia algo como: “Desculpem, não podemos publicar a história de uma companhia que eu não posso nomear por razões que não posso dizer”.

Rusbridger conta que, em questão de 24 horas, os usuários do Twitter se encarregaram de desvendar de que companhia se tratava, quais eram os documentos comprometedores e o que impediu o jornal britânico de publicar a reportagem.

A bola se tornou tão grande que a história acabou estourando, e foram revelados os abusos ambientais e contra a saúde em que a empresa petrolífera Trafigura da Costa do Marfim havia incorrido.

Essa é a força da revolução digital. Estas são as vantagens das novas ferramentas. Quem afirma com entusiasmo é Alan Rusbridger, diretor do lendário jornal britânico The Guardian, um jornalista radicalmente convencido de que o melhor ainda está para vir, de que as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias nos levarão a um melhor jornalismo.

O site do seu jornal, guardian.co.uk, é o segundo mais importante do mundo dentre os jornais de qualidade de fala inglesa, atrás do The New York Times. Afirma ter 35 milhões de usuários únicos, um terço deles norte-americanos. O velho jornal de Manchester, que nasceu em 1821, é hoje referência da esquerda que mora do outro lado do Atlântico.

Rusbridger se senta em uma cadeira perto da enorme janela que ilumina o seu escritório. Seu cabelo está um pouco bagunçado, não usa gravata, não aparenta ter nem de longe seus 56 anos de idade. Dá a impressão de ser um homem sereno. Faz dez minutos de ioga todas as manhãs e toca piano e clarinete. Além disso, é um autêntico friki, no sentido mais tecnológico do termo, um autêntico viciado nos dispositivos da nova geração. A primeira coisa que ele fez foi pegar o gravador digital com o qual esta entrevista foi gravado e observá-lo atentamente. Virou-o, passou as mãos. “Hum, deve ser um modelo muito recente”, reflete.

“O Twitter é a ferramenta jornalística mais poderosa que apareceu nos últimos… hum… dez anos”, afirma, depois de vacilar e pensar bem se são dez, quinze ou vinte anos. Ele fala olhando para as águas do canal que passa debaixo do seu escritório, situado em um rutilante edifício de vidro, plantado no meio de uma velha Londres de marca industrial.

“Quando o Twitter apareceu, pensei que isso não tinha nada a ver com o jornalismo. Fui tão estúpido. Durante três meses, pensei: ‘Sou muito velho para isso’. ‘Só 140 caracteres, deu’. Eu estava completamente errado. Os meios de comunicação que tiverem uma visão muito estreita do que é o jornalismo e de como ele é feito estão condenados”.

Rusbridger dá um exemplo recente para explicar a força da revolução digital. Há duas semanas, o The New York Times publicou uma obscura matéria sobre Rupert Murdoch e escutas ilegais. Revelava que um jornalista do tabloide News of the World, de propriedade de Murdoch, havia feito grampos para obter informações e que o então diretor do jornal, Andy Coulson, hoje diretor de comunicação do novo primeiro-ministro, David Cameron, estava a par disso. “Durante 48 horas, ninguém neste país fez eco da história”, relata Rusbridger. “Nem a BBC nem a Sky News disseram alguma coisa. No entanto, no Twitter, milhares de usuários clamavam: ‘O que está acontecendo que isso não virou notícia?’. Chegou um momento em que o poder das pessoas fez com que a história se tornasse impossível de ignorar por parte da mídia. E esse é apenas um exemplo”.

Eis a entrevista.

Está claro que os meios de comunicação tradicionais estão falhando em alguma coisa, estão fazendo alguma coisa errada…
Sim. Aí está o Wikileaks, que se converteu em uma marca confiável, o site para filtrar documentos. O que aconteceu para que os jornais tradicionais tenham sido superados, do ponto de vista da confiança das pessoas, por um australiano e um grupo de hackers localizados em diferentes partes do mundo? O que eles fizeram e o que nós não fizemos?

Talvez os meios de comunicação tradicionais se misturaram muito com o poder político com o econômico, com as grandes empresas? Talvez se esqueceram do que é preciso relatar?
As pessoas gostariam que nós investigássemos essas grandes empresas, esses centros de poder, que fizéssemos reportagens das boas. Mas esse tipo de jornalismo é caro, e pensamos que não é muito sexy, e por isso deixamos de fazê-lo.

A ironia aflora. Rusbridger, de discurso límpido e clarividente, não pode ser mais britânico: acompanha o início de cada intervenção com esses pequenos gaguejos tão característicos do inglês mais polite.

Ele defende que, precisamente por esse abandono de funções da imprensa tradicional, uma Internet aberta e colaborativa é essencial: “Essa filosofia de estar aberto, publicar, relacionar, de fazer com que a informação esteja disponível, é uma ideia simples e poderosa. Como um meio de comunicação, você tem duas opções: você pode fazer parte desse mundo aberto ou dizer: ‘O que fazemos é tão valioso que vamos esconder aqui'”.

No que se refere ao seu meio de comunicação, ele é claro: “O conservador, agora, é ser radical. Pensando no futuro do The Guardian, para conservá-lo, devo ser conservador ou radical com a Internet? Vendo as possibilidades de futuro do papel, que não parecem ser muito boas, se eu quero ser conservador na questão de proteger o The Guardian, meu instinto me diz que devo ser mais radical no digital”.

Você é um firme defensor da web aberta e tem clareza de que os sites pagos não são o caminho a seguir.
É o que o meu instinto me diz. A web é uma questão de estar aberto, de vincular informação. Jornalisticamente, eu acho que é melhor fazer parte desse sistema: se você está aberto e colabora, toda a informação que existe ali fará com que você ganhe em riqueza, em poder e lhe dará recursos que você não vai conseguir por sua própria conta. Assim, acho que há um imperativo jornalístico e outro financeiro para estar aberto. Lincando a outros sites, publicando talvez materiais de outros, tornamo-nos uma plataforma de conteúdo e não só em editores do nosso. Acho que essa é uma ideia que tem muita força.

Instinto, instinto. Rusbridger pronuncia essa palavra seis vezes durante a entrevista. Foi seu instinto que o levou a apostar sem rodeios na web em 1998. Desde o início, no The Guardian, tinham clareza de que precisavam de tecnologia e de uma boa equipe de desenvolvedores. Investiram mais de 12 milhões de euros na construção de um site sob medida. Apostaram logo na interatividade, na vertente social, abraçaram os blogs.

O processo de integração entre a cultura digital dos recém-chegados e os jornalistas do papel foi paulatino, lento, medido. Esse, diz, é um dos fatores que ajudam a explicar seu sucesso: “Se você faz a integração muito depressa, você oprime as pessoas do papel. Você tem que deixar que as pessoas assimilem as coisas pouco a pouco”.

Há quatro anos, em um momento em que algumas companhias de comunicação cortavam o acesso de seus funcionários ao Facebook para evitar distrações, Rusbridger obrigou seus jornalistas a abrir uma página na rede social, a colocar fotos, vídeos. E fez o mesmo há dois anos com o Twitter. Ele diz que, dos 640 jornalistas da redação que elaboram o The Guardian, o The Observer (jornal dominical) e o site, 90% já são “jornalistas digitais”.

Como vocês vão competir com os meios da nova era, que contam com quadros de funcionários muito mais estreitos? Devemos esperar novas perdas de postos de trabalho nos jornais?
Eu não sei qual vai ser a renda, por isso não sei a resposta a essa pergunta. Neste momento, o dinheiro não está aí, mas a indústria pode mudar… Meu instinto me diz que será difícil manter o tamanho dos quadros que tivemos no passado.

De fato, aqui no The Guardian houve cortes de funcionários, e, no ano passado, 50 jornalistas abandonaram a casa. Essa é a parte mais difícil do processo?
Em dois anos, perdemos 80 pessoas, mas todos os que foram embora fizeram isso voluntariamente. Não tivemos que fazer demissões obrigatórias. É muito difícil, perdemos pessoas muito valiosas, mas todos optaram por ir embora.

O The Guardian arrecadou no ano passado 48,6 milhões de euros por meio do seu braço digital (cerca de 10% das receitas, tendo faturado 490 milhões de euros). Vendeu 120 mil aplicativos para o iPhone, programas que permitem a leitura do jornal no celular da Apple. “Estamos só há seis meses na revolução dos aplicativos”, diz. “É cedo para saber de que modo eles vão mudar o mundo”.

Rusbridger adora o iPad: “Ele oferece uma forma fantástica de consumir notícias. É um passo adiante na revolução digital, o primeiro dispositivo em dez anos que lhe obriga a voltar a imaginar como você ordena a informação, como você encontra seu caminho nele, como você o mistura com outras mídias”. O The Guardian está cozinhando em fogo baixo o seu aplicativo para o iPad. Rusbridger não quer um aplicativo “retro”, como o do The New York Times ou do Financial Times. Ele pensa que o novo dispositivo requer uma nova linguagem.

“Sou um viciado em tecnologia, é preciso ser. Eu compro tudo o que sai. Os novos leitores, os novos telefones. Até você não os provar e os sentir, não sabe como funciona a coisa”. Para explicar o momento em que nasceu seu vício pelos dispositivos eletrônicos, ele se levanta, solícito, e começa a vasculhar entre as caixas de papelão atrás da sua mesa de trabalho. Orgulhoso, extrai de seu cemitério de velhos aparelhos o seu primeiro computador, um Tandy TRS-80.

Seu fascínio pela tecnologia nasceu no dia em que essa relíquia caiu em suas mãos. Foi em 1984. Descobriu uma ferramenta que lhe permitia enviar suas crônicas com o número de palavras exato: os editores já não amputariam o fim de suas colunas, onde ele costumava alojar as suas piadas.

Tal era a sua experiência, que, em 1986, em uma viagem para cobrir a visita da família real à Austrália, conseguiu sozinho transmitir uma crônica por telefone: para isso, se pôs em contato direto com a empresa telefônica australiana, conseguiu um código e telefonou para uma pequena empresa londrinense que era a única capaz de converter esse código e redirecioná-lo a um computador da redação do The Guardian. Ele conseguiu transmitir sua crônica em dez minutos. Ditá-la por telefone, como se costumava fazer então, teria levado 90 minutos. “Devemos ser inteligentes com todas as novas plataformas que estão surgindo e encontrar a forma de adaptar o nosso jornalismo e as plataformas ao software e aos hábitos dos leitores”.

Em que ponto da revolução digital nos encontramos agora?
Ainda estamos em uma fase incrivelmente precoce. Por isso, é cedo para dizer que as operações digitais nunca vão poder sustentar o jornalismo, ou para dizer que não vemos claro o plano de negócios. Não há por que tomar decisões drásticas tão cedo.

Os diretores de jornais, na nova era digital, parecem ser menos independentes do que antes das exigências do negócio e das pressões das empresas jornalísticas. Concorda?
Sim, acho que é verdade. É porque tudo se tornou mais complicado. Não digo que antes fosse fácil, mas você sabia de onde vinha o dinheiro: publicidade e exemplares vendidos. Agora, as decisões tem a ver com a tecnologia, o jornalismo e a publicidade. São mais tridimensionais. Os diretores têm que intervir mais nessa conversa, e isso nos distrai da tarefa de editar.

E nesse sentido, combinando essa menor independência com o fato de que a tecnologia abre novas portas, você diria que hoje fazemos um jornalismo melhor do que no passado?
Sim. O The Guardian está chegando a um público infinitamente maior do que antes. O seu impacto e sua influência internacionais são muito maiores. Usando as ferramentas que estamos empregando, o que oferecemos aos leitores é mais amplo, mais profundo e responde a mais perguntas do que nunca.

> Alan Rusbridger, diretor do The Guardian desde 1995 e editor-chefe da Guardian News & Media, 56 anos.

> Repórter, colunista, assistente de direção do The Guardian. Rusbridger passou por todos os postos. Foi correspondente em Washington do jornal London Daily News.

> Os dados. O site do The Guardian tem 35 milhões de usuários únicos. É o segundo site mais importante entre os jornais de qualidade de fala inglesa, depois do The New York Times. Um terço de seus usuários únicos estão na América do Norte. O jornal imprime 286 mil exemplares.

> Sua aposta. Está cozinhando em fogo baixo um aplicativo para o iPad. Diz que um novo suporte requer uma nova linguagem.

> Ele. É casado e tem duas filhas. Faz dez minutos de ioga por dia e toca piano e clarinete.

(Fonte – jornal El País (12/09/2010); com tradução de Moisés Sbardelotto e revisão do IHU On-Line.

O Pacto, Salmito e o sonho?

“O “Pacto por Fortaleza – A cidade que queremos até 2020” fará seu segundo encontro de trabalho hoje, das 8 às 13 horas, no auditório da Câmara Municipal. Os trabalhos serão coordenados pelo presidente da Casa, Salmito Filho, envolvendo membros dos cinco eixos temáticos: “Segurança Pública e Cidadania”, “Mobilidade Urbana”, “Resíduos Urbanos e Geração de Renda”, “Qualidade de Vida” e “Desenvolvimento Econômico e Social”.

Cada grupo colocará resultados do que tem coletado de propostas junto à sociedade, o que será avaliado para ser incluído em uma agenda de compromisso. Essa agenda, segundo Salmito, será apresentada à Prefeitura e ao Governo do Estado em dezembro.

Detalhe: Após o encontro, Salmito, sempre lista como “prefeiturável”, rumará para Sobral. Ali se engajará numa caminhada pró-Cid Gomes (PSB).”

(Coluna Vertical, do O POVO)