Blog do Eliomar

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PIB nacional deve chegar a 7,10%, estimam analistas

“A estimativa de analistas do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, oscilou de 7,09% para 7,10%, neste ano. Para 2011, permanece a expectativa de 4,5%, há 37 semanas seguidas, segundo o boletim Focus, divulgado às segundas-feiras pelo Banco Central (BC). A expectativa para o crescimento da produção industrial, neste ano, passou de 11,57% para 11,49%. Para o próximo ano, a previsão de expansão da produção industrial foi mantida em 5%.

A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB permaneceu em 40,77%, em 2010, e em 39,50%, em 2011. A expectativa para a cotação do dólar também não foi alterada: R$ 1,80, ao final deste ano, e R$ 1,85, ao fim de 2011. A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) permaneceu em US$ 15 bilhões, neste ano, e passou de US$ 8,68 bilhões para US$ 9 bilhões, em 2011.

Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior) a estimativa passou de US$ 49 bilhões para US$ 49,91 bilhões, neste ano, e de US$ 58 bilhões para US$ 57,90 bilhões, em 2011.

A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) caiu de US$ 32 bilhões para US$ 31 bilhões, neste ano, e de US$ 38,50 bilhões para US$ 38,20 bilhões, em 2011.”

(Agência Brasil)

Limoeiro do Norte ganha filial de Pinheiro Supermercado nesta 4ª feira

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O empresário Honório Pinheiro convidando para a inauguração, às 10 horas desta quarta-feira, de sua filial Pinheiro Supermercado na cidade de Limoeiro do Norte (Vale Jaguaribano). Ali, o novo ponto oferecerá para os clientes uma loja com 16 mil itens, além de uma estrutura com restaurante, parque infantil, cinema, lojas comerciais, auditório para eventos e um amplo estacionamento, gerando 175 empregos diretos na região.

Para o público, a abertura do novo supermercado ocorrerá a partir das 15 horas. Com essa filial, o Grupo Pinheiro Supermercado sobe para oito oi número de suas filiais no Estado.

Presidência compra 800 lixeiras por R$ 23,2 mil

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A Secretaria de Administração da Presidência da República anda preocupadíssima com o item limpeza. O órgâo investiu maciçamente na compra de 800 lixeiras no último dia 13, quando foram emitidas duas notas de empenho reservando um total de R$ 23,2 mil em orçamento para a aquisiçâo.

São 150 lixeiras para sanitários em aço inox, com cesto removível e tampa por pedal. Outras 50 para áreas de circulação, sem tampa, também em aço. Mais 100 lixeiras vão para copas, banheiros e reprografia. E, por fim, 500 lixeiras têm como destino mesas de escritório. Ou seja, as lixeiras vão invadir à Presidência, estarão em todos os lugares. Eita povo com mania de limpeza!

(Site Contas Abertas)

Já no Legislativo, o Senado Federal gastou suas energias na escolha de um acervo de presentes para presidentes de nações que visitem a Casa Legislativa. Em uma demonstração de bom gosto e não querendo fazer feio, o órgão reservou em orçamento pouco mais de R$ 7,9 mil para comprar cinco peças de autoria da artista plástica Maria Bonomi. As gravuras adquiridas deverão ser utilizadas na troca de presentes com chefes de nação recebidos pela Presidência do Senado. Maria Bonomi, com mais de 50 anos de carreira, é considerada uma das maiores gravuristas do país.

Preocupado com a fama e de olho no público de 700 mil pessoas que devem visitar a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 12 a 22 deste mês, o Senado também reservou outros R$ 90,6 mil em orçamento para montagem de um estande no evento. Em um espaço de 114 metros quadrados, o Senado apresenta suas principais obras e promove lançamentos de livros. A organização do evento espera 180 mil estudantes do Ensino Médio e Fundamental. Portanto, crianças, não deixem de prestigiar o nosso Senado Federal e conhecer mais sobre as nossas excelências.

Dilma empolga pouco em porta de fábrica

“O comício da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, na manhã desta segunda-feira (23) ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na montadora de carros Mercedes Benz, em São Bernardo, foi rápido e empolgou pouco. No berço político de Lula, Dilma selou um “acordo” com os trabalhadores. Seguindo a estratégia de campanha de levar a petista para falar em lugares-símbolo da luta contra a ditadura, hoje a escolha foi uma das montadoras em que o então sindicalista Lula discursava no final da década de 70.

As falas de hoje foram rápidas. Começaram às 5h40, antes do início do expediente, e terminaram por volta das 6h. Apesar de pátio da empresa ter sido tomado por cerca de 4.000 trabalhadores, pouca gente se empolgou com os 20 minutos de discursos.

A maioria dos operários acompanhou de braços cruzados o que diziam o candidato ao governo do Estado, Aloizio Mercadante (PT), a candidata ao Senado, Marta Suplicy (PT), e a própria Dilma.

A presidenciável disse que o governo Lula teve “o foco principal” nos trabalhadores e que esse “compromisso” ela “assumia” naquele momento.

– Eu sei que é de madrugada. Eu vim aqui para assumir com vocês um compromisso. Um compromisso que ao longo dos últimos anos o presidente Lula assumiu e que agora nós construímos as condições para que esse compromisso avance. É um compromisso de governar olhando, cuidando e levando em consideração os direitos dos trabalhadores deste país.

Os únicos animados foram os petistas colocados estrategicamente em frente ao carro de som sobre o qual os políticos se acomodaram.

Alguns trabalhadores só se interessaram quando Lula tomou o microfone. Ele lembrou que, durante a ditadura, um “major” sempre filmava e gravava tudo o que ele dizia nas assembleias na Mercedes.

Em pouco tempo, Lula deu o recado. Ele disse que levou Dilma até lá para ela “pegar energia na porta de fábrica, onde tudo começou”. Em seguida, reafirmou a “confiança” em sua candidata antes de reforçar seu compromisso com os trabalhadores:

– Ela sabe o grau de confiança que eu tenho nela e ela em mim. Então ela veio até aqui fazer um compromisso aqui. Eu não serei só seu ajudante como vou ajudar o pessoal a telefonar e dizer “presidenta, sabe o que a senhora prometeu na porta de fábrica?”.

No final, Lula convocou os trabalhadores a formarem uma fila para cumprimentar Dilma. Ele mesmo disse que, apesar do aparato de comício, a intenção original era apenas dar a chance de os trabalhadores “apertarem a mão da futura presidenta”.

A confiança de Lula na eleição de sua candidata foi tanta, que ele fez um mea culpa por já ter se referido a Dilma como “nossa presidenta”.

– Eu digo “a nossa presidente” porque eu tenho a convicção de que, se Deus está conosco, quem estará contra a gente?

(Com Agências)

Alô, Cagece! A lama predomina nas ruas das cidades da Região do Cariri

“A lama escorrendo a céu aberto, inclusive nos bairros em que há rede de esgoto implantado pela Cagece, é uma cena comum em toda Juazeiro do Norte. São 68 mil ligações de água. O gerente local da Companhia diz que, desse total, já seria possível ter 40 mil na rede coletora de esgoto, porém só foram efetivadas 19 mil interligações. Ou melhor, agora só tem 17.700, pelo fato de 1.300 pessoas terem desistido do serviço só neste ano.

Em Barbalha, 67% da cidade é atendida com o sistema de saneamento básico e não usa 10% do potencial que tem. O grande problema é o valor dobrado que as pessoas passam a pagar na conta, mensalmente. Galba explicou que em Juazeiro, 15 mil ligações são condominiais. Portanto só pagam, por lei, 55% do valor e mesmo assim, há desistência.”

(Blog de Beth Rebouças)

Justiça manda Estado fornecer remédio para portadora de câncer de mama

“O juiz Joaquim Vieira Cavalcante Neto, que estava respondendo pela 2ª Vara de Execuções Fiscais do Fórum Clóvis Beviláqua, determinou que o Estado do Ceará forneça, durante um ano, o medicamento Herceptin para a paciente M.Z.T.L.. A decisão foi publicada na última quarta-feira, no Diário da Justiça Eletrônico.

Segundo consta no processo (nº 0120626-57.2010.8.06.0001), M.Z.T.L. é portadora de câncer de mama e não tem condições financeiras para comprar o remédio, que custa cerca de R$ 5.800,00 e não é fornecido pelo Instituto do Câncer, onde ela faz tratamento com sessões de quimioterapia, desde 26 de julho deste ano.

Sem o uso do medicamento, de acordo com os autos, a situação da paciente pode agravar-se e levá-la a óbito. Em caso de descumprimento da determinação judicial, o Estado deverá pagar multa diária de R$ 5 mil.”

(Site do TJ-CE)

Olha a Eunifolia aí, geennnte!!

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Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados e candidato a vice na chapa da petista Dilma Rousseff, deixou o Ceará no começo desta madrugada de sergunda-feira. Ele esteve na festa “Eunifolia”, uma espécie de micareta promovida pelo prefeito de Iguatu (Centro-Sul), Agenor Neto, em torno do candidato a senador Eunício Oliveira. Quem conferiu, disse ter sentido saudade dos showmícios. 

* Pelas fotos de Queiroz Neto dá para perceber que a festa foi de arromba mesmo.

 

Pêsames ao querido Dilson Pinheiro

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Será enterrada às 11 horas desta segunda-feira, no Cemitério Parque da Paz, Nicinha Pinheiro. Ela era a mulher do cantor, compositor e apresentador da TV Ceará, Dilson Pinheiro. Nicinha vinha lutando contra um câncer há meses.

Neste momento, acontece missa de corpo presente no próprio cemitério.

Os pêsames deste Blog.

Serra despenca na pesquisa e a culpa é dos programa de tv

No início da tarde da quarta-feira (18), no teatro TUCA, em São Paulo, logo depois do final do debate UOL/Folha de São Paulo com os candidatos à Presidência, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), esquivava-se com um sorriso educado de perguntas sobre dois temas. O primeiro: por que ele, vestido com uma jaqueta de couro preta e uma camisa esportiva rosa, era o único político ali que não estava de paletó e gravata? O que tinha achado do programa eleitoral de Serra, iniciado um dia antes, com referências ao presidente Lula e o candidato chamado de “Zé”, em frente a uma favela de mentira, desenhada virtualmente?

À primeira pergunta, ele explicava que tinha ido para São Paulo participar de reuniões com a cúpula da campanha de Serra que foram se estendendo além do previsto. Resultado: não tinha mais camisas sociais limpas. Para a segunda, a esquivada era total: “Não vi o programa. Ficou ruim essa favela, é? Vamos ter que ver”.

O que Sérgio Guerra evitava dizer é que mesmo ali, recém iniciado o horário eleitoral, já começavam as primeiras avaliações que apontavam para a desconfiança de que a campanha do candidato do PSDB tinha errado feio na concepção dos programas de TV. O mau desempenho de Serra esticava as reuniões de cúpula, que mantinham Sérgio Guerra, mesmo sem roupas limpas, em São Paulo. E as críticas só cresceram nos bastidores ao longo da semana. E  começaram a se explicitar, ainda que de forma tímida, depois de divulgada no sábado (21) a última rodada da pesquisa Datafolha, que mostra a candidata do PT, Dilma Rousseff, 17 pontos na frente. Se as eleições fossem hoje, segundo o Datafolha, Dilma detonaria Serra ainda no primeiro turno.”

 (Congresso em Foco)

Sanfoneiro diz que forró pé-de-serra perdeu espaço em Fortaleza

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Durante entrevista ao programa Enconro com Egídio Serpa (TV Diário), nesse domingo, Luizinho Calixto, considerado um dos melhores sanfoneiros do Brasil, deitou e rolou interpretando interpretando clássicos do cancioneiro nacional como “Enxuga o rato”, “Feira de mangaio” e “Saxofone, por que choras”. Mas o que chamou a atenção, nessa entrevista, foi o fato dele ter dito que atualmente seu trabalho está mais concentrado no Recife (PE), onde o público, a crítica, a imprensa e as autoridades valorizam muito o forró tradicional, o chamado “pé-de-serra”.

Luizinho Calixto disse que Fortaleza está praticamente fechada para artistas do seu estilo, porque aqui o que prevalece são as chamadas bandas de forró eletrônico. Egídio Serpa então perguntou a que se deve essa diferença cultural entre Recife e Fortaleza, no que o sanfoneiro não poupou: “Porque lá, o secretário de Cultura é o Ariano Suassuna!”

(Também com Blog de Juracy Mendonça)

O garoto de mil e uma faces da Bombril

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Olha só que bela entrevista Carlos Moreno, o “garoto-propaganda da Bombril”, concedeu para a repórter Luar Brandão e que pode ser conferida no O POVO desta segunda-feira:

Quando cruzou a porta da sala, nem de longe parecia o moço com o qual a gente se ri, em frente à televisão. Carlinhos, como prefere ser chamado, usava roupas que acompanhavam os tons da pele e, por cima dos ombros, deixava descansar um suéter sem motivo de ser aqui, em Fortaleza.

Nada de fantasia de Mona Lisa, papa, Obama, Joãzinho, Mariazinha, Che Guevara ou He-Man. Nada de jeitinho tímido vendendo palhinha de aço. Nada. Podia-se até duvidar que era ele mesmo. Mas foi só abrir a boca e começar a contar da vida.

O tom da fala, os olhos, as expressões que acompanhavam a essência de cada palavra denunciavam ali o garoto propaganda da Bom Bril. Desde o dia em que foi descoberto pelo produtor Oscar Caporalli, em 1977, enquanto encenava a comédia musical Folias Bíblicas, em São Paulo, foram 32 anos de campanha e mais de 337 comerciais. Entrou no livro dos recordes e na vida dos brasileiros.

Mas ele deixa todo o mérito com os publicitários Washington Olivetto (W/Brasil) e Franciso Petit, e toda equipe de criação. Quase tão humilde e gentil como o da televisão, é assim Carlos Moreno, o ator que dá ao acaso o papel de protagonista da própria vida.

Em tempo. Pelo menos a escolha do suéter me pareceu premeditada. Depois de alguns minutos, a sala da entrevista ficou glacial. Sem drama.

O POVO – Por que o garoto propaganda da Bom Bril agrada tanto a ponto de marcar a história da propaganda brasileira? Que perfil é esse que conquistou milhões de consumidores?

Carlos Moreno – O personagem tem uma característica muito brasileira que é o humor. De alguma maneira também ele preserva valores como a pureza, a falta de malícia, a honestidade, valores que deviam ser o alicerce da sociedade e que já foram mais importantes em alguma época e hoje estão perdidos por aí. Então com o humor e a honestidade, ele criou vínculo com as pessoas, fez com que elas se sentissem próximas, elas acreditam no que ele fala.

OP – É a mesma relação estabelecida entre todas as pessoas, independente de gênero, idade?

Carlos Moreno – A campanha no começo foi dirigida muito para as donas de casa, então os elogios vinham mais do sexo feminino. Os homens vinham para dizer que a esposa ou mãe gostava muito de mim. Meio que se eximiam. Hoje é todo mundo. Algumas pessoas confundem ator com personagem, conversam comigo como se (naquele momento) eu fosse o garoto propaganda da Bom Bril. Outras do meio publicitário mesmo vêm elogiando minha participação. É…acho que ele deu muito certo com todas as classes.

OP – No início, o personagem da Bom Bril incorporou um químico bem tímido. Você acha que não ser um estereótipo conquistou os telespectadores logo de cara?

Carlos Moreno – Acho a biografia do garoto Bom Bril um diferencial muito importante para o sucesso da campanha. Ele não era um executivo bem-sucedido ou uma dona-de-casa super feliz. Era um químico industrial da Bom Bril. Então você imagina, né, quem trabalha em laboratório é mais introvertido, meticuloso, cuidadoso. Ele tinha profundo conhecimento do produto e orgulho de trabalhar naquela empresa. Por alguma circunstância, no entanto, ele foi obrigado a estar na frente da câmera falando dos produtos, então fica muito constrangido. Era um homem comum, meio deslocado, que não devia estar ali. Fui jovem, óbvio, mas eu nunca fui lindo, um padrão de beleza. As pessoas estavam vendo um cara igual a elas, falível, de uma honestidade…então ficava uma coisa muito simpática, né?

OP – Você disse que as pessoas confundem você com o personagem. Claro, você é um e o personagem é outro, mas existe um ponto de identificação?

Carlos Moreno – Além do aspecto físico óbvio (risos) – meu corpo, minha cara, minha imagem -, de personalidade tem que eu sempre procuro agir de uma maneira ética e agradar. É esse o ponto de identificação. Claro que, às vezes, eu piso na bola, mas aí é que está diferença: ele é ficção, não existe fora do ar. A essência honesta dele está lá, perfeita. Eu sou ser humano, ele é virtual.

OP – Mas e os trejeitos, a timidez? Você tem disso também ou é mais extrovertido?

Carlos Moreno – Eu sou tranquilo. Muitas vezes as pessoas me conhecem pessoalmente e falam: ‘nossa! Na televisão, você é tão engraçado, tão animado e agora você está tão sério, sisudo’. Não é que eu sou sério, ora, eu sou normal. Tem dia que eu acordo de bom humor, outros não. Mas não sou muito expansivo mesmo. Sou mais na minha.

OP – Como é sua relação com as pessoas nas ruas? Elas sempre te reconhecem? Como é esse corpo-a-corpo?

Carlos Moreno – Acontece de a pessoa ficar olhando, na dúvida, ‘é, não é; é, não é’. Até escuto o comentário. Mas, quando falo, me denuncio. É meu tom de voz, meu ‘r’ puxado, meio ‘acaipirado’. Mas minha popularidade está no limite do aceitável. Nunca me privei de nada, nunca precisei de segurança, onde eu entro não causo tumulto (risos). Eventualmente, quando as pessoas me abordam, é sempre de uma maneira muito simpática e carinhosa. Claro que elas estão enxergando o personagem, mas aí eu pego carona nessa simpatia.

OP – Já houve algum evento desagradável?

Carlos Moreno – Num velório! Veio alguém fazer gracinha e pedir ‘ô, cara da Bom Bril, faz…’. Ah! Pelo amor de Deus, uma pessoa querida lá (no caixão). Não tenho que aceitar isso, não tenho que atender. E é engraçado porque essa relação é de amor e ódio instantâneo, porque a pessoa fala: ‘nossa! Sempre achei você tão legal…agora também não gosto mais! Nunca mais vou comprar Bom Bril na minha vida’ (Risos). Bom…(dá de ombros). Enfim.

OP – Você se sente estigmatizado?

Carlos Moreno – Hum… (pausa). Não. Quando estou em algum outro trabalho, seja do teatro seja qualquer outra atividade fora da Bom Bril, as pessoas esquecem, parece que apaga, até porque minha postura é outra.

OP – Em nenhum momento, nesses 32 anos de história com a Bom Bril, você ficou em dúvida sobre o quanto esse personagem poderia afetar sua carreira?

Carlos Moreno – Lá pelo décimo ano, mais ou menos, eu fiquei um pouco incomodado. Achava que ‘nossa, vou ficar conhecido só por esse personagem, isso está prejudicando minha carreira’. Mas era ilusão de jovem ator. Amigos e amigas me ajudaram a enxergar tudo que estava acontecendo de bom. O trabalho para a Bom Bril também é um trabalho de ator. Cada texto é estudado e trabalhado como texto de teatro. E é tudo cercado de grandes cuidados de criação e produção.

OP – Até 2004, foram contabilizados 337 comerciais. Deu para ficar milionário?

Carlos Moreno – Não deu para ficar milionário como muita gente fantasia, mas a Bom Bril me deu uma estabilidade financeira para que eu pudesse fazer meus trabalhos experimentais, bem malucos, no teatro, que podem ou não dar certo. Coisas que me fizeram crescer como ator. Assim reverti essa ideia de ficar ou não estigmatizado. Quantos atores e atrizes talentosíssimas ficam num esforço demasiado de produção e têm que se sujeitar a trabalhos mais comerciais, em que não acreditam, porque têm que pagar o aluguel no fim do mês?

OP – Seu trabalho na Bom Bril também é comercial…

Carlos Moreno – É, mas eu acredito nele. Durmo com minha consciência tranquila, porque não estou vendendo nenhum produto que vá prejudicar as pessoas de alguma maneira. Também não crio nenhuma expectativa ilusória de que se você tiver o Bom Bril terá uma vida melhor. Todo mundo usa produto de limpeza e você tem o direito de escolher qual usar. A campanha da Bom Bril não impõe uma compra.

OP – Como o personagem “vendia” os produtos da Bom Bril, nos primeiros comerciais?

Carlos Moreno – O primeiro filme nem era para a palhinha de aço. A Bom Bril, que já era uma marca forte, queria mostrar que tinha outros produtos também. A gente fez o que se chama propaganda comparativa que pode acabar sendo uma coisa antipática, mas que no caso dele nunca foi. Ele nunca falava ‘meu produto é o melhor’, mas: ‘todos esses são detergentes, lavam e são muito bons, mas esse aqui eu que fiz, cuidei da fórmula’. E deixava a decisão final com o consumidor. Isso foi genial. Ainda mais porque o personagem tinha essa questão de ser ‘inadequado’ para aquela função, de querer agradar. E assim provocava o humor, não era forçado.

OP – O personagem que começou tímido, logo ganhou força e virou porta-voz da empresa., começou a fazer caracterizações? Quando foi isso?

Carlos Moreno – Meu personagem sempre esteve muito ligado aos acontecimentos culturais e políticos, depois começou a brincar com o cotidiano. Depois de 20 anos, ele já tinha uma identidade tão forte que pode ser descaracterizado e ainda assim reconhecido. Imitar o Che Guevara foi o começo de toda uma brincadeira que fizemos dentro da própria propaganda. Também teve uma série de fotos muito legais, entre 1998 e 1999, quando a Bom Bril estava com verba reduzida para mídia. Então fizeram contracapas de revistas. Toda semana tinha foto nova de acordo com o assunto que marcou aquela semana. Tinha gente que jurava que tinha visto o filme: ‘ adorei seu filme da tiazinha’; ‘ah!, mas não teve filme, foi só foto’. O retorno foi excelente.

OP – Que personagem você mais gostou de fazer?

Carlos Moreno- A Mona Lisa (Da Vinci) é a que eu mais gosto, porque ficou uma coisa meio dadaísta de brincar com um ícone da história da arte. A caracterização demorou três horas. Mas a sacada genial foi essa de ficar no meio termo entre você saber quem é a pessoa retratada e ainda reconhecer o garoto Bom Bril por trás da máscara.

OP – A propaganda logo nos primeiros filmes teve uma repercussão que – acredito -vocês não esperavam, mas aí foi durando mais um ano, mais um ano, mais dez. Você não ficou com medo que, de repente, tudo acabasse?

Carlos Moreno – Uma hora isso ainda vai acabar. Os primeiros contratos eram anuais. Então eu sempre ficava na corda bamba. ‘Será que esse ano acaba? E nesse agora? Será?’, mas sempre continuava. Na verdade, eu continuei a fazer tudo que queria fazer. Continuei estudando, trabalhando em teatro. Eu sou designer gráfico também, então, faço cenário, figurino. Não fiquei em casa de braços cruzados: ‘bom, agora eu sou o garoto Bom Bril, não vou fazer mais nada’. Eu preciso trabalhar, senão fico maluco. Literalmente.

OP – Em dois momentos, durante esses 32 anos, você se despediu dos telespectadores. Era tudo planejado?

Carlos Moreno – A primeira vez, em 81, sim. A Bom Bril e a agência, na época a DPZ, questionaram a força que o personagem tinha, depois de três anos. Fizeram então três filmes: a despedida, o substituto e a volta. A ideia era testar a minha popularidade. Na despedida, eu dizia que tinha sido mandado embora da Bom Bril, porque não tinha sabido fazer meu trabalho. Era bem triste e deprimente. O segundo filme era com outro ator muito legal lá de São Paulo, mas fazia aquele vendedor barulhento, o oposto do garoto Bom Bril. ‘Compre o meu, que o meu é melhor. Se você não comprar Bom Bril, não vai ter mais nada!’.

OP – Pelo visto não gostaram muito do substituto…

Carlos Moreno – O filme de ‘despedida’ tinha uma previsão de mídia de um mês, parece. Depois iam colocar o substituto e iam ver o que aconteceria. Dependendo das manifestações, eles colocariam o filme da ‘volta’. Pois tiveram que antecipar a programação de mídia, porque as manifestações foram fortes. As linhas telefônicas da Bom Bril ficaram congestionadas, eram muitas cartas e até gente da publicidade ligando: ‘vocês estão malucos? Estão dispensando mesmo o rapaz?’(risos). Aí, eu voltei.

OP – E a segunda vez?

Carlos Moreno – Foi em 2004, eu realmente saí. Eu já tinha contratos mais longos de três, quatro anos. Daí, sempre tive a preocupação e ficava atormentando o Washington (Olivetto): ‘gente, pelo amor de Deus, estou ficando velho para ficar sendo chamado de garoto propaganda…’. Também não queria ficar patético na televisão que as pessoas olhassem e dissessem ‘meu Deus, não acredito que esse cara ainda está aí’. Eu queria sair com dignidade, no auge. Aconteceu que a Bom Bril estava passando por muitas dificuldades financeiras, quase falindo. Não tinha dinheiro para fazer novos filmes. Até o pagamento, às vezes, atrasava. Como meu contrato estava acabando, sugeri o momento como a hora de sair. Depois de várias reuniões, chegaram a um consenso: em respeito ao carinho do público, se desdobraram para fazer um último comercial.

OP – Foi logo depois disso que você foi para a Fininvest?

Carlos Moreno – Fui. Mas era o grande mistério para mim e para as pessoas: o que vai acontecer no dia seguinte? Será que ele nunca mais vai fazer um comercial? Para minha surpresa, choveram convites, mas todos muito pontuais. Escolhi o da Fininvest porque era mais consistente. Eles tinham o projeto de me transformar no garoto Fininvest. Mas logo ao fim do primeiro ano, a Bom Bril voltou a se reestruturar e me chamou de volta.

OP – Você voltou de pronto?

Carlos Moreno – Não. Fiquei em dúvida se era melhor ter parado onde acabou. Mas acabei voltando. A Fininvest foi extremamente cordial em me liberar sem pagar multa rescisória, mas eles disseram que se fosse para outra empresa iam cobrar até o último centavo (risos). Até porque, claro, nenhuma dessas empresas foram atrás de mim porque de repente descobriram um ator maravilhoso chamado Carlos Moreno. O personagem que, por acaso, eu interpreto era muito bem-sucedido na mídia e todo mundo queria associar seu produto àquele personagem.

OP – Sua volta à Bom Bril foi marcada por um comercial que era uma declaração de amor. Você cantava a música “Izolda”, conhecida na voz de Roberto Carlos.

Carlos Moreno – (cantando) “Você foi o maior dos meus casos, de todos os abraços o que eu nunca esqueci…”. Era a história da volta, assim pude me reaproximar do público. Fiquei muito feliz em saber que todo mundo gostou. Meus temores então eram infundados de que o personagem estava esgotado.

OP – A Bom Bril foi o maior dos seus casos?

Carlos Moreno – (Risos) Foi, foi. Tenho mais tempo com a Bom Bril que tempo sem ela. Tenho 56 anos e comecei aos 24. A Bom Bril faz parte da minha vida e definiu rumos nela. Na verdade, as coisas que mais definiram meus rumos não foram escolhas conscientes. Coloquei na cabeça que ia fazer arquitetura, fiz, mas segui carreira no teatro. Por acaso, numa peça, apareceu um cara lá e fui para a Bom Bril. Mas foram rumos felizes. Estou feliz em fazer parte de uma empresa com uma marca tão forte, pela qual todos os funcionários vestem a camisa e o público tem um carinho imenso por ela. A Bom Bril só sobreviveu por causa disso. Como falou o químico, no primeiro comercial, eu acredito naquilo que vendo.

OP – As tecnologias assumidas pela publicidade evoluíram espantosamente, nos último 30 anos. Há campanhas dignas de cinema, animações perfeitas. Por que a Bom Bril nunca precisou sair detrás do balcão?

Carlos Moreno – Essa é maior prova de que nada substitui uma boa ideia. Os comerciais podem ter grandes produções com tomadas vindas de helicópteros, multidões , mas se não tiver uma boa ideia por trás, vira bolo de noiva: muita cobertura e pouco Conseguir transmitir alguma coisa através da publicidade ainda é uma coisa muito difícil, é um negócio oriental, de minimalismo que te deixe emocionadíssimo. Eu posso até estar sendo radical, mas acho q é isso. A tecnologia, por ela mesma, se esgota.

OP – Você está em alguma rede social?

Carlos Moreno – Eu tenho aversão a essas coisas em que todo mundo quer se mostrar. Por mais que eu entenda que elas tenham um valor de comunicação absurdo. Mas parece que as pessoas se comunicam menos, estão mais desinformadas. Talvez as pessoas e as empresas ainda estejam para descobrir o potencial desses meios.

PERFIL

Carlos Moreno nasceu em São Paulo e tem 56 anos. Ele é arquiteto, formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Graphic Design na Califórnia, EUA. É também ilustrador, programador visual, figurinista e cenógrafo. Iniciou sua carreira de ator em São Paulo, como aluno de Naum Alves de Souza, conhecido por seu trabalho criativo e de grande efeito visual.

A entrevista com Carlos Moreno foi feita depois da coletiva da Bom Bril, no Marina Park. A marca anunciava a nova campanha para as regiões Norte e Nordeste. ”

(O POVO)

CPI da Exploração Sexual em situação de impunidade

“Seis anos após o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual, três casos rumorosos investigados pelo Congresso em 2004 ainda não foram julgados, terminaram em absolvição ou acabaram descartados pelo Ministério Público.

O de maior destaque envolve a suspeita de que o governador do Amazonas e candidato à reeleição, Omar Aziz (PMN), tenha feito programa com uma jovem de 15 anos, em 2003, quando era vice-governador. Ele nega.

A acusação contra Aziz, vice-governador na época do escândalo, tem origem num inquérito da Polícia Civil sobre a atuação de duas cafetinas, em Manaus.”

(Globo.com)

DETALHE – Bom lembrar que nessa CPI atuou em seu comando a senadora Patrícia Saboya, hoje candidata a deputada estadual pelo PDT. Aliás, ela sempre confessou temer impunidades nesses casos.

O "São Geraldo" do Vovô

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Pois é, falaram tanto que dessa vez o craque Geraldo riu por último dos que o criticavam e até pediam sua cabeça dos quadros do time do Ceará. Ao entrar na partida contra o Grêmio, contribuiu para que a equipe mudasse o jeito de atuar. O alvinegro desconheceu o clube gaúcho e só não ganhou por mais – 2×1, por falta de sorte do seu artilheiro, Washington.

Como fã do bom caráter Geraldo e do seu futebol, fiquei mais feliz ainda porque, sem assistir às últimas partidas revoltado com tanto empate, voltei a adotar tal prática e ganhei um presente. A vitória foi sofrida e veio no finalzinho, mas é assim mesmo. Torcedor é bicho que adora sofrer.

Boa sorte, Geraldo!

Jogador é morto por árbitro por reclamar de falta durante partida de futebol

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“Um homem identificado como José Ramos da Silva, 28, foi assassinado a golpes de faca na noite deste domingo, 22, durante uma partida de futebol amador no município de Barreira, a 72 quilômetros de Fortaleza. Segundo a Polícia, a vítima era um dos jogadores que estava em campo e foi morta pelo árbitro que apitava o jogo.

De acordo com o tenente Cledson Maranhão, do Comando de Policiamento do Interior (CPI), o crime teria acontecido após José da Silva reclamar de uma falta marcada pelo árbitro, identificado como Francisco Édio Gregório Chaves, 36. Durante discussão sobre o lance duvidoso, o árbitro desferiu um golpe de faca no peito esquerdo do jogador, que morreu no local.

Um irmão da vítima, identificado como Francisco das Chagas Gomes da Silva, 24, ainda foi atingido com golpes de faca enquanto tentava socorrer o irmão ferido. Ele foi socorrido com várias perfurações e encaminhado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza.

Ainda de acordo com o tenente Cledson, o árbitro Francisco Édio, que já apitava a partida portando a faca utilizada no crime, encontra-se foragido. Nem o acusado e nem as vítimas tinham passagem pela Polícia.”

(O POVO Online)

Eunício faz campanha isolando Pimentel?

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Está na hora da equipe do candidato a senador pelo Partido dos Trabalhadores, José Pimentel, botar a militância nas ruas e convocar a prefeita Luizianne Lins, que também é coordenadora-geral da campanha pró-Dilma Rousseff no Estado, a arregaçar as mangas em favor do petista. Eis o apelo feito por vários militantes.

O caso da festa realizada em Iguatu (Centro-Sul) em favor só do candidato a senador pelo PMDB, Eunício Oliveira, com a presença do vice de Dilma, Michel Temer (SP), foi a prova mais do que clara de que ambos só estão unidos na propaganda eleitoral gratuita.

Acendeu o sinal vermelho na campanha, pois parece que o negócio virou um “cada um por si” na base cidista, enquanto o tucano Tasso Jereissati surfa à vontade nas pesquisas.

Inácio comenta debate da TV O POVO e prevê que Cid ganhará no 1º turno

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O senador Inácio Arruda (PCdoB) deu um tempo na campanha eleitoral cearense e, nesta segunda-feira, participará de atos em favor da candidata ao Senado pelo PCdoB do Amazonas, deputada federal Vanessa Graziotin. Inácio participará de caminhada e comícios dessa candidata que faz dobradinha com o ex-governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB).

Inácio dissse par ao Blog ter gostado do debate da TV O POVO com os candidatos a governador, ralizado nesse domigo. Para ele, Cid Gomes (PSB) se saiu bem, apesar de ser acossado pela oposição e mostrou frieza e números que “mostram a eficiência do seu governo no campo do emprego e na realização de obras estruturantes para o Ceara´”.

Por conta disso, o senador comunista disse não ter dúvidas de que Cid vai ganhar as eleições logo no primeiro turno.

Articulista diz que com Dilma o MST vai fazer invasões à vontade

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Com o título “Com ela, mais invasões”, eis artigo do jornalista Themístocles de Castro e Silva publicado no O POVO desta segunda-feira. Dilma é o alvo de questionamentos. Confira:

“Os próprios correligionários de Dilma se incubem de alertar a Nação sobre o que vai acontecer na hipótese de sua eleição para a Presidência da República. Em entrevista aos jornais, João Stédile, dirigente máximo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), informou que, com a vitória de Dilma, o número de invasões de propriedades será maior. Em qualquer país verdadeiramente democrático e responsável, a invasão da propriedade alheia é punida como crime. Não se tem notícia, em lugar nenhum, de reforma agrária tomando o que é dos outros. É notório o fracasso de tal projeto nos países socialistas. O último foi em Portugal, com a famosa “revolução dos cravos”. O governo seguinte teve que devolver as terras aos legítimos proprietários.

Desde o governo FHC que os comunistas invadem propriedades no Brasil. O primeiro chefe era José Rainha. Estão lembrados da invasão de uma do próprio presidente da República onde realizaram verdadeiro festival em saques e bebidas? Com Lula, porém, a crise foi mais grave porque além do apoio que deu aos invasores recebendo-os e usando seu boné deu-lhes alguns milhões para custeio das invasões. E a invasão e destruição de uma imensa plantação de laranja?

Não sei como o TSE, em sentença, dá direito de resposta ao PT para dizer “que defende a Constituição”, “cumpre rigorosamente a lei” e também que “repudia a violência, pratica e defende a via democrática para a solução de conflitos”. (Veja 11/8).

Se condena a violência, por que o governo apoia e financia invasão de propriedades e de órgãos públicos pelo MST? Só o financiamento e o apoio de Lula e do PT ao MST desmentem tudo o que foi afirmado no direito de resposta ao PSDB.

Tem quem acredite que o PT “defende a Constituição e cumpre rigorosamente a Lei? Como, se o próprio presidente e sua candidata já foram multados várias vezes, exatamente por descumprimento da lei”? Das duas, uma: ou a maioria do TSE não leu a nota do PT ou lamentavelmente demonstra desconhecimento da realidade nacional.

Themístocles de Castro e Silva – Jornalista e advogado.

PMDB já fala em dividir o poder meio a meio com o PT

“Poder dividido “meio a meio”. Assento no Planalto, entre os “ministros da casa”, e no Conselho Político que assessora o presidente da República. Henrique Meirelles na equipe econômica. Ministérios de “porteira fechada”, os cargos de sempre nas estatais e postos de comando nas vedetes do petróleo, a Petrobrás e a Petro-Sal. Senado e Câmara sob seu comando.

Com a campanha eleitoral em curso e ainda a 42 dias da abertura das urnas, é com essa precisão cirúrgica, alimentada pela liderança nas pesquisas da candidata aliada, Dilma Rousseff (PT), que o PMDB já define as regras de ocupação do poder. Como presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), no posto de vice da chapa presidencial, o PMDB estima o tamanho da cota futura de poder baseado no argumento de que agora, se Dilma ganhar, o partido não é mais “um convidado”, mas na verdade um dos “donos da casa”, o Palácio do Planalto.

A diferença entre “convidado” e “dono da casa” deriva do fato, como explicam os peemedebistas, de que, um governo Dilma seria fruto da coalizão do PT com o PMDB, e não de simples aliança construída depois da vitória – o que aconteceu, por exemplo, nos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

Núcleo. Por isso é que o partido, na condição de sócio-proprietário, já dá como certa a presença de um representante no núcleo político do Palácio do Planalto. “Fomos o primeiro partido a assinar com o presidente Lula um compromisso de união política pela democracia, liberdade de imprensa e de opinião, respeito aos direitos humanos e aos movimentos sociais. Com Lula e com Dilma voltamos a ser o velho MDB, que combateu a ditadura”, diz Moreira Franco, escalado para coordenar o programa de governo da candidata petista pelo lado do PMDB.

Depois de passar por uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal e assumir um lugar na coordenação da campanha presidencial, Moreira Franco sonha com um ministério: o das Cidades, que tentou criar na gestão Fernando Henrique Cardoso e só viu a proposta se concretizar no governo de Lula.

Como o partido conseguiu seis ministérios após aderir formalmente ao segundo governo Lula (2007-2010), passando a comandar orçamento superior a R$ 100 bilhões, o cenário pretendido na hipótese de vitoriosa a chapa PT-PMDB supera, em muito, as cifras e o atual espaço de poder.

A legenda, agora, quer assento no Palácio do Planalto, com participação garantida no núcleo da tradicional reunião das 9 horas com o presidente da República, e quer também ministérios em que os postos-chave não sejam divididos com outros aliados – a tal “porteira fechada”. Além das estatais e da Petrobrás e da futura Petro-Sal, o partido lembra que é candidato a também ratear poder nas agências reguladoras.

Pré-acerto. Em matéria de cargos, o PMDB já tem até pré-acerto para fincar um pé na área econômica do futuro governo. O passaporte para o Ministério da Fazenda ou do Planejamento é o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se filiou ao partido em setembro passado, a pedido do presidente Lula. Também foi Lula quem deu a Meirelles a carta de garantia de que, se vitoriosa a chapa de Dilma, seu lugar na equipe ministerial está garantido.

No fim de março, quando Meirelles já não tinha expectativas de se tornar o vice de Dilma, Lula o chamou ao Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo. “O PMDB não abre mão de Michel Temer. Então, peço que fique no Banco Central”, disse Lula ao presidente do BC. Meirelles concordou em ficar, mas, em troca, o PMDB goiano arrancou de Lula e Dilma a promessa de que o atual responsável pela política de juros terá lugar no primeiro escalão do eventual governo da petista.

Além de Meirelles, outro nome que o PMDB dá como certo numa pasta específica é o do senador Edison Lobão (MA) à frente de Minas e Energia. Lobão conseguiu a proeza de conquistar Dilma, depois de chegar desacreditado a uma área com a qual tinha pouca intimidade, na condição de afilhado do presidente do Senado, José Sarney (AP).

A dupla Sarney e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), deve manter na administração Dilma a influência que teve na gestão Lula. O atual presidente não se esquece de que no Maranhão tem 97% de aprovação dos eleitores, maior até do que no Amazonas – onde, em 2006, saiu das urnas com 1 milhão de votos de vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin, com voto de apenas 176 mil eleitores.

Bancada. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), quer resolver seu futuro dentro do próprio Congresso. A cúpula do partido já negocia com o PT do líder Cândido Vaccarezza (SP) sua indicação para substituir Temer na presidência da Casa.

“Se formos vitoriosos na eleição, vamos pleitear a presidência da Câmara no primeiro biênio do próximo governo, tendo ou não a maior bancada”, antecipa o deputado Eduardo Cunha (RJ).

O partido considera “justo e razoável” que o PMDB mantenha a cadeira de Temer em sistema de rodízio com o PT, pelo qual caberá a Vaccarezza o comando da Câmara no segundo biênio da futura administração. Como em fim de governo é sempre mais difícil manter a coesão da base, ter a presidência da Câmara nas mãos de um petista nos últimos dois anos daria mais segurança ao eventual governo Dilma. No Senado, a regra que vale é a da maior bancada indicar o presidente.

O PMDB conta com o sucesso nas urnas como condição única para fazer o sucessor de Sarney, independentemente da presidência da Câmara. O argumento é que o senador peemedebista teria direito a uma reeleição.

Dirigentes do partido também lembram que, tal como diria Lula, “nunca antes neste país” o PMDB foi aliado de primeira hora em uma campanha. No novo cenário, a legenda se recusa a apadrinhar indicações como a de José Gomes Temporão, que Lula nomeou ministro da Saúde na cota do PMDB. Um peemedebista da cúpula diz que, nesse caso, seu partido nem padrinho foi: “Servimos de barriga de aluguel para o PT, e isso não admitiremos mais.”

?(Portal Terra)