Para empresas e sindicatos, aumento dos juros é ruim para o crescimento econômico

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) disse nessa quarta-feira (27) que os aumentos da taxa básica de juros (Selic) estão freando o crescimento da economia brasileira. “Trata-se de um aumento equivocado, pois em 2013, enquanto os países emergentes devem registrar crescimento de 4,5%, o Brasil registrará um crescimento próximo de 2,5%.  Isso é muito menos do que precisamos”, destaca a nota assinada pelo presidente da federação, Paulo Skaf.

“Essa política econômica não funciona mais. Se queremos resultados diferentes, precisamos fazer diferente. O Brasil precisa de um novo foco na política econômica: maior controle dos gastos, mais investimento público, mais concessões e menores taxas de juros”, acrescenta o texto da Fiesp sobre o sexto aumento consecutivo da taxa feito hoje pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central que elevou os juros para 10% ao ano.

Para a Força Sindical, os juros altos devem prejudicar a geração de empregos. “Esta opção trará consequências prejudiciais ao consumo, à produção e ao emprego. A medida demonstra a falta de convicção do governo com relação ao crescimento econômico e, sobretudo, com relação ao desenvolvimento econômico. Para a Força Sindical, a política monetária precisa ser subordinada ao projeto de desenvolvimento do país e não o contrário”, destacou o presidente da central sindical, Miguel Torres, em comunicado.

Na avaliação da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), não há razão para o novo aumento dos juros. “A inflação está controlada e o câmbio, estável. Também não há motivos consistentes para avaliações pessimistas sobre os rumos da economia em 2014, como alguns setores econômicos têm feito para pressionar o governo e levar vantagens. O que vemos outra vez é transferência de bilhões de reais de recursos públicos para as instituições financeiras”, diz a nota da entidade. “Essa política de juros altos, portanto, não só joga contra o desenvolvimento econômico e social do país como aumenta a concentração da riqueza em um país que é um dos 12 mais desiguais do planeta”.

A Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad) ponderou que, apesar da elevação dos juros ser um “remédio amargo”, é necessária “porque sabemos que, a esta altura, deixar o caminho livre para a inflação poderia ser ainda mais danoso”. Para a associação, no entanto, as pressões inflacionárias são causadas por um descompasso entre a oferta e a demanda. “Faltam condições e incentivos para a indústria nacional produzir com custos competitivos, falta viabilizar investimentos, falta modernizar a infraestrutura, falta dar agilidade às questões burocráticas que emperram as empresas, além de simplificar o cipoal tributário”, pontua o texto divulgado pela entidade.

(Agência Brasil)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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