Pelo fortalecimento do Iplanfor

Com o título “A preservação da Rua José Avelino e as soluções para o comércio atacadista”, eis artigo do presidente do Conselho Estadual de Arquitetura e Urbanismo (CASU), no Ceará, Odilo Almeida. Ele aborda velhos problemas do Centro de Fortaleza como, por exemplo, o comércio ambulante da rua José Avelino. Confira:

O problema de ocupação desordenada do Centro de Fortaleza parece sem solução, mas não é. A vitalidade econômica do nosso centro comercial é ao mesmo tempo, problema e solução. Então, por que entra governo e sai governo e os problemas do Centro não se resolvem? Um dado curioso é que nas últimas gestões, cada novo(a) prefeito(a) de Fortaleza passou metade do mandato estudando os problemas do Centro e a outra metade elaborando soluções, que são quase totalmente abandonadas pelo(a) gestor(a) seguinte que começa tudo de novo.

Os exemplos comprovam que a construção de uma cidade é tarefa de várias gerações e deve obrigatoriamente combinar planejamento de longo prazo e controle desse planejamento pela sociedade. Daí a persistência de arquitetos e urbanistas pelo fortalecimento do Iplanfor (recriado na gestão passada) e pela criação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano, ainda não ocorrida.

O caso da ocupação da Rua José Avelino por ambulantes (e galpões no entorno) é um desses problemas cuja solução passa, a nosso ver, por ações de planejamento e controle social. A atividade comercial atacadista de moda em torno da José Avelino é uma potência, veja. Ela abastece cidades do interior do Ceará, cidades do Piauí, Maranhão, Pará, Rondônia, Rio Grande do Norte e Paraíba, dentre outros. E emprega entre 10 a 12 mil feirantes (mais os indiretos) que atendem a uma média de 100 ônibus por feira, com duas feiras por semana. Cada ônibus traz, em média, 50 compradores (sacoleiras) que compram R$ 5.000,00 por feira. Fazendo as contas: a grosso modo, são mais de R$ 2,4 bilhões de vendas por ano! Mais de 480mil visitantes por ano!

Qual sociedade não gostaria de ter essa riqueza para a sua indústria, comércio e turismo? Porém, o que falta, portanto, é um espaço e local adequado! Um reordenamento do setor. Um novo centro atacadista e hoteleiro, que acomode bem as atividades e estimule ainda mais o seu desenvolvimento. Cabe aos governos potencializar esse local adequado. O setor privado pode ser parceiro na realização dos investimentos através de operações urbanas consorciadas e parcerias público-privadas previstas em lei.

A demora numa solução adequada para a ocupação desordenada da Rua José Avelino tende a gerar mais prejuízos para a economia e aumento da depreciação do centro histórico da cidade. E quanto mais demorar a intervir, mais dicífil será.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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