PMDB e PDT já sinalizam que reforma ministerial foi insuficiente

Eis matéria do Valor Econômico desta quinta-feira:

Nem bem a reforma ministerial completou uma semana e os partidos diretamente envolvidos, PMDB e PDT, já sinalizam que ela foi insuficiente para amarrá-los ao projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. O caso mais evidente é o do PMDB, que reclama tanto do formato do ajuste quanto do grau de conflagração eleitoral com o PT nos Estados. O tema circulou em um jantar na noite de anteontem na residência do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filipelli (PMDB), em homenagem ao líder da bancada na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). A avaliação corrente é a de que o governo sinalizou boa vontade ao partido e o reconheceu como parceiro preferencial, mas ainda há muito a ser resolvido.

Os pemedebistas avaliam que Dilma utilizou a troca do deputado Mendes Ribeiro (RS) por Antonio Andrade (MG) para resolver um problema eleitoral seu: a aproximação que estava em curso da bancada mineira com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). E que nem isso foi resolvido, uma vez que o deputado Leonardo Quintão (MG), preterido na reforma, ameaça levar ao menos parte dos pemedebistas do Estado ao projeto do tucano em 2014.

Há problema ainda na outra alteração, que deslocou Moreira Franco (RJ) para a Secretaria de Aviação Civil sem alterar postos da Infraero, cujo presidente continua a ser Gustavo do Valle, ligado ao Palácio do Planalto. A rigor, o partido considera que só recuperou – e ainda em parte – uma área que havia sido perdida no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Àquela época, aviação estava sob o controle do ministro Nelson Jobim (Defesa). Há também queixa com relação à vacância da diretoria internacional da Petrobras, há meses sem nomeação e, na prática, sob comando da presidente da estatal, Graça Foster. O partido reclama não ter nenhum cargo na empresa.

No Senado, é grande a insatisfação com a falta de espaço dos novos senadores, caso de Vital do Rêgo Filho (PB) e Waldemir Moka (MS). Para piorar, o líder da bancada, Eunício Oliveira (CE), soube da avançada articulação do PT com o PSB no Estado, que frustra sua pretensão de se candidatar ao governo do Ceará. Há uma chapa já desenhada na qual o governador Cid Gomes (PSB) apoia o ministro da Secretaria Especial dos Portos, Leônidas Cristino, ao governo e o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), ao Senado.

Outros problemas ocorrem em Estados como Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Tanto que após a Semana Santa Temer fará viagens para distensionar a relação dos dois partidos. Também após a Semana Santa o namoro com eventuais candidaturas adversárias deve persistir. Deputados do PMDB irão até Recife se encontrar com o governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos.

Além do PMDB, outro que não relaciona a reforma ministerial à aliança em 2014 é o PDT. O presidente em exercício da legenda, André Figueiredo (CE), também líder da bancada na Câmara, diz não haver essa conexão. “Não há nada disso. Nosso compromisso coma presidente é só em 2013. 2014 vamos discutir em 2014. Se 2013 for um grande ano provavelmente estaremos juntos, se não há outras candidaturas da base sendo colocadas”, disse.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

2 comentários sobre “PMDB e PDT já sinalizam que reforma ministerial foi insuficiente

  1. O senador Eunício Oliveira foi muito ingênuo em acreditar na conversa do príncipe de que seria o candidato a governo em 2014. Assim como a ex prefeita Luizianne Lins, os dois foram enganados direitinho. Mas por falta de aviso pros dois não foi.

  2. arnóbio, ingênuo, TALVEZ, deva ser você. Com a vitória do RC ganhou o CID, e o eunício também indicando o vice e outros vários cargos.

    Não se troca governo de estado por prefeitura, o Cid e o Eunício são de partidos diferentes.

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