Por que Dilma escolheu Cid Gomes para o Ministério da Educação?

“Os planos de deixar o Brasil para trabalhar nos Estados Unidos em 2015 foram abortados pelo governador Cid Gomes (Pros) na manhã de ontem, quando ele aceitou o convite da presidente Dilma Rousseff (PT) para assumir o Ministério da Educação. A pasta detém o segundo maior orçamento do Governo Federal, atrás somente da Saúde, e foi considerada pela petista “a mais desafiadora” área do País, conforme relatos de Cid sobre a reunião que selou o convite, em Brasília.

O governador do Ceará disse que se sente “mais à vontade” por não ter sido escolhido por indicação partidária, afirmou que, até janeiro, irá buscar ouvir sugestões de especialistas e adiantou que não irá compor uma nova equipe no Ministério assim que chegar ao cargo.  

“Chegando lá, não vou mudar todo mundo. Será preciso uma transição. Vou conhecer a equipe, o histórico de quem está lá, e aos poucos recrutar o que de melhor há na inteligência nacional. A Dilma certamente me convidou não por enxergar deficiências no Ministério. Chamou porque agora sou uma pessoa que está disponível e que antes não estava. E ela sabe da preocupação e do zelo com essa área”.

Por que Cid?

O Ministério da Educação tem peso desproporcional à estatura do partido de Cid, o Pros, que está entre os nanicos na Câmara dos Deputados. O cearense faz parte, portanto, da cota pessoal de Dilma no ministério. Quando era filiado ao PSB, em 2013, o chefe do Executivo do Ceará ganhou pontos com a petista ao se insurgir contra a candidatura do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), à Presidência da República, defendendo que a sigla se mantivesse na base governista. Com a confirmação do nome de Campos como candidato de oposição, Cid preferiu deixar a sigla e se filiar ao Pros, para onde levou a maioria dos líderes do PSB no Ceará.

O governador também ganhou prestígio com a presidente pelos bons resultados do Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), implantado no Ceará em 2007, que acabou virando referência para um Pacto Nacional na área. Em 2007, crianças da maioria dos municípios do Estado tinham nível “intermediário” de alfabetização no 2º ano do ensino fundamental. Já em 2011, segundo o Governo, 179 das 184 cidades do Ceará já haviam alcançado nível “satisfatório”.

Boa parte dos bons resultados do Governo se concentrou no ensino fundamental. Em setembro deste ano, o MEC divulgou que o Ceará não atingiu a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013 para o ensino médio, mas alcançou os índices propostos para os anos iniciais e finais do fundamental.

Na contramão do bom currículo na área de educação, Cid amargou várias greves de professores e foi acusado por docentes de abandonar a Universidade Estadual do Ceará (Uece). Em 2010, o governador chegou a apresentar ao MEC a proposta de federalizar a Instituição, mas não houve desdobramento.

A qualidade do ensino médio foi outra pedra no sapato. Conforme O POVO publicou ontem, passados oito anos de gestão, 93% dos alunos terminam o ensino médio com deficiência em matemática. Só 9% deixam a escola com proficiência em português.

O QUE CREDENCIA CID 

O Pacto Nacional da Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), lançado pelo governo Dilma Rousseff, é inspirado em programa nascido em Sobral, quando Cid era prefeito, e depois replicado no Estado. No Ceará, o Paic levou alfabetização em nível “satisfatório” a crianças do 2º ano de quase todos os 184 municípios.

Quando Cid assumiu o governo, em 2007, havia déficit de escolas de ensino médio no Ceará. Hoje, todas as sedes municipais possuem uma unidade e, segundo o governador, há 80 distritos com escolas públicas estaduais funcionando. O Estado aponta que não havia nenhuma matrícula em escola profissionalizante do Estado em 2007. Atualmente, há mais de 40 mil jovens matriculados nessa modalidade de ensino.

Em setembro deste ano, o Ideb – índice divulgado a cada dois anos que serve como indicador do MEC para a qualidade do ensino básico no País – mostrou que, nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ceará aumentou sua nota de 4,7 para 5. A meta, nessa modalidade, era de 3,9. Nos anos finais, a nota passou de 3,9 para 4,1. Na rede privada, as metas não foram atingidas.

PROBLEMAS E POLÊMICAS

Em relação ao Ideb, a nota no ciclo final do ensino médio no Ceará caiu de 3,4 para 3,3, de 2011 para 2013. Houve queda de 2,9%, tendência registrada em outros 15 estados.

Resultados divulgados pelo movimento Todos pela Educação este ano mostram que apenas 6,6% dos alunos terminam o ensino médio com proficiência em matemática e só 9% com conhecimento adequado em português.

Cid teve relação difícil com os professores. Em 2011, durante uma greve da categoria, se envolveu em polêmica de projeção nacional ao afirmar que professores devem trabalhar “por amor”.

Outra crise gerada pela greve de 2011 foi a violenta expulsão de professores e simpatizantes acampados na Assembleia Legislativa pela Polícia Militar, conflito do qual algumas pessoas saíram feridas.

Dos 12 meses do ano de 2014, pelo menos oito foram de greve dos professores da Uece. Os docentes acusam o Governo de não cumprir promessas, como a regulamentação de todas as leis do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) e a realização de concursos para professores efetivos. ”

(O POVO)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

4 comentários sobre “Por que Dilma escolheu Cid Gomes para o Ministério da Educação?

  1. Pois é, prezado Eliomar de Lima.

    Nada contra a indicação pessoal da Presidenta. Nada contra também no fator político-partidário. A única indagação que faço, como cidadã, é no tocante à questão curricular da escolha. É bem certo que uma pessoa que desempenha um mandato de Governador possui, sim, capacidade para atuar em qualquer ministério.

    Mas, particularmente, vejo que na Educação seria desejável que a pessoa, ao menos, tivesse alguma experiência na seara educacional. Deveria ter experimentado o dia a dia no magistério, a fim de que pudesse lidar com os melindres das instituições de ensino e com a problemática do nível de desigualdades que respinga na Educação. Porque ela( a Educação) deve ser o carro-chefe para o desenvolvimento de qualquer país!

    Desejo muita SORTE ao futuro Ministro, e que ele trabalhe com muito AMOR no coração, tal qual cada Professor desse país trabalha: por vocação ao magistério, e não apenas pelo salário.

  2. Como pode um governante que em 8 anos dilacerou as 3 universidades estaduais receber como prêmio o ministério da educação? A presidente Dilma não é conhecedora dos fatos ocorridos na educação cearense nesses últimos anos? Se não for, precisa se informar melhor.

  3. gente, parece piada sem graça…..houveram os maiores descalabros, professores surrados….além da celebre frase trabalhar por “amor”….uma grande piada sem a menor graça. bom, se ele quiser agora pode até melhorar e muito a situação das universidades…mas não acreditamos que queira….rsrsrs

  4. Qualquer cearense despido de paixões político-partidárias pode deixar de reconhecer os avanços vivenciados pelo Estado nos últimos oito anos do governo Cid Gomes. Os indicadores nas mais diferentes áreas da administração pública estadual estão a indicar o êxito obtido (educação, infraestrutura, saúde, turismo, tecnologia, desenvolvimento social, etc.).

    O monitoramento das ações desenvolvidas por seus auxiliares diretos, a partir de sua sala de trabalho, permitiu ao governador o acompanhamento, em tempo real, das metas previamente estabelecidas. O sucesso em algumas áreas, inclusive, serviu de referência para outros Estados e o próprio governo federal. Enfim, nenhum reparo a se fazer no macro (atacado), senão pontuar algumas omissões no micro (varejo).

    É o caso, por exemplo, da não instituição no seu governo de um teto salarial único como referência à política de remuneração de todos os servidores públicos, na conformidade da autorização constitucional, na esteira da qual 19 outros Estados o fizeram, corrigindo a flagrante injustiça praticada na EC 41/2003, e a não reinclusão dos delegados de polícia civil dentre as carreiras jurídicas estaduais.

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