Presidente da Fiec e seu lado “beatlemaníaco”

Simplesmente com o título “Paul”, eis artigo do presidente da Federação das Indústrias do Ceará, (Fiec), Roberto Macedo, com suas impressões sobre o show de Paul McCartney. Conhecido por sua discrição, Macedo não pediu “help” e expõe aqui sua admiração pelo ex-Beatle que encantou a todos na Arena Castelão. 

Quando a minha filha Natasha me convidou para ir ao show do Paul McCartney, na Arena Castelão, no último dia 9, resisti no primeiro momento por não ser afeito a eventos que envolvem multidões. Ela insistiu, assegurando que eu não me arrependeria, porque “o Paul é um artista único no mundo”. Ela tinha razão.

Pela qualidade do espetáculo, por tudo o que vi e vivenciei, eu repetiria essa experiência. Ao sentir o público em uníssono, cantando sucessos que tocam de avós a netos, entrei naquele enlevo que parecia conectar a música com  dimensões de espiritualidade.

O encantamento visual, que deslumbrava a partir da iluminação do palco e que se estendia por toda a amplidão do estádio, demonstrava uma combinação perfeita entre a arte e a tecnologia. A esse espetáculo de luzes e sons, agregava-se a contribuição das pessoas que, como vagalumes, faziam brilhar as lanterninhas de seus celulares.

Em meio àquele ambiente de intensa comunhão, pensei no poder de McCartney em unir pessoas com mensagens aglutinadoras. O que motiva alguém com 70 anos de idade, com mais de meio século de carreira consagrada, do ponto de vista da fama e do dinheiro, sair em turnês pelo mundo afora oferecendo à admiração dos seus fãs a dádiva de sua presença?

Serão coisas como sua surpresa emocionada diante da manifestação do público ao soltar centenas de balões verdes e amarelos, quase no final do show, quando ele cantava Hey Jude? Seria esse tipo de recompensa, que só pode ocorrer na interação presencial, que leva Paul MacCartney, considerado um dos maiores artistas vivos do mundo, a enfrentar as canseiras de viagens internacionais e colocar tanta energia durante três horas de espetáculo?

Os esforços do público para vivenciar aquele encontro também me chamaram a atenção. Por que o ingresso caro e o acesso dificultado pelas obras do entorno da Arena Castelão não foram impedimento para o comparecimento das pessoas? O que estaria faltando para que haja uma presença tão maciça, quanto a que ocorreu nesse show, em encontros religiosos de busca de satisfação para a alma?

Essas e outras interrogações que me passaram pela cabeça nesse evento, que serviu de ensaio para a Copa das Confederações, não me tiraram a preocupação sobre a má qualidade do atendimento e sobre a logística de chegada e de saída do estádio.

Já não há mais tempo para medidas de infraestrutura para a Copa das Confederações, que começa em menos de um mês. O desafio agora é extrair lições dos problemas revelados com a realização do show do Paul McCartney, para a adoção de providências pontuais de engenharia de tráfego e de treinamento de pessoas. O Ceará e Fortaleza estão de parabéns pelo êxito deste grandioso evento, mas não se pode deixar de agir para tornar a movimentação de pessoas mais rápida e mais segura e os serviços adequados ao padrão requerido por um equipamento do nível da Arena Castelão.

* Roberto Macêdo

roberto@pmacedo.com.br
Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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