Qual a marca da gestão de Roberto Cláudio?

Com o título “Qual a marca administrativa do prefeito Roberto Cláudio? Parte 01”, eis artigo de Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, sociólogo e consultor político. Eis um bom mote para reflexões do eleitorado e do Paço. Confira:

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) tentará manter a tradição político-eleitoral do chefe do executivo municipal de se reeleger ou conquistar o segundo mandato, como fizeram os seus antecessores: Juracy Magalhães (2000) e Luzianne Lins (2008). O eleitorado fortalezense mantém na sua memoria as marcas administrativas das duas gestões públicas que conquistaram dois mandatos consecutivos à frente do Paço Municipal de Fortaleza. Qual a marca administrativa do prefeito Roberto Cláudio?

O ex-prefeito Juracy Magalhães (PMDB) construiu a sua marca administrativa em cima das grandes obras de infraestrutura e de mobilidade urbana, nos seus dois mandatos consecutivos (1997-2004). A política do asfalto e do concreto como foi batizado pela equipe de marketing das campanhas eleitorais (1996 / 2000) do peemedebista, que sempre mostrava as principais obras construídas: Hospital do IJF, viadutos, praças, etc… O eleitorado juracisista sempre foi maioria na opinião pública fortalezense por isso da eleição do próprio Juracy Magalhães e do seu sucessor no seu primeiro mandato (1990-1992), o ex-prefeito Antonio Cambraia (1993-1996), somente uma crise no campo político e ético foi responsável pelo declínio desse grupo político-eleitoral, mas não extinguiu o seu eleitorado. Juracy Magalhães representava uma oposição ao grupo dominante da política estadual, na época sob a liderança do ex-governador Tasso Jereissati (1987-2006).

A ex-prefeita Luzianne Lins (PT) é fruto da orfandade do eleitorado juracisista, que não teve candidatura que lhe representasse nos pleitos eleitorais de 2004 e 2008. O ex-prefeito Antonio Cambraia foi candidato na eleição de 2004, com apoio político-eleitoral dos tassistas (Tasso Jereissati – Lúcio Alcântara) e a candidatura juracista não tinha apoio na opinião pública; já no pleito eleitoral de 2008, não havia mais o grupo político do ex-prefeito Juracy Magalhães. O vácuo político foi preenchido pelo discurso social da candidata petista à Prefeitura de Fortaleza, a deputada estadual Luzianne Lins, com um perfeito marketing eleitoral da necessidade de cuidar das pessoas, numa clara alusão de contraponto a política do concreto e do asfalto.

As duas administrações municipais da ex-prefeita Luzianne Lins (2005-2012) coincidiram com período de implantação de várias políticas públicas do Governo Federal (Lula – Dilma Rousseff) na área social, como exemplo a Bolsa Família. Luzianne Lins teve a competência de criar a sua marca política-administrativa ancorada no período áureo das políticas públicas de redistribuição de renda do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, com apoio do grupo dominante da política estadual sob o comando do ex-governador Cid Gomes (2007-2014).

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) procura construir a sua marca político-administrativa em cima das grandes obras de infraestrutura e das mobilidades urbanas, como também nas áreas sociais: Educação e Saúde. Roberto Cláudio não explorou a dicotomia ideológica no eleitorado fortalezense, mas pelo contrario, pois procura construir um ponto comum entre essas duas visões ou modelos administrativos. O prefeito poderia ser muito bom herdeiro da política do concreto e asfalto do ex-prefeito Juracy Magalhães, como também da política social da ex-prefeita Luzianne Lins, pois tem muito trabalho prestado nessas duas áreas. O problema é não saber destacar um ponto mais forte na sua gestão pública, por isso, às vezes, a sua marca administrativa não é percebida pelo cidadão-eleitor que tem preferencia por grandes obras de infraestrutura em detrimento das políticas sociais ou prefere a implantação de políticas sociais em detrimento da política do concreto e do asfalto. Roberto Cláudio deverá apostar numa campanha eleitoral que vise esse cidadão-eleitor que reconhece o valor dessas duas frentes de atuação da Prefeitura de Fortaleza.

* Luiz Cláudio Ferreira Barbosa,

Sociólogo e consultor político.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

9 comentários sobre “Qual a marca da gestão de Roberto Cláudio?

  1. Há um certo saudosismo da suposta era desenvolvimentista de Juraci Magalhães, mas é bom ressaltar que o ex-prefeito também pode ser lembrado por um dos maiores casos de corrupção de nossa história: o escândalo da merenda escolar, que estourou em 2002. Na época, o então prefeito Juraci e seu genro, deputado estadual Sérgio Benevides, ambos do PMDB, foram denunciados por desvio e superfaturamento, tendo a Justiça Federal do Ceará condenado os envolvidos ao ressarcimento de R$ 1,39 milhão ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
    Muitas obras de concreto da era Juraci foram questionadas por ambientalistas. Matéria do O Povo de 12/12/04 fala da ponte sobre o Rio Cocó, que chegou a ser embargada por dano ambiental, numa iniciativa do Ministério Público Federal. O MPF entrou também com uma ação de improbidade administrativa contra o então prefeito, o deputado federal Marcelo Teixeira, “companheiro de Juraci desde sua primeira administração”, e o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), acusados de superfaturamento das verbas destinadas à construção da ponte – “Uma alteração no projeto original aumentou em 112% o valor do orçamento inicial”.
    A matéria fala também da contribuição de Juraci à especulação imobiliária: “A partir de 1999, a Praia do Futuro foi o principal palco dessa expansão. Em apenas cinco anos, mansões se espalharam sobre suas dunas, luxuosos hotéis foram erguidos e as pousadas multiplicadas, transformando-a na praia mais badalada da cidade”.
    Acusações como estas levaram Juraci ao ocaso político. Dois exemplos: apoiou Aloísio Carvalho para a Prefeitura de Fortaleza em 2004, ficando este em quinto lugar; e foi candidato a deputado federal em 2006, obtendo apenas 31 mil votos e ficando na segunda suplência. Dramas eleitorais sempre aliviados com uma boa dose de caninha 51.

  2. Discordo da frase:
    O prefeito poderia ser muito bom herdeiro da política do concreto e asfalto do ex-prefeito Juracy Magalhães.

    O prefeito RC precisa ter mais cuidado com pequenos problemas que passam a impressão de que os gestores perdem logo o entusiasmo e a vontade de manter os serviços essenciais e necessários para a cidade.
    Pensamos que logo ficaram entediados com o serviço rotineiro, como uma simples capinação, coleta de lixo e cuidados com a pavimentação. Ou os desrespeitos em ônibus, pois os deficientes visuais ou de locomoção continuam enfrentando as mesmas dificuldades, que também se verificavam anteriormente, para subir em ônibus, que não param nos locais adequados, que deveriam ser SINALIZAÇÃO horizontal. Os ônibus não param por culpa do motorista que não lhes dá atenção e a ETUFOR não age. Ou não param por ter um carro estacionado irregularmente e a AMC não age.

    Sempre reclamei de alguns gestores que aproveitam as operações rotineiras e necessárias de tapar buracos, tirar lixo e limpar lagoas para executá-las somente em algumas ocasiões e com alarde e propaganda, o que apenas reforça e sinaliza que não as fizeram no tempo devido.
    Bastaria que tivessem trabalhado quando a população mais necessitava.
    Tal como uma calha que pedi para ser trocada desde o início da gestão LLins.
    No Montese no cruzamento das ruas 15 de novembro com Equador.
    Finalmente resolveram trocar.
    Mas um serviço que deveria durar 4 horas, pois as calhas são premoldadas, torra a paciência de motoristas há 3 dias!Segundo moradores desde antes do carnaval.
    E a AMC nem aparece.

    Essa operação tapa-buracos faz também buracos nos nossos bolsos.
    Infelizmente tivemos um longo período sem chuvas e nada foi feito para pavimentar as ruas de Fortaleza e muitos acham até que as atividades de pavimentação praticamente INEXISTIRAM na atual gestão.

    A propósito, uma TAREFA DE GINCANA: Além das ruas onde implantaram BINÁRIOS como Santos Dumont e Dom Luís que tiveram grandes transformações, quais outras ruas a atual gestão asfaltou?

    Fui crítico feroz de LLins, mas a equipe do RC nada fez para mudar esse quadro.
    Nem mesmo opção de Internet para que o cidadão registre suas queixas ou elogios foi implantado.
    Qualquer pedido só pode ser feito pessoalmente.

    E, desta forma, só resta ao eleitor mudar mais uma vez de gestor.

  3. Meu caro amigo, Anchieta, o seu relator em relação aos processos judiciais do ex-prefeito Juracy Magalhães, sem dúvida foram essências, pois no meu texto não havia espaço, para descrever os principais escândalos . O modelo administrativo do ex-prefeito Juracy Magalhães venceu três pleitos eleitorais (1992 / 1996 / 2000), mas no campo moral e ético houve grande desgaste ainda no segundo mandato do único chefe do executivo de Fortaleza, com três mandatos (Juracy Magalhães). A cultura política do cidadão-eleitor da Era juracista ainda existe no debate público. Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, sociólogo e consultor político.

  4. Meu caro internauta, Paulo Marcelo Farias Moreira, concordo, com a sua análise dos problemas da micropolítica na gestão do prefeito Roberto Cláudio. Eu sou usuário de transporte público, com isso sou solidário as bandeias sociais dos deficientes físicos. É preciso muito cuidado menospreza o trabalho da ouvidoria ou órgãos competentes na fiscalização dos serviços públicos da Prefeitura de Fortaleza. Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, sociólogo e consultor político.

  5. O Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, deveria ao menos escrever o nome do ex-prefeito direito. O correto é JURACI de onde tirou esse ”Y”!? Tá confundindo com o Juracy Magalhães da Bahia é???????

  6. Meu caro Luiz Cláudio,

    Um marca da atual gestão poderia ser a da mobilidade urbana, entretanto, o dever de casa, encontra-se pela metade. O abandono da periferia de Fortaleza é fato. Quem circula sabe o que estou dizendo. O artigo abaixo foi escrito faz alguns meses, mas continua atual. Não muda praticamente nada da época que foi produzido.

    Esporte e Mobilidade Urbana: lições de Santiago

    Recentemente estive na cidade de Santiago – Chile, onde integrei a delegação brasileira de Bicicross em duas provas internacionais (Continental e Panamericano). Percebi o quanto o esporte que pratico é valorizado naquele país. Além do apoio do poder público, a iniciativa privada também é parceira. Como ciclista, que percorreu mais cem quilômetros nos dias em que lá estive, presenciei diversas ações ligadas à mobilidade urbana: faixas exclusivas de ônibus, bicicletas compartilhadas, ciclovias e ciclofaixas, bem como a ciclofaixa de lazer aos domingos, ações que começaram a serem implantadas em Fortaleza.
    Todavia, gostaria de entender quais são os critérios utilizados pelo poder público local para a implementação de políticas públicas e realização de obras em regiões periféricas e de pouca visibilidade na nossa cidade. A pista de BMX SX, por exemplo, integra os inúmeros equipamentos esportivos do Parque Peñalolen, situado numa região periférica de Santiago, às margens da Cordilheira dos Andes. A iniciativa privada também estava presente. Empresas de medicina esportiva, de componentes eletrônicos, de energéticos e refrigerantes, também se fizeram presente no apoio às competições em destaque. Era possível perceber a integração da comunidade local ao evento e aos pilotos de diferentes países da América Latina e Central (Guatemala, Brasil, Colômbia, Peru, EUA, Chile, Equador, Argentina, Venezuela).
    Em Fortaleza, estamos a mais de dez meses esperando pela reforma da Pista de Bicicross do Planalto Pici – o único espaço público do gênero na cidade para a prática esportiva e encontros de grupos sociais oriundos de diversos locais da capital e região Metropolitana. Apesar de não possuir dimensões oficiais, é lá que os praticantes de BMX fazem os seus treinamentos e novos praticantes são iniciados. Também pegam pesado na enxada e na pá quando o mato toma conta do pequeno circuito. O senhor sabia, Prefeito?
    Neste “pequeno” intervalo (mais de dez meses) foram encaminhados ofícios, visitas presenciais quase diárias à SER III e campanhas nas redes sociais. Não faltaram visitas de Secretários municipais e estaduais (alguns deles ciclistas) ao circuito. Sem falarmos da presença de políticos em campanha eleitoral, contudo, as promessas superaram a prática e a reforma prometida. O senhor sabia, Prefeito?
    A propaganda oficial dissemina aos quatros ventos a valorização da mobilidade urbana e da política de valorização da bicicleta e dos ciclistas. Ok. Sou ciclista, utilizo as ciclovias e ciclofaixas diariamente para me deslocar para o trabalho e me exercitar, é por ai mesmo. Contudo, o “dever de casa” continua pela metade. A periferia e os seus moradores continuam desassistidos pelo poder público. O bairro do Planalto Pici, por exemplo, só aparece no noticiário policial. Assaltos e furtos, tráfico de drogas e briga de gangues são as principais notícias. Acorda, Prefeito!
    Amaudson Ximenes Veras Mendonça é sociólogo, pesquisador e ciclista

  7. Meu caro internauta, Jorge, muito obrigado por essa chamativa, pois não trocarei mais o nome Juraci por Juracy. A mudança do Y pelo I muda o contexto ou pessoa do texto para o leitor local. Bom dia, Soraia, o meu WhatsApp de contato: 85-991027615, como também desejo um ótimo final de semana para você e a sua família.

  8. Meu nobre amigo e irmão, Amaudson Ximenes Veras Mendonça

    O prefeito Roberto Cláudio (PDT) não merece essa fama de chefe do executivo da Prefeitura de Fortaleza, que esqueceu as demandas sociais das regiões pobres de nossa capital. Roberta Cláudio continua várias políticas públicas, em conjunto, com o Governo Federal e o Governo Estadual, que eram feitos nas duas administrações da ex-prefeita Luzianne Lins (2005-2012). A campanha publicitária da atual administração municipal não informa de maneira adequadas as iniciativas ou políticas públicas do prefeito Roberto Cláudio (PDT), em toda Fortaleza.

    Amaudson Ximenes Veras Mendonça conheço a sua militância de quase trinta anos na área de ciclismo na cidade de Fortaleza. Eu me coloco a sua disposição para irmos uma audiência, com o prefeito de Fortaleza, o médico Roberto Cláudio, em relação aos problemas relatados no seu belíssimo texto. Os meus telefones de contatos: 85-988985468 (OI) / 85-996522716 (TIM) / 85-982171730 (Vivo) / 85-991027615 (claro – WhatsApp). Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, sociólogo e consultor político.

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