Qual o futuro da Uece?

Com o título “O presente das universidades”, eis artigo do médico João Brainer Clares de Andrade, egresso da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Ele analisa a greve dos professores da Instituição, que se arrasta desde abril. Confira:

O cabo de força entre professores e alunos das universidades estaduais contra o Governo do Estado do Ceará parecer continuar, a despeito do fim da era Cid e sua incapacidade de diálogo. Até poucos anos, Brasília era visitada para se passar a tutela de nossas universidades estaduais ao ente federal. Porém, a “quebra de braço” restou ao erário estadual. Mesmo vencido, Cid parece não ter passado a lição a seu sucessor.

É sabido que uma universidade funciona como força motriz de um estado: há um presente nobre de inovação, formação profissional, qualificação das instituições públicas correlatas e de oportunidades de extensão que levam material de alto nível a comunidades que mais demandam atenção. Por outro lado, há um preço alto que se paga, reacendendo a dúvida de onde obter recursos. No Ceará, o desafio é grande.

No entanto, incentivar a parceria privada, flexibilizar leis que facilitem captar recursos, estabelecer piso de repasse direto de impostos e – por que não? – cobrar, mesmo que simbolicamente, dos alunos que apresentam condições de arcar com ensino superior privado são uma necessidade. Para popularizar as universidades, não é justo que o melhor que se tem em ensino superior seja em sua quase maioria destinado a egressos de escolas particulares. No papel, o incremento mensal, com mensalidade simbólica, mudaria o presente das nossas universidades.

Do outro lado, as universidades podem abrir seus campi; um modelo de integração a escolas, instituições públicas, órgãos de gestão e, principalmente, a rede de saúde. Na Uece, se o governador tiver interesse, há solo para o nunca executado Hospital Metropolitano e, em menor escala, mas não em menor importância, um complexo de ambulatórios de especialidades médicas usando a oportunidade de professores de excelente formação técnica. Investimento e respeito às universidades estaduais presenteariam milhares de pessoas.

O jogo atual se torna inoportuno: o governador se esconde dos compromissos assumidos, degola o sonho da profissão de quase 30 mil estudantes, interrompe pesquisas de ponta, estaciona projetos de extensão que levam saúde e educação a centenas de comunidades na Capital e no Interior. Camilo não negocia, não ouve, não respeita… E a cada dia, perde a oportunidade de viver o presente das universidades estaduais do Ceará.

*João Brainer Clares de Andrade

joaobrainer@gmail.com
Médico egresso da Universidade Estadual do Ceará (Uece)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “Qual o futuro da Uece?

  1. 1.
    a despeito do fim da era Cid e sua incapacidade de diálogo.
    COMENTO:
    O Governo CID concedeu PCCV aos professores com aumento salarial de mais de 140%.
    E aos servidores técnico administrativo uma gratificação de 50% sobre o vencimento.

    2.
    Camilo não negocia, não ouve, não respeita.
    COMENTO:
    Camilo está negociando um plano de cargos para os servidores tec-adm e autorizou concurso para mais de 100 servidores.

    No site O Povo o Sr. Pedro Wilson reclamou dos FG e disse para eu visitar a UECE.
    3.
    No governo CIRO o valor do vencimento inicial de um servidor nível médio era 40% a mais que o salário mínimo.
    4.
    Pela Lei 13.787 que concedeu o último aumento aos servidores no Governo Lúcio um Prof Titular 40h recebia R$ 1.733,78 e um Adjunto R$ 1.548,02. E mais 40% de gratificação.
    Pela Lei 15.747 que concedeu o último reajuste aos servidores no Governo CID um Prof Titular 40h recebe R$ 7.856,38 e um Adjunto R$ 6.002,91. E mais 1% de gratificação.
    Variação de 227% ou 180%.

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