A região que mais cresce em PIB e violência

Em artigo no O POVO deste sábado (12), o jornalista Luiz Henrique Campos avalia a relação do crescimento econômico do Nordeste com a violência. Confira:

A região Nordeste do Brasil tem conseguido superar a média de crescimento do país com números que chegam a chamar a atenção, despertando o interesse por esse espaço de consumo, que se apresenta cada vez mais atraente para o mercado. Aqui, onde está concentrado cerca de um quarto da população, a classe média cresceu 20% na última década, representando hoje algo em torno de 42% dos habitantes. Já o público caracterizado como classe A, passou de 5% para 9% a partir de 2002.

Não à toa, há quem assegure que qualquer grande empresa que planeje crescer terá que incluir o Nordeste em seus planos de expansão. Atualmente, para se ter ideia, o poder de compra dos nordestinos chega a quase R$ 450 bilhões. Assim, o otimismo na região predomina em relação a economia , mesmo que a situação do país gere incertezas nesse campo.

É essa mesma região, todavia, que de acordo com levantamento do Escritório sobre Drogas e Crime das Nações Unidas (ONU), com base em assassinatos ocorridos no ano de 2012, possui seis das nove capitais de estados entre as 30 cidades mais violentas do mundo. O Brasil, que só perde para a Venezuela, tem 11 cidades entre essas 30, o que reforça o perfil de protagonista do Nordeste em termos de violência no Brasil. Na avaliação dos pesquisadores, nessas cidades a situação encontra-se fora de controle. Já estudo publicado pelo Instituto Avante Brasil em 2012, indicou o Nordeste como a região mais mortífera no trânsito brasileiro, se comparadas as taxas de morte por 100 mil veículos.

Indicadores, portanto, que de certa forma contraditam o cenário de otimismo na economia, como se isso fosse suficiente para impedir que as pessoas passassem a ter mais respeito umas pelas outras. Enfrentar esse desafio apenas com dados econômicos se mostrou um erro.

O fato, é que o Nordeste, apesar do otimismo na economia, ainda se caracteriza por graves indicadores sociais e exclusão extrema na maioria dos municípios. Reverter esse quadro não é tarefa fácil, mas se apresenta como necessidade urgente, sob pena de termos uma sociedade trocando o otimismo pelo medo.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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