Resposta a um míope professor

Em artigo enviado ao Blog, o professor universitário (UFC) e sociólogo João Arruda destaca os avanços na Educação Pública em Fortaleza, como resposta a artigo anteriormente publicado pelo professor Djacyr de Souza, no último dia 27. Confira:

“Invejo a burrice, porque é eterna”, costumava ironizar o imortal Nelson Rodrigues. A sabedoria popular assevera que “o pior cego é aquele que não quer ver”. E se o conhecimento abre olhos e alarga horizonte, há que se supor, sempre, que alguém que se intitula como professor, portanto detentor de conhecimentos, não deveria ser míope ou cego por opção, se levarmos o termo à verdadeira concepção e acepção da palavra.

Por isso, causou-me estranheza ver o rico espaço editorial deste renomado blog ser ocupado por um artigo (não sei nem se assim pode ser definido) por um dito professor Djacyr de Souza, que acusa a atual gestão municipal de tratar a Educação com descaso.

“A maioria dos professores deve estar muito triste com a ação do prefeito Roberto Cláudio, pois vemos o descaso com a Educação crescente na atual gestão que parece viver maquinando algo de ruim para quem estudou”, diz ele.

Ao encerrar suas mal traçadas linhas, o dito professor afirma: “está difícil ser professor em Fortaleza”. Esquecendo ele de citar o que já foi feito, desde 2013, pela valorização dos professores, como concurso público com 1.679 vagas para professores efetivos e 400 cargos para Assistentes da Educação Infantil. Implantação de 1/3 da carga horária dos professores para o planejamento de aulas, demanda histórica do movimento sindical do magistério. Seleção pública para Diretores e Coordenadores Pedagógicos de escolas, acabando com a indicação política na rede municipal de ensino desde o início da atual gestão. Ainda este ano de 2017, será realizada uma nova seleção para formação de banco de gestores.

Se for para falar de remuneração, vale destacar que o salário inicial do professor graduado na rede municipal de Fortaleza, com carga de 40 horas, é de R$ 3.341,58, bem superior ao da rede particular que é de R$ 1.874,00.

Mas os avanços na Educação de Fortaleza não pararam na valorização dos profissionais. Já são 90 novos equipamentos de Educação Infantil entregues à população fortalezense nos últimos 4 anos e meio, ampliando de 10.593 para 18.267 o número de matrículas, o que representa um aumento da ordem de 61,91% nas matrículas de creche.

Escolas de Tempo Integral (ETI), que Fortaleza não tinha nenhuma, fazem parte, agora, da rede municipal de ensino com 21 Escolas de Tempo Integral, atendendo 7.359 alunos. Além disso, o Projeto Integração garante Educação em Tempo Integral no contraturno, com atividades nos equipamentos da Rede CUCA (Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte), beneficiando 600 alunos de 12 escolas municipais, garantindo transporte, lanche e almoço. Atividades que serão realizadas também no 23º BC e em Clubes Sociais da Capital com outros 500 alunos de 24 escolas.

No Programa de Formação Integral e Integrada, o Pró-Técnico, 1.600 alunos do 9º ano do Ensino Fundamental têm atividades de arte e cultura e formação para a vida, proporcionando maiores possibilidades aos adolescentes que irão ingressar no Ensino Médio e/ou Técnico Profissionalizante.

Para incentivar o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras com uso de tecnologias digitais, a Secretaria Municipal de Educação adquiriu 374 lousas digitais e 64 novos laboratórios móveis (armário de recarga com 29 laptops educacionais) para uso em sala de aula e em projetos desenvolvidos pelas escolas.

Atualmente, são 262 laboratórios de informática em funcionamento. Também há 40 computadores fixos revitalizados e transformados em laptops para uso em laboratórios de informática. Além do laboratório Google For Education, o primeiro em uma capital brasileira que conta com 30 notebooks, lousa digital multi-touch e impressora 3D.

A Educação de Fortaleza também ganhou Escola Bilíngue, a primeira escola totalmente adaptada para receber alunos surdos, com equipe profissional capacitada para o ensino em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e Língua Portuguesa. Ao todo, 103 alunos se beneficiam da educação bilíngue em tempo integral.

Os avanços também estão nos resultados do SPAECE Alfa. No resultado da avaliação realizada no final de 2016, 195 escolas municipais estão no nível desejável no SPAECE Alfa (Sistema Permanente de Avaliação do Ensino Básico do Ceará), ou seja, estão ensinando a ler e escrever na idade certa. Em 2012, apenas 20 alcançavam esse indicador.

Com relação ao IDEB, os dados divulgados pelo INEP apontam um melhor rendimento escolar dos anos iniciais do ensino fundamental – 1º ao 5º ano – com índices de aprovação que chegam a 92,7% nos 5º anos e um dos maiores crescimentos nacionais na média geral comparada a 2013, ano da última avaliação.

A capital cearense cresceu, na média geral, 0,8 ponto, ficando atrás somente de Teresina. Além de gerar os dados, o instituto apresenta médias de crescimento projetadas para cada cidade. Em 2013, Fortaleza obteve 4,6 na média geral do IDEB. Em 2015, cresceu para 5,4, superando projeção de 5,2 esperada apenas para 2019. Com relação aos anos finais, em 2013, Fortaleza tinha apenas uma das escolas avaliadas com nota acima de 5,0. Em 2015, o número cresceu para 12, sendo que cinco delas são Escolas de Tempo Integral.

Outro avanço está no item das Quadras Poliesportivas, quando 15 novas quadras na rede municipal de ensino, com estrutura que contempla arquibancada e vestiários e serve como espaço de interação com as comunidades.

Em nenhum momento da atual gestão foram esquecidas as reformas no parque escolar e, só para lembrar, é importante também destacar que o calendário escolar que padecia de defasagem de quase doze meses, foi unificado, fazendo com que as 535 unidades passassem a funcionar de acordo com todas as outras escolas da Capital.

Sem falar na oportunidade que a Prefeitura de Fortaleza está dando, pela primeira vez, para alunos da rede pública que obtiveram as melhores notas no ENEM tenham a experiência de estudar durante dois meses no exterior. São 98 alunos que estão na Espanha e no Canadá neste momento, com todas as despesas custeadas pela Prefeitura.

E só para concluir, sugiro que este autodenominado “professor” peça, urgentemente, aposentadoria por invalidez permanente, com todo o respeito que tenho aos verdadeiros portadores de deficiência visual. E justifico: um sujeito com tamanha deficiência de visão, só pode estar proporcionando deformação a quem, por acaso, tenha a desventura de cruzar com ele em suas idas a uma sala de aula!

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “Resposta a um míope professor

  1. Se a atua gestão faz tanto pela educação, visite as escolas e veja a precariedade dos equipamentos públicos, a falta de material didático, livros, a insegurança com várias escolas sendo assaltadas durante as aulas, a situação degradante dos terceirizados, merenda escolar inadequada, a falta de fardamento adequado para os alunos, dentre outras situações que são maquiadas pela imprensa e isso tudo sem falar no ZERO por cento de reajuste salarial como diz a lei do piso do magistério. É muito fácil quando se olha para números que não representam a realidade da educação do município de Fortaleza.

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