Sine/IDT sob ameaça de corte

Eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira, com título “Sine/IDT: visível paradoxo”. Confira:

A notícia de que o governo estadual pretende reduzir recursos orçamentários destinados a organizações sociais, como forma, supostamente, de equilibrar as contas públicas, e que isso alcançaria de forma ameaçadora o Sine/IDT, sigla que conjuga Sistema Nacional de Emprego e Instituto do Desenvolvimento do Trabalho, se avolumou nos últimos dias. É natural que isso cause apreensão – não só pela perspectiva de desmonte de um corpo técnico de valor inequívoco para um governo que pretende ver-se cercado de gente experiente e capacitada, em vista das batalhas a serem travadas numa conjuntura nacional difícil – mas, por se tratar de uma instituição que lida justamente com a camada mais frágil da sociedade: a das pessoas desempregadas e em busca de emprego – aquelas que um governo comprometido com o social, certamente privilegiaria.

Evidentemente, a racionalidade faz parte da boa forma de governar, mas, também se sabe, nem sempre cortes lineares – como às vezes se faz numa empresa privada – são adequados como sistemática gerencial na administração pública. Aí é que entra o papel da política – no seu sentido mais amplo de arte do possível – pois lhe cabe compatibilizar interesses de uma forma que permita associar racionalidade com sensibilidade. No caso específico, manter um instrumento (Sine/IDT) que além de fazer a intermediação de mão-de-obra, qualificação social e profissional buscando recolocar o trabalhador desempregado no mercado de trabalho e minimizando o custo social do desemprego, tem prestado um serviço inequívoco ao governo ao lhe fornecer dados da realidade laboral para subsidiá-lo na formulação de políticas públicas do trabalho, tal como é exemplo destacado a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Fortaleza, de forma a facilitar o entendimento e a compreensão das lacunas existentes no seio de camadas mais vulneráveis do mercado de trabalho para melhor saná-las.

Não seria razoável que, agora, quando a crise castiga de maneira impiedosa o segmento mais vulnerável da sociedade – os desempregados – um governo que se autorrefere como de transformação social vá retirar dessa camada o único instrumento que ainda resta para lhe dar suporte, numa situação tão dramática. Seria um tiro no pé e faltar com um dos compromissos assumidos pelo País com a OIT – Organização Internacional do Trabalho.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “Sine/IDT sob ameaça de corte

  1. Caro Editor,

    Sou um dos instituidores do IDT quando lá pelos idos de 1998 era a única opção que tínhamos para preservar o quadro de pessoal e mantermos o SINE em funcionamento.

    Continuo na luta como advogado do Instituto desde o seu nascedouro e hoje sou membro do seu Conselho de Administração na condição de representante desses instituidores e vejo com apreensão e certa tristeza um gradativo processo de esvaziamento dessa Instituição ao longo dos últimos anos, sempre sob a alegativa de corte no Orçamento de Custeio do Estado. E o que mais entristece, justo pelo Governo dos Trabalhadores o qual orgulhosamente ajudei a eleger!

    O orçamento do IDT não é despesa de custeio, aliás o IDT em si não é custeio, é um bom investimento! Mais de 90% desse orçamento se destina exclusivamente ao pagamento de pessoal, significando dizer que qualquer percentual de corte orçamentário que venha a sofrer, impacta diretamente e na mesma ou maior proporção, no quadro de pessoal, ou seja, demissão com a consequente diminuição do quadro técnico e operacional.

    Há muitas outras variáveis que diferem a situação do IDT da dos demais entes da Administração, que demandariam muito tempo e espaço para descrevê-las…

    Assim, deixo aqui a minha total concordância com os termos do Editorial do Jornal O POVO desta segunda-feira, 23 de janeiro, especialmente no que concerne aos ”…cortes lineares às vezes adequados à iniciativa privada… mas não necessariamente à Administração Pública”;
    e o IDT, no caso, é exemplo concreto desse equivoco…!

    Faço aqui mais um apelo ao Governador Camilo Santana: veja com bons olhos essa situação atípica!
    Gerardo Leite, instituidor e membro do Conselho de Administração do IDT.

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