Sistema prisional: a grade enferrujou

foto camilo santana governador

Da Coluna Vertical, no O POVO desta terça-feira (24):

O mês de maio pode fechar como o de pior desgaste para o governo estadual em se tratando de sistema prisional. Como se não bastassem as constantes fugas de adolescentes dos centros socioeducativos, da competência da STDS, todos assistimos atônitos, nesse fim de semana, a uma carnificina registrada nos presídios, após decretação da greve dos agentes penitenciários que, atendidos em seus pleitos, retomaram as atividades depois de cerca de 17 horas de paralisação. Aqui, da competência da Sejus.

O governo criou um gabinete de crise e pediu apoio da Força Nacional de Segurança. Só que o rastro deixado nos dois setores é traumático para a população e para a imagem de uma gestão que diz investir na proposta de um Pacto por um Ceará Pacífico.

Algo deu errado, o que motivou várias reuniões do governador Camilo Santana com responsáveis por esse cenário absurdo.

O Ministério Público promete, com comissão formada, apurar tudo, mas a sociedade espera que todas as medidas anunciadas nesse cenário não virem lenitivo para tal situação.

Coincidência ou não, o clima se agravou depois que o governo prometeu fazer valer a lei que barra o sinal de celulares nos presídios.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “Sistema prisional: a grade enferrujou

  1. Realmente o governo do estado deve muitas explicações.
    A começar pelo fato de ter, durante meses, tratado a presença e as ações de organizações criminosas no Ceará como se fossem “boatos”.
    É sabido que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, tẽm suas ações baseadas em presídios, usam rebeliões como meio de pressão para negociar e já chegaram inclusive fazer “ciranda da morte”, quando diariamente matavam um preso em determinada penitenciária do Sudeste.
    Carros bomba, disparos contra delegacias, ameaças a autoridades, foram outras ações já praticadas por estas organizações e que vimos aqui nos últimos meses.
    Também já há provas da presença destas duas organizações no Ceará.
    Claramente as rebeliões do último final de semana estão associadas ao bloqueio de celulares nos presídios.
    Novamente o governo tenta se omitir de sua responsabilidade e jogar a mesma sobre a greve dos agentes prisionais, suspensa quase de imediato e que poderia ter sido evitada mediante uma simples negociação.
    O governador Camilo Santana deve explicações sobre isso. Também o Ministério Público, que deve apurar as responsabilidades, não só dos presos e agentes prisionais, mas também do Estado.
    E por fim, após mais de seis meses da chacina de Messejana e havendo claros indícios da participação de policiais na mesma, ainda ninguém foi punido, embora o discurso do governador tenha sido o de apurar com o máximo rigor. O mesmo usado no caso das mortes na rebelião.
    Leve-se em conta ainda o péssimo estado dos presídios, condições de trabalho dos servidores públicos e tratamento dispensado á massa carcerária. Tudo isso é um barril de pólvora prestes a explodir. E, agindo como está, o governo não está pronto para impedir esta explosão.

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