Sociólogo vê cheiro de campanha antecipada na visita de Dilma ao Ceará

O sociólogo e professor Pedro Albuquerque deixou uma interessante reflexão na área dos comentários deste Blog. Ele fala sobre inaugurações sucessivas de obras e fala especificamente da vinda da presidente Dilma Rousseff ao Ceará, dia 21 próximo, para receber terreno da surrada refinaria. Confira:

A Justiça Eleitoral deveria acompanhar, com muita atenção, esse movimento de autoridades eleitas em torno de inaugurações sucessivas de obras, em sua grande maioria, pequenas e médias obras e, o que é pior, muitas delas inacabadas ou mal acabadas.

Essa viagem da presidente apenas para receber um terreno sobre o qual será erigida a obra principal cheira a viagem de campanha eleitoral disfarçada. Já se viveu o acinte da inauguração de um hospital em Sobral com alto cachê pago a Ivete Sangalo. Agora, para entregar um terreno, nem é preciso pagar cachê a artista, basta trazer uma estrela de peso, no caso a Presidente da República. Isso parece arranjo eleitoral e se liga à disputa interna no PSB em face da posição que esse partido terá que tomar em relação ao pleito presidencial do ano vindouro.

A presidente busca transformar o grupo Ferreira Gomes em ponta de lança contra a possível candidatura do governador Eduardo Campos. Todavia, na eventualidade de apoio do PSB nacional à candidata Dilma Rousseff, o grupo Cid Gomes/Ciro Gomes já está a disputar com o governador de Pernambuco quem terá mais espaço no futuro governo, caso Dilma seja reeleita. Quanto a essa disputa, nada demais, isso é da política. O condenável é, o que está a indicar essas movimentações das peças do xadrez, o uso disfarçado de recursos públicos na costura de alianças eleitorais.

Sugiro à Justiça Eleitoral ficar de olho nesses aparentes disfarces, seja de quem for, quer seja da situação, quer seja da oposição.

* Pedro Albuquerque,

Sociólogo, advogado e professor.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

5 comentários sobre “Sociólogo vê cheiro de campanha antecipada na visita de Dilma ao Ceará

  1. Meu caro Pedro. No caso, infelizmente, você tem razão. Ocorre que, a própria justiça eleitoral, também dá seus “jeitinhos” favorecendo, às vezes ilegitimamente, a alguém ou a algum grupo, mas sempre da classe dominante…

  2. A análise curta e concisa do professor chama a nossa atenção para a movimentação político-eleitoral com uso de recursos públicos. E ele assume uma posição republicana, sem tomar partido por algum dos lados em disputa. Isso é coisa rara hoje em dia, pois o que se vê é um lado assumindo cegamente a defesa de governos e de outro uma oposição tao cega quanto assumindo um visão oposicionista sem causas. Nao que ele tenha feito uma análise em cima do muro. Nao é isso. Ele fez uma análise crítica que nos remete a uma reflexão. Espero que o Ministério Público Eleitoral possa a acompanhar esse processo em defesa da sociedade.

  3. Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, meu caro Claudio, obrigado por suas observações. Meu caro amigo Zito (Lourival Almeida de Aguiar), você tem razão. Agora veja o sinal dos tempos. Fora em outro contexto (há alguns anos atrás) eu estaria pedindo a atenção da «sociedade civil organizada», com certeza. Essa construção mental nascia até com certa naturalidade, pois a sociedade civil brasileira se manifestava fortemente, tinha presença de vanguarda nas lutas populares e em torno de grandes bandeiras nacionais, e estava sempre muito vigilante. Hoje, soa até estranho falar-se em «sociedade civil organizada». Os «organizados» viraram braço do Estado, são todos(com raras exceções) «governistas» aqui e alhures. UNE? DCEs? CUT? CGT? OAB? ANDES? Partidos de Esquerda? Quem mais?. Até o MST anda meio cabisbaixo. Restam alguns gatos pingados. Mas, nada foi para o «mundo eterno». A inflação está a « «bolsos vistos» e, quem sabe, essa «sociedade» voltará a falar pelo povo? Se não falar, aí será o fogo eterno. Muito boa sua observação, Zito.

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