Teori Zavascki e uma caneta que vale feito lança

Com o título “A Lava Jato e a inédita unidade”, eis artigo do jornalista Plínio Bortolotti, que pode ser conferido no O POVO desta quinta-feira. Ele avalia o sentimento corporativo do Congresso em torno do pedido de prisão de Sarney, Jucá e Renan. Confira:

A operação Lava Jato vem, de fato, logrando feitos memoráveis. O pedido de prisão da alta cúpula do PMDB – Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Eduardo Cunha – promoveu inédita unidade entre oposição e situação: petistas, tucanos e peemedebistas e seus respectivos satélites. Todos tentando colocar panos mornos na situação, fazendo críticas veladas ou nem tanto ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, por ter apontado o caminho das grades para tão importantes homens públicos. Ao mesmo tempo, acenam com a bandeira branca para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Especula-se que o ministro do STF Teori Zavascki não chegaria a provocar tal terremoto, mandando os quatro para trás das grades, pois desta vez o Senado e a Câmara resistiriam a confirmar a prisões, caso ele as decrete.

Ou seja, diferentemente do que aconteceu com ex-senador Delcídio do Amaral, abandonado na chuva pelo seu próprio partido, o PT – sendo vítima de uma cassação relâmpago -, o Congresso, agora, usaria de suas prerrogativas para impedir as prisões, unindo-se corporativamente a maioria dos parlamentares.

Existe suspeita de que há provas mais contundentes que fundamentaram o pedido de prisão contra os quatro peemedebistas, além daquelas que já “vazaram” para a imprensa. E isso deixa o ambiente político ainda mais eletrizado.

De qualquer modo, ainda que fique no que se conhece até agora, percebe-se que inexistem diferenças de mérito entre este caso e o que causou a desgraça de Delcídio – quando ele foi gravado pelo filho de Nestor Cerveró.

Ou seja, se havia justificativa para tirar Delcídio de circulação, elas se reapresentam agora, do mesmo modo. Ao se ouvir as gravações que Sérgio Machado fez com Renan, Sarney e Jucá, fica claro que eles se associavam para “estancar a sangria” da Lava Jato.

Assim, esperemos para ver qual segredo guarda a caneta da esfinge Teori Zavascki.

*Plínio Bortolotti

plinio@opovo.com.br
Jornalista do O POVO.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

2 comentários sobre “Teori Zavascki e uma caneta que vale feito lança

  1. Para os petistas e cripto-petistas como o articulista, é notória a alegria em ver outros políticos e partidos enlameados na corrpução que o PT, Lula, Dilma, Dirceu et caterva levaram a um nível inimaginável. Não esqueçamos: esta lama é fundamentalmente uma lama que tem sua origem nos treze anos de petismo que infelizmente nosso país experimentou.

  2. O malabarismo argumentativo do autor do artigo é uma agressão à nossa inteligência. No caso Delcídio ficou evidente que atos preparatórios não só tinham sido perpetrados, como outros estavam sendo encaminhados para se objetivarem. Já no caso de Sarney, Jucá e Renan, não há atos preparatórios em evidência. Há opiniões sobre a lava-jata, opiniões aliás corriqueiras nos meios políticos, inclusive nos meios petistas. O que pretende na verdade o autor do artigo é, de forma sorrateira, dar força ao argumento de que teria havido uma trama para tirar Dilma do poder. Se se quer ir por aí, pode-se dizer que a trama revelada nas conversas delatadas por Sérgio Machado foi a de nomear Lula para o ministério a fim de que este governasse de fato. Aí, sim, se queria melar a lava-jato. O jornalista Plínio Bortolotti é daqueles que age na surdina escondendo seu petismo, querendo passar a ideia de que é isento. Mais autêntico é Valdemar Menezes que não usa desses subterfúgios.

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