Uma carta para o secretário Alexandre Pereira

Em seu ultimo artigo publicado neste Blog, o ex-secretário estadual do Turismo, Allan Aguiar, prometeu apresentar uma proposta de Agenda para Resgatar o Turismo de Fortaleza, uma pequena, prática e objetiva matriz de políticas públicas e ações mercadológicas capazes de soerguer o Destino Fortaleza, diz ele. Aproveitando a designação do Alexandre Pereira para a SETFOR, manda algumas das propostas dessa Agenda. Confira:

O fato é que os agregados turísticos da nossa Capital apontam para o mais longo período de estagnação dessa atividade econômica, com severas consequências para nossa população em decorrência da redução do número de empregos formais da enorme cadeia produtiva do setor. Indicadores como Fluxo Turístico Nacional e Internacional, investimento privado em turismo e hotelaria, participação do turismo no PIB do Estado, desembarques marítimos, aéreos e rodoviários, venda de imóveis para não brasileiros, Interiorização de fluxos turísticos e voos regulares, charters (arrendamento), domésticos e internacionais revelam a perda de competitividade que o Destino turístico Fortaleza vem contabilizando.

Os símbolos do desmonte e do deserto de turistas são as 60 lojas da Monsenhor Tabosa de portas cerradas, o aviltamento das tarifas dos meios de hospedagem e a agravada crise do setor de bares e restaurantes pelo desaparecimento dos consumidores não residentes no Estado.

Este quadro escancara o tamanho do equívoco da “agenda” que vem sendo perseguida pelo Governo do Estado e do Município, focada no obrismo desplanejado e desconectado das dinâmicas do mercado e do contexto econômico do Brasil e do Mundo. Mais de um bilhão gastos sem que isso tenha atraído um único novo turista. Aeroportos Regionais de Aracati e Jeri que nunca receberam voos com turistas, Terminal de Passageiros do Porto do Mucuripe que jamais atracou qualquer navio de cruzeiro, CEC – Centro de Eventos do Ceará com taxa de ociosidade acima dos 60% e que não conseguiu incrementar o número de turistas de negócios e eventos, Centro Olímpico sem atletas e esqueleto de Aquário formam o cenário das infraestruturas construídas pelos cearenses sem qualquer efeito benéfico na geração de postos de trabalho em nossa economia.

O antídoto, em rápidas palavras, capaz de atenuar essa barbeiragem toda na gestão pública do Turismo reúne os nove passos seguintes:

SEGURANÇA – Plano de comunicação e massiva promoção nacional e internacional no sentido de não permitir que a imagem, cada vez mais e perigosamente consolidada, de Destino Turístico violento, afaste brasileiros e estrangeiros de Fortaleza. Sim, é possível rebater a massacrante mídia espontânea nacional que explicita para os mercados emissores de turistas nacionais e internacionais nossos robustos índices de violência, amputando nossa competitividade em face de ser este quesito o mais importante na hierarquia das prioridades de quem viaja.

Retomar o Programa Guardiões da Praia (parceira operacional da PM, Bombeiros e Guarda Municipal), o qual passaria a contemplar também os demais corredores turísticos da capital. Este programa, no passado, se mostrou bastante exitoso na redução de ocorrências policiais nos espaços em que foi implantado e dotou a orla de grande sensação de segurança dos turistas e fortalezenses. Este método de segurança pública contava com forte atuação do setor privado no auxílio do custeio e manutenção das estruturas e equipamentos disponibilizados.

MEIO AMBIENTE E BALNEABILIDADE – Garantir, definitivamente, a qualidade das águas e do meio ambiente das praias de Fortaleza, oferecendo opção mais vantajosa aos Turistas aqui hospedados, os quais são estimulados a usufruir outras praias da Região Metropolitana Praiana de Fortaleza. Todas as manhãs os Turistas embarcam em ônibus de empresas receptivas e só voltam ao anoitecer, tornando Fortaleza apenas em cidade dormitório de Turistas quando estes poderiam estar realizando seus atos de consumo nas praias da própria capital. Esta medida certamente contaria com o entusiasmo da rede hoteleira situada ao longo da costa de Fortaleza que poderiam incrementar suas receitas de serviços de entretenimento e de alimentos e bebidas.

ZONEAMENTO ECONÕMICO E ECOLÓGICO DO LITORAL DA CAPITAL – Identificar vocações econômicas e ordenar ocupações de equipamentos e empreendimentos turísticos, hoteleiros e imobiliários, inaugurando novo marco regulador capaz de oferecer a adequada segurança jurídica para o capital privado investir no setor do turismo de Fortaleza.

INVENTARIO DO PATRIMÔNIO ARTÍSTICO E ARQUITETÔNICO DA CAPITAL – Investir na requalificação e restauração dos pontos de atratividade da nossa história e da nossa cultura, possibilitando o acesso qualificado dos turistas e residentes através de ônibus tipo “City Sightseeing”, os quais estariam inseridos na malha de transportes de Fortaleza, com paradas obrigatórias nos centros de compras e lazer, como no Centro de Turismo, Mercado Central, Monsenhor Tabosa, etc.

NOVO POLO DE ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TURISMO E HOTELARIA – Incentivar o setor privado através de políticas públicas de subsídios e desonerações para a instalação de Resorts ao longo do novo corredor costeiro do litoral leste da capital que hoje liga a praia do futuro a sabiaguaba. Planeamento de Áreas para novas bandeiras hoteleiras locais, nacionais e internacionais.

PROGRAMA DE ATRAÇÃO DE VOOS E NAVIOS – Marco legal disciplinando o conjunto de incentivos, subsídios e subvenções capazes de atrair grandes empresas Aéreas internacionais que hoje já sobrevoam o Nordeste em suas entradas na esquina atlântica do continente sul americano (Nordeste do Brasil), sem realizarem pousos em nossa capital. Articulação e conduta semelhante em relação às grandes operadoras de cruzeiros marítimos que hoje ignoram nossa capital em suas rotas náuticas.

INFRAESTRUTURA ESTRATÉGICA – Solução definitiva para o Aeroporto de Fortaleza, o qual vem impedindo o crescimento da indústria (sem chaminé) do turismo assim como a possibilidade de HUB aéreo internacional e de pousos e decolagem de aeronaves de grande porte para voos transoceânicos. Dotar a capital de sítio aeroportuário, com duas pistas de 3 km e dois terminais para um fluxo de 18 Milhões de passageiros/ano em um cenário de até 20 anos representará a redenção de uma capital onde os visitantes só chegam voando, a exceção dos residentes em Estados vizinhos. Efetivar as obras de aprofundamento do calado do canal do Terminal de Passageiros do Porto do Mucuripe, possibilitando o atracamento dos grandes navios de cruzeiros marítimos.

PROMOÇÃO E EMULAÇÃO COM MERCADOS – Plano de Marketing, publicidade e propaganda, orçado para cobrir anualmente mercados emissores nacionais e internacionais, em parceria com o trade turístico local e com operadoras, agências de viagens e companhias aéreas. Isso é o que fazer. Quanto ao como fazer, somente com uma

GESTÃO PROFISSIONALIZADA, que conte com uma equipe experiente, motivada e liderada por Gestor competente, focado e de grande habilidade negocial e credibilidade, será capaz de perseguir desafios tão importantes para o grau de cidadania da população de Fortaleza, que é quase uma monocultura do setor de comércio e serviços (turismo).

*Allan Aguiar,

Ex-secretário do Turismo do Ceará e ex-presidente da EMPETUR e da CTI/Nordeste.

 

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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