Valeu a pena…

Em artigo no O POVO deste sábado (18), o médico, antropólogo e professor universitário Antonio Mourão Cavalcante comenta da geração do fim dos anos 1960 e do processo democrático. Confira:

Jogando os braços para o ar, ele parecia querer se libertar. No palco, os clones dos Beatles ensaiavam novas canções. O coração da geração 68 explodia em quase gozo. Como não lembrar-se de todas as letras em Inglês? Como não saber o que eles interpretavam? Aquilo era nossa essência. E, fomos muito felizes!.. Os garotos de Liverpool não se importavam com o ie-ie-iê dos americanos ou os dolentes acordes de Elvis Presley… Sei que a noite foi fabulosa. Uma viagem, sem escalas. Sem drogas!

Agora, vendo a Dilma diante de Aécio, num cara-a-cara pesado e sem tréguas – debates na televisão – entendi que estávamos no caminho certo. Na canção e na política. O resto, Deus nos salva, que Ele é brasileiro!

Seguinte. Acredito que uma geração marca seu tempo, quando convocada, ela não corre com medo, nem se entrega. Resiste. Até com a vida para o direito de aceitar ou de discordar. Fizemos isso. Não apenas os empastelados de Hollywood, mas a dor de uma juventude, em pleno coração do império industrial, sem empregos, sem chances, sem dote. Mas que sabia tocar guitarra e cantar. Tem coisa mais linda do que Let It Be?

A satisfação, se ainda não entenderam é porque os Beatles continuam vivos, eloquentes, empolgando gerações, fazendo-nos chorar emoções e sonhos. Os meninos deram o recado…

E aqui, na mídia, a empolgação de um segundo turno que coloca novamente, face-a-face duas concepções de sociedade. A de “precisamos deixar o bolo crescer, para repartir” versus “o povo unido jamais será vencido”. E, até mesmo, permeando a discussão os argumentos de um moralismo udenista que pensávamos morto.

Fico feliz em ser brasileiro. Muito feliz. Disputamos uma democracia, sem mortes, sem tiros, sem conflagração. Sendo o que surge das urnas o mais soberano. Impositivo. Em qual país do mundo estamos vendo cenário semelhante?

Foi preciso nossa geração, a geração de 68, com contradições, medos e sonhos para legar a esse país a plena democracia. Por isso, domingo próximo, vestirei minha camisa mais bonita e assoviando uma velha e sempre nova canção dos Beatles, assistirei a consagração de que no Brasil construímos um modelo de sociedade, exemplo para o mundo.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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